Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh!! É HOJE, É HOJE, É HOJE, É HOOOOJE!!! Amanhecer Parte II *rebolando, rebolando* Eu vou assistir a pré estreia por que não aguento o povo comentando pelo Twitter que o filme tem isso e aquilo e faltou tal parte! *-* Tô muito feliz que esse ciclo esteja chegando ao fim e espero que o filme faça jus. Estou alegre e um pouco triste, mas todas as histórias acabam um dia e mais essa chegou ao fim.

Óbivo que Twilight sempre terá um lugarzinho especial no meu coração e principalmente no da Gabi, por isso, fiquem com mais um capítulo da nossa linda história, que também está chegando perto do seu fim! :)

Um grande beijo e bom filme para todos vocês!

Rapha :*

Capítulo 19

POV ISABELLA

Mi estrella,

Hoje aconteceu algo que me surpreendeu. Na verdade, não é algo de tão grandioso assim, mas que me faz ter mais certeza de como as coisas ao meu redor também parecem estar ligadas a você. Por não estar mais podendo ir sempre ao Central Park, estou me contentando com um parque que tem mais perto do meu apartamento. Eu vou caminhando até lá. Sim, estou fazendo esse tipo de exercício e, por favor, não ria. Ajuda a relaxar.

O fato foi que em uma das minhas idas a esse parque, me deparei com uma apresentação de dança. Não era nada formal. Acho até que era simplesmente um grupo de jovens alegres com um rádio à mão. Tinha uma menina muito, muito parecida com você, minha estrela. Não o bastante para me confundir, mas o suficiente para que me mantivesse encarando-a por um longo tempo. Ela era muito mais nova, mas se movimentava com uma alegria e aquele brilho nos olhos que eu tanto gostava de ver em você.

Ocasionalmente a mãe da menina, que tinha uns sete ou oito anos, veio me repreender por estar olhando para ela. Não foi por mal; eu simplesmente estou sempre procurando uma maneira de me aproximar mais de você, e a menina era uma grande ajuda. Claro que como o mundo está hoje, o ato não foi visto com bons olhos. Acredito que a situação agora deve parecer engraçada, mas foi assustadora no momento.

(...)


As cartas continuavam a chegar.

Já se faz três meses que ele tinha ido embora, mas elas continuavam... E eu me perguntava até quando ele teria paciência para escrever para uma pessoa que não respondia as mesmas. Intimamente, eu pedia que nunca parasse, por que eu gostava. Eu não confessaria, nem sob tortura, mas as cartas dele me animavam, me traziam algum tipo de felicidade desconhecida até então por mim... E saudade. Muitas vezes, eu me pegava rindo sozinha sentada no sofá depois de passar o dia no ateliê, apreciando a curva das suas letras, aproximando a carta para tentar sentir algum cheiro único e exclusivo by Edward ou imaginando onde ele teria estado quando escrevera. E era tão irônico, uma vez que em meio a tantos sentimentos bons, eu ainda tivesse raiva e rancor por tudo que aconteceu. Estariam sempre impregnados em mim. Sempre.


Elas não tinham uma freqüência certa. Na verdade, creio que atrasavam por causa da distância e por depender de vários outros fatores. No dia que eu fiquei uma semana sem receber nenhuma, fiquei angustiada. Todo dia quando chegava, perguntava se tinha alguma encomenda para mim e a cada resposta negativa, eu ficava mais apreensiva. Nos dois primeiros dias, eu estava bem por que é mais ou menos esse o espaço de tempo para cada carta. Eu ficava apenas ansiosa. No terceiro dia de negação, fiquei nervosa. No quarto, estava pensando que ele tinha desistido das cartas, afinal, nunca demoraram tanto. No quinto, eu estava desiludida. No sexto, já estava xingando o Edward de todos os nomes possíveis e imagináveis e falando para mim mesma: toma otária, ele continua brincando com você. No sétimo, eu já tinha desistido e estava chorando com raiva, ódio e frustração quando tocaram a campainha. Pensando em xingar o filho da puta que estava me incomodando em um momento de libertação da raiva, escancarei a porta. O porteiro se assustou e deu passos para trás.

- Desculpa Srta. Martinez. É que chegou essa correspondência para você.

- Correspondência? – balbuciei, olhando para a mão dele como um animal faminto.

- Sim, mas eu posso voltar em out... – ele começou.

- Não! – falei tirando o cabelo do rosto e dando dois passos na direção dele. – Pode me entregar, você não me incomodou.

Hesitante, ele assim o fez.

- Por nada, então. Srta.

Assim que ele virou as costas, entrei correndo de novo no apartamento e fechei a porta. Abri o envelope furiosa, querendo ler qual seria a próxima desculpa. Na primeira, era como outra qualquer. Começava com Mi Estrella, falava um pouco sobre o que ele tinha feito e terminava com a frase e falando que me amava. A segunda tinha o mesmo segmento. A terceira, a mesma coisa. Abri enraivecida a quarta, com os olhos entupidos de lágrimas. Ela era curta:


Mi Estrella,

Por favor, desculpa a demora; provavelmente estas cartas demoraram a chegar. Eu briguei com a pessoa do envio por que eles estavam com problema no sistema. Depois de muita confusão e eu ter batido com os punhos no balcão de atendimento, a mulher de lá perguntou por que eu não mandava um e-mail. Daí eu fiquei pensando que eu nunca imaginei fazer isso e depois respondi: ‘È mais romântico assim. Envie a porra da carta’. E fiquei lá até ver que estava devidamente no seu lugar de envio. Eu nunca irei parar de mandar as cartas. Eu sei que talvez você tenha ficado esperando, se você estiver lendo, por isso a minha explicação.

Eu te amo.
Edward


Quando eu terminei, ri em nervoso, por que tinha sido tudo um contra tempo! Ele não a parar de mandar as cartas, e feliz e enxugando as lágrimas, peguei as outras três que eu tinha lido apressadamente, arrumei meu cabelo e fui caminhar.

A pé, eu conseguia sentir o calor do povo cubano, que estavam nas ruas, com o barulho das canções características espalhadas pelo lugar. Passei pela larga avenida, atravessando por entre os coqueiros até chegar a um restaurante que na verdade, não era exatamente isso. Ele era rústico e muito antigo, acolhedor a sua maneira. Tinha várias mesinhas espalhadas na sua extensão, dando aquela sensação de tranqüilidade e privacidade.

