Heeeeeeeeeeeeeeeeeeey!!

Desculpa a demora, mas eu simplesmente fui postar o capítulo um dia desses, mas daí desisti, daí esqueci e daí estou aqui só hoje. O que eu posso dizer em minha defesa? Esse é o meu capítulo meu preferido! A partir de agora, tudo será desencadeado pelo que acontece aqui. Posso dizer tanto por mim quanto pela Gabi que foi maravilhoso poder escrever cada palavrinha desse capítulo que é cheio de sensualidade e descobertas e... Aaaaah!! Vocês irão entender!

Comentem, sempre!



Capítulo 13
“Cuando nada va bien, cierra los ojos y piensa en mí y pronto estaré ahí, para iluminar incluso tu noche más obscura.



POV ISABELLA

Quando Edward terminou de se vestir e estava devidamente cheiroso, bem arrumado e extremamente sexy, descemos para o jardim do hotel – ele com a mão na minha cintura, me guiando -, onde tinha disposto várias mesas. O lugar era aconchegante e tinha várias luminárias que dava um ar romântico. Banquinhos estavam espalhados dando privacidade às pessoas. E tinha um grande altar que estava cercado por uma parede de mármore com a vista para o mar. A banda que tocava estava posicionada a esquerda, todos vestidos a caráter. No momento não tinha ninguém dançando, mas eu poderia esperar até que tivesse algum casal arriscando alguns passos.


O jantar foi confortável. Evitei tocar no assunto ‘pais’ já que tinha abusado muito da minha sorte. Flertamos. Provocamos. E não passamos disso. Edward foi extremamente gentil, carinhoso e educado. Se algo estava passando por sua mente – e corpo – ele estava conseguindo disfarçar incrivelmente bem. Talvez o único indício do seu desejo, era quando me olhava. Seus olhos tinham um brilho inconfundível, encantador. E junto com o seu sorriso, eu me desmanchava e agradeci internamente por estar sentada.



Ele me contou sobre ele, o que gostava de fazer, as pessoas que conhecia, sua adolescência... evitando sempre a infância. Tive a impressão de que queria manter um dialogo agradável, talvez com medo de que eu perguntasse algo e voltasse ao assunto pais.
Ele me contou como gostava de passear pelo Central Park no outono, ou como se tornou um freqüentador assíduo da livraria do outro lado da cidade, apenas por que lá ‘tinha o melhor café de Nova York’.

- Quando você for me visitar, te levarei até lá. – falou confiante. – Você vai me visitar, não é? – perguntou me olhando atentamente.

Silêncio.

- Hãm... eu realmente... não sei Edward. – falei por fim. – É uma coisa a se pensar.

Ele fixou o olhar por um momento em um ponto atrás da minha cabeça, com as sobrancelhas ligeiramente unidas, a testa enrugada e depois voltou a falar sobre a sua vida, como se tentasse ignorar a minha resposta.

Muitas coisas ele disse que eu teria que descobrir, por que não teria graça se ele contasse tudo. No geral, eu achei-o uma pessoa humilde e até simples. Ele não gostava de nada muito exagerado – o que me fez não entender o porquê da sua amizade com Emmet -, vivia relativamente bem. Trabalhava em algo que gostava, fazia o que lhe agradava. A única explicação que eu tinha para sua personalidade forte e marcante seja que teve que amadurecer rápido. Talvez ainda quando criança, quando a Cida ainda estava com ele. Ser recusado de dar todo o seu amor para os seus próprios pais fez com que ele guardasse todo esse amor para si mesmo, e quando direcionado para os pais, ia em forma de rancor, raiva e talvez até ódio.

Entretanto, estar na presença dele não me trazia nenhum sentimento negativo. Ele me fazia rir de uma maneira surpreendente. Quando ele queria, era carinhoso, atencioso e não parecia com o brutamonte que eu conheci na boate... Parecia fazer tanto tempo... Que isso me fez lembrar de uma questão.

- Quando vocês irão embora?

Ele me encarou confuso com a pergunta.

- Já querendo se livrar tão cedo de mim, Bells? – respondeu com outra pergunta.

Respirei fundo, por que quando ele falava assim, algo se acendia em mim.

- Não... hum, curiosa apenas. Eu estou um pouco perdida.

Ele brincou com a sobremesa que estava na mesa, sem me encarar por alguns instantes.

- O tempo aqui está acabado. Provavelmente só teremos mais quatro ou cinco dias.

