Ei, ei, ei!! Voltei e dessa vez com capítulo de verdade!! *\O/*

Sei que demorei um pouquinho, mas só queria avisar que eu ainda estou mudando algumas coisas aqui no blog, mas que ele não ficará sem atualização mais, ok? Inclusive, vou tentar fazer uma retrospectiva do que teve até aqui, no capítulo 16...

A respeito desse capítulo... devo dizer que é quando nossa história vai começar realmente a desenvolver pelo o que acontece aqui...

Curiosos?? Confiram então e comentem!

CAPÍTULO 16

POV ISABELLA

Edward estava comigo em um farol, envolvendo minha cintura, aproximando seu corpo, beijando meu ombro nu.

- A vista daqui é linda.

- Sim. – ele concordou comigo, parando de me beijar. – Eu gostaria de ter mais momentos como esse com você.

Silêncio.

Fechei meus olhos e o senti depositar os lábios no meu ombro mais uma vez, empurrando o cabelo para longe.

- Eu gosto tanto de você, mi estrella. – ele murmurou quase em uma oração.

Virei-me em direção a ele.

- Não fale isso. – respondi, pousando as pontas dos dedos sob seus lábios.

- Falar que gosta de alguém não é crime. Pelo menos não está prescrito na lei. – ele rebateu com um sorriso.

- É apenas... para não machucar mais. – respondi descendo a mão pela camisa de botões.

- Qual o problema, mi estrella? – ele ergueu meu queixo delicadamente.

- O problema é que... Eu me apaixonei por você.



Pesadelos, pesadelos, sonhos.

Levantei da cama e fui tateando a procura do interruptor da luz. Lancei-me para fora do quarto e fui ligando as luzes por onde fui passando. Na cozinha, peguei uma jarra de água, um copo e me sentei na cadeira ao lado do balcão. Tomei água várias vezes até que meu coração desacelerasse.

Fiquei encarando a parede vazia da minha cozinha e sem perceber quando elas apareceram, senti as lágrimas fluindo de meus olhos.

Só sonhamos com os sonhos que temos em nossos corações.” Tia Doroth costumava me falar disso, mas eu nunca acreditei por causa dos meus pesadelos que sempre me atormentaram.
Mas... Esse tinha sido um sonho, não um pesadelo. Um sonho bom, eu estava com Edward, num lugar bonito, com carinho...

Durante essas semanas que Edward me ‘atormentou’ eu tinha prometido a mim mesma que não... Não me apaixonaria. O que foi inevitável. Quando isso aconteceu?! Apesar do jeito arrogante, petulante e presunçoso, Edward era carinhoso, cuidadoso e galanteador. Ele me divertia e distraia. Era protetor, lindo e honesto. Ele sempre dizia o que eu queria ouvir.

Apaixonar-me por ele era algo inalcançável e não sei como me deixei acontecer. Eu fui contra meus princípios, deixei-me levar, fui desatenta.

Como pude me apaixonar por um homem de negócios, de expressão calculista, lindos olhos verdes, e que quando velava o meu sono depois de meus pesadelos, falava: “Reze, mi estrella.
Como pude me apaixonar por um homem vingativo, mas que a noite me pintava possessivamente?

Como pude me apaixonar por um homem que aterrorizava as minhas aulas e depois me levava a uma cachoeira a noite?

Como eu pude me apaixonar por você, Edward? – surpreendi-me falando isso alto e um soluço escapou dos meus lábios.

Ele vai embora... Dentro de algumas horas... Minutos... Quanto tempo, exatamente?

Era meu destino ficar sozinha? Ou estava levando muito a serio esse ‘relacionamento’?
Vi-me analisando nossas vidas. Os dois atormentados com traumas no passado... Sem pais... Mesmo que eles estivessem ali... E principalmente... Sozinhos. Quantos mais eu ia perder? Meus pais, Jacob, Edward, uma vida...

Joguei meus braços sob o balcão e chorei. Chorei por que eu não queria que ele fosse... Eu o queria ali, comigo. Eu estava apaixonada. Mas, como eu poderia ser tão egoísta, a ponto de pedir que ele ficasse abandonando sua própria vida? Eu faria o mesmo no lugar dele... Certo?

Eu não tinha certeza.

Mas... Como eu sobreviveria sem ele para me embalar depois do pesadelo? ‘Seria um bom argumento, caso ele perguntasse. ’ pensei. ‘Não, seria um péssimo. ’ Quem falaria o quanto eu era linda? Quem eu provocaria?

Mais lágrimas.
Quando eu consegui controlar meu choro, fui até a sala e me joguei no sofá. Fiquei olhando os minutos no relógio, balançando as pernas, enrolando mechas do meu cabelo. Peguei o telefone e disquei.

Tocou... Tocou... Tocou...

- Alô?!

- Edward?

- Mi estrella. – ele acordou. – O que aconteceu? – ouvi- o levantar da cama e bater uma porta. – Já estou indo.

- O que? Não, não. Nada de pesadelos dessa vez. Um sonho. Na verdade, eu queria apenas conversar.

- Aaah. Conversar, hum? – ele falou sacana, com a voz um pouco sonolenta ainda – Às 3hs da manhã?

Ri do tom dele.

- Tudo bem, posso ligar outra hora.

- Não, não, não mi estrella. – meu coração disparou quando ele me chamou carinhosamente - Estou a sua disposição.

