Hello!! Quase tinha me esquecido de postar por aqui, me desculpem! Se não fosse a Ana Lu ficar me lembrando ia passar batido, de verdade. É final de semestre na faculdade, então vocês relevam né? Espero também que gostem desse capítulo e aproveitem as 22 páginas de mais um pouco de Sin Resistir La Tentación!

Beijokas! :*

Capítulo 9

 POV ISABELLA

Assim que cheguei ao meu apartamento, abri as janelas da sala para que o sol que ainda estava alto pudesse entrar. Liguei meu som e deixei a música rolar enquanto entrava no banheiro. Tomei meu banho tranquilamente, lavando meu cabelo com cuidado e imaginando com que roupa eu iria para o tal jantar e depois para a festa. Jake provavelmente iria muito elegante, como sempre, e eu não queria me sentir descolada no meio de tanta gente que não conheço.
Enrolei uma toalha no cabelo, passei o hidrante por todo o meu corpo, vesti meu roupão e parti para o meu closet. Ali havia tantos vestidos que era impossível que eu não conseguisse um que me agradasse. Passei pelos longos, sem tirar nenhum do lugar. Não era a ocasião. Fui vendo só mais curtos e percebi vestidos nunca antes usados. A ocasião pedia algo neutro, então decidi por um preto tomara que caia que destacava o meu busto e apertava a região abaixo, sendo todo cheio de ondas. - Obrigada Jake! – respondi. – Já estou pronta. Espera arrumar umas coisas aqui dentro? – perguntei puxando-o para dentro.

Olhei-me no espelho e gostei do resultado. Abri a caixinha de jóias que minha mãe tinha me dado ainda pequena e tirei dali um par de brincos. Dentro do closet, eu tinha varias gavetinhas que guardava algumas jóias que eu me dei o luxo de comprar.  Mas hoje eu queria o colocar que Jake tinha me dado no meu aniversario de 23 anos. Era de ouro branco, com um pingente em ponto de luz com uma discreta ametista. Tirei a toalha da cabeça e ataquei meus cabelos com um secador, secando–os até que fizessem leves ondas.

Quando terminei, puxei toda a franja para frente, prendendo com um grampo da cor do meu cabelo para que não chamasse muito a atenção. Quando estava pronto, parti para a maquiagem, não fazendo nada de extravagante, destacando meus olhos, dando uma leve cor nas maçãs do meu rosto e passando um brilho claro nos lábios. Calcei uma sandália com saltos altos e passei meu perfume em pontos estratégicos.

A campainha tocou e eu rodopiei sorrindo de frente com o espelho, me sentindo linda. Atravessei a sala, cantarolando a música que ainda tocava.

- Oie Jake! – falei abrindo a porta com um sorrisão. 


Já ia falar que ele tinha chegado muito cedo, que ele pensou que eu não fosse e tal. Mas para minha total surpresa, Alice e Rose estavam paradas na minha frente, o rosto surpreso e tão super arrumadas quanto eu.

- Aaah... Oie meninas!

- Vejo que não somos apenas nós que vamos sair para nos divertir Alice... – Rose comentou me olhando dos pés a cabeça.

- Jake! – respondi sorridente. – Combinamos de sair para jantar. Depois ele vai me levar para alguma festa que eu não sei exatamente do que se trata, só que terá várias pessoas influentes e importantes.

Nesse momento, o elevador apitou e abriu a porta. Dali surgiu um Jacob completamente elegante – como eu imaginava – em um terno preto, com a camiseta branca com dois botões abertos e o meu sorriso iluminado no rosto.

- Opa! – ele falou, parando. – Que recepção!

Rimos todas.

- Tudo bem, Alice... Rose... – ele falou, cumprimentando as duas educadamente, segurando suas mãos e dando um beijo em suas faces.

Elas responderam o cumprimento com o mesmo sorriso. Era incrível como Jacob conseguia cativar as pessoas.

- É realmente uma pena, Bella... – Alice suspirou. – Íamos te convidar para sair conosco.  – ela completou. - Emmet e Jasper vão nos levar a uma festa e pensamos em você ir se divertir com a gente, mas você estará bem acompanhada.

- É melhor irmos Alice. – convidou Rose. – Os garotos nos esperam.

- Eles estão aí? – perguntei.

- Não, vamos passar no hotel deles. – ergui a sobrancelha curiosa. – Pode parecer brincadeira, mas eles se enrolam mais que nos duas juntas. – ela respondeu o meu questionamento silencioso com um suspiro.

Rindo respondi. - Até mais!

- Mi bailarina! – ele exclamou, voltando sua atenção para mim. – Como você está linda!
- Obrigada Jake! – respondi. – Já estou pronta. Espera arrumar umas coisas aqui dentro? – perguntei puxando-o para dentro.

- Claro. – ele respondeu. – Não tenho opção.

Fechei as janelas que eu tinha aberto quando cheguei.

- Você sabe que chegou cedo, não é mesmo? – perguntei indo na cozinha checar tudo.

- Sim. Queria apenas confirmar que você estaria pronta no horário determinado. – e piscou para mim.

- Pronto! Vamos logo que eu estou morrendo de fome. – arrastei-o para fora e bati a porta.

- Sempre fina a minha priminha. – ele comentou.

- Com você eu posso falar assim. – rebati sorrindo e apertando o botão do elevador. Quando as portas se abriram, Jake me deu passagem. – Pera aí. Eu estou bem? – perguntei, olhando para os meus pés e então levantando os olhos, encarando-o.  – Para onde você está me levando, eu ficarei bem assim?

Ele gargalhou alto e me puxou para dentro do elevador e me girou.

- Você está maravilhosa Bella! – e deu um beijo no meu rosto.

- Por falar nisso, para quem disse que não seria um evento de social, você está muito elegante. – observei.

- Como eu sabia que você estaria extremamente linda, resolvi te fazer companhia. – ele respondeu, brincando.

Atravessamos o saguão do prédio. Caminhei ao seu lado com um sorriso sempre no meu rosto. Era assim que eu sempre ficava ao lado de Jake: feliz. Entrei no seu carro – muito luxuoso por sinal – e quando ele girou a chave na ignição, o painel colorido piscou. A conversa foi desenrolando. Falamos um pouco sobre trabalho. Eu perguntei sobre o dele, querendo saber mais sobre esse novo projeto de condomínios luxuosos, ele perguntou sobre como andava o estúdio de dança.

- Vai fazer o Concurso de Danças esse ano Bella? Já não está passando da temporada não?

- Um pouco Jake. – respondi em dúvida. – Eu sempre faço, não é mesmo? Só que esse ano parece que eu estou mais enrolada que de costume. Eu poderia começar a planejar alguma coisa... – falei pensativa.