Uma rajada de vento passou por mim me fazendo arrepiar. Eu não sei se atingiu somente a mim. Um silêncio incômodo se instalou entre nós. Quando levantei o rosto para encará-lo, fiquei surpresa ao ver que ele já fazia isso.

- Já? – perguntei, sem realmente saber o que falar. – Parece que tudo passou tão rápido.

- Parece que eu não soube aproveitar realmente o meu tempo aqui. Só valeu a pena depois que eu tive você comigo.

E foi a vez de um calor passar pelo meu corpo. Estar esses dias com o Edward tinha sido significativos. Eu tentei lembrar que ele iria embora cedo ou tarde, só não pensei que fosse assim... tão rápido. Era uma ligação estranha. Lembrei também que eu falhei miseravelmente em tentar não me aproximar tanto dele. Aliás, eu estava falhando em várias coisas desde que ele tinha aparecido. Ele me desconcertava, me provocava, me assediava, me fazia esquecer... Eu estava me aproximando inegavelmente... meu coração estava travando uma batalha...

- Hãm... – comecei tentando quebrar o clima chato que se instalou. - Acho que o tempo é o de menos. O mais importante será o que você aprendeu aqui.

Ele riu.

- Aprendi a dançar. – ele falou feliz.

- Isso é uma mentira. Você já sabia. – revidei.

- Sim, sabia. Mas não música caribenha, salsa... Isso só a professora Bells para poder me ensinar.

Ri.

- Eu sei que você aprendeu também que pode encontrar cachoeiras no escuro em meio a matagais.

Foi a vez dele rir.

- E que derrubar bebida em uma mulher pode ser um péssimo negocio.

- Sem contar que é extremamente grosseiro. Ainda bem que você aprendeu isso.

- Eu deixaria você derramar a bebida em mim de novo, se eu pudesse aproveitar mais meu tempo com você. No lugar de revidar e atiçar a sua ira, apenas te beijaria. Se eu tivesse feito isso no começo, já imaginou quanta confusão teria sido poupada? – ele encostou a cadeira próxima a minha e me deu um leve beijo nos lábios.

- Vamos combinar algo? – pedi. Ele concordou. – Nada de falar mais sobre tempo ou viagem. Só vai fazer com que fiquemos ansiosos. Vamos aproveitar apenas o que temos.

- Sim, tudo bem. – e beijou a face da minha mão. – Você dançaria comigo?

- Claro. – falei levantando – me e agarrado sua mão que me levou para o palco, onde já tinha alguns casais dançando.

Ele me deu leve giro e então juntou seu corpo ao meu, delicadamente.

Dulce Melodia – Jesse & Joy


- Vamos tentar não mostrar todo o nosso talento para que os outros não pensem que somos presunçosos. – ele sussurrou no meu ouvido.

Respondi apenas com um sorrisinho. Nossos rostos estavam colocados, sua mão esquerda posicionada na base da minha cintura, a direita segurando firmemente a minha.

- Como seria o homem ideal para você, Bells? – a pergunta me pegou de surpresa.

- Por quê? – questionei, afastando o rosto para poder encará-lo.

- Curiosidade. Estou tentando apenas conhecê-la um pouco.

Refleti por um momento, procurando por uma resposta.

- OK... A verdade é que eu nunca pensei nisso. Eu espero que quem esteja ao meu lado me surpreenda de alguma maneira, que me ensine algo novo, que me convença a fazer loucuras. Eu nunca pediria para quem estiver comigo que me coloque acima dele próprio, mas eu gostaria que tivesse uma determinada quantidade de respeito, carinho, não apenas unilateralmente. Tem que ser mútuo. E acima de tudo, eu quero alguém que ame. Assim, mesmo eu tendo os meus surtos, com todos os meus problemas... Tem que ser carinhoso, divertido... e todas aquelas bobagens que sempre queremos das pessoas.

- Oh meu Deus! – ele falou de olhos arregalados. – Eu não acredito Bells. Eu sou perfeito pra você!

- Você realmente acha isso? – perguntei me afastando para olhar seu rosto, incrédula, tamanho o cinismo dele.

- Sim, sim. Eu sou tudo isso.

- Você é muito confiante de si mesmo Edward e pode quebrar a cara.

- Você pode ser surpreender. – e selou nossos lábios antes que eu pudesse falar alguma coisa.