As mesas que ficavam espalhadas ao longo da parede de vidro davam vista para a praia com certeza eram as mais disputadas, e com um pouco de sorte, consegui uma delas num lugar mais reservado. Pedi um sorvete e ainda tremendo um pouco de emoção, abri a primeira das cartas e li com mais tranqüilidade. Ele me falou um pouco sobre o trabalho, falou vagamente de Emmet e citou Jasper uma ou duas vezes.

Contou que comprou uma cabana que ficava na orla da praia, fora da cidade e que tinha ido visitar e fazer alguns ajustes e que ela era encantadora. Na segunda, ele estava mais melancólico, falou sentir saudades de mim e mais uma vez pediu desculpas por todo o mal. Nessas horas eu ficava me sentindo um monstro, por que suas cartas variavam muito de acordo com o seu humor, com o seu estado de espírito, com o que vinha acontecendo, mas sempre, sempre tinha aquele tom amoroso que eu conseguia captar.

Muitas vezes eu me preocupava, pensando que ele pudesse fazer alguma besteira... Em uma das cartas ele também citou os pais, falando que tinha jantado com eles. ‘Foi extremamente desconfortável, uma vez que a minha mãe fica querendo me tratar como uma criança e me paparicar como se eu tivesse 10 anos. Parece que ela não entende que eu já não tenho mais essa idade e que eu estou fazendo realmente um esforço para estar ali, mi estrella.

Nessas horas eu ficava tentando imaginar a mãe de Edward o paparicando e a expressão horrorizada da mulher quando soubesse que o filho falava uma quantidade razoável de palavrões. Rindo, mergulhei a colher na sobremesa já entregue a minha frente e enfiei na boca, degustando o sabor do sorvete de banana. As cartas estavam abertas sob a mesa, e faltava ler apenas uma. Distraída, olhei através do vidro para as pessoas que passavam pela rua e das várias outras que estacionavam ali por perto para ir em direção a praia. Absorta nos meus pensamentos, continuei a comer meu sorvete.

Percebia que um leve sorriso surgia em meus lábios toda vez que olhava de relance pra uma das cartas do Edward, rindo por que até em cartas a sua personalidade continuava tão forte. Absorta, observei através do vidro as pessoas passando e outras tantas estacionando e correndo para a praia para aproveitar o dia. Não conseguia ouvir, mas suas expressões sorridentes demonstravam que com certeza tinham gritos animados e estridentes.

De repente, uma pessoa parou, bem na minha frente, do outro lado da parede de vidro. Minha mão caiu lentamente e depositei a colher dentro da taça de sorvete. Meu coração parou por um instante, por que talvez fosse apenas uma ilusão, um desejo do meu coração carente e imprevisível. Parado, do outro lado, estava o meu Jacob. Meu melhor amigo, aquele que falou que não me queria mais. Aquele que eu sentia falta, mas que não queria ver para evitar o sofrimento. Aquele que me fez pensar nele durante vários dias. Aquele que sempre, sempre teria um espaço no meu coração, independente da distância, das palavras, dos atos... Jake.

Ele estava parado, me olhando com aquele olhar penetrante. Pisquei e ele ainda estava ali. Transtornada, peguei as cartas, levantei e fui caminhando. Pelo canto do olho, eu conseguia ver que ele estava fazendo o mesmo. O timing foi perfeito, chegamos juntos a porta.

- Bella. – ele falou, quase assoprando a palavra no meu rosto. Seu cheiro chegou penetrante em mim. Apesar de tudo, eu não consegui responder. Eu não falei nada. Ficamos ali, bloqueando a entrada. – Eu queria falar com você, apesar de saber que você não quer falar comigo, por favor, me ouça.  – ele pediu com aqueles olhos suplicantes. – Por favor. – e pousou delicadamente cada uma das suas mãos em cada ombro meu, descendo lentamente até chegar aos meus pulsos.

Apertei com força as cartas de Edward em uma das mãos. Sem saber o que fazer, apenas voltei para o lugar onde estava, sendo seguida de perto por ele que se sentou na minha frente. Apenas nos encaramos, por que, sinceramente o que eu tinha para falar para ele? Depois desse momento, onde nossos olhos não conseguiam desgrudar um do outro, eu abaixei a vista. Ele tomou a iniciativa.

- Como você está? – ele perguntou tenso do seu lugar.

Apenas afirmei com a cabeça. Silêncio.

- E o ateliê? – ele insistiu, tentando me fazer falar.

- Ok. – respondi.

- Você não vai falar comigo?

- O que sinceramente você espera que eu fale para você, Jacob?

- Eu estou arrependido. – ele falou baixinho. – Eu sinto a sua falta. Do seu riso, das brincadeiras, das nossas conversas, de você. Você não deveria se afastar de mim quando sabe que eu não sei viver sem você.

- Você me afastou, você decidiu assim. – corrigi.

- Me perdoa. – ele pediu, procurando por uma das minhas mãos, e eu afastei meu corpo automaticamente. – Não faz assim Bella.

- Vamos apenas esclarecer: eu tentei Jacob, eu tentei! Por que você sabe que o amo muito, você sempre foi minha família, foi meu tudo. Como você acha que eu me senti tendo perdido a minha única família mais uma vez? Quando você me fez sofrer, eu percebi que talvez eu desse um valor e atenção que você não merecia. Quem ama verdadeiramente, não deixa o outro sofrer Jacob... Não deixa. – e lágrimas surgiram nos meus olhos, por que essa ultima frase cabia tão bem para ele quando para Edward.

Quem ama verdadeiramente, não deixa o outro sofrer...

A expressão dele era de evidente sofrimento, mas eu também sofri e não me afetou tanto. Eu nunca me senti tão sozinha como nesses últimos meses e o mais triste era saber que eu o tinha, e de uma hora para outra ele não estava mais ali.

- Eu estou mal se isso faz você se sentir melhor.

- Não, não faz, então nem precisa continuar com essa conversa. Eu só queria ir para minha casa, se você não se importar.

- Eu me importo. Preciso que você entenda.

- Entender o que?

- Que eu faço qualquer coisa para apagar tudo isso Bella. Eu não tenho condições de ficar assim, ficar sem você. Eu não estou falando de uma maneira romântica, eu só queria que voltasse a ser como antes. Eu sei que estraguei tudo, eu sei! Mas eu só queria que você voltasse a ser a minha bailarina. A minha Bella. A minha prima. Eu ainda a amo Bella. Sempre vou amar, mas eu descobrir que eu prefiro sofrer perto de você a morrer aos poucos longe de você. Não que eu não a ame, que eu não queira você de outra maneira. Eu quero. Eu não vou fingir ou esconder isso de você. Mas é por que... Não dá mais para suportar, sabe? E se é a única maneira que eu tenho de ter você por perto, eu aceito. Eu aceito qualquer coisa, mas não me deixe afastar você de mim mesmo outra vez.