- Hum... – respondi maliciosa. – Eu posso me aproveitar.

- Quando quiser.
- Há, cobrarei isso mais tarde.

- Ei, o que você sonhou que te fez acordar?

- Não foi nada, apenas um sonho bom.

Ele ficou a conversar comigo, fazendo-me relaxar momentaneamente, mas logo meu corpo ficava tenso, uma aflição me atingia e nem mesmo a voz de Edward foi capaz de me acalmar.

- Eu sei que você vai viajar amanha pela manhã... – falei engolindo em seco. – Eu queria te levar a um lugar hoje.

- Onde? – ele perguntou curioso.

- Você... – gaguejei - Você apenas pode ir? Por favor?! É importante para mim. – quase supliquei. Ele percebeu o meu tom nervoso.

- Tudo bem, Bella. Eu irei. Mas, me diz o que está acontecendo? Eu fico completamente frustrado por não saber o que te atormenta.

- Eu não quero falar sobre coisas tristes. – expliquei baixinho.

A linha ficou muda e eu pensei que ele nem tivesse ouvido.

- E o que te deixa triste? – perguntou, com a voz tensa.

- Você partir. – falei finalmente.


***


Eu nunca tinha me sentindo tão desleixada se tratando do ateliê e nunca tão apaixonada. Eu deixei sob os cuidados dos outros professores as minhas aulas, pedindo que me desculpassem com os meus alunos, mas eu realmente não poderia deixar de fazer esse passeio com o Edward, de aproveitar ao máximo a sua companhia, do seu calor, dos seus beijos...

Ele já estava me esperando na entrada do hotel, o que me poupou chamá-lo na recepção. Assim que entrou no carro, seu perfume inebriante me atingiu, quase me deixando zonza. Inclinei-me para beijá-lo, mas ele enterrou a mãos nos meus cabelos, puxando minha cabeça e aprofundou o beijo. Quando me afastei, ele lambeu os lábios, como se estivesse saboreando meu gosto.

- Como estamos hoje? – perguntou quando eu dei a partida no carro.

- Bem. – respondi sorridente.

Por que mesmo devastada como eu sei que estaria mais tarde, contado as horas e os minutos de sua partida, a sua presença me fazia feliz.

- E aonde vamos?

- Eu simplesmente não posso falar. Daqui a pouco estaremos lá.

Durante a viagem, eu liguei o som do carro. Edward resmungou com a música cubana dos anos 80 e rapidamente mudou a estação para uma rádio americana. Ergui uma sobrancelha.

- Preciso te apresentar algo mais americano. – e começou a cantarolar alegremente a música.

No começo, eu tentei ficar na minha, mas foi impossível não rir, por que ele foi aumentando o tom da voz.

This love has taken its toll on me
She said goodbye too many times before
Her heart is breaking in front of me
I have no choice, cause I won't say goodbye anymore


- O que é isso Edward?!

Mas ele não me respondeu, aumentou o som e cantou a plenos pulmões a música. Quando sua gargalhada se juntaram as minhas, ela parou e pousou a mão sob a minha perna, por baixo da saia do vestido vermelho e rodado que eu usava.

- Amo quando eu te faço rir assim tão facilmente.

- Obrigada por isso.

Faltavam apenas mais alguns minutos até chegar à orla da praia e da pracinha que me indicava o exato lugar para onde eu queria ir.

- Acho melhor você tirar esses sapatos. E enrolar a barra da calça.

- Praia? – chutou.

- Ahãm. – confirmei triunfante.

Na verdade, eu nunca tinha mostrado o gazebo para ninguém, nem mesmo para Jacob. Era um lugar tão pessoal, tão privado, tão meu. Compartilhar com ele era fazer com que ele ocupasse mais um pedaço de mim. Um pedaço extremamente grande, por sinal.
Estacionei o carro. Ele desceu já descalço, carregando os sapatos em uma mão e agarrou a minha com a outra, dando um beijo no topo da minha cabeça.

- Eu queria te mostrar um lugar. – falei passando a mão ao redor da sua cintura.

- Vamos lá então.

Caminhamos pela praia, nossos passos marcados na areia, conversando amenidades. Acho que nós dois não queríamos tocar no tópico “viagem” apenas para não estragar o momento. Eu sentia que a qualquer momento ele iria falar sobre isso. E eu realmente não estava preparada e me sentia fraca por isso.

Quando estávamos perto do lugar, eu o puxei pela mão.

- Por aqui. – falei enigmática. Afastei um pouco os galhos de umas arvores que tinha ali, por que próximo havia um rochedo. – E aqui... Está o meu refugio. – falei, abrindo completamente os braços para lhe mostrar com orgulho o gazebo.

- Como você descobriu tudo isso aqui? – ele perguntou cético.

- Aaaahh, apenas algum dos meus segredos. – falei rodeando seu corpo e ficando na ponta dos pés para poder dar um beijo na sua nuca. – Vem! – puxei-o pela mão pelas escadas e paramos exatamente no meio, onde ele se posicionou na minha frente. – Eu nunca trouxe ninguém aqui, você é o primeiro. É tão meu... – falei olhando com carinho para o lugar. – É tão especial...

- Então por que você me trouxe aqui?

- Por que você também é. – e selei nossos lábios.

