Hey, Hey, Hey! Sorry de novo, eu fui doar sangue ontem e estava um pouco aérea ainda. Mas aqui está o capitulo 12 prontinho para vocês! Espero que gostem bastantão! :D Dessa vez o capítulo é maior e traz umas novidades... interessantes. E vocês também vão conseguir sentir a proximidade do nosso casal. Té mais! :*

Capítulo 12 
Cuando encuentre la persona que merece tu corazón, vas a entender por qué las cosas no funcionaron para los demás.



POV ISABELLA

Edward me deixou na entrada do meu apartamento, mas não antes de me apertar contra a porta e me beijar avidamente, fazendo com que eu acenasse para ele bobamente enquanto entrava no apartamento, mandando um beijo com a ponta dos dedos. Meu coração estava palpitante. A pesar da relutância dele em querer me falar um pouco mais sobre ele – ou sobre os pais dele, exatamente – eu não ia desistir. Por que eu queria saber, eu queria conhece – lo. Ele estava se mostrando um homem diferente do que eu pensava, e eu iria aproveitar o máximo possível.

Tomei um banho rapidamente, enquanto caia na cama, com um sorriso bobo. Os meus sonhos passearam por uma cachoeira, a lua e Edward me tendo em seus braços, nossos corpos colados como se fôssemos apenas um.


***

Eu me arrumei bem. E rápido. Saí sem comer nada. Eu queria vê – lo. Era quase uma necessidade quando você sonhou a noite toda com apenas uma pessoa e sentiu apenas o sabor de um beijo durante toda a noite. E pior, acordou com o gosto. A primeira aula do dia seria em grupo. Óbvio que eu não poderia ter nem um beijo antes do fim do meu expediente, mas só de saber que ele estaria ali, que eu poderia pelo menos sentir o seu cheiro, ver o seu sorriso... Respira fundo Bella, falei para mim mesma.

Os alunos foram chegando e eu fui ficando ansiosa.  Parecia que ele estava sentindo que eu queria vê – lo, por que apenas quando eu estava quase começando a aula, ele entrou, seu perfume me atingiu, fazendo as minhas pernas amolecerem.

- Bom – dia, professora. – ele falou com o mesmo sorriso que sempre dava. Mas por que hoje eu não o via como irônico e debochado e sim como sedutor e sexy? Tentando controlar todo o meu corpo e a minha voz para que os demais não percebessem toda a energia que estava correndo de mim para ele, respondi educadamente:

- Bom – dia Edward.

Foi uma das aulas mais difíceis que eu dei. Não por que eu os alunos eram de difícil aprendizagem ou por que eu não estava preparada... o problema era outro: eu não estava focada.

Em todos os momentos, Edward estava ao meu lado, atrás ou na minha frente, fazendo com que eu não esquecesse em momento nenhum que ele estava ali, bem perto. Quando eu falava com todos, explicando os movimentos, ele se mantinha atrás de todos, para poder ficar me olhando, com um sorriso torto nos lábios. Eu perdi a fala quando ele abriu dois botões da camiseta vermelha que ele fez questão de vestir hoje. Com dificuldades, desviei a atenção, corando, e voltei a falar. Estava ensinando passos básicos do merengue, e então eu pedi para que todos ficassem lado a lado e de repente ele estava ao meu lado esquerdo. Enquanto eu explicava, ele apertou delicadamente a minha mão. Ignorei – com muita dificuldade -. Continuei a explicar e quando todos estavam ansiosos para colocar em prática tudo ensinado, apertei play no som.

- Vamos nos separar em duplas mais uma vez. É e essencial que tenham paciência, como tudo que viemos fazendo até hoje. Sem preocupação, ok? O importante no momento não é se prenderem a acertar. Vamos fazer com que essa aula seja algo divertido. Vamos apenas tentar. Se errar, continuem como se nada tivesse acontecido.

Rapidamente, as pessoas começaram a se separar e eu aumentei o volume. Como eu imaginei, Edward ficou sem par. Eu estava receosa que alguma aluna pudesse se engraçar para o lado dele, mas felizmente, eu me lembrei da outra aula em que eu fui obrigada a dançar com ele, enquanto este descia sua mão da base das minhas costas... e eu brigava, subindo... Quase pulei de felicidade ao imaginar isso acontecendo novamente hoje. Eu não precisei ir até ele.

- Professora, estou sem par. – ele falou.

- Ninguém imagina o por que. – falei fazendo uma alusão. Ele sorriu, estendendo a mão. Na hora que eu encostei, ele puxou meu corpo.

- Estava com saudades já. – ele sussurrou no meu ouvido. Minhas pernas bambearam e eu agradeci por ele está me segurando tão firmemente. Olhei pelo estúdio, mas todos estavam entretidos, tentando treinar os passos. Uma de suas mãos segurava a minha e a outra ele repousou na minha nuca. – Como você dormiu?

- Bem e você?

- Não tão bem, por que a pessoa que eu queria não estava dormindo comigo. Ou fazendo outras coisas, melhor dizendo. – ele falou safado, apertando a minha nuca e descendo a mão pelas minhas costas, chegando a base da minha cintura, passando pelo meu quadril.

- Se comporte. – falei subindo a mão.

- É impossível, principalmente quando você está tão tentadora. – sua boca deu um leve beijo na minha clavícula desnuda, me fazendo arrepiar.

- Não faça isso. – falei me esquivando. – Eu estou trabalhando. E você está aqui pra aprender, esqueceu?

- Ninguém está prestando atenção em nós. – ele falou me rodando. Parei, com o braço estendido segurando as pontas dos seus dedos.

- O que você me diria então se eu te falasse que a Moriá está nos observando? Não a mim, eu tenho certeza. Acho que o foco dela é você. – e girei para dentro do seu braço, o rosto próximo ao seu peito.

Continuamos dançando e ele olhou por cima da minha cabeça na direção em que eu indiquei com um risinho. Ela provavelmente estava interessada no conteúdo.

- Ela não faz o meu tipo. – ele concluiu, depois da avaliação.

- E quem faz o seu tipo?