Soltei minha mão da dele e entrelacei no seu pescoço. Ele sugou meu lábio delicadamente e eu entreabri a boca e juntei nossos lábios, sentindo sua respiração dentro da minha boca. Fechei a boca e juntei nossos lábios. Ele me abraçou apertado. Ri nos seus braços.

- Lembre – se que estamos em um lugar público, OK? – comentei separando os nossos lábios. Ele apenas riu e me puxou novamente.

Continuamos a dançar, cada um imerso em seu próprio pensamento. Três musicas tocaram e passaram. Quando a ultima nota tocou, ele me segurou pelos ombros e me olhou seriamente.

- Sabe o que eu mais aprendi nessa viagem, Bella? Eu aprendi a gostar de você, minha estrela.

E antes que eu pudesse perguntar o significado das duas palavras, ele me segurou pela mão e saiu me puxando.

- Edward, para ond...?

- Você vai ver.

Para acompanhá-lo, tive que correr.

- Edward, eu vou tropeçar! – exclamei.

- Já estamos chegando.

Atravessamos todo o jardim onde estava ocorrendo o jantar. Passamos por um vasto jardim que dava a volta pelo lado direito do hotel e chegamos à beira do mar, onde tinha um deck.

- Eu queria te trazer aqui.

A brisa do mar chegava até nós. Ele me abraçou por trás enquanto observava a vista comigo. Estava escuro, já que as luzes chegavam ali fracamente, refletindo na superfície do mar. A banda recomeçou a tocar e ele me puxou novamente contra o seu corpo.

Abrazame – Camila
http://www.radio.uol.com.br/musica/camila/abrazame/128834

- Posso te perguntar algo? – ele pediu.

- Claro.

- Por que você não quer me visitar?

- Como? – perguntei sem entender.

- Eu queria te mostrar tantas coisas. Eu queria que você conhecesse meu apartamento, que passasse um pouco de tempo comigo, que fosse lá... me ver.

- Aaahh... isso... – suspirei. – Edward, eu não falei que não vou. É apenas alguma coisa a ser pensada. Você já pensou em tudo que eu tenho que programar antes de pensar em viajar assim? E o Ateliê?

- Eu tenho certeza que a Alice e Rosalie não se importariam... – ele começou.

- E você já pensou se o Jasper e o Emmett fizeram essa mesma proposta para elas? Elas não têm ateliê... eu tenho.

- Tudo bem, tem o ateliê... mas se você conseguisse algum modo de ir, você iria? – ele insistiu.

- Eu acho que sim... se estivesse tudo certo aqui, não teria um por que.

Ele me brindou com o seu sorriso.

- Era essa a resposta que eu queria ouvir. – e selou nossos lábios.


***


- Está tarde, tenho que ir. – falei me agarrando a ele, como se ele se negasse a fazer o que eu queria.

- Sim, sim. Apesar de não querer que você fosse... Tem um lugar no apartamento pra você... eu poderia te emprestar uma camisa, você tirava esse vestido e hum... eu deixaria você dormir na minha cama.

- Nada disso, Edward. – falei rindo. – Eu não vou dormir na sua cama, nem no apartamento e nem aqui. Vou pra casa.

- Aaaah droga. Eu cedi a minha cama pra você. – ele reclamou.

- E onde você iria dormir? – perguntei.

- Com você, claro. – respondeu travesso me dando um rápido beijo. – É só que eu tinha que mostrar algumas coisas na cama pra você, entende...

- Ahãm, entendo. E nada feito.

Ele suspirou.

- Pelo menos eu tentei. Pode me acompanhar até o apartamento, pelo menos? – olhei-o inquiridora. – Não, não. Não vou te atacar. Não estou prometendo nada. Apenas pegar algum agasalho pra você. É incrível como a temperatura muda aqui.

Concordei e voltamos ao apartamento. Ele sussurrou um ‘espera um instante’ e eu me sentei no sofá, encostando a cabeça, esperando-o. Eu tinha certeza que um sorriso bobo estava pousado em meus lábios. Eu estava feliz. A noite tinha sido magnífica. Enquanto esperava por Edward, fiquei observando os detalhes do apartamento e pensando em como seria a vida de Edward em Nova York. Como seria a sua rotina e seu trabalho. Como tratava seus clientes e seu circulo de amigos além do Emmet e Jasper. O que costumava fazer nos finais de semana e que horas dormia e como dormia.