Ele me apertou tão fortemente contra o seu corpo, que me fez dar um pequeno impulso e envolver a sua cintura com as minhas pernas. Ele deu quatro passos para trás, até encontrar apoio e desceu, sentando-se comigo entre as suas pernas.

Beijamo-nos até nossos lábios ficarem vermelhos e nossas respirações aceleradas, porem me mantive onde estava. Sentindo a minha necessidade de proximidade, ele me manteve firme em seus braços; cheirou minha orelha, meu pescoço, minha bochecha.

- Aqui é maravilhoso. – poderia vê-lo olhando ao redor do gazebo. – Desde quando você vem aqui?

- Muito pequena. Minha mãe me mostrou o lugar. – falei ainda encostada em seu ombro. – Eu venho aqui sempre que eu tenho uma oportunidade. Para ler, descansar, refletir...

Ele segurou meu rosto entre as suas mãos gentis e me deu um beijinho leve.

- Você quer conversar sobre... Alguma coisa? – ele perguntou carinhosamente. – Qualquer coisa?

Olhei-o, e antes que eu pudesse me controlar, uma lágrima escorreu pelo o meu rosto. Ele secou-a e tocou o meu lábio inferior com o polegar.

- É sobre eu ir embora?

- Como ficaremos? – perguntei.

Eu não queria soar como a que queria que ele ficasse.

Ele ficou calado me fitando. Eu poderia sua cabeça pensando em uma resposta adequada.

- Você não pensou sobre isso?

- Sim, mas eu não sei o que fazer, tampouco.

- Edward, eu não irei te pedir nada. Mas eu apenas... eu comecei a gostar de você. – confessei e mais algumas lágrimas rolaram pelo meu rosto. – E me aflige saber que você está indo embora. Eu me acostumei a sua presença. Eu prometi a mim mesma que não iria me apaixonar, mas eu não consegui me controlar!

- E por que você prometeu isso? – ele perguntou sério.

- Exatamente por saber que quando eu estivesse mais apaixonada, você teria que ir embora. Eu não poderia ficar com você.

- Então eu não vou embora. – ele falou convicto.

- Edward... Você não pode. – falei chorosa. – Você tem uma vida em Nova York, uma vida completamente diferente da minha.

- Então vem comigo. – ele pediu com uma expressão suplicante. – Vem! Nós poderemos ficar bem juntos... Você pode abrir... abrir um ateliê lá também! – concluiu confiante.

- Eu não posso abandonar tudo aqui, Edward. – falei balançando a cabeça, suas mãos caíram. – Assim como você também não pode abandonar nada seu por mim. Eu não estou te pedindo isso.

- Eu sei que não. Mas nós vamos resolver isso tudo! Eu não vou te deixar, mi estrella! Não! Você é minha! – puxou-me para um abraço esmagador que eu deixei me dar, como se tivesse medo que eu evaporasse.

Depois de um momento com seus braços ao me redor, perguntei:

- Por que mi estrella?

- Por que você é a que brilha mais alto, a mais bela de todas. Você me guia. Conquistar você era essencial para mim. – respondeu com o sorriso mais lindo.

Satisfeita com a sua resposta, convidei:

- Me acompanha até a praia? – e dei um beijo no seu rosto.

Fomos caminhando de mãos dadas. Meu coração ainda estava apertado, mas ia aproveitar o momento.

- Me conta um segredo seu? – ele pediu, sorrindo.

- Jogo de pergunta e resposta agora é?

- Talvez. E aí, vai me contar? – insistiu, passando o braço ao redor dos meus ombros.

- Hum... – falei pensativa. – Eu não tenho segredos Edward. Eu sou muito verdadeira, as pessoas conseguem me descobrir rápido.

- Vamos mi estrella, sei que você tem alguma coisa guardada.

- Tudo bem, eu já dormi fora de casa. – falei derrotada.

- Mas isso não é segredo.

- Não, não é. Mas ninguém imagina que eu dormi na casa de um antigo namorado e não na casa da amiga como todos pensavam. – e pisquei descaradamente para ele.

- Oh. – ele falou sarcástico. – Então a Bella adolescente era mesmo incontrolável.

- Há, Há, apenas um pouco. Eu saltava as janelas dos prédios, ficava na rua dançando e cantando até que os vizinhos reclamassem com a minha tia e quando eu estava realmente aborrecida, eu vinha para cá e ninguém me encontrava. Lembro que Jake ficava extremamente frustrado e preocupado me procurando pelas ruas, mas nunca me descobria aqui.  – completei com um sorriso relembrando as cenas. - Agora você, me fale alguma coisa sua que ninguém sabe.

- Eu nunca dormi com um homem.

- Oh, grande honra para mim! Que maravilha que pelo menos a certeza que você não é homossexual eu tenho. – e corri chutando água nele. – Outra coisa. – pedi e parei, o olhando, com as pernas molhadas pelas ondas que chegavam quebradas até onde estávamos. – Vamos Edward!

- Eu tenho uma marca de nascença na bunda. – e passou a mão pelo cabelo, como se estivesse envergonhado de admitir isso.

Eu o olhei por um instante, e depois comecei a rir.

- Mas isso eu também sei! E você também tem pintinhas nas costas. Eu contei uma vez enquanto você dormia. – e continuei a rir.

- Eu não acredito! – ele falou tão sério o que me fez olhá–lo. – As minhas pintas! Você... Você... Você contou quantas eu tenho?