Por mais que eu não quisesse, era difícil não acreditar. Por que o Jacob, o meu Jake, ele nunca tinha mentindo para mim. Se ele falava, eu acreditava cegamente, assim como acreditei naquele dia no escritório quando ele falou que não me queria mais... Assim como eu estava acreditando agora.

- Ok Jacob... Eu acredito em você. – falei com um suspiro. – Mas tudo é muito complicado para mim, tudo bem?! Esses últimos meses foram difíceis, eu estava frágil e vulnerável. Aconteceram diversas coisas que fizeram o mundo desabar. E você falar tudo isso... Muda tudo. O pior é saber que você nunca mentiu para mim. O que me faz lembrar o que você me falou no seu escritório. Eu acreditei naquilo. Como agora eu acredito no que você está falando agora, e confunde muito. Vamos... Vamos apenas tentar recomeçar? Tentar de novo?

- Eu estou disposto a qualquer coisa. – ele falou com o sorriso mais lindo.

- Eu também estou disposta. Eu senti a sua falta. – confessei com um sorriso quase lacrimoso.

- Então me fala como está você?

 E eu comecei a falar. Obviamente que ele quis saber o motivo de toda a reviravolta na minha vida, e educadamente, eu falei que preferia não tocar no assunto.

[...]

Voltar a ter a companhia de Jacob ao meu lado foi simplesmente fascinante. Foi como se nada tivesse acontecido, mas eu fui com calma, por que palavras são palavras e eu não as esquecia facilmente. Mas aos poucos, foi como se voltássemos a não ter preocupações, como se nada nunca tivesse acontecido ou nunca tivesse acontecido uma afastamento. Estar com Jacob era simples como respirar. Aos poucos eu fui voltando a sorrir com facilidade e muitas vezes me pegava com aquela felicidade explodindo do peito sem nenhum motivo especial aparente. Claro que tinha a contribuição sempre presente de Alice e Rose e aos poucos, fomos voltando a nossa rotina.

Na verdade, eu fui voltando a minha rotina. E quando isso aconteceu me lembrei de como eu tinha sido uma péssima amiga. Diversos momentos eu via algum resquício de tristeza nos olhos – principalmente – de Alice e Rose. Mas sinceramente? O que eu poderia fazer? Juntar a minha tristeza e frustração a todo o sentimento de saudade que ainda nos rodeava? Não, era melhor continuar assim. Uma ou duas vezes saímos para beber e perdemos o controle. Acabamos todas bêbedas, rindo umas das outras, sentadas na mesa do canto do restaurante super chique depois de várias rodadas de uísque, tequila, champanhe e outras bebidas que não foi possível lembrar o nome na hora.

Balbuciando palavras sem nexo e fazendo um esforço tremendo, consegui ligar para Jake, ainda rindo, pedindo que fosse nos buscar. O outro problema foi que ríamos tanto, que não eu não conseguia falar onde estávamos. Depois de muito esforço, uma crise de risos histéricos depois que Alice falou que queria um pirulito com stanovksy (que quando estávamos lúcidas ela explicou ser um tipo fruta afrodisíaca, criada no mundo imaginário da Alice) por que ela queria... Hãm... Dar, todo o seu amor para alguém. Exatamente com essas palavras. E bêbada. Jacob chegou e a muito custo conseguiu que entrássemos no carro, levando cada uma para sua devida residência.

No outro dia, ele me prometeu que da próxima vez eu o levaria junto. Depois disso, os passeios ficaram mais diários, as visitas ao cinema freqüentes e finais de semana na praia. Claro, eu ia a qualquer a praia, menos aquela praia, onde o meu gazebo estava. Eu ainda não estava preparada. Mas o que importava era que eu tentava voltar a viver. Uma coisa nunca mudaria: todos os dias quando eu chegava do ateliê, eu corria para ver se tinha alguma correspondência, e nunca me decepcionava. Já se passaram cinco meses agora, e a cada uma que chegava, eu ficava mais apreensiva: até quando?! Mas por enquanto, eu aproveitaria, mas no meu íntimo eu sabia que nunca teria forças para me reerguer, caso um dia elas parassem de chegar.

**

A surpresa maior chegou, quando eu estava dando uma aula de merengue. Alice veio toda afobada, me arrastou para fora da sala e falou que tinha alguém que queria me ver na minha sala particular. Curiosa, fui até lá. Quando cheguei, tinha uma mulher alta, elegante, com cabelos extremamente loiros amarrados na nuca em um elegante coque, com uma aparência rígida. Um vestido vermelho e decotado que salientava ainda mais seus seios por conta dos cabelos presos.

- Boa tarde. – falei resignada. – No que posso ajuda-lá?

- Isabella Martinez? – ela perguntou.

A voz era suave, o que fez um contraste com a sua aparência um tanto quanto severa.

- Sim, sou eu.

- Prazer, meu nome é Rômula Figueiredo. – estendeu a mão que eu apertei educadamente. – Gostaria de conversar com você.

- Por favor, sente-se. – ela falou com aquela voz severa e com um quê de autoritarismo.

Arqueei uma sobrancelha, já que ela estava querendo dar ordens dentro da minha sala. Depois de um breve olhar, educadamente, dei a volta na mesa e me sentei.

- Bem, esse ano acontecerá o Campeonato Mundial de Dança. Durante 1 ano e meio ficamos trabalhando afincamente nesse evento que reunirá os melhores dançarinos do mundo. Como estes foram selecionados? Pelo destaque que possuem, incluindo prêmios e apresentações. No seu caso, os seus prêmios ganhados anteriormente, junto com o seu ateliê que é o mais famoso de Havana, fez com que viéssemos até aqui para isso. Você foi selecionada para participar do nosso Campeonato, Isabella. E se você aceitar, terá que embarcar dentro de duas semanas, juntamente com o seu parceiro de dança para o local selecionado para sediar o evento. Terão dois meses para treinar uma coreografia e apresentá-la, junto com todos os outros selecionados de diversos países.