- Preciso mesmo responder? – ele perguntou, olhando – me de cima para baixo. – Por falar nisso, você é boa observadora.

- Você que é muito desatento.

- Eu posso te mostrar algumas coisas nas quais eu sou muito atento.

- Creio que esse não seja o melhor momento. – falei me desvencilhando dele, quando esse fez a menção de me beijar. O jogo estava ficando perigoso.

- Eu não estou brincando. – ele falou me puxando novamente. Continuamos a dançar, eu atenta a tudo ao meu redor. – Eu não saio daqui hoje sem um beijo seu.

- OK pessoal! – falei em voz alta, antes que tudo fugisse do meu controle. Fui até o som e abaixei um pouco o volume, deixando a musica rolar bem baixinho. Todos pararam e se separaram de seus pares. Edward me olhou de lado. – Como foram? – perguntei. Recebi várias respostas afirmativas e muitos disseram gostar do ritmo e dos passos. – Que ótimo que gostaram. O merengue é um dança bastante gostosa de dançar mesmo, geralmente é muito apreciada pelos dançarinos. Agora, para que vocês não fiquem acostumados a dançar sempre com a mesma pessoa e acostumem com pequenos vícios, vamos fazer um rodízio. Comecem dançando com uma pessoa e quando eu falar ‘Lua Mata’, vocês trocam, tudo bem?

Todos concordaram, empolgados com a brincadeira. Aumentei novamente o volume e Edward veio se posicionar ao meu lado.

- Se eu falar que eu não gostei dessa brincadeira, a professora trocaria? – perguntou segurando a minha mão, enquanto todos os pares já dançavam desajeitadamente ao nosso redor.

- Não, só se você me desse um bom motivo.

- Eu vou ficar longe de você. – ele respondeu sedutor.

- Lembre – se que eu também estarei longe de você, para o nosso próprio bem. Então esse não é um bom motivo. – ri. - Lua Mata! – e soltei – o e fui atrás de outro par, do outro lado da sala, juntando a minha risada com a das outras pessoas que estavam no lugar.

O aluno que eu encontrei pela frente era um pouco desajeitado no começo – ou seja, agora -, mas depois conseguia se desenvolver muito bem. Fui falando pra ele os seus erros e mostrando – os na pratica como arrumar. Aproveitando que estava longe da tentação, observei os outros pares. Edward estava com uma mulher que era casada e que ficava olhando avidamente para o marido que dançava com uma loira bonita. Os outros, quando mudavam de pares, ficavam um pouco nervosos e erravam com mais freqüência. Contei mentalmente dois minutos e gritei novamente Lua Mata. Rapidamente as pessoas mudaram de lugar. Corri para o outro extremo da sala, sorrindo, para longe de Edward. Seu olhar me acompanhava como uma cobra atrás de sua presa. Seus olhos brilhando tão intensamente que fazia com que diamantes parecessem meras pedrinhas diante do seu brilho.

Dessa vez, o aluno era o Lucas. Eu gostava muito de dançar com ele, pois tinha um gingado e postura de dançarino. Já tinha comentado com ele, que se se dedicasse para a dança, em no mínimo dois anos contrataria ele para ajudar com as aulas no ateliê. Ele se dedicava para mostrar para mim que era capaz, o que me deixava feliz. Depois de fazer alguns movimentos do nível mais intermediário com Lucas, observei o estúdio novamente. Moriá tinha conseguido alcançar Edward e agora estava agarrada ao seu pescoço, enquanto ele tentava de todas as forças descruzarem seus braços.

- Não precisa grudar tanto assim. – o ouvi falar pra ela.

Rindo, demorei mais a gritar Lua Mata para poder observar como ele reagiria. Quando seus olhos encontravam o meu, eu vi que ele estava aborrecido e sabia também que eu estava fazendo de pirraça. Finalmente ele tinha conseguido fazer com que Moriá se separasse dele. Pelo menos, por alguns instantes. Dessa vez instrui alguns pares que estavam próximos com a ajuda de Lucas. Fiz e refiz a sequencia de passos e depois pedia para que tentassem me acompanhar. Quando eles fizeram isso, fiquei satisfeita. Olhei para onde Edward estava com a Moriá, mas nesse momento ela estava com a perna atada ao quadril dele, tentando jogar o corpo para trás, enquanto ele segurava seus ombros.

- Isso não é salsa. É merengue! – ouvi ele falar asperamente, tentando fazer com que ela parasse com a cena.

Imediatamente berrei:

- Lua Mata!!

Com um suspiro de alivio, Edward fez com que ela desenlaçasse a perna da sua cintura – o que ela fez com uma expressão de profunda tristeza – e andou rapidamente em minha direção. Já puxou o meu corpo para perto dele, com medo que alguém me tirasse pra dançar.

- O que você pensa que estava fazendo? – sibilei.

- A culpa é toda sua. – ele respondeu. – E eu tenho que falar, adorei a escolha das palavras. Parece que você realmente gostou do passeio ontem.

Eu apenas sorri. Eu não poderia nunca falar isso para ele, mas aprendi a gostar da sua companhia. Eu gritei Lua Mata mais três vezes, só que não me separei mais de Edward, apenas mudamos de lugar. Quando a aula chegou ao final, todos se despediram animados. Um a um foi saindo. Disfarçando, fui ‘arrumando’ as coisas pelo estúdio, por que Edward estava me esperando e a Moriá estava enrolando. Todo mundo saiu e ficou apenas ela, Edward e eu. Eu estava de costas, mas ouvi quando ela se aproximou.

- Er... eu queria pedir desculpas a você... por hoje. – falou baixinho.

- Tudo bem. – Edward respondeu educadamente. – Foi bastante... sedutor. – ele respondeu rindo. A impressão que eu tive dali de onde eu estava era que ele estava tentando fazer com ela não ficasse tão sem graça.

- Só que eu queria saber se você gostaria... hum... de sair comigo. – ela continuou.

Prendi a respiração para poder ouvir a resposta. Eu sei que eu tinha beijado Edward, que tínhamos ido a cachoeira, que ele passou toda a aula de hoje me provocando de algumas maneiras, mas eu realmente não sabia o que esperar dele. O perfil dele estava traçado na minha mente. Aos poucos ele conseguia desfazer algumas das minhas opiniões. Mas que ele era um mulherengo, estava na cara dele.