Eu parei de rir automaticamente, com receio de ter feito algo errado.

- Contei... – confirmei. – Tinha algum problema? – perguntei ansiosa, com medo de ter ultrapassado alguma barreira invisível.

Ele se aproximou de mim, segurou os meus pulsos e eu estremeci.

- Como assim você contou?! Elas são íntimas Bella! Íntimas! Eu nunca deixei ninguém fazer isso. – ele parou, começando um sorriso de lado. – Agora elas não são mais inexatas. 

- Como? – gaguejei.

- Ninguém nunca fez isso. Quantas são? – ele exigiu saber.

- Vinte e três.

- Nasceram mais duas. Na última vez que eu contei eram vinte e uma. – ele concluiu.

- O quê? Você está me repreendendo por contá–las quando você mesmo o faz?!  - soltei meus pulsos.

- Esse era o meu segredo, mas você descobriu antes que eu contasse para você.

- Você... é... um... idiota, Edward! – e corri, virando apenas para jogar água nele.

Meus gritos ecoaram pela praia, principalmente quando Edward conseguiu me alcançar e me jogou na areia. Ele se posicionou entre as minhas pernas e me beijou com sofreguidão. Enlacei meus braços ao redor dele, puxando para mais perto.

- Você não tinha o direito de contar as minhas pintas.

- Eu não tenho culpa se você estava nu na minha cama pela manhã. – falei rindo.

- Você é indomável. – ele concluiu.

- Você é lindo! – rebati. – Quero te mostrar uma coisa. – e o empurrei e puxei em direção as águas límpidas. – Quando precisamos ensaiar algum passo de dança que é muito... hãm... perigoso, vários dançarinos recorrem as águas da praia ou de lagos. Nesse aqui, você tem que me levantar acima da sua cabeça.

- Bella, é a cena de um filme. Isso é tão clichê. – ele riu.

- E é a coreografia mais pedida entre oito de dez ateliês. Vamos Edward! Vamos tentar! – e me afastei. Com a água batendo na altura da panturrilha, corri e Edward se desequilibrou, levando nós dois para a água. Quando submergi, dei um soco no seu braço. – Você não me segurou direito! – falei rindo. – Aqui, você tem que posicionar suas mãos exatamente aqui. – e coloquei as palmas dele abertas nos meus quadris, indicando o lugar. Vi seus olhos brilharem, luxuriosos. – Mais uma vez.

Ficamos assim uma boa parte da manhã, caindo nas águas, levantando e tentando de novo, até que Edward conseguiu e juntos, comemoramos. Saímos das águas, eu torcendo a água do meu cabelo.

- Hey, venha cá. – ele pediu. Seus olhos desceram pelo meu vestido molhado colado ao corpo. – Quero dançar com você. Agora.

Surpresa com o convite, posicionei-me na sua frente.

- Sem música?

- Para que música quando eu posso cantar? – ele questionou com um sorriso.

- Ah não, de novo...

Ele grudou nossos lábios.

- Apenas sinta. – ele falou e começou a cantar baixinho no meu ouvido, me envolvendo.

You'll never find, as long as you live
Someone who loves you tender like I do
You'll never find, no matter where you search
Someone who cares about you the way I do.


E eu senti. Todo o carinho que ele queria demonstrar com aquela música. E antes que eu pudesse sequer me controlar, uma lágrima escorreu pelo meu rosto encostado no seu ombro, misturando-se a nossos corpos molhados.

POV EDWARD

“Eu prometi a mim mesma que não iria me apaixonar, mas eu não consegui me controlar.”

 A frase não parava de se repetir na minha mente. Eu honestamente acreditava não me sentia feliz daquele jeito desde... Eu nunca me senti feliz daquele jeito. Ponto. Toquei os lábios de Bella com um dedo, e ela sorriu sem desviar os olhos do céu acima de nós. Fui descendo o dedo pelo seu corpo estirado na areia, passando pelo seu pescoço, vão entre os seios, barriga... E parando em seu quadril. Eu sorri ao notar seu corpo se arrepiar; pelo visto, ela estava esperando que eu fosse mais além.

Fitei seu rosto e seus olhos me encaravam atentamente, seu lábio inferior entre seus dentes. Eu me inclinei em direção a ela; com o corpo tão próximo ao seu que podia sentir sua respiração irregular através de seu peito subindo e descendo com rapidez. Com delicadeza, beijei seus lábios até que o inferior estivesse livre novamente de seus dentes, e ela, ainda mais ofegante.

- Você precisa parar de fazer isso, mi estrella. Eles... – toquei seus lábios outra vez. – Foram feitos para serem beijados.

Ela concordou lentamente com a cabeça. Seus olhos eram intensos e expressivos; realçando o lindo verde-água. Ela estava apaixonada por mim. Eu não sabia como aconteceu, quando aconteceu ou o porquê. Só sabia que tinha passado os últimos minutos agradecendo, repetidas vezes, aos Céus por isso. Enquanto ao mesmo tempo, começava a chegar à conclusão de outra coisa.

Eu também estava apaixonado por ela.

E isso era a porra de uma bizarrice que eu mal conseguia compreender. Ou melhor, que eu não conseguia compreender, no geral. Aquilo simplesmente não era para estar acontecendo. Mas não havia outra explicação, havia? Como explicar o fato de eu pensar nela, e no seu bem-estar durante 25 horas por dia? Porque realmente, por ser o mesmo pensamento a cada milésimo de segundo do tempo parecia que eram mais horas do que um dia normal geralmente teria.

