Heeeeeeeeeeeeeey!!!!

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Demorei mas já estou aqui, com mais um capítulo quentinho e fresquinha de Sin Resistir La Tentación. Demorei por que eu estava em São Paulo e daí eu estava toda frenética me divertindo por lá e quando eu cheguei estava colocando ordem na casa. Foi perfeito, adorei São Paulo, gostei demais da Bienal e das pessoas que eu encontrei por lá. Incrível!

Voltando a SRLT... Então, a Gabi também está postando a mesma no Nyah e eu não estou colocando a mesma no Twilight Brasil por que aquele treco simplesmente me odeia! Eu formato e formato e sempre dá erro, então meio que abandonei por lá. Creio que vou cadastrar a fic novamente.

Estou querendo também trocar o layout daqui. Eu até gosto desse, mas acho que precisamos de um up pra animar a todos, inclusive a mim, para escrever. E tem algumas coisas que me incomoda por aqui, vamos ver o que posso fazer. :)

Quanto ao capítulo, gostaram do anterior? Finalmente tivemos uma ceninha mais so sexy, né? Acho que nesse aqui teremos algo a mais *cof cof* E algo mais triste. E algo mais feliz e surpreendente. Bem, leiam e me digam o que acham!



Capítulo 15

POV ISABELLA

Quando Edward falou que íamos passar a noite inteira juntos, não pensei que ele estivesse levando tudo tão ao pé da letra. Fizemos sexo novamente na cama, na parede perto da cozinha (eu estava a procura de mais waffles para recarregar as energias e ele me atacou no caminho) e no tapete na sala. O dia já estava amanhecendo e tínhamos dormido menos de 3 horas. Ele brincava com o meu corpo, divertindo-se ao vê-lo arrepiar ao seu toque, beijando minha pele, virando meu rosto para ter total acesso ao meu pescoço, deliciando-se com os meus murmúrios.

Até que eu explodi e falei: “Agora é a minha hora de brincar” e rolei nossos corpos, deixando- o por baixo de mim. Suguei seu mamilo, enquanto arranhava sua barriga e coxas, deixando meu corpo estrategicamente posicionado sobre seu corpo, minha parte íntima tocando a dele provocadoramente. Trilhei um caminho de beijos que começou pela bochecha. Ali, dei uma forte mordida que me fez sorrir ao ver a região avermelhada. Não beijei sua boca, apenas rocei nossos lábios.

Virei meu rosto devagar de um lado para o outro, sentindo a rala barba. Inclinei a cabeça dele para trás e dei um beijo molhado no seu queixo. Pude sentir sua respiração entrecortar e dei um sorriso vitorioso.

- Gosta disso? – perguntei, erguendo um pouco a cabeça para olhar seu rosto.

- Uhum.  – ele gemeu confirmando.

- Que bom, por que eu estou apenas começando... – e mordi novamente seu queixo, arranhando-o com os dentes no processo. Seus braços estavam descansando ao lado seu corpo, mas suas mãos estavam fechadas em punho, apertando o lençol. – Está tenso Edward? – perguntei no seu pescoço, mordiscando, lambendo.


- Estou... excitado. – respondeu entre dentes.

- Hum... – respondi chupando seu peito.

Meu corpo parecia uma serpente envolvendo uma presa. Minhas mãos estavam espalmadas em cada uma de suas coxas, sua ereção batendo entre os meus seios.

- Você quer que eu desça? – perguntei mordiscando a região do seu umbigo e evitando seu sexo latejante.

- Ham...

- Vou tomar isso como um sim. – e dei beijos molhados por toda a extensão do pênis dele.

Desci, ouvindo um lamento. Mordi suas coxas enquanto enrolava minhas mãos no seu pulsante sexo. Suas mãos se enterraram no meu cabelo, e foram sendo guiadas por onde eu ia.

- Continuo?

- Por favor! – ele gemeu.

Serpenteei meu corpo pelo dele, subindo até a sua boca e beijando-o avidamente. Ser correspondida tão fervorosamente me fez sentir poderosa. As mãos deles subiram pelos meus ombros, e foi até a base da minha cintura, apertando. Eu já tinha transado com outros homens, mas nada comparado a Edward, ao beijo, ao corpo, ao calor dele. Nós tínhamos uma sintonia quase que perfeita.

Todas as vezes que eu cheguei ao ápice do meu prazer, ele estava me olhando e depois beijava todo o meu rosto para só assim buscar o próprio prazer. A forma em si como ele me tratava me fazia sentir especial. O beijo continuou. Eu sabia que se não tomasse cuidado, provavelmente o deixaria com marcas – com mais algumas na verdade, por que as suas costas já tinham várias.

- Sabe o que eu vou fazer agora?

- O quê? – perguntou mordendo minha clavícula.

- Tomar um banho. – e pulei da cama rapidamente. – Tenho que trabalhar. Vou tomar um banho. – repeti sorrindo ao ver aqueles olhos no tom verde escuro analisando o meu corpo.

- E vai me deixar... assim? – respondeu indicando a própria ereção.

- Você sabe como se cuidar. – e virei, caminhando e rebolando para a porta do banheiro.

Consegui dar apenas quatro passos antes de ser empurrada rudemente contra a parede do lado de dentro do banheiro.

- O que você pensa que está fazendo? – Edward rosnou; o rosto muito próximo ao meu, seu corpo gritando luxuria.