O Concurso de Danças era um dos eventos mais importantes que eu organizava todo o ano no Ateliê. Tá, eu estava sendo modesta. Havana toda sabia do evento e acaba que uma boa parte aparecia por ali. Era uma forma de mostrar a cultura, introduzir conhecimento e ainda mostrar o talento dos nossos alunos e dançarinos profissionais.

- Você sabe que eu posso te ajudar...

- Aaahh, claro que eu sei. Você acha mesmo que eu vou me preocupar sozinha, quando eu tenho você a minha disposição? Outra coisa: eu sempre me apresento. Quem será meu parceiro de dança, se não você? – e gargalhei.

- Então é para isso que eu sirvo? – perguntou rindo. – Apenas um objeto?

- Não, não priminho. Expressei-me mal. Seus músculos servirão para ajudar o pessoal da decoração. – comentei maldosamente.

Ele me encarou, seus olhos se estreitando.

- Essa terá volta, Bella. Você só começou, ainda tenho a noite inteira. – ele respondeu rindo.

- Ninguém mandou você se desenvolver tanto. – tentei me defender.

- Eu sei que você gosta.

O jantar foi tranqüilo e divertido. Comemos, Jake ficou relembrando alguns fatos engraçados da minha infância com ele. E eu, com certeza, lembrei dos fatos engraçados da adolescência dele. Quando paramos para avaliar e relembrar, é que concordamos os dois que foi a fase mais divertida. Não tínhamos problemas, o nosso único dever era estudar e ajudar tia Doroth a manter a casa arrumada. Ela não tinha problema nenhum em me deixar sair com o Jake e eu adorava por que os amigos dele eram mais velhos e mais legais.

Eu sempre andei no meio deles e adorava por que me tratavam como uma rainha. Na verdade, me chamavam de Sacerdotisa Bella. Perdi as contas de quantas vezes saímos da escola e descíamos correndo a grande Avenida de Havana – eu deixava Jake para trás, para avisar para a tia Doroth -, passando pela rua dos coqueiros para chegar ao calçadão que levava até a praia. E todas as vezes que formávamos grupos para ajudar os nossos colegas na escola com aula de reforços, as oficinas de dança que eu e Jake participávamos quando tinha eventos culturais na escola e mais tarde, festas para arrecadar dinheiro para instituições de caridade.

No nosso último ano, ele brigou com um homem na rua que estava destratando um senhor cadeirante. Fomos todos parar na delegacia, por que quando Jake acertou um soco no rosto do homem e eu o vi com um canivete, tirei rapidamente meu tênis e meti na cara dele. Tia Doroth foi nos buscar na delegacia, nos deu a maior bronca, e nos deixou de castigo. No outro dia, eu a vi conversando com o padrasto de Jake, que estava orgulhosa de nós dois, mas que não poderia falar isso por que seria uma brecha para sairmos arrumando – mais – confusão. Jake era tão honesto, justo, caridoso, humilde, que eu o admirava. O mais bonito é que ele não fazia isso apenas na minha presença, por que eu já tinha presenciado varias das suas ações. E isso me encantava. Para falar a verdade, emocionava-me.


POV EDWARD

Depois de devidamente arrumado e pronto, não exatamente de acordo com isso, desci para o restaurante do hotel enquanto Emmet foi se arrumar. Eu nem lembrava mais da última vez em que tinha colocado alguma coisa no estômago, e este começava a reclamar. Ao chegar, pedi uma mesa e acomodei-me nesta já fazendo meu pedido. Reprimi a vontade de mandá-los apressar o andamento do negócio, embora estivesse prestes a definhar de fome. Afrouxei o nó da gravata que usava enquanto ficava mais confortável na cadeira. Eu tinha sido obrigado a usar terno e eu nem ao menos sabia onde estava indo. Estava ficando muito mole, isso sim. – Recriminei-me.

Desde quando deixava Emmet mandar na minha vida daquela forma? Tudo bem que ele não deixava de ter um pouco de razão. Eu tinha vindo para Havana para aproveitar e dar um tempo no trabalho para descansar, mas eu estava praticamente trabalhando o tempo todo. Mesmo que fosse outro tipo de emprego. Diversão para o Ed aqui que é bom, neca. Eu também era filho de Deus, no fim das contas. Aquilo me fizera aceitar um pouco mais a idéia da festa. Não podia ser tão mal assim.

Eu precisava me desintoxicar do hotel. Fora que, os olhares das camareiras para mim quando chegam para arrumar meu quarto não eram dos melhores. No começo elas não ligavam muito, porque eu prestava a atenção no serviço que elas estavam fazendo. E elas se sentiam lisonjeadas ou o que quer seja o que as mulheres sentem quando são observadas por um homem. Elas já chegavam ao meu quarto sorrindo e com o vestido que fazia parte do uniforme um pouco mais curto do que o permitido. Mas agora, seguindo fielmente as malditas Leis A La Emmet, eu parei de atentar a esse tipo de coisa. Elas consideraram algum tipo de rejeição e ficaram irritadas. Pensando bem, o meu quarto tem estado mais desarrumado do que o normal mesmo.

Depois de um tempo muito grande para mim, o aroma da Costela Texana* que eu tinha pedido preencheu o ar a minha volta. Nada contra as comidas tipicamente cubanas, mas eu sentia falta da minha boa e velha América. Assim que o prato foi posto na minha frente, eu me apressei para pegar minhas armas sagradas, também conhecidas como talheres. Quando ia alimentar a minha tão companheira gula, uma mão grande roubou uma batata frita do meu prato. Encarei irritado o “Idiota A Mim” que sentava na minha frente enquanto mastigava a minha batata frita. Jasper sentou ao seu lado e aproveitou para roubar outra batata do meu prato.

- Esqueceram a educação em NY ou ela desceu pelo ralo enquanto tomavam banho?.

- Ih Edward relaxa aê.. Tú só sabe reclamar, cara. – o químico falou enquanto tentava roubar outra batata, mas foi impedido quando espetei a mão dele com o garfo.

- Nem liga Jass, isso tudo aí é frustração sexual. – Emmet bancou o engraçadinho e os dois riram.

Ignorei e finalmente comecei a degustar do meu prato. Eles fizeram os seus pedidos depois que se tocaram que não iam conseguir mais roubar nada do meu e começaram a conversar alguma coisa sobre Rosalie e Alice. Revirei os olhos para as expressões de idiotas que eles tinham no rosto. Como um homem pode ficar tão aviadado assim por causa de uma mulher? Aquilo não tinha cabimento. Eu até entendia que eles gostassem de estar com elas e tudo mais, mas não era necessário tanto. Afinal, nós três íamos embora dali a algumas semanas. Será que eles estavam atentando para esse fato ou era apenas eu? Enquanto mastigava, observei novamente as expressões em seus rostos. É, parece que era só eu.