Quando ela terminou e ficou me encarando – talvez esperando por uma resposta imediata, ou pulos saltitantes meus – eu estava em estado de choque. Como assim eu tinha sido selecionada? Tudo bem, eu estava muito feliz, ainda que não estivesse expressando, mas... Não tinha como eu simplesmente falar “EBAAA! EU VOU!!” quando tinha várias outros fatores que interfeririam na questão.

- Ok. – comecei. – Só me esclarece algumas coisas... Duração do evento?

- Dois meses de treinos mais um mês das seletivas até a grande final. No mínimo, três meses. Estamos contando que dê tudo certo e que o prazo seja cumprido. Porém, imprevisto acontecem.

Problema. Como o ateliê ficaria se eu precisasse me ausentar durante no mínimo três meses? Nunca que eu iria fechá-lo, caso aceitasse isso.

- E para participar, você já tem que ter um parceiro fixo de dança. Você tem um? – ela perguntou, enquanto meus pensamentos ainda estavam em devaneio.

- Hãm.. O quê?

- O seu parceiro. – ela falou com aquela expressão que expressava tédio, como se o que ela falasse fosse óbvio. E era.

- Hãm... Claro que eu tenho um parceiro de dança. Fixo. – respondi rapidamente e na minha melhor expressão de tranqüilidade.

Aquela mulher estava querendo me intimidar, e eu nunca abaixaria a cabeça para alguém como ela.

- Excelente. Não iremos disponibilizar parceiros de dança e escolher um assim em cima da hora, seria difícil para se adequar a você.

- Mas eu não aceitei nada ainda.

- Mas eu conheço a sua reputação Isabella Martinez. Tenho certeza que você não vai deixar essa oportunidade passar. – ela falou com aquela expressão tão intrigante.

Sim, era uma oportunidade única. E se eu ganhasse. Oh meu Deus! Era tudo que eu sempre sonhei. E se eu pelo menos sonhasse... Em ganhar... Meu mundo viraria de cabeça para baixo... Em um ÓTIMO sentindo!

- Bem, eu quero muito mesmo participar, mas tenho algumas coisas para resolver, antes de se quer imaginar a participar dessa competição. Não tenho condições de largar o ateliê aqui, sem alguém.

- Você pode pedir para que alguém fique aqui enquanto isso para você.

- Não é tão simples. Eu não confiarei meu ateliê às mãos de qualquer pessoa. Isso aqui é tudo o que eu tenho.

- Eu sei que sim, mas Isabella, eu preciso que você participe desse concurso entende?! Eu esperei tempo demais para reunir os melhores dançarinos, você tem que fazer parte desse espetáculo. As portas se abrirão para você, tudo irá mudar.

- Eu sei que sim... – falei com a cabeça baixa. Eu levei as palavras dela como um elogio a minha pessoa, e sinceramente, não esperava. – Mas... Eu tenho que resolver tudo por aqui antes de te dar uma resposta.

- Esperarei sua resposta até três dias. E que fique claro, Isabella: não aceitarei um não como resposta. – e me estendeu um belo e sofisticado cartão de visitas.

Sorrindo, da maneira dela, se levantou. Levantei também da cadeira e estendi minha mão para apertar a dela. Acabei gostando dessa mulher, mesmo que ela fosse um tanto quanto exigente. Talvez ela fosse professora de dança de algum ateliê de dança.

- Muito obrigada pela sua proposta. Eu vou tentar resolver tudo por aqui.

- Eu estarei esperando pela sua ligação apenas para confirmar a sua presença Isabella. – e se encaminhou para a porta.

- Mas... Você esqueceu de falar onde será o evento. – falei, num impulso. Por que ela tinha se esquecido. E eu tinha que saber todos os detalhes para poder tentar programar os quatros próximos meses.

- Nova York, claro.  – e saiu batendo a porta do escritório, enquanto eu ficava com a minha expressão perplexa.

Alice e Rose entraram dez minutos depois e ainda me pegaram na mesma posição de perplexidade.

- O que aconteceu? O que aquela mulher queria?

- Eu fui convidada para participar de um concurso de dança. – falei.

Elas gritaram e saltitaram e me fizeram levantar para me abraçar. Parabéns foi a menor das palavras que elas falaram.

- Mas eu não sei se irei. – falei finalmente, me jogando na cadeira.

- O QUE? – Alice, escandalosa como sempre, berrou. – Por que não?!

- Alice, não tem como eu abandonar o ateliê durante o período do concurso. Serão no mínimo, três meses. E isso se não der nada errado.

- Bella, você arruma um jeito, fecha aqui e vai para lá, mas você tem que ir! – Rose falou e Alice confirmou confiantemente com a cabeça. – É a oportunidade da sua vida, a que você sempre esperou, não tem como abandonar agora!

- Eu não irei fechar o ateliê. Nunca. Nenhum concurso de dança vai me fazer fechá-lo.

- Mas... – Alice começou.

- Alice, eu sei. Eu sei o quanto é importante e sei que é uma chance de ouro. Mas eu tenho que ser coerente e ter consciência das minhas atitudes. E outra, eu preciso de um parceiro.

- E quem vai ser?

- Eu pensei no Jacob, já que dancei durante toda a minha vida com ele. Ele é mais simples por que já convivemos o bastante para dançarmos bem os dois. Só que temos outro problema: eu não sei se ele aceitaria. Não sei nem ao menos se ele poderia.

- Bella, larga de besteira. O Jacob faria qualquer coisa, ainda mais agora que você está toda legalzinha com ele. – Rose falou.

- Mas é diferente.

- Eu acho que você está colocando empecilhos. – Alice cantarolou.

- Ah é, o que você acha? O ateliê ficou fechado até eu ser maior de idade para reabri-lo. Tia Doroth não tinha condições de cuidar de um estúdio de dança e de duas crianças, sendo que uma delas caiu de pára quedas sob a sua cabeça e tinha todos os problemas não normais para a sua idade. Eu lutei para reabrir tudo isso aqui e eu não vou fechá-lo. Ponto. Fim de historia, ok? Se eu fizer isso, vai ser como se eu tivesse perdido os meus pais mais uma vez. Isso não vai acontecer.

- Ok Bella, vamos com calma, está bem? – Rose tomou a rédea da situação. – Já que você falou que a sua tia não tinha condições de cuidar do ateliê naquela época, o que você diria se ela cuidasse disso por hãm... Quanto tempo precisamos mesmo ficar lá? Onde é ‘lá’, falando nisso?

- Essa é a outra questão. Será em NY, Rose. – eu fiz uma pausa depois da frase então me atentei o que ela tinha dito. - O que, você está sugerindo que a minha tia cuide de tudo?!