- Eu estava indo tomar um banho antes de ser rudemente jogada contra essa parede. – respondi, provocando-o e satisfeita que ele tivesse entrando tão bem no meu jogo.

- Não. Você não vai. – ele reagiu e passou sua mão abaixo da minha coxa, levantando minha e enroscando na sua cintura.

Sua ereção tocou a entrada do meu sexo e eu joguei a cabeça pra trás, as mãos espalmadas no seu peito, agarrando a carne.

- Se você pensa que pode brincar assim...

- Eu vou resistir!

- Vamos ver até quando. – e enterrou as duas mãos no meu cabelo, guiando minha cabeça em direção a dele.

Ele começou a movimentar o quadril em minha direção e eu gemi em frustração contra seus lábios. Eu sabia que não tinha como resistir. E ele também. Muito rendida e um tanto quanto frustrada com o meu próprio corpo por não resistir, dei um pequeno impulso e prendi as pernas ao redor do quadril dele.

Ele me penetrou fundo e comecei lentamente a movimentar meu corpo, agarrando o pescoço, a nuca, o cabelo... beijando cada parte que estava ao meu alcance, quando não mordendo. Suas mãos estavam enterradas nas minhas nádegas, ajudando-me a movimentar o corpo, levantando e depois empurrando lentamente. Meu corpo estava convulsionando aos poucos, o prazer me atingindo, nossos corpos unidos, os gemidos que saíam de nossas bocas enchendo o banheiro. Ele começou a se movimentar mais rápido ao mesmo tempo em que meus quadris buscaram por mais contato, pela pele, pelo desejo, pelo prazer, por Edward.

Enfiei minha cabeça no vão do seu pescoço, meu cabelo bagunçado caindo pelo meu rosto e chegando as costas dele. Pressionei mais firme minhas pernas ao redor dos seus quadris, para tentar me firmar no lugar e para dizer: “Continue!”. Quando o clímax chegou, meu corpo ficou rígido e foi relaxando ao poucos, o prazer tomando conta de todas as partes do meu corpo, minha respiração desigual, uma das minhas mãos apertando as costas dele... Quando ele chegou ao clímax, rugiu entre dentes, o maxilar travado, os ombros tensos.

- Isso foi... maravilhoso. – ele sussurrou.

- Sim. – respondi com um sorriso bobo no rosto, mechas do cabelo grudadas pela minha face.

- Quer um banho agora?

- Seria ótimo.

Ele nos levou até a ducha. Descruzei minhas pernas do seu quadril e tentei me equilibrar, por que eu não confiava se poderia ficar em pé depois de tudo que aconteceu. Ele ligou o chuveiro e eu apertei seus ombros, procurando apoio. A água caiu pelo meu rosto, molhando meu longo cabelo. Ele passou a mão por eles, afastando-os do meu rosto. Os deles estavam colados na cabeça, algumas mechas na testa. Fiz o mesmo.

Seus olhos estavam brilhantes, felizes, suas bochechas com um leve tom rosado, a boca com um sorriso travesso nos lábios. Ele pegou o sabonete, passou pelas mãos e quando a espuma vermelha se formou, ele começou a passar pelos meus ombros, colo, seios e barriga. Não era nada erótico, ele apenas queria cuidar de mim. Eu o puxei para mim e o abracei forte, sentindo nossos corpos sobre a água morna. Esse último dia, tinha sido um bagunça total. Não só no fato do meu apartamento está uma desordem total, com roupas largadas pelo quarto, edredom na sala e louças sujas.

Mesmo eu não querendo, meu coração já estava tomando a rédea da situação e inevitavelmente eu já estava apaixonada pelo Edward. Não tinha como negar e a primeira prova que a minha mente me deu foi: você não chamaria ele no lugar do Jacob se não significasse algo para ti. Sim. Essa era a prova. E depois disso, ele passou o dia no meu apartamento, consolou-me, abraçou-me... Manteve-me sã. Viva, como há muito tempo eu não me sentia.

E mesmo que eu tivesse lutado, eu iria sentir a falta dele. Eu iria pensar nele e talvez chorar quando soubesse que ele não estava mais em Cuba, que não veria seu sorriso sedutor no seu rosto, enquanto estava encostado no batente da porta esperando pela aula. Ou me abraçando, levando-me a lugares improváveis, fazendo-me rir do seu jeito presunçoso... Enquanto minha cabeça estava encostada no seu ombro, deixei que uma lágrima escorresse pelo meu olho e se misturasse a água do banho, inspirando e sentindo o próprio cheiro dele misturado com o do meu sabonete. Como se soubesse o que acabara de ocorrer, ele pousou as mãos no meu rosto e me beijou levemente, como se dissesse: eu sempre vou estar com você.


***

 Vesti-me rapidamente, querendo correr para o ateliê. Edward já tinha posto a roupa com a qual tinha chegado e estava me observando vestir um vestido preto rodado.

- Adoro vestidos – ele comentou. – Facilita muito o processo.

Apenas ri para ele pelo reflexo do espelho enquanto terminava a maquiagem. Quando terminei, peguei minha bolsa, agarrei a mão dele e descemos pelo elevador para pegar meu carro. Deixei-o na porta do hotel onde estava hospedado, dando- lhe um leve beijo e fui para o trabalho.