- No que está pensando? – ele perguntou.

Estava atrás do sofá e inclinou sua cabeça até beijar a minha boca. Ri nos seus lábios diante do beijo ao contrário. Ele deu a volta a se sentou ao meu lado. Aproximei meu corpo do dele, quando esse abriu os braços me acolhendo. Jogou um grande sobretudo por cima dos meus braços.

- Confortável?

- Sim. – ronronei, enterrando meu rosto no seu pescoço e aspirando seu cheiro. - Edward...? - chamei.

- Hum?

- Lembra que eu tenho que ir embora? – perguntei.

- Pensei que você tivesse esquecido isso.

- Não Edward... eu preciso ir... eu queria ficar... mas não posso. – comentei, já com a voz um pouco sonolenta.

- Com sono?

- Um pouco.

- Fique e me faça companhia.

- Não, você me agarraria.

- Sim, com certeza eu faria isso. – ele respondeu convicto, alisando meu braço.

Fechei os olhos, recebendo contente o carinho que ele fazia.

- Você acha mesmo que eu tenho que ficar?

- Sim, eu acho. – e agarrou uma mecha do meu cabelo e me puxou novamente para perto. – Tão perfeita... – e me beijou sem concluir a frase.

Eu enterrei minhas mãos no seu cabelo, puxando o para mais perto. Eu gostava do beijo do Edward, era sensual. Ele gostava de beijar rápido, enterrando sua língua dentro da minha boca em todos os momentos. Bem típico de homens safados, pensei. Eu gostava de curtir o momento. Então afastei um pouco a boca e voltei a beijá-lo, do meu jeito. Dei uma leve mordida puxando o lábio inferior. Abri os olhos enquanto segurava entre os meus dentes com um sorriso. Os olhos deles faiscaram. Aprofundei o beijo e ele apertou minha nuca para que eu não quebrasse o contato. 

Eu agarrei sua blusa com os punhos fechados. Ele sugou minha língua e eu suspirei. Em um momento eu estava sentada ao seu lado, no outro em seu colo. Sua mão estava pousada no meu quadril, apertando. Desceu pela coxa e subiu novamente, dessa vez com a mão por dentro do meu vestido. Rapidamente pousei a minha mão sobre a dele e juntos fiz com ele voltasse pelo mesmo caminho. Ele gemeu em frustração. Separei meu rosto e olhei para ele com a minha melhor expressão de ‘você está fazendo coisa errada, mocinho.’

- OK. Me desculpa. – ele falou.

Ergui a sobrancelha para ele, como se duvidasse.

- É serio. Vou me controlar.

Edward estava fazendo a melhor cara de arrependido, ou talvez estivesse mesmo, e essa expressão era tão incomum em seu rosto, que me fez rir. E nós ficamos assim por muito tempo até que eu percebi o quão tarde era e fui embora.



***



O dia seguinte foi corrido, o mais corrido de meses. Parecia que cada minuto do dia estava previamente selecionado e preenchido com tarefas, porque aparentemente eu havia me esquecido de minhas próprias responsabilidades para com o ateliê. Eu sabia bem o motivo de toda essa minha distração, e imediatamente me senti relapsa. Mas felizmente consegui colocar tudo em ordem entre os horários de minhas aulas; foi preciso que eu sacrificasse meu almoço para isso, mas eu sobrevivi.

O que realmente foi difícil foi apenas ver Edward durante uma hora na aula de Dança Caribenha e não poder falar com ele devidamente. A cada movimento que eu fazia, percebia seus olhos em mim, como de costume: provocantes, tentadores e ainda pidões. Era como se ele estivesse me implorando para arrumar um jeito de me aproximar dele, ou até mesmo dar uma escapada da aula por um momento, esperando que os outros não notassem que certo aluno teria sumido no mesmo instante. Já havia ouvido comentários nos corredores sobre Edward e certa fascinação que ele parecia ter pela dona do ateliê.

Foi inevitável sorrir, até porque minha auto-estima subiu significantemente por saber que ele mal conseguia esconder isso e também porque, era uma confirmação de que não era somente eu que notava. Mas quando a lucidez retornou, eu tive a certeza de que teria que conversar com ele sobre isso. Acabei esquecendo, é claro, mas teríamos que ser mais discretos. Eu já me sentia uma imoral por sempre ter defendido o critério de não se envolver com alunos e estar fazendo exatamente isto sem precisar de que ninguém tivesse conhecimento, com exceção de Alice e Rosalie. E eu não poderia, de jeito nenhum, ter alunos que tinham certeza disso, tão pouco.