- Não. – ele respondeu prontamente enquanto eu ainda viajava nos meus pensamentos. – Eu realmente sinto muito, mas não tem como isso acontecer. Eu já estou saindo com outra pessoa.

- Tudo bem. – ela respondeu com a voz um pouco triste. – Mas, lembre – se, qualquer coisa eu estou aqui.

Oferecida! Era isso que eu queria gritar. Oferecida, oferecida! Mas eu lembrei que eu não poderia resolver. Continuei esperando.

- Hãm... – Edward pigarreou. – Não. Isso não vai acontecer. Desculpe.

Ela murmurou alguma coisa e saiu. Assim que percebi que estávamos sozinhos, virei – me em direção a Edward.

- Você está tendo concorrência. – ele falou em tom descontraído.

- Era melhor então que eu desistisse logo.

- Tão fácil?

- Tudo que vem fácil, vai fácil. – lembrei - o caminhando em sua direção.

- Então... – ele falou, enlaçando meu corpo. – Você está falando que eu sou fácil? – fazendo uma expressão séria.

- Eu não falei nada disso. – continuei, encarando – o nos olhos. Ele passou a mão pelos meus ombros, descendo pelos meus braços.

- Você foi muito má hoje, professora. Sabe que tudo isso é sua culpa? – e apertou. Não de uma maneira que me machucasse, mas de uma maneira que... me fez querer mais!

- Minha? – sussurrei.

- Sim. – ele falou no meu ouvido. Desceu pela minha bochecha, passando pelo meu maxilar, queixo. Quando posicionou a boca no meu pescoço, deixei – o cair de lado, dando acesso total. – Dessa vez, eu vou deixar passar. – sussurrou contra a minha pele.

- Já que eu fui tão má... – falei, trilhando o mesmo caminho de beijos que ele tinha feito no meu rosto. – Acho melhor me afastar. Detesto quando faço mal a alguém. – respondi sorrindo e me afastando de costas, olhando pra ele. Eu consegui dar apenas três passos, antes que ele avançasse para mim e com nossos corpos colados me pressionasse na parede.

- Você está brincando com fogo. – e me beijou.

E o meu corpo esquentou. E eu o apertei contra mim, passando a mão pelo seu peito, as pontas dos meus dedos dedilhando pela parte aberta da camiseta de botões, depois subi para o cabelo, fechando minhas mãos em punho e agarrando, trazendo a boca para mais perto da minha. Ele estava com as mãos posicionadas nas minhas costelas, abaixo dos meus seios. Não me apertava para machucar, mas toda vez que aprofundava a língua na minha boca, me dava um leve apertão na região que me fazia arfar. Eu suguei, lambi e por fim mordi seu lábio inferior, enquanto tentava buscar ar, para no momento seguinte entrar em uma luta contra a sua língua. Eu adorava a maneira como ele me beijava. Era carinhoso, cuidadoso e era quente e sexy. Ele desceu a mão pelo meu quadril, pousou na minha coxa, levantando a barra do meu vestido. Travei. Empurrei – o com as duas mãos, espalmadas no seu peito.

- Pára. – pedi. Ele se afastou, me olhando curioso.

- O que foi? – ele perguntou, alisando o meu rosto.

- Estou no meu trabalho, Edward. Estamos exagerando.

- OK! – ele falou, levantando as mãos em modo de rendição. – Me desculpa. Eu não queria atravessar qualquer linha invisível criada por você. Eu apenas não resisti.

- Tudo bem. Eu só quero deixar claro pra você. Não vai rolar nada. Começamos a ficar ontem. Não sei como são as mulheres que você costumar sair, mas eu não sou assim.

- Você nunca será com qualquer outra mulher que eu saí. Eu vou apenas deixar com que você comece a confiar em mim.

Suspirei com as suas palavras. Com um sorriso, acabei com a distância que estava nos separando e ele abaixou o rosto, apoiando a sua testa na minha.

- Eu quero você.

- Eu também, mas nunca vou entender o porquê exatamente, afinal, eu ainda não sei quem é você, o que você faz, do que você gosta, de quem você gosta...

- Isso é fácil. Podemos resolver se você aceitar sair comigo, de novo. – ele respondeu com um sorriso.





POV EDWARD

- Tu demorou eim, cara! – reclamou Emmet quando eu nem tinha me sentado ainda na mesa do restaurante.

E depois eles ainda reclamavam que eu era o estressado. Eu nem tinha demorado tanto assim. E aliás, ele devia se dar por muito contente por eu não ter chegado aqui espumando de raiva por ele ter interrompido meu momento com a Bella outra vez. Ele escolhe as piores horas para ligar.

- Eu estava ocupado. – respondi dando de ombros, roubando o cardápio que estava nas mãos de Jasper. Eu estava morrendo de fome.

- Ocupado com o quê? Você não faz nada para ninguém! – Jasper tomou de volta o cardápio da minha mão, me lançando um olhar irritado.

- Pois eu acho que Bells discorda. – disse com um inevitável sorrisinho.

Com certeza eu estava fazendo alguma com alguém e para alguém. Ô se estava!

- Quem é “Bells”? – perguntou Emmet arqueando a sobrancelha, fazendo um terrível esforço para tentar entender.

- A Bella, é claro. – revirei os olhos.

- Ah. – agora Emmet tomou o cardápio de Jass, não percebendo que tinha um na frente dele. – Pera aí.. O quê?

- Você está surdo? – surrupiei o cardápio inutilizado. – Eu estava com a Bella.

- E desde quando isso? – Jasper tratou de pegar o cardápio de volta, decididamente irritado por ser a vítima do “roubo de cardápio”.

- Ontem.

- E você fala como se fosse a coisa mais natural do mundo. Até alguns dias atrás, se não me falha a memória, o que não me falha, porque ela é muito eficiente... – sorriu Emmet, o jumento. – Bella não “estaria com você” nem que lhe pagassem por isso.

- Pois é, as coisas mudam.