Como explicar o fato de eu estar alegre e satisfeito por ter estado todo esse mês, o qual eu deveria ter usado para descansar e ocasionalmente, traçado qualquer mulher que passasse na minha frente, atrás de única e exclusivamente uma mulher? Como explicar o fato de que eu estava muito bem com a idéia de ficar a disposição dela, para qualquer coisa, em qualquer horário, exatamente quando e como ela quisesse? Eu não conseguia me lembrar a última noite em que tinha dormido bem, de verdade. E apesar de eu estar me sentindo um caco que fora pisado algumas vezes e dividido em milhões de outros pedaços, eu estava ali sorrindo, e a bajulando, e me sentindo abençoado por poder apenas olhar para ela, e tocá-la, e beijá-la... E estar com ela.

No meu livro de conceito, todo esse conjunto representava que eu estava bem ferrado. Digo, bem, bem, bem ferrado.

E o mais assustador de tudo não era isso. Nunca na minha vida eu tinha conseguido entender como poderiam existir homens que ficavam tão babacas por causa de uma mulher. Eu tinha certeza que isso era por que eles nunca haviam estado com mulheres suficientes para saber que uma única delas seria o suficiente. E lá estava eu, Edward babaca Masen adorando o mundo por estar tão ferrado daquele jeito. E querendo mais do que tudo, continuar da mesma forma.

- No que você está pensando? – ela questionou. – Tem... – levou o dedo indicador até a minha testa. – Uma ruguinha bem aqui.

E se eu ainda não tinha me tocado antes, havia acabado de me ocorrer. Sem chance alguma que eu poderia ficar sem ela. O que eu iria fazer se não pudesse ver aqueles olhos? Se eu não pudesse beijar aqueles lábios? Se eu não pudesse ouvi-la rir? Se eu não pudesse correr para sua casa no meio da noite por que ela teve um pesadelo... Se eu não pudesse abraçá-la até que ela se esquecesse dele e sorrisse outra vez? Se eu não tivesse a certeza que ela sabia que eu estaria ali quando ela precisasse, e quando me chamasse? Não, não tinha como eu ficar sem aquilo. Nem pensar.

- Eu vou voltar para você, mi estrella. – declarei confiante. – Eu vou para NY, resolver o que eu tiver que resolver... E volto para ficar com você. Deve levar mais ou menos um mês para acertar tudo, no máximo um mês e meio...

- Não é justo. Não... – ela suspirou. – Nós falamos disso, Edward. Eu não quero que você largue tudo por minha causa.

- Pois então nós temos um problema. Eu quero largar tudo por você.

Ela mordeu os lábios mais uma vez, e uma lágrima escorreu por seu rosto. Eu suspirei e a afastei, o lugar dela não era no rosto da minha estrela. Não era certo que ela chorasse. E eu não queria que ela o fizesse. Porém, não adiantou de muita coisa, por que irmãs gêmeas da indesejada também apareceram, mas ao menos dessa vez, tinha um sorriso para acompanhar. Bella ergueu o rosto até que nossos lábios estavam selados. Se tinha uma coisa que eu nunca me cansaria de fazer era beijá-la. Eu não conseguia ter o bastante dela. Em hipótese alguma.

Levei uma mão até a sua nuca, beijando-a com mais firmeza. Parecendo não ser suficiente, ela envolveu meus ombros com os braços e me puxou até que eu estivesse com o corpo sobre o dela. Sua língua se encontrou com a minha quase que imediatamente; as mãos de Bella percorreram minhas costas sob a camisa ainda molhada e eu grunhi. Definitivamente tinha mais alguém animado e querendo aproveitar daquilo ali.

- Você vai esperar por mim, Bells? – eu quis saber quando após um instante, nos separamos. – Vai me esperar voltar?

- Vou. – ela respondeu sem hesitar. – Eu prometo que sim, Edward.
- Eu vou tentar ser o mais rápido possível. – garanti, por que eu queria que ela acreditasse que eu não estava brincando quanto aquilo.

- Você sabe que... – ela começou a falar, sorrindo. – Às vezes eu penso que nós dois somos loucos. Quer dizer... Na primeira vez que nos vimos, foi ódio à primeira vista instantaneamente... – sua risada me fez sorrir também. – E olhe para nós dois agora. Continuamos os mesmos. Então, o que é que mudou?

Era evidente que foi uma pergunta retórica, mais como uma observação, mas automaticamente, fez-me pensar na resposta.

Não que eu já não estivesse pensando antes também. Não que eu já não tivesse pensado nisso muito mais do que muitas vezes. Não havia como não pensar. Principalmente, quando ela me mostrou o gazebo... Eu tive vontade de contar tudo para ela naquele instante. Eu queria contar para ela em algum momento. Eu sabia que ela merecia saber o porquê de tudo ter começado. O que de verdade havia mudado. Mas era como se toda vez que a idéia chegasse muito perto a se fixar na cabeça, algo em mim bloqueava e me mandava parar de pensar naquilo.