***

Havia evitado falar com as meninas desde quando havia entrado pela porta do ateliê. Porque tinha percebido que elas estavam desconfiadas do que aconteceu. Concordo que o fato de eu realmente estar sorrindo mais que o normal, cumprimentando as pessoas com ainda mais entusiasmo e até estar cantando mesmo sem ouvir música não contribuiu.

Mas o fato era que só de pensar em confessar minha noite com Edward, um calor já subia às minhas bochechas. Talvez elas achassem que fora rápido demais, que não devia ter feito isso com alguém que vai embora daqui a dias. Mas não foi algo de caso pensado.Simplesmente aconteceu.

Antes eu estava em dúvida, tentando evitar uma maior intimidade; até porque não sabia se poderia mesmo confiar em Edward. Mas então na outra noite, com tudo que já havia acontecido; eu estava frágil e arrasada, e foi exatamente ele quem apareceu para me consolar. Foi natural, e especialmente bom. Ótimo. Muito otimamente bom.

Suspirei quando percebi que já era a hora do almoço, e um arrepio percorreu meu corpo quando deixei à minha sala. Eu não estava ansiosa para ir encontrar Jake, de surpresa, como tinha planejado. Provavelmente ele ainda estaria muito magoado comigo, mas eu não conseguia evitar. Mesmo tendo apenas um dia, ele já me fazia muita falta e eu não queria ter que passar outro dia sabendo que não estamos bem. Passaria numa Starbucks e levaria um café para ele; do jeito que ele mais gostava. Está bem, eu poderia estar tentando amaciar a fera... Mas tinha que usar as armas que possuía.

Ainda que bem nervosa, suspirei em alívio quando alcancei meu carro pelo fato de ter conseguido driblar minhas amigas. Sabia que teria de contar mais cedo ou mais tarde, porém... O quanto mais tarde fosse, melhor. Destranquei a porta, abrindo e já ia entrar quando ouvi meu nome sendo pronunciado por uma voz esganiçada.

- Isabella Martinez.. Pare onde está!

Virei o rosto lentamente, assustada pela tamanha autoridade na voz, para ver Alice há alguns metros de mim, com braços cruzados e uma cara emburrada. Rosa vinha logo atrás dela, e embora parecesse um tanto contrariada da mesma forma, tinha um sorriso vitorioso no rosto.

- Pensou que ia fugir de nós para sempre, é? Trate de entrar neste carro. – a loira caminhou até a porta do carona, escancarando-a e entrando no veículo.

Alice fez o mesmo sem pestanejar, pela porta de trás, lançando-me um olhar intimidador. Suspirei exasperadamente. Estava bom demais para ser verdade. Sem mais ou opções ou rotas de fuga, sentei no banco do motorista, batendo a porta ao meu lado.

- O que foi que aconteceu com você? – a emburradinha exigiu saber antes que eu, sequer, pudesse fitá-la. – Não queremos desculpas, nem mentiras. Trate de nos contar agorinha mesmo.

- Tudo bem. – passei a mão pela testa, notando assim que havia um pequeno suor acumulado ali. – Bom, como vocês sabem... Eu tive um pesadelo e...

- Bella, disso já sabemos. Esqueceu que Edward ligou para mim? – murmurou Rose enfatizando o nome dele com alguma intenção subentendida. – Ele estava lá, tudo bem. Disse que ficaria para cuidar de você. – lançou-me um olhar. – A questão é: Jake ligou para cá perguntando por você na hora do almoço. Eu disse que você não estava muito bem, e decidiu tirar o dia de folga. Como você deve imaginar, ele ficou super preocupado e disse que ligaria para você e tal... E disse que passaria na sua casa para ver como estava mesmo assim. – fez uma breve pausa, na qual eu assenti. – Pois bem. Imagino que eles dois tenham se encontrado lá...?

- Eles brigaram? – perguntou Alice com um brilho de excitação no olhar. – Sabe... Igual a filmes. Quando dois homens brigam pela mesma mulher, e...

- Alice, controle-se. Ninguém brigou. – deixei claro, e elas me encararam pouco convencidas. – Tudo bem; eles não exatamente se cumprimentaram bem, mas... Acham mesmo que eles iam brigar? Por favor...  – ri nervosamente, ciente de que eu realmente duvidava dessa minha aparente certeza.

- Achamos. – responderam as duas em uníssono, muito confiantes.

- Enfim... – revirei os olhos. – Pedi para Edward ir embora para que pudesse conversar com Jake. E bem... – respirei fundo, lutando para manter a voz estável. – Jake e eu acabamos discutindo por causa disso. Ele não sabia sobre Edward e não gostou, como vocês devem imaginar.. De qualquer forma, vou encontrar com ele agora e resolver. Fim da história.

Uma vez concluído o relato, um resumo na verdade, torci para que elas se dessem por satisfeitas. Mas como tínhamos aquela estranha e inexplicável ligação, elas continuaram a me encarar em expectativa.

- O que foi? – perguntei em uma falsa inocência.

- Ora, Rose... Ela está achando que somos bobas. – riu Alice. – E desde quando você ficaria cantando por aí por ter brigado com Jake, Bella? Isso está longe de ser motivo de alegria. Então, pode continuando a desembuchar. Se espremer essa laranja, ainda dá muito suco que eu sei.

- E Edward? – perguntou Rose encarando-me atentamente.

Parecia até que ela já desconfiava.

- O que tem ele? – perguntei, sentindo as minhas bochechas traíras corando.

- Arrá! – a loira exclamou apontando pro meu rosto altamente rosado. – Eu sabia! Eu tinha certeza!