Deixei o ateliê tarde naquela noite. No caminho, comprei comida para levar. O que eu mais queria era o conforto de minha casa naquele momento. Ao chegar, tomei um banho relaxante, ataquei o que tinha comprado, porque meu corpo já reclamava pelo dia inteiro que tinha ficado sem comer, apenas com o café da manhã no estômago, e segui para a cama. Mal coloquei a cabeça no travesseiro, dormi. Sem nem ao menos me lembrar de mais uma noite, fazer como Edward havia sugerido.

 Foi muito pior do que havia sido em tanto tempo que eu nem me lembrava. Foi horrível e demorado. Mesmo sem poder me ver, eu sabia que estava me debatendo na cama apenas querendo fugir daquilo, mas não conseguia. Meu subconsciente me prendia no pesadelo porque eu tinha a visão de meus pais, e ainda que em uma situação tão assustadora, vivos. Por pouco tempo. Revivi em câmera lenta cada passagem; se alguém me perguntasse teria afirmado que pararam o tempo porque cada movimento parecia ter duração de no mínimo dez minutos. Desde a nossa saída do restaurante até os corpos de meus pais estirados na rua, com a chuva nos banhando e a multidão se acumulando...

Acordei soando e ofegando. A consciência de ter tido mais um pesadelo me apavorou e grossas lágrimas escorreram por meus olhos sem que precisasse fazer esforço. Senti uma dor tão forte no peito, por um momento achei que estavam comprimindo meu coração e não pude respirar. Era forte demais, sufocante demais. Para cada canto do quarto que olhava só via escuridão. Era esmagador e ruim. Era como ainda não ter acordado.

Mais depressa que pude, reuni todas as forças que me restava, levantei da cama seguindo para a sala, com o edredom em volta do corpo. Com a dor no peito ainda tão forte, fui cambaleando curvada acendendo todas as luzes no meu caminho. Joguei-me no sofá, ainda envolta com edredom e tentei mais um segundo, respirar e me acalmar. Sabia que deveria ir ao encontro de Jake; como sempre, ele me acalmaria e me ajudaria a passar por mais essa. Como o refúgio que ele é para mim. Porém, eu sabia que não conseguiria dirigir assim; apenas causaria um acidente antes de chegar lá. Eu tremia demais e estava muito agitada para conseguir me concentrar em alguma coisa. Mas eu também não poderia ficar sozinha. Peguei o telefone na mesinha ao lado do sofá, já discando o número da casa de Jake, quando um pensamento me ocorreu.

Edward.

O telefone coçou em minha mão e sem perceber, cancelei a ligação. Era verdade que Jake era sempre minha primeira opção, mas agora pensando em Edward, parecia certo pedir pra ele vir. Meu desespero começou a aumentar porque não conseguia me decidir. Seria tão mais fácil apenas discar logo o número de meu primo para que ele acabasse com meu sofrimento como sempre fez. Por que eu não conseguia?

Ponderei por alguns segundos até que simplesmente desisti. Talvez eu me arrependesse disso, talvez ele nem sequer ligasse, mas disquei o número de Edward e colocando o telefone no ouvido, aguardei ansiosa e mantendo com dificuldade o aparelho na altura adequada. Chamou uma, duas, três vezes. A dor no peito aumentou ao pensar que ele não atenderia, e naquela altura, eu queria que ele viesse. Eu ia desligar quando...

- Alô? – a voz sonolenta de Edward atendeu.

Uma incontrolável enxurrada de lágrimas me assolou ao ouvir a voz dele. Cobri a boca com as mãos numa tentativa mal-sucedida de me acalmar; mas era como se tivessem ligado uma torneira interna que precisava ser esvaziada. Detestei a mim mesma por não conseguir me conter; ele desligaria pensando que era uma brincadeira de mau gosto e eu não conseguiria falar com ele.

- Bella? – ele perguntou e por um momento congelei por ele reconhecer, mas logo após já soluçava outra vez. – Bella? O que aconteceu? Por que está chorando? Onde você está? Te machucaram? Você está bem?! – eu quase podia vê-lo levantando-se rapidamente da cama pela preocupação em seu tom.

- Estou... em casa... – respondi entre soluços torcendo para que ele tivesse ouvido.