- E por que não? Ela seria a única pessoa de confiança sua. Alem do mais, ela teria que vir aqui e checar se está tudo normal, já que você já tem contador e todos esses problemas financeiros e burocráticos são tratados lá. Não seria nenhum bicho de sete cabeças. Fora isso, você tem pessoas de confiança aqui dentro que eu tenho certeza que cuidariam disso aqui com o maior prazer para você.

- Tá... – falei me jogando na cadeira novamente e pensando nas novas possibilidades.  Isso teria que ser conversado e reorganizado.

- Está esperando o que para começar? – Alice perguntou. Ignorei.

- E você falou “quanto tempo precisamos mesmo de ficar em lá?”. Vocês estão pensando em... Hãm... Irem comigo?

- Isso te incomoda de alguma forma? Por que eu não pretendo ficar para trás. – Rose falou convicta.

- Nem eu – se apressou a dizer Alice.

- Oh Deus, vou ligar para a minha tia agora. – e peguei o telefone, enquanto as duas ficaram me observando, sem esconder a ansiedade no olhar. Eu fiquei me perguntando internamente se isso tinha a ver com eu estar quase indo participar de um concurso de dança – sei que elas torcem por mim -, se é por que elas se auto-convidaram a viajar comigo – caso dê certo – ou se é por que os respectivos casos delas moram exatamente naquele lugar – juntamente com a ilusão.

Elas ficaram na sala, ouvindo atentas cada palavra que foi dita com expectativa. Pedi para ir à casa de tia Doroth, por que precisava conversar com ela. A minha tia – e a minha referência de mãe depois que a minha morreu – me atendeu prontamente.

- Pronto. Agora o Jacob. – Alice falou, apontando para o telefone.

- O que? – perguntei um pouco assustada.

- Liga para ele, ué. Precisa saber logo, por que eu preciso de uma resposta pra poder arrumar minhas malas. E também preciso ligar para o Jass. Acho que ele ficará feliz em saber que eu vou passar um tempo em NY.  – e saiu saltitando.

Fiquei encarando a porta sem expressão, talvez um pouco pálida. Depois de um silêncio incomodo, Rose se pronunciou.

- Você sabe que ela não faz por querer Bella. É simplesmente a Alice. Ela não falou por mal.

- Eu sei que não. – falei em um sussurro, pensando talvez seriamente pela primeira vez que se eu aceitasse, automaticamente eu estaria apostando as minhas fichas de que talvez, por algum acaso, eu esbarraria com a ilusão por lá.

O que pelo jeito estava bem na cara de acontecer, uma vez que Alice e Rose se dispuseram a ir comigo. E agora, nesse momento de pense no que vai fazer Bella, eu me pergunto se essa disposição toda não é apenas para ver o que mais as interessam. Com a consciência pesada pelo pensamento maldoso, me repreendo. Elas me acompanhariam independente da situação. Sempre.

- Eu não vou ligar para o Jacob agora. Vou falar com a minha tia e depois eu passo pelo apartamento dele para tentar falar sobre caso. De qualquer maneira, vou tentando me organizar por aqui.

**

No fim da tarde, no horário marcado, cheguei à casa de tia Doroth. Fazia algumas semanas que eu não a via, mas falava com ela quase todos os dias.  Ela já me esperava ansiosa, como sempre. Jacob tinha puxado aquele calor humano, a alegria e o sorriso dos lábios e do olhar dela. Conversamos um pouco e inevitavelmente, o assunto recaiu sobre o ateliê, como sempre acontecia. Um pouco nervosa sem saber qual reação esperar dela, contei tudo que estava acontecendo. Quase dei um pulo de alegria quando ela me deu a resposta, com lágrimas nos olhos.

- Minha Isabella! Mas essa noticia é maravilhosa, minha filha! Tudo que você sempre sonhou finalmente está acontecendo. Eu sempre soube, sempre, sempre que você e o meu Jacob seriam felizes em suas profissões. Vá minha menina! – e segurou o meu rosto entre suas mãos – Vá e volte para casa com o seu troféu de campeã, por que eu sei que você tem capacidade. Os seus pais iriam estar muito orgulhosos, Bella! Muito mesmo. Eu prometo a você que darei o meu melhor e tenho certeza que Jacob poderá me ajudar com tudo no ateliê.

- Hãm... Tia, muito, muito obrigada por tudo.... Mas não sei se Jacob poderia te ajudar.

- Mas por quê?! Ele tem capacidade, minha menina. Ele é responsável, querido, cuidadoso...

- Sim, tia. Eu sei de tudo isso. – falei com um sorriso. – É só que... Se tudo der certo, pretendo levar Jacob comigo. Ele será o meu parceiro de dança. Se ele aceitar, claro.

Depois disso, eu tive que fazer tia Doroth sentar em sua velha poltrona e trazer-lhe um copo com água para que ela pudesse se acalmar. Ela não era uma idosa doente e cheia de problemas, pelo contrário, tinha mais energia que muito jovem por ai, mas seu sistema emocional era muito frágil. Sai de lá com ela controlada e acenando para mim da porta, com o maior sorriso que ela poderia colocar em seu rosto.

**

Já passava das 19h30min quando eu apertei a campainha do apartamento de frente para o mar que Jacob ocupava a mais ou menos um ano. Recusava-me a ir conversar com ele no escritório, uma vez que as lembranças ainda estavam muito vividas em minha cabeça do ultimo encontro que tivemos ali. Ansiosa e me balançado para frente e para trás nas pontas dos pés, apertei mais uma vez. A porta abriu e na minha frente apareceu um Jacob sem camisa e com short pretos de cordão. Sua expressão de surpresa foi totalmente substituída por um sorriso alegre e caloroso.

- Mi bailarina! – ele falou alto, me agarrando pela cintura com uma mão me abraçando, enquanto com a outra batia a porta. – Que surpresa agradável! – e me largou, me olhando intensamente e daquele jeito carinhoso tão Jake.

- Resolvi passar para lhe fazer uma visita. – falei sorrindo. – Mas não esperava te encontrar quase nu.

Sem ruborizar, ele olhou para o próprio peito despido e para os shorts curtos que usava.

- Não esperava visita. – ele comentou rindo. – Mas venha até a cozinha. Podemos beber uma taça de rum e comer pargo com camarão e arroz. Estava preparando.

- Huuum. Vejo que cheguei em ótima hora então.

Ele riu.

- Faz tempo que não sentamos para comer algo juntos, mi bailarina. Fique por aqui e poderemos conversar.