- Não sei do que está falando... – murmurei nervosamente, olhando pros lados à procura de um buraco para me enfiar ou um saco plástico para esconder o rosto.

- Cara Isabella... Pessoa com o bom humor igual ao seu, apenas mostra que passou uma noite de muito rala e rola... – sorriu se sentindo a sábia. – Como você não pretendia nos contar que dormiu com ele?

- O - Que? – questionou uma Alice perplexa. – Você transou com Edward?

- Ah Deus... – coloquei as mãos no rosto, que já tinha passado pro vermelho. – Foi um... Acaso. Ele estava preocupado comigo, e aí ele voltou e... Não foi...

- Por que você está se desculpando, criatura? – Rose arqueou as sobrancelhas. – Não vamos te passar um sermão por isso, Bella.

- Então é verdade? – Alice sorria bobamente. – Ah que danadinha! Quero saber os detalhes. E nem pense em omitir nada!

Rose concordou com a cabeça. Fechei os olhos, sabendo que teria que contar tudo em menos de cinco minutos. Ainda precisava ver Jake. Como eu iria contar tudo tão rápido? Fiz o melhor que eu pude, tentando não corar a cada frase, falhando miseravelmente. E ainda era mais difícil por que eu parecia estar vivenciando tudo novamente. Falar naquele assunto não estava sendo muito favorável.

[...]

Resumi muito bem resumido toda a história e deixei Alie e Rose em um restaurante próximo ao ateliê para que almoçassem. Pedi que cuidassem para mim enquanto eu estivesse fora, por que eu realmente sabia que ia ser uma conversa daquelas que demoram muito tempo. Passei na Starbucks, comprei dois Frappuccino blended beverage à base de creme - preferido de Jake - e parti para a empresa de engenharia que ele trabalhava.

Minhas mãos suaram, quase pregando o volante enquanto eu pensava no que conversar com ele, o que falar, como ele iria reagir a minha presença... Estacionei o carro e peguei o apoio com os dois copos de café. Falei na recepção que gostaria de falar com ele. Depois de a simpática secretária discar para o ramal dele e autorizar a minha entrada, fui para o elevador e apertei o botão do 3º andar.

Quando chegou ao andar indicado, fui até a sala dele, já acostumada com o caminho, tremendo um pouco, tensa. Quando eu bati na porta, ouvi um leve: “Entre”. Abri a porta e olhei dentro. Ali estava meu melhor amigo sentado atrás de uma mesa entupida de papéis, a cabeça abaixada assinando alguns.

- Oi. – falei timidamente, fechando a porta atrás de mim e esperando que ele me olhasse.

Quando ele o fez, meu coração se apertou. Seus olhos estavam com profundas olheiras escuras, os lábios em um tom pálido que eu nunca pensei que fosse ver em Jake. O cabelo estava arrumado, a roupa também. Até sua mesa estava organizada apesar de todos os papéis, mas não ele. Ele estava destruído.

- Olá, Bella. – ele falou.

Senti-me uma estranha. Nunca o Jacob que eu conhecia falaria assim comigo. Ele falaria: “Mi bailarina!” E sairia correndo para me abraçar. Era como se fosse outra pessoa que estivesse ali e essa pessoa eu não conhecia.

Fiquei parada, fitando seu rosto, decepcionada comigo mesma por ter feito isso a ele, por saber que estava machucado por minha culpa.

- Poderíamos conversar? – pedi, já que ele se manteve calado, apenas me olhando. – Eu trouxe um... café para nós. – hesitei por que a idéia agora parecia absurda e tonta.

O que eu pensava que estava fazendo levando um café pra ele quando na verdade eu sabia que não era disso que precisava?

- Claro, sente-se. – ele falou indicando a cadeira confortável a sua frente. Caminhei, ainda fitando-o e sentei, colocando os cafés na mesa, enquanto ele guardava os papeis em uma pasta próxima.

- Jake... – comecei. Pensei em tudo que eu gostaria de falar, mas a minha pergunta foi outra. – Como você está? – perguntei quase que suplicante.

Ele não estava muito receptivo e sua expressão indicava isso.

- Eu estou bem. Você?

- Jake, pára. Por favor, nós podemos conversar? – implorei.

- Não estamos fazendo isso? – ele questionou com uma sobrancelha erguida, bem irônica, do jeito que eu me lembrava na nossa infância.

- Jacob, por favor! Está me matando saber que eu fiz você ficar chateado comigo. Eu não consigo ficar bem comigo mesma, você sabe disso!

- Tudo bem, Bella. – ele falou se arrumando na cadeira e me olhando. - Não estou chateado.

- Como não? Me chamando por Bella, nada de mi bailarina, esse tom, o modo de me olhar... Você não consegue me enganar.

- O que você quer que eu faça? Chame-a por Isabella? Por mim tudo bem.

- Você está sendo irracional, Jacob. – respondi um tanto quanto nervosa por essa conversa está indo no rumo que eu não queria.

- OK, você veio conversar. Pode falar.

Suspirei.

- Jake, por favor, eu nunca implorei tanto para uma pessoa. Você sabe que eu odeio implorar qualquer coisa para alguém, mas você faz com que eu faça as coisas mais improváveis. Você está me chateando, ignorando-me dessa forma e eu já estou ficando irritada! Eu quero conversar com você, quero mesmo! Mas não adianta se você continua a agir assim.