Tudo estava bem. E tudo devia continuar assim. Não havia necessidade de ela saber de nada, por que... Era um mero detalhe. Não importava o que nos levou até onde estávamos hoje, o importante era que simplesmente... Estávamos. Ou melhor dizendo, era dessa maneira que minha mente doente se acostumou a trabalhar. Para que cutucar a fera com um gravetinho? Era melhor que ela continuasse ressonando calmamente como estava, e que esse desejo de perigo se aplicasse para outra coisa. Afinal, se eu queria correr riscos, era melhor pular na frente de um trem em movimento. A adrenalina seria garantida.

Mas o problema era que, não importava quantas desculpas eu inventava para evitar a verdade, ou quantos argumentos eu usasse para me apoiar, aquele sentimento maldito não me deixava em paz. Culpa. E ele derivava daquele outro sentimento que não achava justo que Bella ficasse nas escuras sobre esse assunto, que tinha ela como centro. Não era justo toda a confiança que ela depositava em mim, ser traída dessa forma tão mesquinha e covarde. Não era justo, depois tudo o que ela dividira comigo, depois de ela me apresentar às coisas importantes e especiais na vida dela... Depois de ela se abrir comigo, de expor seus sentimentos... Era uma tremenda sacanagem o idiota ali não ter coragem para abrir a boca e falar.

Por que eu não simplesmente deixava isso para lá? 

É, Edward... Isso que você ganha por se apaixonar. Está vendo? Toma pra aprender, babaca.
– conclui. Eu suspirei em irritação e rolei o corpo para areia novamente. Felizmente, Bella parecia perdida em seus próprios pensamentos e não reparou minha aparente expressão de “vigarista se arrependendo de um golpe”. Ao menos, ela estava com um sorriso no rosto. O que me garantia que quaisquer que fossem os pensamentos, eram bons. E aquilo me aliviou bastante. Eu não queria mais vê-la nada perto de triste. Por nada. Muito menos por minha causa.

E ela não ficaria nada feliz se eu a contasse sobre a aposta.

Por que diabos eu voltei a pensar nesta merda? Mas que inferno! Será que não tinha uma tecla ‘Stop’ no meu cérebro, não? Todo mundo merecia uma folguinha de vez em quando. E eu não só merecia, como também precisava. Senti quando Bella descansou um braço em meu peito e se aproximou de mim, encarando-me. Se ela ainda tinha dúvidas do quão maluco eu era, com toda essa divagação, agora ela tinha total e absoluta certeza.

- Sério, Edward, no que é que você tanto pensa? – perguntou com leve impaciência.

Eis a minha chance. - conclui. Era só ser gentil e o mais verdadeiro que pudesse em cada palavra. Provavelmente ela vai se sentir usada, vai ficar furiosa comigo e possivelmente me dar alguns safanões. Talvez eu saia um pouco machucado disso, por que embora o ditado claramente diga “Tapa de amor não dói”, eu tinha a certeza que Bella era uma exceção. Mas enfim, eu a lembraria de nossos momentos bons e de que eu sinceramente me importava muito com ela. Sim, seria assim. Ela poderia entender. Todos merecem ser perdoados, não é? Se o arrependimento for sincero, como o meu é, sim.

- Eu... – comecei, encarando seus olhos que embora impacientes, estavam cheios de expectativa.

Ela não poderia imaginar o que era realmente. Bells devia estar pensando ser algo bom ou bobo, ou algo típico de mim. Pigarreei uma vez e tentei recomeçar.

- Eu só... Você sabe...

Aquilo não estava dando certo. Qual era o problema que eu tinha com essas situações com a Bella? Já havia acontecido uma vez, naquele pedido de desculpas que resultou em altas risadas da parte dela. Era só abrir a boca e falar. Não poderia ser tão ruim. Talvez ela acabasse rindo disso também, talvez ela não achasse nada demais... Talvez, assim como eu, ela só se importasse com o agora. Eu acreditava nisso, mas então por que meus lábios pareciam estar grudados super bonder?

- Edward, desembucha logo.

Fitei novamente seus olhos, e era clara agora a sua falta de paciência. Ela não gostava muito de esperar, o que era compreensível. Se ela não gostava muito de esperar, isso significava que ela não ia mesmo esperar por mim, não é? Ah Cristo, só me faltava essa culpa me deixar paranóico. Mas... Talvez desse mesmo tudo errado. Ela poderia simplesmente me dar um pé na bunda, e me xingar, e dizer que não estava mais apaixonada por mim... Ou pior ainda, ela poderia confessar que não estava falando sério quando disse isso e que pouco se lixava para mim.

- Edward!

- Não é nada. – respondi de uma vez. Eu não conseguiria falar, eu não conseguiria falar nem com toda a certeza e confiança do mundo. – Eu só estou com fome, você não está?

Ela arqueou a sobrancelha, como se dissesse “Você acha que eu sou mesmo tonta para acreditar nisso?”.

- Sim, eu estou. Mas essa mentira não colou.

- É, mas... – eu tive de pensar depressa. Eu segurei a mão que estava em meu peito e levei aos lábios, beijando delicadamente seus dedos. Ela vacilou. – Eu estou com fome de outra coisa. Era sobre isso que eu estava pensando.

Eu nunca pensei que algum dia estaria mentindo quando me referisse a isso. Quer dizer, eu sempre estava pensando nisso de uma forma ou de outra. E pela primeira vez, eu simplesmente não estava. Poderia ouvir ao longe o coro dos anjos cantarolando “Aleluia”. Bella engoliu em seco. É, eu era bom nisso.