Pelo seguido momento de silêncio, tive certeza de que ele não tinha mesmo escutado. Mas, no entanto, ele logo voltou a dizer:

- Eu já estou indo.

Senti uma leve onda de alívio ao ouvir aquelas palavras. Eu não esperava que ele entendesse, e muito menos que viesse sem eu precisar pedir, mas podia escutar pelo telefone os seus movimentos, tamanha a velocidade dos mesmos.

- Bella? Não desliga. Pra você saber que... Não está sozinha. Eu estou aqui. Fica comigo, está bem? – disse em tom baixo e suave. Ainda podia ouvir movimentos enquanto ele falava.

Eu balancei a cabeça ‘sim’ consciente de que ele não poderia ver, mas pareceu que ele soube por que disse:

- Ótimo. Eu já estou indo, Bells. – repetiu, e menos de um segundo depois escutei o baque de uma porta.

EMMET!” – ele gritou e logo ouvi batidas em outra porta.

Ele fez o mesmo ritual várias vezes, proferindo alguns palavrões no processo, mas pelo que pude notar, de nada adiantou. Gritou por um último um alto e sonoro “Que inferno!” e em seguida pude ouvir um tiquezinho irritante que parecia o botão do elevador sendo acionado freneticamente.

- Bells? Está aí? – perguntou e eu assenti, e mais uma vez ele pareceu conseguir ver. – Vou ter que ir de táxi porque o Emmet não deve ter voltado hoje, e está com o carro. – fez uma pausa para proferir outros palavrões. – Mas eu já vou. Não vou demorar. Daqui a pouco estou aí, tudo bem?

Meu coração apertou mais ainda. Eu sabia que ele estava tentando me acalmar porque ele ia sim demorar, mas eu apenas assenti e ele murmurou ‘ótimo’ outra vez.

Nos muitos minutos seguintes, basicamente ficamos em silêncio. Na maior parte do tempo, podia sentir Edward cogitando o que ele poderia dizer para me acalmar, mas ocasionalmente ele desistia e murmurava “Bells? Você ainda está aí? Eu realmente já estou indo, tá?” enquanto fazia um barulhinho chato que não consegui identificar o que, mas que era um claro sinal de que ele estava demasiadamente nervoso; ou então eu o escutava interagindo com taxista exclamando coisas como “Será que dá pra você acelerar essa joça?!” ou “Se eu quisesse chegar amanhã, teria ido de jegue que era bem mais econômico!” 

Se eu não estivesse tão desesperada, teria gargalhado; mas confesso que meus lábios se curvaram em um sorriso algumas vezes porque ele era realmente uma comédia. Contudo, a verdade era que a cada minuto que se passava ficava mais difícil esperar. Por várias vezes, me arrependi por não ter ligado pro Jake, por que apesar da distância do apartamento dele pro meu ser maior do que a do hotel pra cá, ele viria de carro, e provavelmente há uma hora daquelas eu já estaria melhor. Mas era só ouvir Edward pronunciar “Bells?” que o pensamento se esvaía da minha mente instantaneamente, me fazendo sentir mal pelo arrependimento porque sabia que ele estava fazendo o que podia.

À medida que a madrugada se acentuava, a escuridão ganhava mais espaço. A sala já estava mais para uma penumbra e eu tive que agarrar o edredom com mais força para me manter estável. Ao telefone, começava a escutar outros movimentos sendo seguido pelo som do que pareceram ser gritos de Edward com alguém, que eu poderia jurar ser o meu porteiro. Mas toda e qualquer idéia, suposição ou pensamento foram varridos da minha mente quando ouvi a voz ao telefone outra vez:

- Bells? – prendi a respiração quando falou, balançando a cabeça como sinal que estava o ouvindo. – Abre a porta pra mim?

Num ato reflexo, o telefone escorregou da minha mão para o sofá enquanto eu levantava, esquecendo do edredom ao meu redor, tropecei no pano indo ao chão, mas rapidamente estava de pé. Os próximos passos foram instantâneos e logo já tinha aberto a porta. Tive consciência de que estava bem mais horrível do que pensava pela forma como Edward olhou para mim, mas no mesmo segundo em que o vi, apenas me joguei contra ele recomeçando a soluçar. Ele envolveu seus braços ao meu redor, me apertando tão forte que encontrei ainda mais dificuldades para respirar, mas não me afastei.