Foi a vez dele de suspirar.

- Tudo bem, vamos conversar.

- Cadê meu abraço? – pedi, e mesmo não querendo, deixei transparecer a minha tristeza com essa falta de carinho.

Ele levantou, deu a volta na mesa no mesmo momento que eu levantava e me jogava nos seus braços abertos. Ele cheirou meus cabelos, como sempre fazia e eu apertei meus braços ao redor do seu pescoço, sentindo o cheiro dele.

- Mi bailarina. – ele sussurrou baixinho.

- Eu sinto a sua falta Jake. – sussurrei.

Ele me soltou e eu segurei o seu rosto com as mãos.

- Você dormiu? – perguntei, deslizando os dedos sob as olheiras.

- Não muito. Tinha trabalho... e preocupações. – ele admitiu.

- Preocupações... comigo?

- Com você, principalmente. – ele confirmou e foi para o outro lado da sala – longe de mim.

- Jake, eu sei que você está chateado comigo... – estava começando a soar infantil tantos Jakes, chateações, implorar e desculpas. – Não, não vou começar assim. Você está magoado e eu queria falar que não tem motivo para isso. Eu sempre serei sua. Sempre! Eu quero me desculpar por... pelo Edward e por tudo, mas eu não posso quando eu sei que não fiz nada errado. Não foi errado ter o chamado. Não foi errado estar com ele. Acabamos nos desentendendo por causa de uma pessoa e eu nunca pensei que isso fosse acontecer, exatamente por que sempre fomos amigos, sempre confiamos um no outro. Mesmo que a decisão fosse errada, você nunca me reprimiu, sempre tentou me mostrar o melhor caminho. E mesmo com toda essa intimidade e confiança, nunca invadimos a privacidade um do outro.

- Sim Bella, eu sei de tudo isso. Só que para mim as coisas mudaram. Eu amo você.

- Eu também te amo Jake, mas nunca será como você quer.

- Por quê? Eu sou bom para você, eu te faço bem, eu sei te acalmar depois dos pesadelos, eu sei o que você gosta, o que você não gosta! Eu sei mais sobre você do que você mesma! Por que eu não posso ser perfeito para você Bella? – ele perguntou, o rosto triturado em dor.

- Ouvir de novo o que eu te falei no apartamento só vai aumentar a dor de nós dois. – respondi.

- Sim. Só que eu simplesmente não posso acreditar que você está com alguém!

- Mas você nunca se preocupou dessa maneira!

- Você parece... está... tão conectada a esse cara.

Então esse seria o problema? Ele viu que talvez o meu relacionamento com o Edward fosse sério e por isso desencadeou toda a confusão? Ele nunca se preocupou assim antes por que nunca teve realmente um perigo iminente?

- Mas Jake, você sabe que uma hora isso iria acontecer! Eu não tenho mais dez anos. Eu sou uma mulher, eu sou responsável...

- Não precisava me falar tudo que você é, Bella. – ele interrompeu. – Eu sei muito bem de tudo isso.

- E qual é o problema? – perguntei aflita. – Será que você deixará de me amar quando eu me casar e tiver filhos? Você virará as costas para mim, mesmo depois de tudo que vivemos?

- O problema é eu amar você. – ele suspirou. – Isso nunca deveria ter acontecido, mas aconteceu. Amar você é fácil, Bella. Você não acha que eu vi nos olhos daquele cara uma sensação de domínio sobre você? Você é linda, encantadora... como não te amar? É impossível...

- Mas o Edward não ficará aqui! – exclamei.

Depois eu via burrice. Isso não se tratava do Edward e eu. Era o Jake e eu.

- O que? – os olhos dele brilharam.

- Ele... ele vai embora Jake. Mas isso não vem ao caso.

- Quando ele irá? – exigiu saber.

- Eu quero falar sobre nós dois. Até quando ficaremos assim? Eu não agüento Jacob! Não! – e meus olhos marejaram.

Cansada, sentei novamente na poltrona. Ficamos calados por alguns momentos, que para mim pareceram horas, cada um com os seus próprios. Ele então atravessou a sala, abaixou ate que seu rosto pudesse estar na mesma altura do meu.

- Me desculpa por fazer você chorar. – e secou uma lágrima que escorreu pela minha bochecha.

- Não importa. – falei empurrando a mão dele. – Eu só queria tentar consertar tudo, Jacob. – Jacob. Nada de Jake. – Mas pelo visto, você nunca vai entender. E talvez isso sempre aconteça toda vez que eu me envolver com alguém. Eu não quero soar ingrata, mas eu nunca prometi que sempre ficaria chamando você, Jacob. Independente de o Edward ir ou não embora, eu tenho uma vida e eu vou vivê-la. Se eu me importar com todos, todos vivem menos eu. Eu também tenho direito de ser feliz, e ninguém pode tentar me impedir, nem mesmo você. Eu sempre estarei aqui. Te magoei? Eu realmente lamento, mas eu não posso deixar de viver a minha vida, mesmo que magoe pessoas que eu amo. Se você quer que seja assim, tudo bem será. Mas não posso deixar você interferir dessa maneira. É a minha vida.

- Será assim então? – ele perguntou.

- Apenas se você quiser que seja.

- Ok. – ele respondeu se levantando. – Acho que está na hora de você ir.

“Sim. A decisão estava tomada.” Pensei. Recompus-me, peguei a minha bolsa e caminhei em direção a porta.