- Ô bocós... – gesticulei chamando a atenção deles. Eles me encararam não gostando nenhum um pouco por eu ter atrapalhado a conversa. – Vocês iam me ajudar, lembram? Conseguir informações sobre a Bella... – recordei enquanto dava mais uma garfada na comida.

Aquilo estava muito bom.

- Ah é, mas não conseguimos muita coisa não. – Jasper falou começando a atacar seu pedido que tinha chegado. – Você sabe, né? A gente esqueceu.

- É verdade. Foi mal aê. – Emmet concordou com a boca cheia.

Eu bufei.

- Vocês não conseguiram muita coisa ou não conseguiram coisa alguma? – perguntei irritado.

Eles deram de ombros e eu tive certeza que era a segunda opção. Revirei os olhos. Eles ajudam a beça.

- Ah, estou me lembrando de uma coisa... – o químico chamou a atenção. Eu parei até de comer atento ao que dizia. – Alice me contou de uma vez em que ela e a Bella foram a uma apresentação de dança e ela acabou tendo que dançar também por alguma armação da Bella lá. A minha fadinha é professora, mas é muito tímida pra essas coisas. Ela me contou que...

- Eu tenho cara de quem quer saber sobre Alice? – o cortei.

Ele não tinha dito nada de produtivo sobre a minha estrela.

- Ué, a Bella estava lá. – ele deu de ombros se defendendo.

Revirei os olhos novamente.

Voltei a comer estressado. Do jeito que as coisas iam, não ia dar não. Será que eles não podiam parar de se amassar com elas cinco minutos e perguntar algo sobre a Bella? Eu achava que não ia levar tanto tempo assim. Balancei a cabeça. Eu ia ter que fazer tudo sozinho mesmo. Grandes amigos esses. O celular de Emmet tocou e com o sorriso enorme que se espalhou por seu rosto, eu já tive a certeza de quem era. Olhei para outro lado ciente que daquela conversa eu não queria fazer parte. Escutei sua voz concordando com alguma coisa que ela dizia no telefone. Beberiquei pela primeira vez da minha taça de vinho ao terminar de comer. 

- Elas já estão vindo... – ele comunicou ao desligar olhando para mim. – Elas estavam no prédio da Bella... – olhei para ele. – Foram convidá-la para ir com a gente... – prestei mais atenção. – Mas ela ia sair com aquele tal de Jake, sabe... Jasper? – ele provocou.

- Pera aê... “Jake” é nome de homem. – observei não gostando nenhum pouco da história.

- É nome de homem sim. Parabéns Edward. – ironizou.

- Quem é? – larguei o vinho de lado o encarando furiosamente.

Ele não tinha me contado nada sobre esse cara.

- Ah, Alice me contou que... – revirei os olhos. Jasper só pronunciava frases que começavam com “Alice”. – Ele é companheiro de dança dela. Parece que ela participa de concursos, algo assim.

- E por que diabos vocês não me contaram sobre isso? O que eu quero saber vocês guardam para si mesmos, droga! – resmunguei.

- Eu pensei que você quisesse saber sobre a Bella, não sobre seus encontros. – Emmet sorriu ironicamente. Fuzilei-o com os olhos. – Mas eles são bem próximos, sabe? Tipo... Oxigênio e o ser humano. – passei as mãos pelo cabelo nervosamente. Era só o que estava faltando. – Ela gosta muito dele.

- Pode parar Emmet. Eu já entendi! – cortei antes que ele continuasse.

Ele já estava falando muito mais do que eu realmente gostaria de saber.

- É... Melhor você se cuidar. Sua estrela pode estar brilhando para outro aí e você nem sabe...  – Jasper comentou.

E eu encarei Emmet irritado. Quem mandou ele ficar espalhando o apelido da minha estrela por aí? Ele deu de ombros.

- Foi apenas uma informação sem importância. – justificou-se enquanto acabava de comer. – É só você ficar esperto. Se a Bella estiver apaixonada por ele, tudo fica impossível. Porque ele também vive a cercando e...

- Já chega da porra desse assunto! – irritei-me. Que cacete. Eu precisava pensar. – Eu já falei que entendi. Então podem calar a boca agora.

- Você queria que a gente falasse... – comentou Emmet assoviando contente. Afinal, por que ele estava contente mesmo hein? – Controla o louco enciumado que as meninas estão chegando aí...

- E quem é que está com ciúme aqui? – cruzei os braços.

Ele só deu uma risadinha e foi ao encontro de Rosalie. Jasper praticamente voou até a Alice. E eu? Bem, eu fiquei de castiçal como imaginava.

- Boa noite, Edward. – as duas disseram uma seguida da outra.

Eu tentei sorrir educadamente para as duas. Se eu abrisse a boca, com certeza sairia um rosnado.

- Você está bem? – Alice perguntou para mim arqueando a sobrancelha. – Está um pouco... Vermelho.

- Ah, ele só se irritou um pouco porque soube que a Bella saiu com o tal de Jake. – Jasper disse olhando abobalhado para ela.

Eu o encarei furioso. Por que ele não conseguia manter a língua dentro da boca? Elas olharam uma para a outra e riram. Ótimo, agora fiquei mais contente.

- Ah... – Alice murmurou.

Eu pensei que ela ia dar mais alguma informação, mas ela só sorriu e saiu andando com Jasper.

Logo após, Emmet riu da minha cara e foi com Rosalie. Eu os segui. A minha concepção sobre a festa ser uma boa tinha se desfeito totalmente. O que eu mais queria agora era um saco de areia para socar, e chutar, e estraçalhar. E ao meu ver, um tal de “Jake” também serviria.



*Costela Texana: Costela de porco defumada ao molho barbecue, acompanhada de batatas fritas e molho agridoce de maçã.



POV ISABELLA

- Pronta para a festa? – Jake perguntou.

- É aqui? – perguntei embasbacada.

- Yeah. – ele respondeu, enquanto abria a porta e descia do carro e um homem de terno preto abria a porta para mim.

Jake veio ao meu encontro, deu as chaves para o homem e segurou a minha mão.

O lugar era enorme e estava cheio de pessoas que caminhavam alegremente para a entrada, onde tinha recepcionistas que confirmavam o seu nome na lista. Tinha manobristas estacionando carros, pessoas conversando em línguas desconhecidas, mulheres elegantes, fotógrafos, seguranças por todos os lados, e dava para ouvir a musica já tocando dentro do clube. Vários refletores brilhavam na entrada, dando um ar de evento de gala, quase uma premiere de filme. Toda a decoração – ainda por fora – era dourada e gritava luxo.

As mulheres não estavam com vestidos longos. Suspirei aliviada quando reparei que não estava mal vestida no meio de todas aquelas mulheres, que transpiravam glamour, já que muitas usavam vestidos curtos. Na verdade, eu pensei que o meu estivesse curto, mas desisti dessa hipótese quando eu vi uma mulher com um decote que ia até o umbigo e quando ela se virou tinha outro nas costas que ia até a altura do seu cóccix.