- Hm, parece que eu vou ter que engolir meu orgulho e admitir que você ganhou a aposta. – Jasper fez uma careta.

- Que aposta? – perguntei distraído.

Aquelas muitas opções e variedades de pratos eram realmente muito boas. Difícil de escolher.

- Como “que aposta”? O motivo disso tudo... Talvez?

Eu o encarei por cima do cardápio, e ele estava com uma expressão chocada. Era difícil saber do que diabos ele estava falando quando ele não explicava. E foi então que eu percebi o que eu literalmente não devia ter esquecido.

- Ah, sim... A aposta. – murmurei tentando imaginar como foi que eu não estava lembrando disso. – É, a aposta. Hm, - franzi o cenho. – O que tem ela mesmo?

- Você nem ao menos sabe do que eu estou falando.

- Sei sim, eu lembrei agora!

- Lembrou? – Jasper riu desdenhosamente. – Edward está doente. – e olhou pro Emmet, buscando algum apoio, que depois muito tempo resolveu falar:

- Você sabe que já ganhou, né? – ele parecia se divertir com algo desconhecido. – Pode voltar a ativa agora. Eu sei que deve estar morrendo por estar vendo uma única mulher durante todos esses dias. 

- O quê?! Não. – balancei a cabeça. – Não acabou ainda.

- Acabou sim. – ele teimou.

- Não acabou não! – eu estava começando a ficar irritado sem nem saber o porquê.

- Você não precisa dormir com ela, Edward. Já provou que nenhuma mulher resiste a você. E embora eu mereça certo crédito por erroneamente ter te ajudado com isso, meus parabéns.

- Não interessa. Eu já disse que ainda não acabou.

Por que ele estava teimando tanto? Eu sabia que não podia ter acabado ainda. Além do mais, o único que poderia saber de alguma coisa era eu. Eu quem estava com ela.

- Se eu não conhecesse você, diria que está gostando de tudo isso, sabe.. – Emmet sorriu mais ainda. – Que o maior galinha da história se apaixonou por um alguém.

- Isso é ridículo... – dei um risinho nervoso.

- Mas é o que está parecendo. – ele arqueou a sobrancelha.

- Porque é pra parecer! – balancei as mãos, querendo mudar de assunto. – É pra parecer pra ela, não?

- Claro, mas porque você está agindo assim com a gente então? – Jasper se meteu, como sempre pra me irritar ainda mais.

Eu bufei, revirei os olhos, balancei as mãos e as passei pelo cabelo. Era algum tipo de tique nervoso compulsivamente inevitável. Eu não tinha uma resposta para aquela pergunta. Eu apenas era um bom ator, não? Sim, era isso.

- Enfim, - deixei o cardápio de lado já consciente do que queria. – Vocês vão sair hoje, acredito eu?

- Não sei. Por quê? – perguntou Jasper, arqueando a sobrancelha.

- Eu quero que vocês fiquem o mais longe possível do meu quarto hoje a noite, ouviram bem? Caso vocês fiquem por lá, nada de surpresinhas hoje. Eu sei que vocês adoram esse tipo de coisa.

- Hm... O que você está aprontando eim, Edward? – questionou agora Emm.

- Apenas façam isso. E sem mais perguntas. – acrescentei ao ver os olhares curiosos dos dois. – Agora me dêem licença.

Levantei, não sem antes de fazer meu pedido ao garçom que tinha vindo nos atender, e caminhando até um canto afastado do barulho do restaurante, retirei o celular do bolso. Involuntariamente eu sorri imaginando ouvir a voz dela outra vez, mas quando percebi o que estava fazendo, desfiz a expressão imediatamente. O teatro estava tão eficiente que começava a me assustar. 

Chamou inúmeras vezes e quando eu imaginei que cairia na caixa postal, uma voz apressada e ofegante atendeu.

- Fale rápido, Edward... Estou indo dar uma aula.

- Nossa. Quem ouve assim, pensa até que não quer falar comigo, Bells.

- É sério. Se você não disser logo, eu vou desligar.

E aquela tão conhecida sutilidade...

- Tudo bem. Já pensou na minha proposta?

- É claro que não. Tem uns quinze minutos desde que você saiu daqui. – respondeu impaciente, mas pude perceber algum nervosismo em sua voz.

- E quinze minutos não é suficiente? – eu estava começando a ficar ansioso. – Qual é, Bella... Não é nada tão grandioso assim.

- Sim, é. Não podemos falar sobre isso depois?

- Eu só quero uma resposta. – eu esperei e ela não disse nada. – Você sabe que eu não vou fazer nada que você não queira, não é? E além do mais...

- Tá, tá! Eu vou, Edward. Satisfeito?

- Eu não quero que vá só porque estou insistindo e muito menos obrigada.

- Aah! Você gosta de complicar tudo! Você queria uma resposta e eu já te dei uma, então não discuta. Tenho que desligar! – e foi exatamente isso que ela fez, sem nem ao menos dizer um ‘até mais tarde’.

Definitivamente ela não me conhecia, assim como ela mesma afirmou. Eu não era o tipo de cara que era chutado; e muito menos o tipo que ficava com cara de taxo – a minha atual – depois de uma mulher bater com o telefone na cara dele. Eu não era o tipo de se inscrever em aulas de dança para conquistar alguém e nem mudar o comportamento para conquistar esse mesmo alguém. Será que ela não sabia que ninguém fazia isso com Edward Masen? Será que ela fazia consciência de com quem ela estava falando? Como se fosse fazer alguma diferença, afinal. Ela faz o que quer e fala o que quer, e eu não iria me opor a nada – Constatei.

- Edward, Edward... Você já foi mais você mesmo. – murmurei reprovando a mim. – É por isso que o mundo está nesse caos total.


***


- Valeu pela ajuda e agora os dois, se mandando daqui. – agradeci tentando empurrar Emmet e Jasper em direção à porta.