Eu precisava daquilo. De seu toque, de seu abraço, de seu cheiro, de seu carinho, de seu consolo, de sua preocupação, e dele. Ele afagou meu cabelo com uma das mãos enquanto murmurava “Está tudo bem. Eu estou aqui.” Só percebi que estávamos muito tempo parados ali quando ele me pegou no colo e entrou, fechando a porta com o pé.

- Lá não... – murmurei agarrada firmemente ao seu pescoço quando ele fez menção em seguir para o quarto.

- Tudo bem...

Ele então me colocou sentada em seu colo no sofá, e passou os braços em volta do meu corpo me prendendo a ele. Senti-me por um momento como uma criança sendo ninada, mas não liguei. Enterrei o rosto em seu peito e chorei. Talvez por minutos, talvez por horas ou talvez por décadas, não sei ao certo. O tempo se tornou um borrão inteligível para mim que parecia alienada a qualquer coisa que não fosse a melodiosa voz de Edward murmurando repetidamente “Você não está sozinha, Bells. Eu estou aqui com você. Estou aqui” enquanto me apertava mais forte contra ele a cada vez que achava que eu estava ficando mais nervosa.

Mas o choro era como uma válvula de escape; era o que me fazia “esvaziar” todo o tormento de dentro de mim. Sem ter noção da extensão de minha crise, apenas senti quando a voz dele foi me acalmando gradativamente até que senti minhas pálpebras ficando pesadas e meus pensamentos enuviando. Edward sussurrou “Reze, Bells” tão baixo que levei segundos para realmente ouvir; com toda a consciência que ainda me sobrara, fiz uma pequena oração mental e murmurei:

- Obrigada por ter vindo cuidar de mim, Edward... – eu não acreditava que pudesse ter medido o quanto minha frase foi infantil naquele instante.

Mas pude sentir seus lábios se curvando em um sorriso.

- Durma bem, mi estrella. – murmurou uma última vez e afagou o alto de minha cabeça, depositando um beijo em minha testa.

E assim, adormeci.


(...)


A primeira coisa que senti ao perceber estar acordada foi que definitivamente eu não estava em minha cama. Abri os olhos e reconheci minha sala de imediato; com lentidão, a consciência desta madrugada inundou minha mente e eu suspirei, tentando não me abalar mais com isso, porque recomeçaria a chorar. Estava deitada no sofá, com a cabeça em uma almofada e coberta com o edredom. Isto deve ser obra de Edward – pensei. Ergui o corpo, me sentando e olhei ao redor procurando por ele.

Não ouvi barulho em lugar nenhum e imediatamente me perguntei onde ele teria ido. Mas não precisei esperar muito porque logo ouvi o barulho da porta ser aberta e ele logo apareceu na sala com umas sacolas nas mãos.

- Bom dia, Bells. – ele sorriu abertamente. – Eu peguei sua chave emprestada, espero que não se importe.

- Aonde você foi? O que é isso? – encarei as sacolas com as sobrancelhas arqueadas e então, como resposta, um maravilhoso cheiro de Tostones* preencheu o ar fazendo meu estômago roncar alto.

- Seu café da manhã. – ele riu, provavelmente também tendo escutado a minha evidente fome se manifestando. Eu corei, e ele riu mais forte. – Eu realmente espero ter acertado, embora acho que tenha mais coisas americanas e enfim... Na verdade eu não queria te deixar sozinha, mas achei melhor que tentar arriscar fazer alguma coisa com o que você tem aqui e acabar de fazendo ter uma indigestão ou intoxicação.

- Exagerado...

- Eu não sou. Acredita em mim.

- Tá. Vamos comer! – era difícil fingir que eu não estava querendo devorar tudo ali dentro, até a sacolinha de papel se bobeasse.

Eu levantei, deixando o edredom pelo sofá. Edward fez uma cara estranha e eu franzi o cenho, mas ao abaixar os olhos percebi o porquê: eu estava usando apenas uma camiseta e um “shortcalcinha” – daqueles que deixam tudo a mostra -. Corei absurdamente outra vez, sem graça. Eu estava acostumada a usar coisas assim para dormir quando estava muito calor, e eu não planejava mesmo que ninguém me visse daquele jeito. Na verdade, ele já deveria ter visto primeiramente quando chegou aqui, mas naquelas circunstâncias, não fazia muita diferença.