Jacob segurou a minha mão, não de uma maneira possessiva, apenas para me direcionar para o centro de tudo. Subimos as escadarias e eu sussurrei em seu ouvido:

- Isso é mais exagerado do que eu imaginei.

Ele sorriu e comentou:

- Você ainda não viu nada!

- Sorria! – berrou um fotógrafo, pulado na nossa frente.

Jake automaticamente colocou sua mão atrás da minha cintura, e se encostou ao meu lado. Dei um sorriso tímido enquanto vários flashes disparavam.

- Vem. – Jake me puxou.

Na entrada, assim que confirmaram o meu nome e o de Jake, foi liberada a nossa passagem. Quando adentramos para o grande salão, quase não acreditei. Estava tudo escuro e a única fonte de luz era das luzes coloridas e piscantes que estavam para todos os lados. Tinha um grande bar, bares pequenos espalhados pelo lugar, homens dançando e fazendo malabarismos com garrafas e bebidas atrás do balcão, mulheres passavam com bandejas servindo as pessoas e tinha um palco, onde no momento tinha várias mulheres se apresentando.

- O que significa isso? – berrei no ouvido de Jacob por causa do barulho.

- Apenas divirta-se. – ele respondeu, puxando duas taças de uma bandeja que passou voando e me oferecendo uma.

Peguei sorrindo enquanto ele virava o conteúdo da dele.

- Eu pensei que o dono da rede de condomínios fosse alguém mais sério. – comentei ainda muito perto dele.

- Acho que você ainda verá muito mais. Eu te apresentarei a ele. – ele falou, piscando.

Caminhamos um pouco. Aqui dentro, tudo era mais luxuoso. Tinha grandes baldes de gelo em cima de mesinhas de aspecto fino, onde você poderia pegar bebida a vontade. Para onde você olhava, tinha bebida. “Nesse quesito eles não economizaram” pensei. Tinha espaços com sofás confortáveis e pufes onde as pessoas ficavam sentadas, conversando e rindo, tentando abafar a música alta. Caminhando mais um pouco, você encontraria também lugares sem iluminação, onde homens e mulheres se misturavam para ‘conversar’.



POV EDWARD

No caminho, nós paramos em um restaurante para comer. Correção: As meninas não tinham comido e para acompanhá-las, os bocós comeram também de novo. Eu fiquei sentado com cara de paisagem no meio dos dois casais. Aquilo era muito irritante. Eu podia estar catando alguém ao invés de ficar de resto, mas é aquele negócio, eu não podia ser visto. Essa aposta está acabando com minha vida (sexual).  Mas o pior era que eu ainda ficava imaginando que a minha estrela devia estar se divertindo bastante, fazendo coisas com o Jake. Bufei de raiva, e todos perceberam. Para o bem deles, não abriram a boca para questionar.

Quando deixamos o restaurante e entramos no carro, foi de novo aquele desconforto porque eu tive que sentar ao lado de Rosalie e Alice no banco de trás. E aquela sensação de que quando elas cochichavam, elas estavam falando sobre mim não me deixava em paz. Não que eu ligasse para aquilo, mas elas eram amigas de Isabella. Tipo, melhores amigas. E eu sabia muito bem o peso que melhores amigas tinham na decisão de uma mulher. Portanto, eu não podia e nem devia vacilar. O que eu pudesse usar ao meu favor, eu precisava usar. Eu já tinha várias coisas contra mim. Idiotice eu não ter percebido isso antes.

Tentei relaxar e voltar à atenção para a conversa que os quatro estavam tendo. Não era legal ficar como o anti-social no meio deles e muito menos legal ainda deturpar minha imagem diante das meninas. Ajeitei melhor a roupa e após fazer recriminei minha atitude. A última coisa que elas vão reparar é na sua roupa, idiota. Ignorei minha própria consciência e ajeitei mesmo assim. Uma boa imagem é importante. Demorei um tempo para me socializar ao assunto que eles estavam debatendo, e quando consegui, percebi que falavam sobre algumas das saídas entre eles. Algo que eu não poderia discutir já que eu não estava lá. O mundo está contra mim. Pare de reclamar, Edward! Já estou vendo os cabelos brancos. – Resmunguei para mim mesmo.

Tentando me inteirar no assunto, mas não obtendo sucesso, tive uma idéia. Pacientemente esperei até que eles dessem uma brecha em que eu pudesse falar, não querendo com absoluta certeza cortar o papo deles. Quando tive minha oportunidade, num instante não desperdicei. Logo me voltei a minhas avaliadoras. Edward, mete bronca. Você precisa da aprovação delas. – Encorajei-me.

- Então... – comecei como quem não quer nada. Elas me encararam surpresas como se não estivessem esperando me ouvir falar novamente. Fingi que não notei isso. Impressionar e causar boa impressão. Manter isso em mente. – Jasper me contou que Isabella participa de concursos de dança... Vocês participam também?

- Sim. – respondeu Rose com um sorriso. – Quer dizer... Nós participamos de concursos regionais, sabe? A Bella já participou de mundiais. Ela é corajosa. – seu olhar demonstrava certa admiração pela amiga. – Nós sempre a acompanhamos para prestigiar, mas é só para observar mesmo. Nunca tentamos.

- Eu sempre quis, mas acredito que não conseguiria. É muita pressão e ansiedade pra mim. – Alice murmurou. – Mas a Bella é guerreira. Quando ela quer, insiste até conseguir.

- Ela já ganhou algum Mundial? – perguntei mais interessado na conversa.

Pude ver Emmet me lançando olhares pelo retrovisor enquanto dirigia. Ele devia estar pensando que eu estava fazendo isso pela aposta, mas naquele momento, era pura curiosidade. Eu não precisava das meninas para saber que minha estrela era guerreira, bastava olhar para ela. Mesmo com a morte brusca dos pais que devia ecoar em sua mente até hoje já que presenciou toda a situação, ela estava ali. De pé e vivendo apesar de tudo. E se fosse parar para observar, era bem típico dela. E de sua personalidade. 

- Não. Mas não foi por falta de talento, lhe asseguro. – continuou falando a Alice. – Sabe... O Jake é parceiro dela. – trinquei o maxilar sem conseguir me conter. Apenas torci para ela não ter reparado. Ela continuou. – Eles formam um casal perfeito em uma pista de dança. E eles dois dançando juntos são como o quadro mais bonito que pode se apreciar. – e eu já não estava mais tão atento ao que ela dizia.

Quando foi que o assunto rumou para minha estrela e seu maldito parceiro de dança? Eu estou com cara de quem quer saber dos dois juntos? Desviei o olhar de Alice. Talvez ela se tocasse de para quem ela estava falando aquela porra.