Depois do almoço, eu tinha amigavelmente convocado os dois para me ajudar a arrumar o meu quarto, que já foi mais organizado. Jasper só fez foi atrapalhar e resmungar que não era a Chica da Silva, e só começou a contribuir com alguma coisa de verdade quando eu ameacei contar à Alice que ele dormia com uma tabela periódica e a defendia como ‘sua parceira’. E Emmet estranhamente aceitou ajudar de bom grado, mas eu sabia que o interesse dele era apenas saber o que eu estava pretendendo fazer.

- Você acha que é assim? Nada feito. Trate de nos contar o que é que está tramando, menininho. – exigiu Emm fazendo um gesto com a mão. 

- Primeiro: nunca mais me chame de meninininho porque de todas as suas esquisitices agudas, esta foi a que o meu “Gaydar” acusou como mais ofuscantemente afeminada. – ergui o dedo quando ele tentou me interromper. – E segundo: você ainda não paga minhas contas nem impostos e então, o que eu faço e deixo de fazer continua a ser exclusivamente restrito ao meu conhecimento. Logo... Não meta a nareba no que não lhe diz respeito! E agora... – respirei fundo. – Vamos picando a mula daqui bem rapidinho! Vocês estão me atrasando.

- Isso é uma puta falta de sacanagem. – reclamou Emmet.

- É, diga isso pro juiz.. – fui os empurrando pra fora novamente. – Mas já sabe que é causa perdida, sou um advogado muito mais experiente do que você. Deixando a modéstia a parte, é claro. – e sorrindo amarelo, fechei a porta na cara dos dois.




Assim que me vi livre dos dois, apressadamente corri para tomar banho. Bella tinha me ligado, Bella tinha decidido o horário e Bella tinha estabelecido as condições de que jantaríamos no restaurante do hotel e que não passaríamos muito tempo no quarto de fato. Eu não sabia se ela pensava que eu era algum tipo de tarado que queria levá-la pra cama na primeira oportunidade que aparecesse. Não era como se ela estivesse totalmente errada, mas com certeza não estava totalmente certa.

Eu não queria levá-la pra cama na primeira oportunidade. A menos se ela quisesse é claro, ou pedisse. Ou implorasse – Eu tive que controlar a onda de pensamentos que surgiram quando eu cogitei a possibilidade. Até podia ouvi-la me pedindo para a deitar na minha cama, e tirar sua roupa, e provar cada parte do seu corpo esquecendo que existia algo além dela no mundo... -. Mas enfim, deixando as suposições e esperanças de lado, não era apenas nisso que eu pensava quando estava com ela. Bom, nisso também, uma boa parte do tempo... Porém, era ótimo conversar com ela; e fazê-la sorrir, e fazê-la corar; e irritá-la; e beijá-la intensamente; e... Chega. 

Talvez ela estivesse certa afinal, talvez eu pensasse mais nisso do que em qualquer outra coisa. Mas a culpa é dela por ser tão... Tentadora. É quase um crime contra os direitos humanos a forma como ela balança o quadril quando dança, ou a forma como seu vestido levanta quando ela gira, revelando aquelas maravilhosas e grossas coxas nas quais eu consegui colocar as mãos antes dela me fazer tirar. Sim, ela devia ser presa por isso. E de preferência, prisão domiciliar. No meu quarto. Sim, seria uma boa coisa. Uma ótima coisa. Uma coisa realmente... Chega, Edward.  

Eu bufei, fechando o chuveiro, mudando o botão para o ‘desligado’ e tornando a abri-lo. A água tão gelada instantaneamente fez com que certas coisas que estavam bem quentes, voltassem a esfriar e ao seu modo natural. Era um tormento eu ter que me desligar o tempo todo, e altamente frustrante. Há quanto tempo eu não transava? Estava começando a me preocupar que poderia estar ficando doente e por isso que em todos os momentos com a Bella, ou pensando na Bella, ou sabendo que Bella existe, eu ficava duramente similar a uma maldita rocha.

Quando me vi calmo outra vez, saí do boxe tendo o cuidado de não molhar todo o banheiro como de costume, era um fato que eu tinha que causar uma boa impressão. Rapidamente deixei o banheiro, vesti uma boxer e uma calça jeans, e percebendo que estava empapando o quarto de água, comecei a enxugar o cabelo de qualquer jeito com a toalha. Neste momento, a campainha tocou.
       
Embora significasse que eu realmente estava atrasado, esperava que já fosse Bella e não um dos “Idiotas A Mim” enchendo o saco outra vez. Apressei-me até lá, ciente de que ainda estava descalço e só vestia a calça, mas cheguei à conclusão de que deixá-la esperando seria pior do que atender à porta assim.

Destranquei a porta rapidamente depois de passar uma mão pelo cabelo para tentar retirar o excesso de água, e com a outra ainda segurava a toalha. Ela estava ali, mordendo os lábios; não sabia se por impaciência ou por nervosismo. Na verdade, o que eu pude perceber é que ela estava... Perigosamente provocante. Quase como uma placa na testa que dizia ‘Venha provar, Edward’. Deus do Céu, eu tinha que parar de pensar essas coisas! Mas era tão difícil quando ela parecia gostar de me tentar. Usava um vestido preto e estava tão linda. Por que ela tinha que usar um vestido? O vestido era a pior forma de me alertar que eu teria de me segurar pra não tentar descobrir o que tinha por baixo dele. 

Ela mordeu os lábios ainda mais, olhando pra mim. Eu agradecia demais se ela parasse de fazer aquilo. Mas ela não estava olhando exatamente pro meu rosto, e sim pro meu peito; e alguns minutos mais tarde, aí sim ela me encarou arqueando a sobrancelha.

- Não foi proposital, está bem? Seja lá o que está pensando... – tratei de explicar imaginando que ela devia estar tomando a minha ‘semi-nudez’ como forma de seduzi-la ou seja lá o que fosse. – Só não queria te deixar esperando. Entra.

Bella ponderou por mais alguns minutos, parecendo estar cogitando a possibilidade de sair correndo dali, mas felizmente, ainda hesitante ela entrou.

- Ow, ow... – segurei seu braço quando ela fez menção de sair dali, sem nem me dar um beijo. Ou seja, um absurdo. Ela me encarou estranhamente assustada. – Você precisa pagar pedágio. – eu a puxei pra perto de mim, e ela balançou negativamente a cabeça encarando novamente meu peito. – Você não quer me beijar porque eu estou sem camisa? – perguntei abafando uma risada.