- Hãm... – eu pigarreei também como um sinal para ele parar de encarar meu corpo daquele jeito faminto e desejoso, mas ele continuou olhando mesmo assim. – Aah, espera um instantinho. Você pode ir pra... Hãm... – eu estava tendo sérios problemas para pensar com ele me olhando daquele jeito, de verdade. – A cozinha.

Ele ergueu os olhos pro meu rosto por um instante, e eu definitivamente tive sérios problemas por olhar nos olhos dele. Ele estava verdadeiramente me enlouquecendo. Eu gesticulei sem ao certo saber o porquê, e escapuli rapidamente indo até meu quarto. Fiz minha rotineira higiene matinal, aproveitando para escovar os cabelos e lavar o rosto umas três vezes a fim de não aparecer horrível na frente dele; embora ele já tivesse me visto antes. Assegurei-me de vestir uma roupa decente daquela vez, colocando uma calça jeans e uma regata básica.

- Você sabe arrumar a mesa, então? – perguntei ao entrar na cozinha percebendo que, sinceramente, ele estava fazendo certo.

Edward desviou sua atenção da arrumação para olhar pra mim e eu fingi que não corei pela evidente decepção em seus olhos por me ver com roupas que cobriam alguma coisa.

- Eu disse que você pode se surpreender comigo. – e lá estava seu sorriso encantador.

Revirei os olhos, mas sorri também, me sentando à mesa.

- Waffles! – exclamei contente percebendo-os à minha frente. Eu adorava waffles.

Edward riu e se sentou ao meu lado.

- Você dormiu bem? Sem mais pesadelos? – ele perguntou tentando parecer despreocupado.

- Hum... – pausei para engolir um pedacinho de queijo. – Dormi bem sim. – ele assentiu enquanto eu pegava um Tostone e colocava na boca. – Como você sabia que eu...?

- Sua voz. – respondeu me olhando atentamente e eu percebi os círculos fundos embaixo de seus olhos.

- Ei. – toquei seu rosto me aproximando para ver melhor. – Você não dormiu? – ele segurou minha mão, beijando a palma e balançou a cabeça negativamente. – Por que não?

- Você podia sonhar de novo, Bells... – disse com simplicidade ainda distribuindo beijos pela minha mão.

Desviando a minha atenção do assunto – completei.

- Você não precisava ter feito isso. – murmurei chateada por ter sido a causadora disso. Já não bastava ele ter vindo aqui de madrugada. – Oh meu deus! – exclamei checando as horas no relógio preso a parede da cozinha. – Eu preciso ir para o ateliê!

- Não precisa. Eu falei com a Rose o que tinha acontecido e ela disse que pode segurar as pontas por lá hoje. Eu peguei o número no seu celular. – ele acrescentou ao perceber meu olhar.

- E com que direito você toma decisões por mim agora?

- Eu não...

- Sim, você tomou. Por acaso me perguntou o que eu achava? Não. Logo, você meteu o bedelho do que não era da sua conta! – eu sabia que estava sendo grosseira, mas ele não podia ter invadido minha privacidade assim.

- Bells, - ele me olhou daquele jeito irritantemente arrependido e doce, aproximando o rosto do meu. – Eu sei que não devia ter feito isso e te peço desculpas, mas você pode, por favor, ficar em casa hoje? Um dia só não vai fazer grande diferença... – e agora ele me lançou aquele olhar convincente. – Por favor, me deixa cuidar de você?

Eu suspirei exasperada, desviando o olhar.

- Nunca mais faça as coisas sem me consultar, Edward. Eu não gosto disso. Você entendeu? – o encarei e ele assentiu.

- Tudo bem. Eu prometo. – ele tocou em uma mecha de meu cabelo com um sorriso brincando nos lábios.

Mordi os lábios para evitar sorrir também. Estava perdendo meu instinto natural de ficar irritada com ele por muito tempo e isso era um desastre.

- De verdade... Obrigada por ter vindo, Edward. – murmurei já rendida a ele.

- Você acha... – ele sorriu mais. – que isso vai sair de graça? – eu franzi o cenho. – Eu quero vários... – beijou minha testa. – Muitos... – beijou minha bochecha. – Todos... – beijou a outra bochecha. – Os beijos... – beijou meu queixo. – Que você possue, Bells. – e me beijou levemente nos lábios. – Aí sim, considerarei a sua real gratidão.

Eu sorri, envolvendo seu pescoço com os braços e pressionando minha boca contra a dele.

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