- Enfim... Eles são fortes candidatos ao primeiro lugar. Mas no Mundial é onde se reúnem os melhores de cada país de verdade. A competição é acirrada mesmo.

- Eu tenho certeza que ela... – frisei a palavra. – Um dia ganhará. Isabella é ótima. Mesmo.

- Sim, ela é. – Rose concordou me encarando por um tempo e me fazendo ficar quase constrangido com aquilo. Mas eu não fico constrangido nunca. É claro. – Quem sabe você não poderia assistir também? Provavelmente ela participará de algum Mundial esse ano. Já deve estar pensando em começar a ensaiar com Jake

Imaginei ser impressão, mas podia jurar que ela tinha enfatizado a parte que eu mais detestava na frase. Tinha muito assunto sobre esse Jake para o meu gosto. Não é ele a quem estou tentando conquistar, droga.

- Duvido que ela fosse querer a minha presença lá. – falei sinceramente, quase com pesar.

O tal de Jake podia dançar com ela e eu nem assistir podia. Esse mundo é muito traiçoeiro! Afinal, eu era um cidadão americano e também tinha meus direitos. Onde está a justiça nesse país?

- Hm.. Quem sabe? – ela deu um sorriso divertido como se lembrasse de algo.

Alice sorriu para ela e por um momento cogitei a possibilidade de elas estarem conversando telepaticamente, pois agora as duas dividiam aquele sorriso. Balancei a cabeça reprovando meu pensamento infundado. E olha que eu ainda nem bebi.



POV ISABELLA

Jacob encontrou quatro colegas de trabalho e me apresentou formalmente a cada um deles, que já tinham taças de champanhe na mão e estavam muito alegres.

- Essa é Isabella. – ele falou, enquanto eu apertava a mão de cada um deles e dava-lhe um beijo no rosto. O último, que Jake me apresentou como Pablo – um cara ruivo, alto, forte, com os olhos verdes, a barba curta no rosto bem marcado, lábios carnudos, em suma, bonito – me encarou com aqueles olhos verdes penetrantes, apertou bem firme a minha mão, me puxou para mais perto de si e sussurrou no meu ouvido: “Muito linda você, Isabella.” E depois deu um leve beijo na minha bochecha. Ainda assim, eu consegui sentir o cheiro do delicioso perfume que usava misturado com o cheiro de bebida. Encarei-o de novo, surpresa com a cantada. Jake percebeu.

- Tudo bem? – ele perguntou, olhando para mim e o seu amigo, que bebericava a borda da taça, ainda me olhando.

- Sem problemas Jake. – respondi.

- Namorada do Black? – perguntou um deles, com um sorriso presunçoso.

- Hããn... – comecei ligeiramente desconcertada. – Não, Jacob é meu primo e melhor amigo... e meu parceiro de dança particular nas horas vagas. – completei baixinho e perto do seu ouvido.

- Oh... – o ruivo fez. Ele tinha uma malícia no olhar, que tanto eu quando Jacob reparamos.

- Jake, vamos procurar um lugar? – convidei-o, querendo me afastar.

Eu vi as mãos dele fechar em punho, encarando com raiva o colega. Antes de agarrar minha mão, ele se aproximou do colega e falou:

- Não se aproxime dela.

- Não precisa disso Jake. – comentei chateada. – Eu sei me cuidar.

- Eu sei que sim, mas quando eu estiver com você, me deixe fazer isso. – ele resmungou. – Pablo é mulherengo e você é especialmente bonita demais para o seu próprio bem. Ele quase te devorou com os olhos.

Apenas revirei os olhos para todo o ciúme de Jake. Fiquei olhando para as pessoas que passavam, levemente curiosa. Meu corpo começou a se balançar no ritmo da música. Era tão gostoso estar assim, livre. A música me preenchia e era quase impossível não fechar os olhos e sentir a alegria me invadindo em grandes ondas.

- Gostando?

- Ahãm – murmurei.

- Vamos dançar, então? – ela perguntou.

Abri os olhos.

- Claro. - Jake me puxou para o meio da pista de dança, onde todos pulavam, riam, dançavam, se divertiam.

Ele se posicionou na minha frente enquanto o DJ colocava um musica típica das baladas européias. Nós dançamos muito e eu já estava ofegante quando Jake me chamou para sentar de novo.

- Aaahhhh! – ouvi um gritinho estridente e quando olhei ao lado, me deparei com uma Alice saltitante acompanhada de uma Rosalie.

- O – que – vocês – estão – fazendo – aqui? – perguntei, meu queixo caindo ligeiramente à medida que pronunciava a pergunta.

- Te falei Rose, te falei que eu reconheceria aquele quadril balançante em qualquer lugar! Bella!!

Eu ainda olhava confusa de uma para a outra sem entender. Decidi então por Jake.

- Você não disse que era uma festa privada?

- Pelo menos era para ser. – ele respondeu, balançando os ombros.

Rose imediatamente me puxou pelo braço.

- Psiu! – ela exclamou. – Emmet conseguiu as entradas.

- E como ele fez isso? – pergunte incrédula.

- E isso realmente importa? O importante é que estamos aqui, não é mesmo?! – falou sorridente. – Você viu quantas pessoas lindas tem nesse lugar? – ela exclamou. – Ainda bem que eu estou bem vestida, por que o traste do Emmet não me falou que viríamos para uma festa tão... badalada.

- Eles não economizaram em nada aqui, eim? – Alice cochichou no meu ouvido. – Nunca vi tanto dinheiro desperdiçado em um lugar só. Tem uma madame muito da fresca servindo champanhe, champanhe Bella, para um cachorro. – ela completou fazendo cara de fresca.

- É Alice, só que não é nosso dinheiro que está sendo gasto, então...

- Opa... – Jake falou. – Prepare -se para conhecer o dono de toda a festa...

Olhei ao redor, procurando por alguém elegante, que gritasse luxo de todos os seus poros que eu ia rapidamente saber que se tratava dele. Pelo contrario, abria-se passagem para uma pessoa, que eu não sei mesmo o que falar. Prendi o riso assim que ele se aproximou. Jake tinha razão, ele era muito excêntrico.

Ele se aproximou e eu discretamente tentei não o olhar dos pés a cabeça, mas isso foi inevitável. O "senhor" estava com um terno dourado, mas não era qualquer dourado, era aquele dourado que chamava a sua atenção, que fazia os seus olhos lacrimejarem, caso você ficasse olhando por muito tempo. A camiseta por baixo era um verde musgo, que tinha dois botões abertos. Os sapatos combinavam com a camiseta, só que era verde cor de caneta marca texto. No braço esquerdo ele exibia um grande e exagerado relógio.