- E pode levar o café. – ele falou.

Por um momento, pensei que ele fosse falar que tudo ficaria como antes, que nada importava, mas eu percebi que isso nunca mais voltaria a ser a mesma coisa. Eu parei, girei meu corpo e caminhei, olhando-o. Peguei os dois cafés, fui até o lado esquerdo da sua mesa e joguei os dois no lixo e voltei para a porta, batendo a porta com força.


POV EDWARD

- Edward. Estou falando com você! – murmurou Emmet aos berros.

- Aham. – respondi distraidamente.

- O que há com você hoje?

- Bella. – sorri. – Preciso ligar para ela.

Eu devia estar parecendo meio idiota; tinha certa consciência disso. Mas eu não ia fingir que ligava pra isso. Por que eu realmente não ligava. No momento em que tirava o celular do bolso, houve uma batida na porta do quarto de Emmet. Ele bufou irritadamente pela minha falta de atenção a ele e foi atender; era nosso almoço. Já estava tarde para isso, mas eu não tinha comido nada ainda, e Emmet afirmou que não se importava de comer outra vez para me acompanhar.

Pouco me importei com isso também, e esperei pacientemente enquanto o telefone chamava. Não sabia se eu estava mesmo ansioso ou se ela levou muito tempo até finalmente atender, mas demorou demais para isso.

- Oi, Edward.

Percebi que estava sorrindo quando de repente, ao ouvir sua voz, ele se desfez.

- O que houve, Bells?

- Nada. – respondeu rápido demais.

Eu detestava quando ela não me contava as coisas. Eu sabia que tinha algo errado. Suspirei frustrado, e passei a mão pelo cabelo. Realmente detestava aquilo.

- Eu sei que há alguma coisa. O que aconteceu com você?

- Nada de importante, eu já estou bem. – repetiu.

A teimosia dela às vezes era um pé no saco.

- Tudo bem, se não quer contar, não vou insistir. Mas se precisar falar, eu estou aqui, está bem? – podia jurar que ela tinha sorrido com a frase. – Estou com saudades de você, já. Quero te ver hoje. Outra vez.

- Hm... – com certeza agora ela estava sorrindo presunçosamente. – E no que você está pensando?

- Bom, eu tenho uma surpresa para você.

Foi uma idéia tão repentina que tive essa manhã e às pressas precisei ir comprar certas coisas de que precisaria.

- Vou precisar levar algumas coisas para sua casa hoje.

- O que?

- Surpresa, Bells. Lembra? – sorri.

- Está bem. – suspirou brevemente. – Então, quando eu sair do ateliê, ligo pra você. E vejo se faço um jantar para gente.

- Não se preocupe com isso, Bells. Só vamos comer bem depois. – falei sem pensar e ela ficou em silêncio. – Juro que estava falando de comida, mesmo. Mas esse seu silêncio me deu algumas idéias...

- Pode parando aí. – ela riu. – Tudo bem. Então, nos vemos mais tarde.

- Até, mi estrella.

- Até.


***

Assim que recebi a ligação de Bella, já estava saindo do hotel. Talvez eu realmente estivesse mais ansioso do que deveria, mas tão mal não poderia fazer. Peguei um táxi, nem me preocupando em tentar pegar o carro de Emmet e acabei chegando lá antes dela. O simpático do seu porteiro ficou muito contente em não me deixar subir por que “a dona do apartamento ainda não estava em casa”. Tive vontade de dar uma resposta, mas me contive. Até por que, só poderia dar início à surpresa quando ela estivesse presente. Então sentei na recepção e esperei.

O rabugento não parava de lançar olhares para a maleta que segurava. Quase fui obrigado a dizer que não havia dinheiro nenhum ali, e então era para ele parar de espichar o olho sobre ela curiosamente. Era incrível como as pessoas eram fuxiqueiras atualmente. Felizmente, no momento em que eu ia falar alguma coisa, ela apareceu. Depois do que me pareceu ser alguns anos luz, mas finalmente ela estava ali.

Ela apenas o cumprimentou e passou direto, nem me reparando ali. Ela parecia estar com pressa e aquilo me agradou bastante. Caminhei atrás dela, agradecendo cinicamente ao porteiro que lançou mais um olhar ao objeto em minhas mãos antes de virar a cara. Cheguei lentamente por trás dela enquanto a mesma aguardava o elevador e depositei um suave beijo em seu pescoço.

- Ah! – ela saltou no mesmo lugar e se virou de súbito. – Edward... – colocou a mão no coração, encarando-me irritadamente. – Não faça mais isso! Quase me matou de susto.

- Ora, então nunca mais faço, porque não quero te matar. – sorri amigavelmente.

Ela revirou os olhos e respirou fundo, tentando não me bater. Puxei-a pela cintura para perto de mim, porque ela estava há muito tempo longe. Aproximei o rosto do dela, louco para beijá-la e quando estava quase lá, ela abaixou o rosto fitando a maleta em minha mão, e me deixando, literalmente, de bico pro ar.

- O que isso? – perguntou tentando tirar da minha mão.

- Não, não, não. – afastei-a de suas mãos sedentas de informação. – Primeiro... – consegui trazer seu rosto pra mais perto e finalmente, beijei-a. – Agora sim. E segundo: Você vai descobrir já, já. Vamos subir.