Sentei-me no balcão, enquanto observava Jacob terminar de preparar o jantar. Ele se movia com precisão e continuava a tagarelar animadamente comigo. De tempo em tempo reenchia meu copo de rum.

Comemos alegremente, - depois que ele colocou uma camiseta branca e fina - na varanda do apartamento, de onde dava para ouvir o barulho e sentir a brisa do mar. A luz da sala nos iluminava e estava com um clima gostoso.

- Então, terei que resolver e mandar alguns emails para essas construtoras informando todo o problema que tivemos nas pontes que estão construídas.

- Mas... Isso pode resolver rápido Jake? Por que pode correr o risco da ponte ficar pronta sem todas as exigências de segurança. E depois milhares de pessoas vão passar todos os dias por ali.

- Claro que sim, mi bailarina. Faremos isso o mais rápido possível. Preciso de descanso na verdade.

- Hum... E o que você acharia de passar quatro meses em Nova York? – perguntei, deslizando a ponta do dedo pela borda da taça que já estava no fim.

- E isso é um convite? – ele perguntou com um sorriso maroto.

- Se você aceitá-lo, com certeza. – falei com outro. – Mas eu devo informá-lo corretamente. Não quero mal entendidos ou que você diga que eu agi de má fé.

- Então, chegue ao ponto.

Respirei fundo e falei: - Fui convidada para participar de um concurso de dança em NY.

- Mas que notícia maravilhosa minha Bella! – e ele levantou, rodeando a mesa, me agarrou e me deu um abraço de urso que fez todos os meus ossos estalarem audivelmente.

- Diz aí então se quatro meses não seriam um descanso e tanto para você... – falei tentando fazer com que ele mordesse a isca, quando finalmente me soltou.

- Seria muito, mas seria maravilhoso claro. Ainda mais se estivesse com você.

- Mas você sabe que teria que trabalhar duro lá, não sabe? – perguntei, abaixando os olhos.

- Como?! – ele perguntou confuso.

- Você não iria como turista óbvio. Você acha mesmo que eu daria uma opção dessas para você, assim fácil?! Eu preciso de um parceiro de dança... E pensei que talvez, você pudesse... Você quisesse.

- Você está me convidando para ir com você?! Ir dançar com você?!

- Eu preciso de alguém que me ajude a ganhar esse concurso.

Antes que eu pudesse seque reagir, ele já estava me abraçando novamente, mas seu rosto não foi para beijar o meu rosto e encontrou os meus lábios surpresos. Tão surpresos que eu mantive os olhos arregalados, com as mãos espalmadas em seu peito forte. Lentamente, ele começou a movimentar os seus lábios contra os meus. E eles eram quentes, convidativos, seguros e tinham um gosto especial de Jake misturado com o rum que bebemos juntos.

Sem perceber quando aconteceu, meus olhos se fecharam lentamente, enquanto eu saboreava aquele beijo. Eu entreabri meus lábios devagar e ele passou a ponta da língua por eles, tentando abrir caminho para ter total acesso. Arrepiei-me. Talvez eu tenha tomado muito rum, por que cadê a parte consciente e racional de mim que deveria estar empurrando-o? Ele apertou minha cintura firmemente e me puxou para mais perto. Em um suspiro, entreabri os lábios e ele conseguiu o que queria.

Quando sua língua fez contato com a minha, eu percebi que aquilo era errado. Jacob era o meu primo! Mas o meu subconsciente carente, afetado, magoado, que precisava de carinho, atenção não atendia aos comandos do meu cérebro dopado. Com um esforço descomunal, consegui me afastar.

- Isso... isso é totalmente fora de ordem, Jacob. – falei, com a mãos por cima dos lábios constrangida o bastante para sair correndo dali porta afora. – Não deveria ter acontecido.

- Desculpa. – ele falou e no seu rosto tinha aquela expressão... Talvez de decepção, mas não de arrependimento. – Escapou do meu controle.

- Hey Jake, está tudo bem. – falei, tentando acalmar meu coração palpitante e desesperado para sair dali. Emoções tomavam conta de mim, mas eu tinha que aprender a controlá-las. – Só que... Você sabe que não muda não é? Que nunca será assim?

- Sim, eu sei. Mas eu não desisti, você sabe.

- Jake... Por favor...

- Ei, esqueça isso, ok? Se você ainda me quiser, eu farei de tudo para conseguir viajar com você Bella. Qualquer coisa. Começarei a me reorganizar hoje mesmo. Eu sempre falei que se você precisasse de mim, eu estaria aqui. E eu cumpro com o que eu falo.

-Você é tão bom Jake... – falei, abraçando-o, verdadeiramente agradecida. Rápido, ele retribuiu o abraço. Tensa, tentei me afastar para não lhe dar esperanças que não existiam.

- Eu sei. – ele falou me segurando firmemente no mesmo lugar. - É apenas um abraço Bella. Um simples abraço.

- Eu estou tão confusa Jake. – falei me afastando o bastante para olhá-lo. - Tão carente e tão confusa.

- Mas eu estou aqui. E sempre estarei para você. O que ele fez para você?

- Quem?

- Aquele cara, o estrangeiro. O que ele fez para você? – perguntou erguendo meu rosto.

Meus olhos se entupiram de lágrimas rapidamente: - Ele... Ele... Não fez nada Jake. Na verdade, fez. Mas eu não quero falar, tudo bem?

- Claro, eu entendo. – e me abraçou novamente.

Quinze minutos depois, eu o convenci que eu conseguia dirigir e que quando chegasse a casa avisaria. E assim fiz. Meus pensamentos estavam voando em torno de mim: confusões, sentimentos, alegria, medo, receio, raiva. E eu não sabia onde guardá-los. E tinha mais uma carta de Edward me esperando. Mas essa eu não tive o prazer de lê-la imediatamente. Segurei-a firme contra o peito, enquanto lembrava do beijo de Jake.

Parecia tão certo que ele gostasse dessa maneira de mim e tão errado que eu não conseguisse retribuir esse amor. O beijo tinha sido tão diferente do de Edward... Eu não consegui sentir aquele arrepio, aquela excitação, aquela vontade de mais, mais, mais... E com raiva dele, com ódio mortal de mim, joguei o travesseiro que eu abraçava do outro lado da sala, por saber que mesmo longe, ele conseguia me controlar de uma maneira agressiva, possessiva. Uma maneira tão Edward que era como se ele nunca tivesse partido. Como se ele nunca tivesse partido o meu coração.