- Ooooiiiii sweetheart. – ele deu gritinho e agarrou o braço musculoso de Jacob.

Eu olhei pra o seu braço, - onde tinha duas mãos que o alisavam -, para seu rosto, que para a minha total surpresa estava vermelho, e para o doido que se veste de verde, que tinha o rosto próximo a suas mãos e sem nenhuma vergonha olhava para Jacob com cara de desejo.

Eu olhei para Alice e Rosalie, que sem nenhum pudor, riam descaradamente. Esforçando-me para não me juntar a elas, respirei fundo e olhei para Jake e ergui a sobrancelha.

Ele pigarreou e educadamente afastou as mãos do chefe.

- Hãm, Sr. Papazone, gostaria de apresentar-lhe, Isabella. – ele falou, afastando-se dele e se postando ao meu lado.

Eu engoli o riso quando ele o senhor mudou a expressão e me encarou, com os olhos radiantes.

- Ohhh! Como és bela, Isabella. – ele brincou, agarrando minha mão e deixando ali um singelo beijo. 

- Ela está me acompanhando. – Jacob acrescentou e eu dei uma olhada rápida para ele.

Seu rosto beirava o desespero e ela evidente que ele estava constrangido. O meu com certeza beirava a gargalhada.

Ele estreitou os olhos, olhou-me dos pés à cabeça, avaliando.

- Hum... sweetheart, você tem um gosto tão bom quanto meu, homem dos músculos dos meus sonhos. Ela é realmente muito bonita.

- Oh não, não. Jake e eu somos primos. – respondi rindo.

- Jake, hum? Vou me lembrar disso quando estivermos a sós. – e se jogou nos braços de um Jacob completamente envergonhado, enquanto eu me afastava para não levar uma mão na cara.

Não ouvindo as risadas de Alice e Rosalie, procurei ao redor. Elas estavam com os cotovelos na mesa, as cabeças juntas, cochichando. Quando viram que eu percebi, pararam na hora.

- Foi um prazer conhecê-lo, Sr. Papazone. Com licença, vou me juntar as minhas amigas.

- No futuro poderá me chamar de sweetheart.

Respondi com um sorriso. Olhando para Jake, vi que ele devolvia o olhar, desesperadamente, como se gritasse: Você não vai me deixar aqui, não é? Deixando de lado o meu eu maldoso que gritava para deixar Jacob lá e vê como ele iria lidar com a situação, perguntei docemente:

- Jake, você poderia me acompanhar?

- Claro. – ele falou suspirando aliviado.

Quando nos afastamos um pouco, eu olhei disfarçadamente para trás, e ele olhava para a bunda de Jake, mordendo o lábio inferior.

- Arrasando corações, hein priminho? – brinquei.

- Eu não vou comentar Bella. – ele respondeu, um pouco mal humorado.

- Aaaah, qual é Jake?! – falei cutucando seu braço. – Eu nunca vou falar para ninguém que seu mais novo chefe te chama de sweetheart. – Ele me mandou um olhar fulminante. – Posso confessar? Gosto demais do homem dos músculos dos meus sonhos. – e agarrei seu braço, numa imitação quase perfeita da do Sr. Papazone e olhei para seu rosto, batendo os cílios com uma carinha de anjo.

Ele soltou minha mão que ainda prendia seu braço, e me deu um abraço, rindo.

Quando chegamos à mesa, me sentei ao lado de Alice e me estiquei para que Rosalie também ouvisse a minha pergunta.

- O que vocês estavam cochichando? – perguntei curiosa.

- Nada! – Alice respondeu rapidamente.

Saquei na hora que era mentira.

- Falem! – pedi autoritariamente.

- Bella, estávamos falando sobre o “homem” – ela falou fazendo as aspas no ar enquanto sorria. – que Jake te apresentou. E como ele gostou dos braços dele. Só isso. – Rose respondeu.

- Sim, sim, eu tive vontade de largar Jake lá... – falei alto e olhando pa ra ele. – Só que eu achei que ia ser maldade demais. – ri.

- Vamos acabar com esse assunto? – Jake pediu.


POV EDWARD

Assim que colocamos o pé no Havana Yacht Club, as meninas sumiram afirmando que iam ao banheiro. Eu nunca entendi o porquê de mulher precisar ir ao banheiro junto à amiga, e também acredito que nunca conseguirei. Elas tinham ficado receosas quando chegamos à porta e precisávamos checar o nome na lista. Acreditem, os nomes de todos nós estavam lá. E como quando Emmet me contou sobre essa festa, eu nem procurei saber como ele fez para conseguir aquilo.

O lugar mais parecia uma boate e não uma festa sofisticada segundo a descrição de Emmet. Estava muito escuro e a única iluminação era decorrente daqueles projetores de luz lançando seus raios coloridos para todos os lugares. Jasper me cutucou irritantemente nas costelas e seguiu com Emmet para o bar. Eu logo tratei de pedir uma bebida. Consegui enxergar algo loiro e chamativo caminhando entre as pessoas e reconheci ser Rosalie com Alice, quase invisível, ao seu lado. Porém, elas não estavam vindo em nossa direção.

- Olha lá... Vão perder as mulheres de vocês. – apontei em direção a elas e eles seguiram com o olhar, franzindo o cenho. 

- Elas devem ter reconhecido alguém. – Jasper deu de ombros e Emmet o acompanhou.

E eu também. Não tinha nada com isso mesmo.


***


- Tudo bem, vamos atrás delas. – Emmet desistiu após uns cinco minutos.

Eu ri balançando a cabeça. Eles foram abrindo caminho pelas pessoas e eu também, aproveitando para dar uma boa olhada para o contingente feminino que dançava. Inclusive algumas que dançavam em um palco. Eu lembrava que tinha a lei de abstinência e tudo mais, porém no escuro ninguém enxerga nada. E as meninas não seriam diferentes. Então eu estava me emancipando.

Dei alguns sorrisos para algumas delas que retribuíram, é claro. Voltava a recuperar o meu bom humor perdido há alguns dias, quando me senti trombar com o corpo de Jasper na minha frente. Acabei por derramar um pouco do meu drinque no chão e o encarei irritado. Os dois tinham parado no meio do caminho bloqueando a passagem já estreita pelo grande número de cabeças na festa. Após algum tempo petrificado e muitos berros meus, por causa da música alta, para chamar a atenção deles e fazê-los se mexer, eles me encararam cautelosos.

- Então... As meninas não vieram por aqui não. – Emmet comunicou empurrando Jasper, que me empurrou para andar para o lado contrário. Logo tratei afastar as mãos dele de mim.

Quantas vezes eu teria que repetir que não gosto de homem pegando em mim?

- É claro que elas vieram por aqui, você mesmo viu. – argumentei levando em consideração que talvez Emmet quisesse se aproveitar da ausência das meninas para dar um perdido nelas.