Guiei-a pra dentro do elevador que parecia estar ali há certo tempo, e ela bufou em frustração. Só pra não perder a oportunidade, agarrei-a outra vez, porque além do mais, tínhamos que esperar até chegarmos ao seu andar, então precisávamos de distração. Certo? Bom, também, mas eu queria mesmo agarrá-la, então... Nada melhor do que unir o maravilhoso ao agradável. Quando entramos em seu apartamento, ela já foi logo tratando de abrir as cortinas permitindo que a luz lunar penetrasse o cômodo.

- Hm.. Bells? Onde é seu estúdio? – questionei.

Ela franziu o cenho, mas me levou até lá. Apesar de estar dentro de um apartamento, o seu tamanho era mediano. Havia um reque com um som no quanto da sala, ao lado dele, uma pequena estante com objetos que eu realmente não fazia idéia do que eram, e algumas fotos de seus pais, dela e de pessoas que eu não conhecia pendurada em uma parede; como quadros emoldurados. Além disso, uma das paredes era coberta por um grande espelho em toda a sua extensão.

- Então, agora me deixe ver... – inesperadamente senti a maleta sendo tirada das minhas mãos, e logo estava abrindo-a para sanar sua curiosidade.

Ela me encarou quando viu o que tinha em seu conteúdo; um pequeno cavalete, duas pequenas telas, godê para pintura, tintas e alguns pincéis. Foi o máximo que consegui encontrar.

- Você vai pintar? – perguntou confusamente. 

- Minha obra-prima está aqui.

Ela levou algum tempo até conseguir absorver a informação.

- Essa frase foi estupidamente brega, Edward. – e riu da minha cara. – Mas... Você quer dizer que vai... Me pintar? – eu assenti. – Para ficar com a tela?

- Não. O retrato é um presente para você, mi estrella. Para que você possa lembrar-se de mim quando olhar para ele.

- Eu não preciso disso para me lembrar de você.

- Hum... – eu sorri e me aproximei dela. – Então, você gosta de mim não é, professora?

Ela revirou os olhos.

- Tudo bem. Eu só vou tomar banho primeiro, ok? – ela sorriu animadamente e se virou depressa. – Ah... Toma. – entregou-me a maleta que se esqueceu de estar segurando e saiu quase correndo.

Eu ri e dei uma olhada em volta, imediatamente sabendo o que ia fazer. Primeiro, fui até a cozinha e peguei um banquinho de madeira que tinha ali, levando-o de volta. Então armei o cavalete, retirando tudo o que precisaria de dentro da maleta e a colocando no chão. O problema seria que em um estúdio de dança não tinha cadeiras, ou poltronas, ou sofás. E eu também não queria que ela ficasse sentada.

Fui até a sala. Deu certo trabalho executar o que eu tinha em mente, mas consegui levar o tapete branco que ficava no meio da sala de estar e as muitas almofadas sofá para o estúdio. Arrumei tudo no espaço de frente pro espelho, distribuindo as almofadas estrategicamente pelo tapete. Observando o reflexo que estes tinham através do vidro polido, tive mais uma idéia. Agora era só esperar ela voltar.


-


E ela demorou bastante. Na hora que finalmente aconteceu, só percebi quando ouvi sua voz porque estava perdido em minhas orações de que eu não estivesse enferrujado demais e conseguisse fazer uma tela decente. Ela estava trajando apenas um roupão e tinha o lábio inferior entre os dentes em sinal de nervosismo.

- Eu estava procurando alguma roupa, mas realmente não faço a menor idéia do que devo vestir para isso. – murmurou apreensiva.

- Nada. – respondi sinceramente.

- Como “nada”?

Eu suspirei consciente de que era mais fácil sugerir logo e não ficar enrolando como eu havia estado cogitando. Fui até ela, sorrindo tortamente e torcendo para que ela não se ofendesse ou reagisse mal a meu pedido.

- Na verdade... Eu estava pensando em pintar você nua.

- O que? – perguntou de olhos arregalados.

- Bells, você não precisa, se não quiser, é só... Uma idéia.

Ela me fitou por longos segundos, até desviar o olhar suspirando. Pensei que ela fosse dizer que não queria mais fazer nada e que eu tinha problemas na cabeça por pensar isso, mas surpreendentemente ela começou a desamarrar o roupão. Seu rosto estava o mais vermelho que eu já tinha visto durante todo aquele mês. Ao ver seu constrangimento, eu queria dizer a ela que não precisava daquilo, que ela podia se vestir e que eu não queria que o fizesse obrigada, mas... Estava ocupado demais tentando desviar os olhos de seu corpo nu. Tinha alguém criando vida lá embaixo.

- Pare de ficar me olhando assim. – ela trouxe a peça de roupa para sua frente, se cobrindo. – É ali que tenho que ficar? – indicou o tapete, e se possível, corando ainda mais.

- É. – pigarreei pela minha voz ter falhado terrivelmente. – É ali. Mas eu não posso não te olhar, Bells. Como vou pintar assim? – sorri divertidamente, tentando acalmá-la.

Ela me ignorou e foi até lá. Parou e suspirando, ela me estendeu o roupão. Colocou um pé no tapete como se estivesse medindo que era seguro e não estava apenas estava tapando um buraco onde ela poderia cair. Ela estava tão nervosa. Depositei o roupão dobrado em cima da maleta que estava no chão e voltei para perto dela, que agora estava sentada.