POV EDWARD

Massageei as têmporas após o bip final no telefone anunciar que a mensagem de voz tinha terminado.

Eu sabia que Esme estava tentando compensar todos os anos que foi negligente como mãe e que esqueceu-se da coisa mais importante da vida dela, como ela mesma disse, mas eu gostaria que ela maneirasse só um pouquinho. Só um pouco, eu ficaria satisfeito. Ela estava verdadeiramente começando a me incomodar. E não era como se algo realmente pudesse me incomodar no atual momento.

Acontece que ela simplesmente não tem me deixado trabalhar. E novamente, não era como se eu tivesse muito trabalho a fazer, mas tinha me dado bem nos últimos meses por que aparentemente o único disposto a trabalhar ali era eu mesmo. Eu nunca fui de perambular pelo andar buscando ver como o trabalho estava indo. Na verdade, depois de um ano de ter aberto o escritório, eu apenas queria me divertir.

Tinha ralado muito para conseguir tudo aquilo, e parecia justo que eu tirasse um tempo para relaxar. Parecia, no entanto, que não era apenas Emmet quem acreditava que o nome “Edward Masen” era apenas mais um na multidão. Eles esqueceram quem era o chefe por que eu nunca tive contato com eles. O salário era depositado todo mês sem atraso, e era apenas isso que importava para eles. Não é como se eu desse a mínima agora também. Agora, menos ainda.

Enfim, do quase “desconhecido” chefe, eles passaram a me conhecer demais. E com certeza, a me odiar. Como eu não tinha nada a fazer, passava praticamente o dia vigiando o trabalho deles. Após um tempo, eu comecei a “ajudar” alguns que realmente acordaram para vida, pegando alguns casos. Claro que eu estava tentando ajudar a mim mesmo. Eu precisava daquilo.

E eu estava me saindo bem com meu arranjo uma vez que Esme não me deixava mais sair do trabalho tarde. Ela ligava a cada minuto para saber se eu já tinha ido, para me lembrar que não fazia bem trabalhar tanto, para me lembrar de que eu tinha que me alimentar direito e ah, claro, para dizer que estava com saudades de mim. E para somar àquilo, ela tinha aparecido no escritório no dia anterior.

Não é como se eu não gostasse. Embora ela realmente estivesse exagerando, era diferente receber um tratamento assim depois de tantos anos. Era... Bom. A primeira coisa boa que acontecera desde que retornei de Cuba. Ainda assim, eu não conseguia chamá-la de “mãe”. Aquela palavra estava reservada para Cida. E acreditava que sempre seria assim.

O problema com tudo aquilo era que, Esme aparecia demais. E logo, eu passava tempo demais desperto para o mundo ao redor. Algo que eu não podia me dar o luxo de fazer. Algumas vezes eu conseguia acompanhar o assunto, raramente, mas com freqüência, eu me perdia no espaço me lembrando dela. Sempre dela. Àquela altura do campeonato, depois de tantos meses, continuar pensando nela o tempo inteiro que minha mente estava livre estava começando a me parecer algum tipo de doença.

Claramente, em uma destas minhas abstrações, Esme percebia uma vez ou outra. Ela sempre me perguntava sobre o que eu tanto pensava, com um brilho no olhar como se de compreensão. Eu mudava de assunto e dizia que não era nada. Não é como se eu fosse ficar discutindo meu relacionamento com Bella com ela. Nada disso.

Eu tinha a intenção de manter isso exatamente assim, se não fosse por um dia em que Esme me ligou até me convencer a ir para casa mais cedo – mais tarde tendo eu constatado que ela estava me esperando – ela ter descoberto sobre as cartas. Eu estava tomando banho após ela ter dito que queria fazer um jantar especial para mim. Eu não discuti por que estranhamente queria a companhia dela. Tinha me irritado no correio e quase perdido a cabeça com a possibilidade de não poder mais enviar cartas para minha estrela.

Quando eu saí do banheiro, vi Esme sentada na cama com uma das cartas na mão. Eu como sempre, tinha deixado a pasta em cima da cama, e algumas cartas fora dela. Era alguma loucura minha de dormir mais próximo a ela. Algo que nem eu mesmo entendia. Isso não dava o direito, no entanto, de ela sair entrando no meu quarto e remexendo em minhas coisas. Era como se toda a irritação do dia tivesse voltado ao mesmo tempo.

O que você está fazendo?!” Eu perguntara irado.

Esme levantara assustada, escondendo a carta atrás do corpo. Uma atitude muito infantil para a idade dela. E eu já tinha visto de qualquer forma.

Eu... Eu só... entrei aqui e vi a pasta, eu fiquei curiosa... Não é como se eu estivesse bisbilhotando nem nada...

Ah não, claro que não.. Que besteira minha pensar tal coisa...

Eu comecei a colocar todas as cartas dentro da pasta sem nem ao certo me incomodar se estava amassando; só queria tirá-las da visão de Esme, como se fosse fazer alguma diferença. Percebera, no momento, que ela não parecia nenhum pouco arrependida pelo que fez. E sim, por ter sido pega.

Você leu?” Perguntara.

Ahn, não.” Respondeu rápido demais. Eu a encarei. “Talvez uma... ou três.” Ela sorriu como uma garotinha inocente.

Bufei, passando os dedos pelo cabelo. Eu não devia estar tão irritado. Mas outra vez, o dia não estava ajudando e eu realmente não gostava de ser exposto. Apenas para Bella, somente ela. Retirara a carta da mão dela e guardei tudo novamente, saindo do quarto.

Ela estava me olhando com aquela expressão “Que bonitinho, meu filhinho está apaixonado...” E eu detestava ardentemente aquela expressão até então desconhecida. Ela continuara me encarando daquele jeito por bastante tempo até fazer a fatídica pergunta.

Quem é Bella, ou, sua estrela?” O sorriso dela não poderia ser maior.

Eu realmente senti que estava ficando vermelho. E isso nunca – frise no: nunca – acontecia comigo. Nunca. Eu não gostei nenhum pouco da novidade. Não mesmo.

Não quero falar sobre isso.”

Você a conheceu em Cuba?” Continuou como se eu nem ao menos houvesse respondido.

Esme, não.”

E ela continuou insistindo. E sem nem ao menos perceber, eu estava contando tudo. Eu realmente não sabia como ela tinha aquela forma de me persuadir, assim como ela fazia todos os dias para me tirar do escritório. Eu não gostava de não ter controle sobre minhas decisões. Primeiro com Bella, e agora com Esme também? Isso que eu ganhava por criar laços sentimentais com mulheres.