- Entende o que eu quero dizer, mi estrella? – mordisquei seu queixo, descendo as mãos pela sua cintura.

Ela estava lutando para se manter lúcida a fim de continuar insistindo no assunto, eu sabia que ela não tinha acreditado totalmente nessa história. Mas eu tinha o fator desejo em meu favor, e tinha de me aproveitar dele. Além de quê, aquele era o único modo que eu conhecia para deixar de pensar naquela joça um instante. Era juntar a fome com a vontade de comer. Trocadilho infame.

Inclinei-me sobre ela até que seu corpo estivesse completamente sob o meu e capturei seus lábios em um beijo urgente. Flexionei uma de suas pernas para me acomodar melhor entre elas. Com certeza, aquele era o melhor lugar do mundo. Bells me correspondeu, logo minha língua se enroscava firmemente com a dela. Suas unhas arranharam a pele do meu braço e ela sorriu presunçosamente contra meus lábios, quando eu grunhi em satisfação.

Toda aquela presunção ela tinha aprendido comigo, eu sabia.

Subi seu vestido até a sua cintura, e ao retornas com as mãos para seu quadril, me apressei em tentar me livrar de sua calcinha, por que ela estava atrapalhando bastante ali. Apesar de estar contrastando com o vestido, que facilitava. Vestidos eram os melhores. Mas o ‘tentar’ foi decorrente de que minha estrela me impediu no meio do caminho para a minha felicidade. Senti-me perdendo o precioso pote de ouro.

- Edward... Nós estamos em público. – embora sua voz fosse repreensiva, sua mão sobre a minha não estava tão firme assim. Quase como se quisesse que eu continuasse de onde ela tinha me feito parar.

Eu olhei ao redor e arqueei a sobrancelha para ela.

- Que público? Só estamos nós dois aqui. – mergulhei o rosto em seu pescoço, dando leves beijos e sugando eventualmente.

Era verdade aquilo. Estávamos distantes da área populosa da praia, uma vez que era perto do gazebo. Ou seja, não iríamos dar showzinho para nenhum curioso. E outra, eu não sabia se conseguiria esperar sairmos dali e ir para algum lugar particular. O que Bells tinha de impaciente, eu tinha também.

- Está bem. – ela retirou a mão que repousava sobre a minha, desistindo. – Só que se algum homem aparecer e me vir nua, não quero você reclamando no meu ouvido com ciúmes, não.

- Há, há. – imitei uma gargalhada sem humor, enquanto ela mostrava os dentes em um sorriso zombeteiro. – Isto não vai acontecer. Sabe por quê? Eu o deixaria desacordado antes que ele pudesse espichar um único olho sobre minha estrela.

O seu sorriso em resposta foi um verdadeiro, sem quaisquer resquícios de deboche. Encostei novamente minha boca na dela, por que não tinha como eu resistir a um sorriso daquele. As mãos dela serpentearam por meu peito até alcançar as bordas da camisa, a qual ela puxou em um impulso. Todo o meu corpo clamava pelo momento em que estaria dentro dela outra vez, o meu lugar.

**-**

Ouvi o suspiro contente de Bella e sorri, envolvendo mais os braços ao redor dela. Embora estivesse quase anoitecendo, o calor ainda estava forte demais. E talvez ele se acentuasse pela minha proximidade ao corpo de minha estrela. Eu lamentei um pouco mais quando passei a mão pelas costas dela, e senti o pano do vestido. A idéia de ter que nos vestirmos novamente não tinha me agradado nenhum pouco, mas minha estrela apenas afirmou que tínhamos abusado da sorte por um longo tempo hoje. E como a pessoa obediente que eu era, aceitei sem discutir mais.

Fechei os olhos por um instante, percebendo meu estômago reclamar. Eu realmente estava com fome. Mas a última refeição que tínhamos feito foi o café da manhã, então era concebível. Bells suspirou uma vez e começou fazer círculos na minha barriga com os dedos. Uma vez que estava sem camisa, esse ato fez novamente alguém dar sinais de vida. Não importava o quanto eu estava cansado e esgotado, aquele lá sempre reagiria ao toque de Bells. Sempre.

- Dorme comigo hoje? – ela pediu aos sussurros.

Eu virei o rosto para olhar para ela, mas sua cabeça estava em meu peito, de modo que não conseguia ver.

- Engraçado. Eu estava pensando em implorar isso pra você.

Senti seus lábios se curvando e sorri mesmo sem poder vê-la sorrindo. Eu não queria lembrar, mas quanto mais o céu se aproximava do azul-escuro decorrente da noite, mas eu lembrava que meu tempo com Bella estava acabando. Poucas horas faltavam. Eu podia senti-la ficando tensa como se seus pensamentos estivessem vagando pelo mesmo rumo.

- Eu vou sentir sua falta. – ela murmurou, e como resposta eu a apertei mais forte. Em parte por não saber o que dizer, e em parte por que eu também sentiria sua falta. – Você não estava mentindo quando disse que vai voltar, certo? Você não mentiria para mim, não é?

Eu sabia que ela tinha percebido que repentinamente, meu corpo havia ficado rígido. E não era no sentido bom da coisa. Ela ergueu os olhos para o meu rosto quase que imediatamente. Merda, merda, merda. 


- Não é? – insistiu.

- Eu não estava mentindo. – respondi. Ao menos, aquilo era a mais pura verdade.