- Deite, Bells. – pedi gentilmente e depressa demais, ela deixou o corpo pender pra baixo, batendo com as costas e gemeu de dor. – Cuidado. Fique calma.

- Fácil para você falar. – rebateu.

- Tem certeza que quer fazer isso? Realmente você pode se vestir e..

- Eu quero. – falou decididamente e mordeu os lábios. – Ande logo com isso. Diga-me como tenho que ficar.

Ela nunca ia mudar mesmo; e graças a Deus por isso. Abaixei-me até estar do lado de seu corpo e tentei ignorar as reações do meu próprio por ela estar nua. Nua. Nua. Eu precisava encontrar algum controle por que senão realmente não ia dar, não.

- Fique de lado. Não... Não tanto assim, apenas as pernas.

- Contorcionismo? – debochou.

- Fique quieta, Bella. – e lá fui fazer eu mesmo.

Felizmente, ela ficou quieta. Espalhei seus cabelos pelas almofadas e ergui seu braço acima da cabeça, flexionando-o. Coloquei o outro do lado de seu corpo, e a virei mais de lado, de modo que parte de suas costas, e bunda, e pernas estava refletida no espelho.

Afastei-me um pouco para ver melhor. Ela continuava mordendo os lábios e corando mais a cada milésimo de segundo. Estava tão sexy. Observei-a por mais um tempo percebendo algo.

- O que foi? – perguntou tensa.

- Está faltando alguma coisa.

- Que seria...?

Sorri, sabendo exatamente o que era. Eu me aproximei dela, que ofegou.

- O que você...

Abaixei o rosto até estar na altura de seu colo, e mordi levemente o começo de seu seio esquerdo. Nada que fosse machucar, mas pela cor de sua pele, qualquer coisa ficaria vermelha.

- Minha marca no seu coração. – respondi. – Isso que estava faltando.

Ela engoliu em seco, e por um momento achei que seus olhos estavam lacrimejando. Beijei-a suavemente nos lábios e levantei, indo para o “meu lugar”. Sentei no banco e fitei-a.

- Abaixe o rosto e fique olhando para mim, Bells. Não desvie o olhar.

Ela assentiu, respirando fundo. Soltei uma lufada de ar, e mergulhei o pincel na tinta preta, levando-o até a brancura da tela. Seu corpo estava contraído, tremelicando um pouco e estava percebendo as suas dificuldades de se manter parada.

- Relaxe, mi estrella. Sou apenas eu aqui.

Ela suspirou e piscou os olhos lentamente, relaxando o corpo. Sorri para ela e comecei de verdade, fazendo o que podia para relaxar certas regiões da mesma forma. 


-


- Edward? Já está acabando? Estou ficando com frio. – perguntou Bells.

- Pode ir se vestir.

Ela levantou na mesma hora e se apressou em vestir o roupão. Ela tentou bisbilhotar quando viu que eu ainda estava pintando.

- Nada disso. Pode tirando o olho daqui.

- Pensei que já tinha acabado. – ela se afastou contra a vontade.

- A parte da frente sim, a de trás não. – expliquei, e ela franziu o cenho. – Você vai entender daqui a pouco.

- Mas não precisa mais olhar para mim? – perguntou, e eu balancei a cabeça
negativamente. – Então por que eu precisei posar para você?

- Porque assim é mais sexy. – sorri e pisquei para ela.

Como previsto, ela corou bastante e deixou o estúdio para se vestir sem nem mais olhar para mim. Estava terminando de retratar o seu reflexo no espelho, de modo que pudesse ser vista por inteira. Achei que daria um bom efeito. Preocupei-me em pintar também um sinal de nascença que ela tinha atrás do ombro direito; embora ele não aparecesse no reflexo, lembrava-me muito bem dele.

Bella retornou uns quinze minutos depois, já vestida. E para minha felicidade, era exatamente um vestido. Perfeito.

- Fiz um sanduíche para a gente. Estou morrendo de fome, então achei que seria mais rápido. – anunciou encarando impaciente a tela que não conseguia ver.

- Voilá. – disse quando enfim percebi ter terminado.

Ela veio até mim mais rápido do que o tempo que levei para flexionar os músculos. Seu olhar se perdeu no retrato por um momento e eu me via a cada minuto mais ansioso enquanto ela continuava calada. Já ia abrir a boca para dizer alguma coisa quando repentinamente ela se jogou em meus braços e me beijou intensamente. Passei os braços em volta de sua cintura, puxando-a pra mim.

- Ficou lindo! – ela sorriu com os olhos marejados. – Lindo, lindo, lindo! Obrigada!

- Você gostou mesmo, Bells? – perguntei desconfiado.

- Sim, mas tenho que fazer uma observação. – declarou com uma expressão séria.

Estava bom demais para ser verdade.

- O que?

Eu não sei se era pela minha expressão amedrontada, mas no mesmo momento um sorriso divertido voltou aos seus lábios.

- Você é demasiadamente possessivo. Eu pensei que você estava brincando quanto à marca... – indicou a mordida vermelha em seu seio na tela. – Louco!

- Sou possessivo com o que é meu. E você é. Minha estrela.

Ela me chamou de ‘louco’ mais uma vez, silenciosamente, e eu cobri sua boca com a minha, encerrando a conversa. Qualquer um poderia me chamar do que quisesse. Louco, ciumento, possessivo, presunçoso.. O que quer que fosse. Mas o fato continuaria sendo o mesmo. Ela era minha e ponto final.

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