Ela me fuzilou com os olhos. E eu me arrependi imediatamente de ter rido. Eu tinha que aprender a não brincar com ela assim.

- Você acha que nunca vi um homem nu na vida, Edward? Faça-me o favor. – e revirou os olhos, banalmente.

Definitivamente eu tinha que aprender a não brincar com ela assim. Mas aparentemente ela tinha ficado muito satisfeita com minha reação, já que deu um sorrisinho debochado. Eu simplesmente não conseguia afastar a expressão ‘Que porra foi essa que você falou, hein?!’ do rosto.

Eu respirei fundo umas três vezes, contanto até um milhão e cinqüenta, e decidi que era melhor se eu fosse vestir a maldita camisa. Antes que eu me irritasse de vez e resolvesse mostrar algo que com certeza ela nunca tinha visto, e que fugia do acordo ‘eu não vou tentar nada com a Bella’.

- Não quer mais me beijar? – ela tinha, ela tinha que fazer continuar fazendo piada.  

Eu grunhi com raiva, e a puxei pela cintura, grudando os lábios com ferocidade nos dela. Ela obviamente foi pega de surpresa e obviamente aquele não era lá dos beijos mais delicados que tínhamos dado. Mas era um fato que eu precisava beijá-la e era um fato de que eu precisava extravasar a raiva de alguma forma. Larguei a toalha, e levei a outra mão até atrás de sua nuca, pressionando seu corpo contra a porta e apertando ainda mais o braço ao redor de sua cintura.

Eu forcei a língua contra a boca dela, e hesitantemente ela abriu os lábios. Sabia que provavelmente eu estava a assustando, mas eu estava sentindo tanta raiva que não conseguia controlar. Só de pensar em outra pessoa tocando nela, ou beijando, ou fazendo qualquer outra coisa com a minha estrela era motivo para mandar o mundo inteiro pros infernos! Subi a mão para suas costas, que estava livre do pano do vestido, e apertei com força sua pele, fazendo-a estremecer violentamente.

Primeiramente, meu impulso foi me arrepender imediatamente pensando que eu realmente a tinha machucado, mas então ela reagiu: começou a movimentar a língua furiosamente contra a minha e subindo as mãos para minhas costas, cravou as unhas ali. Eu meio gemi/grunhi/rosnei contra sua boca, pressionando mais meu corpo contra o dela. Eu já estava me sentindo tão rígido que estava ficando difícil só beijá-la, controlando o impulso de arrancar o maldito vestido com os dentes.

Entrelacei os dedos no seu cabelo e sem conseguir me refrear, desci a mão para o quadril, correndo os dedos por até chegar em sua bunda. Eu sabia que ela iria parar, mas eu não estava tendo controle de nada no momento. Parecia que estava sofrendo uma combustão de dentro pra fora, que estava queimando o interior do meu corpo de maneira rápida e eficaz.

Ela parou.

- Edward. – e ela tirou minha mão do paraíso. – Você disse que não faria isso...

- Hum... – murmurei em frustração, com minha testa encostada na dela.

Não é como se a culpa fosse minha, eu não tinha nenhum comando sobre meu corpo. Tentar levá-la pra cama era algo naturalmente meu. Era instinto. Necessidade. Obsessão. Vício.

- Tá bom. Eu não vou fazer. – e finalmente eu abri os olhos. Imaginei ver um par de olhos furiosos, mas para minha surpresa, ela parecia estar achando graça de alguma coisa. – Eu não vou fazer. – repeti para ver se meu cérebro entendia essa droga.

- Isso. – ela riu.

- Qual é a graça?

- Você. – respondeu na careta de pau, ainda gargalhando. – Você é hilário.

- É... Devo ser. – dei de ombros, irritado por não entender qual era o motivo de tanto humor assim.

- Não fique irritado. É só que você age como se estivesse sendo torturado fisicamente de tanto esforço que faz... – sorriu divertida.

- Hm, - eu tinha uma resposta pra aquilo, mas decidi ficar na minha. – Eu já volto.

Recolhi a toalha que havia jogado no chão e saí em direção ao quarto. Pra ela poderia ser muito engraçado, mas pra mim o sofrimento ainda não me era de nenhuma maneira cômico. Porque toda aquela abstinência era sim um doloroso castigo, e dos piores.   

Observei rapidamente as duas camisas que tinha posto sobre a cama, uma de manga simples e outra de botão. Imediatamente me veio à memória àquela amanhã, e olhar da Bella naquela camisa vermelha. Eu involuntariamente sorri. Vai ser a de botão. Peguei a camisa e segui pro banheiro, jogando a tolha numa cesta. Ajeitei o cabelo me encarando no espelho, desarrumando-o. Borrifei um vidro de perfume qualquer, e deixei o banheiro abotoando a camisa.

E mais uma vez, se tivesse sido planejado não daria tão certo. Bella já tinha aparentemente se familiarizado o suficiente para ir até o quarto sem cerimônia. Ela desviou os olhos agilmente quando me viu, e eu sorri deixando dois botões abertos da camisa propositalmente.

Meus olhos recaíram sobre certo porta-retrato que se encontrava em cima da mesa de cabeceira, quando devia estar dentro da gaveta longe dos olhares de qualquer pessoa. Eu trinquei o maxilar tendo um pensamento em mente: Emmet. Filho da P...! É claro que eu tinha que ter desconfiado quando ele insistiu tanto em arrumar meu quarto, e como se não bastasse, ele tinha que trocar de lugar para me deixar saber que ele tinha descoberto a maldita foto. Torci para que conseguisse tirar Bella dali antes que ela visse, mas foi apenas pensar nisso, que seus olhos também encontraram a foto.

Emmet, Você está morto!

Ela encurtou a distância até a mesinha e pegou cuidadosamente o porta-retrato, com uma expressão de pura curiosidade. Lá pela hora que isso aconteceu, eu já tinha consciência que estava ferrado de verde, amarelo, azul e branco.

- São eles? – ela perguntou entusiasmada.