Ela me esperou continuar, claramente insegura. Tive vontade de xingar, mas me contive. Eu não podia ir embora sem contar para ela. Eu não podia. Mas e então... Eu conto a verdade e arruinava a nossa última noite juntos? Por que, se antes eu ainda tinha alguma esperança de que isso podia terminar bem, agora eu já não tinha mais nenhuma. Nesse caso, a minha esperança era a primeira a morrer.

- Edward?

Suspirei. Eu não gostava de ser pressionado em meus momentos ‘estou tentando fazer a coisa certa’. Mas isso demora, muito. Não é como se eu fosse contar que eu roubei uma de suas calcinhas enquanto ela dormia. Mas agora também não tinha mais como disfarçar outra vez. Ela sabia que tinha alguma coisa. E embora eu estivesse me pelando de horror a idéia de ela saber a verdade, uma parte minha queria contar. Ou talvez, fossem todas as partes. A questão era que, eu não queria mais enganá-la. Aquilo doía em mim tanto quanto ia doer nela.

Nunca na minha vida, eu senti tanta raiva por ser um idiota como naquele momento.

Tudo poderia ter começado de uma maneira diferente se eu não fosse como eu era. Ao invés de dar o troco, eu tinha de ter aceitado as desculpas da minha estrela na boate naquela noite. Não é como se ela saísse por aí derrubando bebidas nos outros de propósito. Se eu tivesse agido melhor naquele dia, hoje as coisas poderiam ser as mesmas entre ela e eu. No entanto, sem peso na consciência por minha parte. E sem o futuro sentimento de traição por parte dela.

- Eu tenho... um segredo meu pra te contar. – tentei manter a voz estável.

Adiantou tanto que se eu não tivesse tentado daria no mesmo. Ela levantou, sentando-se e me encarando mais atentamente. Sentei também, evitando olhar para ela.

- Nisso que você estava pensando naquela hora, não é? – ela concluiu.

- Sim.

- Tudo bem, então eu vou desconsiderar essa mentira. – ela sorriu.

Eu nem ao menos tentei retribuir, por que sabia que não adiantaria. Respirei fundo algumas – oito – vezes antes de continuar.

- Eu também estou apaixonado por você, Bells. Você sabe disso, não é? – dizer aquilo foi muito mais fácil do que eu imaginei que seria.

Surpresa, surpresa. Ela mordeu os lábios, tentando evitar que seu sorriso se expandisse. Ela não conseguiu.

- Sei agora que você está me contando.

- Você sabia antes também, por que não é boba. – conclui.

Ela devia saber antes até de mim. Bella não confirmou nem negou, apenas mordeu mais os lábios. Eu suspirei, e toquei sua boca com um dedo para ela parar com aquilo.

- Eu só... quero que você entenda que, você não vai gostar de saber. Por isso eu não contei antes, e por isso eu ainda estou relutando em te contar.

- E por que eu não vou gostar de saber?

- Porque tem a ver com você. – respondi procurando alguma calma, e evidentemente, não encontrando. – E não é uma coisa boa.

Por um momento, olhando nos olhos dela, tive a impressão de que ela já sabia o que era. Mas isso não era realmente possível. Respirei fundo uma vez mais. Tudo bem, era só ser sincero, e gentil, e verdadeiro e rezar mentalmente zilhões de vezes para que ela entendesse e me desculpasse. Assim poderíamos esquecer esse detalhe pífio e prosseguir como se nada tivesse acontecido. Sonha, trouxa.

- O que é? – ela questionou tensa.

- Você promete que vai tentar ser compreensiva?


- Não. – respondeu com certeza. Tudo o que eu precisava era que ela fosse ela mesma nesse momento. Agora sim tudo se resolveria muito bem, eu estava ferrado. – Não por que eu não sei se o que você fez é compreensível ou não.

Da dúvida, ela já passou para o fato de que eu fiz alguma coisa. Bom, as coisas estavam evoluindo bem rápido. Merda.

- Eu... Bella, você precisa ter em mente que... Eu era idiota demais para realmente compreender o que estava fazendo. E... – eu pausei não-intencionalmente. – Não é desculpa, mas... Quer dizer... – minha voz estava sumindo novamente.

Isso não era incentivo nenhum, e muito menos ajuda.

- Não começa com isso outra vez, Edward. – ela exigiu gesticulando. – Trate de desempacar esse trem. Você vai me contar a verdade.

- Eu vou. – pigarreei. Era normal começar a suar frio daquele jeito? – Eu sei que você se perguntava por que eu mudei meu comportamento com você depois que a gente se conheceu... E... Provavelmente você ainda se pergunta.

- Sim.

- Bom, teve um... motivo.

Ela apenas esperou. Droga, eu realmente não gostava do jeito que ela estava olhando para mim. Quase como se já soubesse que ela não ia me desculpar. Talvez o meu comportamento tenha a feito concluir exatamente isso.

- Eu... – ‘agradeceria se parasse de gaguejar feito uma mulherzinha’, eu mal conseguia pensar sem empacar no meio de uma frase. Sem ter muita certeza de mais nada, abri a boca e deixei as palavras rolarem por si sóis. – Eu fiz uma aposta com Emmet e Jasper.

Provavelmente eu não precisava completar a frase. No silêncio que se seguiu e olhando firmemente dentro dos olhos da minha estrela, eu tinha certeza que ela tinha entendido.

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