Ou uma possibilidade ainda melhor, elas estavam se agarrando com outros caras e eles não queriam me deixar ver para diminuir a humilhação. Eu ri internamente só com a suposição.

- Não, elas devem ter dado a volta e procurado a gente... Para lá. – Jasper insistiu me empurrando de novo.

- Qual o problema de vocês, hein? – afastei-me de novo. E dei a volta por eles que tentaram me segurar. – Me larga, porra! É claro que elas... – minha frase se perdeu no meio do caminho.

Eu conhecia aquele cabelo. Franzi os olhos como se fossem me ajudar a enxergar melhor na penumbra. Eu conhecia aquela cintura, e o quadril e as pernas. Mas eu não conhecia certas mãos que estavam aonde não deviam estar. O casal estava sentado à mesa e pareciam muito confortáveis na presença do outro. E a porra daquelas mãos na cintura da minha estrela. Quando eu pude me mexer, já ia em direção deles.

- Ei Edward, não... – e de novo os dois estavam me segurando. – Tá maluco, cara?

- Eu acho melhor vocês me soltarem. – falei com raiva sem desviar o olhar deles.

E eles ainda estavam sorrindo um para o outro. Enquanto ele agora estava segurando a mão da minha estrela.

- E você vai chegar lá e dizer o quê? “Tira a mão da minha professora de dança”? Você já foi mais inteligente, cara. – Jasper recitou. 

- Que inferno! – gesticulei irritado.

Quando o que o químico diz começa a fazer sentido, é sinal de que... Porra. Tá tudo errado! 

Não era bem a garota deles que estava se agarrando com outro. Aposto que os safados estão rindo internamente com a realidade.


POV ISABELLA

- EU NÃO ACREDITO! – berrei alto, olhando para Jake. – A NOSSA MÚSICA JAKE!! VEM!!

Son de Amores – Andy e Lucas


Rapidamente levantei da cadeira, agarrei a mão dele, que soltou apenas para tirar o terno, jogando-o por cima da mesa, e abrindo dois botões da blusa branca que usava por baixo. Assim que fez isso, saiu me puxando, abrindo caminho pela multidão de pessoas que se balançavam no ritmo da musica.

Perdona si pregunto por como te encuentras
Pero me han comentado que te han visto sola
Llorando por las calles en altas horas
Ay como las locas, locas, locas...

Quando chegamos ao centro de tudo, nossos corpos se encontraram. Nossa conexão era muito forte, que não precisávamos fazer grandes esforços para que nos movimentássemos de acordo com o outro. Eu girei, e todas as vezes que o meu corpo ficava de frente para o de Jake, eu passava a mão pelo seu peito másculo, enquanto sorrimos uma para o outro, de maneira bem sedutora.

Comentan que tu niño a ti te ha dejado
Que no existe consuelo para tanto llanto
Que sólo una amiga está a tu lado
No llores más mi niña, niña, niña

Conhecemos essa música quando estávamos no último ano na escola. Fizemos uma pequena oficina de dança e então tinha vários pares para dançar. Na nossa formatura, pediram que fizéssemos uma apresentação e daí veio o problema, por que não sabíamos que música escolher. Fizemos uma busca pela internet, atrás de alguma música que nos agradasse, e encontramos essa. Jake insistia em falar que ela era minha, por que falava de uma mulher loca e que eu amava, tudo e todos, acima de qualquer coisa. E eu amava intensamente.



Son de amores, amores que matan
Amores que ríen, amores que lloran, amores que amargan
Son de amores, amores que engañan
Amores que agobian, amores que juegan, amores que faltan

Ele me girou, e eu fiquei impressionada de não ter esbarrado em ninguém. Quando eu voltei do giro, nossos corpos se encontraram e apenas os nossos quadris se mexeram, enquanto eu estava com os meus braços soltos do corpo de Jake e ele com as duas mãos posicionadas na minha cintura. Fechei os olhos, rindo, e cantando mentalmente a música.

Deja de llorar y piensa que algún día un niño te dará
Toda una fantasía, eso y mucho más
Porque tu no estas loca, loca, loca

Quando abri os olhos, Jake inclinou o corpo sobre o meu, e eu apenas pude fazer uma leitura labial. Ele estava cantando a musica. Quando chegou na parte porque tu no estas loca, loca, loca enquanto ele cantava, eu fiz movimentos com os meus dedos ao lado da cabeça. Jake me trouxe para perto de si novamente, quando a música terminou, me dando um abraço de tirar os pés do chão e rodando, enquanto nossas risadas invadiam um ao outro.



POV EDWARD

- Eu estou calmo! – repeti para ver se eles paravam de me olhar prontos para me segurar a qualquer momento de novo.

- Calmo você não está... – Emmet corrigiu.

Tínhamos conseguido, por sorte, uma mesa. E por sorte, ou não, ela me permitia uma visão estratégica da pista de dança. Onde um certo casal agora se exibia.

- Oie. – Rosalie e Alice voltaram sorridentes e sentaram ao lado de seus respectivos pares.

E eu? Ah, eu sobrei. Bem conveniente.

Cerrei meus olhos para eles que dançavam muito sorridentes. Se ela pelo menos deixasse eu me aproximar dela aqui... Fora do ateliê.

- Parece que já viu a Bella, han? – murmurou Alice divertida. Eu lutei para não perguntar qual a diversão que ela via naquilo. – Foi uma mera coincidência. Jake é um dos engenheiros que está fazendo o projeto de um dos condomínios do dono da festa, e convidou-a. Vocês têm que vê-lo, o cara é uma figura! 

- No mínimo é viado... – murmurei baixo, mas estranhamente elas ouviram.

- Sim. – Rosalie gargalhou. – O único viado com classe que eu já vi na vida.

- Ótimo. Então eu não quero vê-lo e muito menos chegar perto dele. Isso de homem que gosta de homem chegar perto de mim não é lá de minhas preferências... – respondi diante de sua confirmação.

Elas riram.

E eu não soube do que, duvido que minha cara estava para quem é piadista. Mas ainda sim foi bom, eu estava agradando. E eu fiquei estranhamente satisfeito com isso. Afinal, era uma coisa boa no fim das contas. E se Isabella estava sorrindo para ele, ela podia sorrir para mim também. Com a ajuda das meninas, seria mais fácil. Se elas falassem bem de mim então, ô! É Edward, vamos com calma. Era só ter aquela tal da paciência da qual Emmet falava tanto. E que por alguma razão, estava tendo certa dificuldade de achar. Mas eu entrei nessa por que quis, e ainda estou por que quis. E eu sempre fui determinado. E eu tinha que ser agora também.

- Ele gosta muito de Jake.. – Alice continuou contando e rindo do seu encontro com o tal viado.