Bufei mentalmente umas trezentos e cinqüentas vezes e amaldiçoei Emmet mais umas quatrocentos e noventa antes de responder.

- Sim.

Ela sorriu olhando mais atentamente a foto, se possível ainda mais curiosa. Eu passei as mãos pelo cabelo e pigarreei, mas ela nem “tchum” pra mim.

- Ela é tão bonita... – murmurou, fitando a mulher cuja existência eu tentava esquecer, com admiração. – Sabe, você se parece muito com seu pai, mas com certeza tem o sorriso da sua mãe.

- Eu não pareço com nenhum dos dois. – disse secamente.

Ela não pareceu se importar, apenas suspirou. Embora devesse, porque eu sabia que agiria como um ogro mesmo que ela não tivesse nada a ver com isso. Mas era incontrolável. Exatamente por isso, eu sempre tentava afastar o máximo esse assunto.

- Bella... – mexi novamente no cabelo. – Nós podemos ir?

- Não. – respondeu simplesmente.

Praguejei mentalmente querendo gritar com ela por ser tão teimosa e ter tanto talento pra me deixar nervoso. Em todos os sentidos.

- E por que não? – perguntei elevando o tom de voz.

Ela ergueu os olhos para me encarar e suspirou outra vez sem responder nada. Ainda com a foto nas mãos, ela se sentou na cama e fez com a mão que era pra eu fazer o mesmo.

Era inacreditável que tantas vezes eu havia alucinado essa cena. Não exatamente assim; na minha mente altamente pervertida, ela estava nua, com um olhar penetrante e um sorriso tentador. E não agora, quase como se estivesse preocupada. Preocupada. Definitivamente não era assim que eu esperava que ela me chamasse pra cama.

Ela esperou olhando pra mim que eu fizesse o que ela pediu, mas eu não saí do lugar. Sabia muito bem o que ela estava pretendendo com aquilo e eu não queria ceder. Infelizmente, eu não tinha a opção ‘não’ com Bella.

- Venha aqui, Edward. – sua voz não era autoritária, mas firme.

Lamentei mentalmente, mas fui até lá. Ela sorriu muito contente consigo mesma, enquanto eu sentava de frente pra ela. Pela primeira vez eu não sentia vontade de sorrir ao vê-la sorrir. Contando as vezes em que ela debochava de mim.

- Presumo que você não se importe com essa foto, não é? – ela perguntou, despregando a foto do porta-retrato, de modo que agora apenas a figura estava na sua mão.

- Não. – respondi olhando desconfiado enquanto ela procurava alguma coisa de dentro da sua bolsa, o que percebi ser uma tesoura.

- Então, você não ligaria se eu acabasse com ela? – ela aproximou a tesoura do papel como se fosse cortar, me encarando.

- Por que você tem uma tesoura na bolsa? – arqueei a sobrancelha.

- Defesa pessoal. Mas não muda de assunto não, - acrescentou mandona.

- Não, eu não ligaria. Mas não teria por que você fazer isso. – respondi outra vez encarando desconfiadamente a tesoura.

Por que ela estava fazendo aquilo mesmo?

- Tudo bem. – concordou casualmente e concentrada, aproximou ainda mais a tesoura agora, definitivamente pretendendo cortar.

- Mas... – eu interrompi depressa. – Você não precisa fazer isso.

Ela sorriu novamente, afastando a tesoura da foto. Foi como voltar a respirar.

- Você ama seus pais, Edward? – perguntou agora séria.

- Hun?

A perplexidade estava estampada no meu rosto.

- Você ama seus pais? – repetiu com serenidade.

Eu preferia que ela não tivesse repetido. Eu estava podendo me agarrar à possibilidade de que ela não tinha mesmo perguntado isso, e sim, qualquer outra coisa muito diferente a qual eu tinha escutado errado. A confirmação é muito pior. Ela arqueou a sobrancelha, me incitando a responder.

- Não.

- Não? – ela parecia já saber o que eu diria. Eu assenti, mantendo a minha resposta ainda assim. – Pois eu acho que você está mentindo pra si mesmo.

Balancei a cabeça e não respondi nada. Era tão fácil pra ela dizer isso quando teve pais de verdade. Ainda com toda a brutalidade com a qual eles foram tirados dela, eles foram pais. 

- Você tem contato com eles?

- Por que você faz as perguntas que deveriam ser as finais, primeiro? Você quer saber o que aconteceu não é? – e a grosseria estava presente mais uma vez.

Aquilo realmente não daria certo.

- Eu faço as perguntas mais importantes primeiro. – disse calmamente. – Você tem ou não?

Revirei os olhos com irritação. Aquele jeito suave de responder era uma grande merda. Se ela se irritasse também, poderíamos discutir e assim terminaria o assunto. Era o normal entre a gente, a discussão. Por que não acontecia agora? E eu nunca pensei que realmente fosse desejar me desentender com ela.

- Só quando eu não posso evitar. – falei evasivamente. Ela mostrou com os olhos que não se contentaria fácil assim. – Carlisle desistiu depois de eu evitar atender ou encerrar a ligação antes do fim – (desligar na cara dele) -  E Esme... Ela me procura com mais freqüência, ameaçando aparecer no escritório, cujo endereço a besta do Emmet fez o favor de dar sem me consultar, se eu não atender.

- Você escondeu o endereço do seu escritório da sua mãe? – ela estava chocada.

- Até o idiota contar, sim. – respondi com displicência. – Claro que ela só foi se preocupar de me pedir o endereço quando percebeu que poderia ficar sem seus cartões de crédito. – dei uma risada amarga.

- Ela te pediu dinheiro? – franziu o cenho.

- Não, Bella... Não foi isso que quis dizer.

Ela estava fazendo tanto esforço para decifrar e descobrir o que realmente tinha acontecido, que eu quase podia enxergar seus neurônios trabalhando. Eu sorri não entendendo o porquê, mas era engraçado todo aquele interesse. Como uma equação que ela não sabia resolver, mas estava determinada a conseguir descobrir um método, nem que ela mesma tivesse de criar um alternativo. 

- Você não vai desistir, não é mesmo? – perguntei com um sorriso infeliz.