Quando eu terminei de falar, ela simplesmente me abraçou. Assim, sem dizer nada. E não foi um abraço daqueles que você dá em um parente que você não gosta, mas é obrigado a encontrar em jantares familiares. Foi um abraço mesmo – do tipo que deixa você sem ação por alguns segundos. Quando eu a abracei de volta, ela começou a se balançar e eu podia imaginar que ela estava brilhando de alegria.

O problema era que eventualmente ela não me soltava. Então ela se balançava e me balançava junto. Eu fiquei com dor de cabeça algum tempo depois. Mas para alguém de fora, devia ter sido engraçado. Eu não iria rir. Foi constrangedor depois quando ela tentou me consolar dizendo que se fosse para ser, que algo surpreendente iria acontecer e que ia encontrá-la de novo.

Eu apenas respondi que a única coisa que poderia acontecer seria se um fenômeno sobrenatural fundisse as três Américas, tornando-as apenas um bloco. Eventualmente permitindo a livre circulação de pessoas. Talvez, muito não provável, eu tivesse uma chance. Esme continuou firme de que “se fosse para ser, seria”. E eu finalmente mudei de assunto.

Quando Carlisle fora buscá-la naquela noite, Esme imediatamente o pôs a par das novidades sobre, como ela estava chamando, “sua futura nora”. Eu não comentei. Ela parecia tão ansiosa para saber mais sobre Bella como minha estrela estivera para saber sobre os dois; o que era estranho.

Percebi que estava quase rindo me lembrando de Esme, o que era mais estranho ainda. Muito estranho. Quando a porta de minha sala abriu, pensei que talvez meus pensamentos tinham a tele-transportado até aqui, mas notei ser apenas Emmet. E ao seu lado, estava Jasper, que há muito tempo eu não via.

Eu não era tão amigo dele para nos falarmos tanto, e mesmo se fosse, duvidava que o fizesse. Nem Emmet mais aparecia mais na minha sala mais do que o necessário. Sabia que ele estava chateado – ainda – por eu ter ameaçado o demitir. E eu quis muito pedir desculpas por isso – o que mais uma vez era esquisito -, mas sabia que se minha situação se tornasse caótica novamente, eu o faria outra vez.

- E aí, Edward? – cumprimentou o químico. – Você parece bem.

Eu sabia que era mentira. A última coisa que eu estava parecendo era algo perto de bem. ‘Vivo’ poderia servir. Ou não.

- E aí?

Eu estava realmente evitando ter que perguntar o que ele estava fazendo ali para não parecer grosso. E então notei que ele tinha algo nas mãos. Uma espécie de folheto.

- Jass tem algo para você. – Emmet comentou, sentando no meu sofá.

E então eu percebi que os dois estavam alegres demais. Claro que o único que permanecera com o mau-humor fora eu, e Jasper eu não via há muito tempo... Mas Emmet; ele não estava mais com a carranca que trajava quando me via.

- Yeah, eu tenho. – ele confirmou mostrando os dentes em um sorriso. Ele colocou o folheto sobre minha mesa. – Provavelmente, você vai querer me beijar depois disso, mas já aviso de antemão para não criar esperanças.

Eu pensei em várias respostas para dar a ele, mas por alguma razão, não encontrei nenhuma vontade para zombar dele como antigamente. Espichei o olho sobre a folha rapidamente, não exatamente muito interessado, e percebi que era um panfleto de um Concurso de Dança que ocorreria ali em NY.

- Jasper, eu agradeço a tentativa, mas... Dança realmente não é mais comigo.

Afastei a folha de mim por que ela estava me causando lembranças, e eu não poderia me dar ao luxo de lembrar de nada agora e acabar me desconcentrando do trabalho. Claro que a minha aparente resolução não adiantou de nada.

Jasper e Emmet se entreolharam como se não entendessem alguma coisa.

- Você ao menos leu? – Emm perguntou.

- Eu não preciso. Já vi que é um Concurso de Dança. – respondi desejando que eles fossem embora.

Aquilo não era nada bom. Minutos demais sem trabalhava gerava uma mente clara por tempo demais. Que gerava realidade por tempo demais.

- Não é só um Concurso. É um Mundial. – Jasper enfatizou.

- Não faz diferença. Olha, eu realmente preciso voltar para o trabalho...

- Edward, ao menos leia primeiro. – insistiu Emmet.  

Balancei a cabeça. Será que eles não entendiam que eu não queria me distrair ainda mais? Não era tão difícil de perceber.

- Cuba está participando, você sabe. – o químico murmurou casualmente.

- U-hu. – balbuciei desinteressado. – E o que isso tem...

De repente tudo começou a fazer muito sentido. Não, aquilo não poderia significar o que eu estava pensando. Ou será que sim? Explicaria a insistência dos dois para eu ler o maldito folheto. Explicaria a animação dos dois. Explicaria por que eu comecei a sentir falta de ar.

Peguei o folheto com tanta pressa que cheguei a rasgá-lo na lateral. Comecei a ler palavra por palavra do que dizia, atento. Toda a divulgação, os dias das apresentações, até que chegava aos nomes dos casais concorrentes.


Estados Unidos...
Canadá...
Alemanha...


Pulei vários nomes já não mais com a paciência de antes.


França...
Inglaterra...


Pulei outros nomes, até que finalmente enxerguei:


Cuba
Isabella Martinez e Jacob Lopez


Isso não podia ser. Não podia ser. Podia? Claro que podia. Estava escrito. Não alucinação ou imaginação minha. E eu tinha a plena certeza de que estava acordado. Repentinamente o que Esme dissera me voltara à cabeça. Seria mesmo isso que ela queria acontecer? Seria este o “fenômeno sobrenatural” pelo qual estava esperando?

Jasper e Emmet estavam sorrindo como “os fodões”. Parecendo muito cientes de que eu ficaria com a cara de pastel do momento atual. Eu não me importava com nada. Eu parei de escutar e sentir tudo ao redor. Meu cérebro só registrava uma única informação:
Bella estava vindo para NYC.

Por mais estranho, surreal e louco que fosse parecer. Dentre todos os lugares do mundo, foi aqui o lugar escolhido para sediar o Concurso. E com isso eu começava a me sentir uma pessoa muito sortuda.

Tendo consciência de que se não fosse pelo químico, eu provavelmente não saberia de nada devido a toda a minha distração, realmente senti vontade de beijá-lo.

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