Ótimo, quem sabe ele não me viesse a calhar? Manter o dançarino ocupado enquanto eu trato de agir. Com aquele cara em cima dela, ia ficar meio difícil. Mas se ele estava no jogo, eu também estava! Competição não fazia mal a ninguém. E se ele tinha os atributos de conhecer ela a mais tempo, e ser próximo a ela, e todo aquele monte de besteiras que Emmet falou para me provocar, eu tinha o atributo de mexer com ela. Porque eu mexia com ela e eu sabia disso. E isso também servia de alguma coisa! E tinha o mais importante de tudo: Ela era a minha estrela. E eu cuidaria para ela ser literalmente. E ela seria.

Ficando com a bunda colada na cadeira é que não conseguirá nada, Edward, aconselhei-me levantando num embalo. Os olhares se voltaram para mim.

- Vou dar uma volta por aí. – expliquei.

O local era realmente grande. Só não esperava ter que dar várias e várias voltas para encontrar a Isabella que não estava mais à minha vista na pista de dança. Saí em busca de minha estrela e eu tive consciência do quão abarrotado o lugar estava. Passei por muitas pessoas, mas certo senhor com um terno extremamente chamativo captou minha atenção. Cara, olhar para ele doía de tão cintilante que era sua roupa! Logo imaginei que devia ser o dono da festa. E Rosalie ainda afirmou que ele era um viado elegante. Eu não via nada elegante em um globo de luz ambulante. Muito pelo contrário.

Não levou muito até eu perceber um cabelo conhecido no meio de tanta gente. A minha estrela se destacava. Ela esticava o pescoço e olhava em diversas direções diferentes, mas não demorando o olhar em alguma específica. Parecia estar procurando alguém, provavelmente o seu par. Tudo bem, eu posso lidar com isso. Prestei atenção a ela e passei por diversas pessoas na pista de dança atento para não perdê-la de vista. Era uma ótima chance de falar com ela já que estava sozinha. Eu ocasionalmente circulei as pessoas de modo que acidentalmente parasse em sua frente. Ela me encarou num instante surpresa, no outro chocada, e então surpresa mais uma vez.

- Olá, Isabella. – cumprimentei com um falso espanto pela coincidência.

- Oi, Edward. – ela respondeu com a surpresa estampada na voz.

E continuou virando o rosto para os lados. Eu não tinha muito o que fazer ali, no meio de uma pista de dança. Então, propus o óbvio.

- Aceita dançar comigo?

- Eu... Na verdade, estou procurando uma pessoa. – ela deu um meio sorriso.

Eu não sabia ao certo se ela disse aquilo para me despachar, ou se apenas afirmou o que estava fazendo. De qualquer modo...

- Eu posso ser essa pessoa. – garanti.

- Edward..

- É só uma dança, vai. – fiz minha melhor cara de desconsolo enquanto insistia. Ela me encarou indecisa. – Você é uma ótima professora. Eu prometo que não piso no seu pé. – Ela deu uma risadinha, porém ainda não estava convencida. – Por favor. – pedi me assegurando de olhar no fundo de seus olhos. Pareceu adiantar.

- Não faça com que eu me arrependa disso. – ela estendeu a mão enquanto dizia.

Eu sorri e segurei-a, puxando pela cintura e juntando nossos corpos.

- Não vai. – eu assegurei.

Felizmente, a música lenta pareceu contribuir para mim. Prestei atenção para não fazer nada errado por que era isso, minha única chance. Nossos corpos se moviam suavemente. A música tinha atraído diversos casais para a pista de dança. Mas eu não estava muito interessado em reparar em nada mais que não fosse Isabella. E seu corpo colado ao meu. E seus olhos. Eu observei-os durante todo o tempo, e ela manteve firme em meu olhar. Até, como se tivesse se lembrado de algo, o desviasse de repente.

- O que houve? – perguntei. – Eu estou com a mão no lugar certo, não estou? – só precaução eu subi mais um pouco a mão já preocupado com a idéia de ter feito algo errado.

- Está, Edward. – ela riu balançando a cabeça. – É só... Você lembra o que nós conversamos? Nosso relacionamento ser restrito ao ateliê...?

- Ah, sim. Mas sabe como é, tem vezes que eu preciso me fazer de surdo. – dei de ombros despreocupadamente. Ela comprimiu os lábios tentando não rir, mas acabou desistindo. – Olha, eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, mas... Por que nós não simplesmente passamos uma borracha por tudo? – sugeri. – Você ainda tem a vantagem de que daqui a algumas semanas nunca mais ter que me suportar. Faça essa boa ação a um ser humano. – eu sorri.

- Você já vai embora? – ela franziu o cenho.

- Não, “já” não. Daqui a algumas semanas. – corrigi. Ela sorriu me dando um tapinha no ombro. – Sério, ó... – eu parei de dançar e me separei dela, que me olhou confusa. – Prazer, sou Edward Masen, advogado. – estendi a mão. Ela só balançou a cabeça, com uma expressão divertida. – Sabe, quando uma pessoa cumprimenta a outra, ela espera que a outra faça o mesmo. – ela revirou os olhos com um sorriso. Eu indiquei a minha mão estendida com a cabeça e ela finalmente a segurou. Eu a levei aos lábios e depositei um singelo beijo. – Qual seu nome, chica?

- Isabella Martinéz, querido señor. – ela riu.

- Lindo nome. – elogiei, e a puxei para mim de novo.

Segurando em sua cintura e mantendo-a junto a mim, no lugar certo.

- Ei. Era só uma dança... – ela forçou um ar de repreensão.

- Me conceda outra, então. – pedi desistindo de fazer a gracinha que ia fazer.

Talvez ela não gostasse.

- Está abusando da minha boa vontade, Edward.

- Perdão. – eu a soltei.

Calma, paciência. Estava aprendendo aos poucos.

- Você já foi mais insistente.. – ela franziu o cenho quase se queixando.

E então eu percebi que fora uma brincadeira. Não que ela brincasse comigo sempre. Eu sorri estendendo a mão novamente. Dessa vez ela não pensou até finalmente segurá-la.

- É só uma garantia para não fazer nada errado.

Sinceridade é tudo

- Parece que Edward Masen é uma pessoa sensata, no fim das contas. – ela riu quase debochando.

Ou talvez já debochando.

- Eu posso ser o que quiser, basta me pedir. – respondi sem nem sentir.

E eu tinha certeza que tinha sido muito direto. Para minha surpresa e alívio, ela riu.

- Meus pedidos são extravagantes. Você disse isso para pessoa errada. – brincou.

- Não. Eu disse isso para a pessoa certa.

Ela piscou os olhos algumas vezes e desviou o olhar. Mas eu tive certeza de ter visto um sorriso brincar em seus lábios. Eu sorri também.

Ponto para mim!

Deixe um comentário