- Não é do meu feitio. – ela sorriu, porque sabia que tinha me convencido. Ou me vencido.

Suspirei, de repente sentindo todo o peso, todos os problemas, dificuldades, tristezas, desgraças, tudo de pior no mundo sobre minhas costas, tendo que me levantar e ainda percorrer um longo caminho, ignorando a dor e desconforto que aquilo me causava.

“Bom, tudo começou quando eu nasci. É, pode parecer meio dramático, mas é a mais pura verdade. Acredito até que no começo da gravidez, Esme e Carlisle estavam felizes, já que eu fui o primeiro até então único filho, e aquilo tudo, mas lá pelos cinco ou seis meses de gravidez, quando a barriga já estava muito aparente, que eles começaram a perceber de fato alguma coisa. Esme surtou, e começou a me culpar quando eu ainda era um feto pelas seqüelas que ficariam no seu corpo para sempre. E como ela nunca mais voltaria a ter seu corpo de antes, como ela nunca mais seria bonita e como Carlisle iria traí-la com a primeira que aparecesse por ela estar similar a (...). E com isso, Carlisle começou a surtar também porque não agüentava as constantes reclamações e inseguranças dela. Começou a trabalhar cada vez mais para ficar o mais tempo possível fora de casa, e parece que acabou tomando gosto pelo negócio de verdade.”

“Felizmente ou não, Esme conseguiu recuperar seu tão sonhado peso ideal, após meu nascimento. Ainda assim, ela continuava a me ver como ‘empecilho’ em seus planos e Carlisle continuava a trabalhar cada vez mais. Ela saía quase todos os dias com as amigas e apenas voltava tarde da noite; até hoje eu não faço a menor idéia de onde ela ia ou o que fazia. Só sabia que ela fazia isso tentando encontrar uma forma de chamar a atenção de Carlisle porque às vezes ela chorava enquanto estava conversando com amiga no telefone, reclamando da vida. Enfim, quando eu tinha uns cinco, seis anos e comecei a entender o porquê ela passava mais tempo fazendo compras ou farreando do que em casa, tentei fazer companhia a ela o máximo que eu pude porque sabia que ela ficava triste por se sentir sozinha e a minha mente infantil achava que ficar comigo iria alegrá-la ou o que quer que fosse que eu pensava erroneamente.”

“Em resumo, não deu certo. Ela dizia que se não podia ter Carlisle, eu é que não resolveria. Algo assim... Bom, os anos não foram muito felizes pra mim. Acho que nunca cheguei a ter uma conversa de verdade com nenhum dos dois, embora eu sempre estivesse tentando. Até que chegou um dia em que eu simplesmente desisti disso. Tinha feito um quadro com a figura de nós três, e em resumo outra vez... Eles odiaram. Ou sequer prestaram a atenção. De qualquer modo, eu decidi que não me importaria mais. Pouco tempo depois a Cida começou a trabalhar lá, e aí as coisas melhoraram. Todos nós se ignorávamos, mas era melhor assim. Na verdade foi Cida quem me contou essa história ‘pré meu nascimento’ porque a mãe dela havia trabalhado lá também, mas tinha falecido há alguns anos.”

“Bom, há uns três anos atrás, um dos sócios de Carlisle o passou pra trás no trabalho e ele quase perdeu tudo. Eu não sei o que aconteceu de verdade porque não morava mais lá, porém parece que eles mudaram radicalmente com isso. Alguns dizem que ‘eles passaram a priorizar o que tinham de mais valor quando perceberam que os bens materiais se esvairiam e não lhes restaria nada’, mas eu não me importei com isso; soube da notícia pelos jornais. Depois disso eles começaram a me procurar, mas já era meio tarde pra lembrar que tinham um filho, não? Carlisle é bem mais orgulhoso do que Esme também, por isso não fez muito esforço pra se aproximar. O que eu realmente agradeço, porque só me poupou trabalho. E torço pra que ela perceba e faça o mesmo.”

Fim.”

- Nada empolgante, eu sei. – murmurei dando de ombros.

Levou algum tempo até pra ela voltar a piscar, e parecia muito constrangida porque corou um rosa diferente.

- Você editou muita coisa. – ela disse fazendo de tudo para não olhar pra mim, e falhando.

Eu suspirei extremamente nervoso, mas tentei controlar.

- Você não precisa sentir pena, sabe? – a verbalização só fez tudo piorar. – Já faz muito tempo, e eu realmente não me importo mais. Tudo bem quando eu era criança, porque tem tudo aquilo com os pais e tal. Mas agora não. Já faz muitos anos.

- Não é vergonha nenhuma se sentir mal por isso.

- Mas eu não me sinto mal por isso e nem por nada. – rebati mais nervoso ainda.

- E você é orgulhoso como disse que seu pai é também. – sorriu.

Revirei os olhos.

- Ele não é meu pai, Bella.

Ela suspirou ainda me olhando daquele jeito: pena com mais algo que eu não sabia o que era. Largou a foto que ainda segurava na cama e inesperadamente me abraçou.

Grunhi em frustração porque eu sabia que ela estava com pena, e que o abraço era por causa disso e porque eu não queria que ela pensasse que estava certa, por que ela não estava. Mas era ela. Eram os braços dela em volta do meu pescoço, era ela que estava ali, não se importando com a minha grosseria por algo do qual ela não tinha culpa, e ela era que estava preocupada, era ela que não se ofendia por eu definitivamente não estar correspondendo seu abraço, era o corpo dela, o calor dela. Era a Bella. 

Eu a puxei pro meu colo sem me importar se pareceria que eu estava me aproveitando da situação, e passei os braços pela sua cintura, a apertando forte contra mim. Minha estrela sorriu e me abraçou mais forte, correndo os dedos pelos cabelos da minha nuca. Eu escondi o rosto no vão de seu pescoço, e inalei, sentindo o maravilhoso cheiro que eu tanto adorava; odiando, mas me sentindo vulnerável e infeliz como há muito não sentia, apenas precisando daquilo, de conforto, de carinho, de tudo que eu lutava tanto pra negar que precisava. Eu precisava dela.


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