Hey, hey, hey, hey!! Voltamos!! Já estou de férias, então vou tentar postar os capítulos da fic mais rápido, tá bem? E vocês como estão?? Gostando da leitura aqui?

Então, vou falar que esse é um dos meus capítulos preferidíssimos! De acordo vocês forem avançando na leitura, vão perceber o quanto ele fala da Bella e como isso é importante para os próximos capítulos. Tem muito Bella aqui e mais uma vez percebemos como determinados fatos em nossa vida às vezes podem interferir em quem somos por que não conseguimos avançar e vamos estar sempre presa naquilo. Por outro lado, vemos um Edward tão gentil e cuidadoso, que até eu fico em dúvida se é tudo por ele mesmo ou se tem algo a ver com a aposta.

Agora que eu já falei demais, confiram mais um capítulo de SRLT :*


CAPÍTULO 10
Quiero no sólo tal como eres, sino por cómo soy cuando estoy contigo.

POV ISABELLA

Jake me levou pra casa e se despediu com um singelo beijo na bochecha e um Adiós, mi bailarina. Eu apenas troquei o vestido, colocando uma camiseta extra grande e cai na cama. Eu dormi bem, por que o cansaço tomava de conta do meu corpo, e só que quando eu estava perto de acordar, a minha mente começou a ficar nebulosa, fiquei agoniada, como se estivesse acontecendo alguma coisa. Acordei assustada, com algumas mechas do pregado na testa. Sem entender, fui para o banheiro e tomei um bom banho.

Quando terminei, a eletricidade da festa do outro dia ainda estava um pouco nas minhas veias e eu não queria ficar mofando em casa no domingo. Imaginando que Alice e Rosalie estariam com Jasper e Emmet, vesti uma saia branca longa, uma regata que deixava a mostra um pouco da minha barriga, umas pulseiras no pulso, uma sandália baixa e o cabelo solto, e saí do apartamento. Passei por algumas ruas que tinham pessoas dançando alegremente rumba e tcha – tcha – tcha. Tinha várias outras sentadas nas mesas que estavam postas na calçada, onde exibiam grandes taças de Cuba Livre*, Daiquiri* e rum. Esse era o típico final de semana de Cuba. As pessoas alegres, bebendo, dançando, se divertindo, sem preocupação. E eu adorava isso. Continuei minha caminhada, passando pela larga Avenida principal, onde eu e Jake passeávamos muito com a nossa turma na infância. Ri da lembrança que tive quando passei perto de uma rua cheia de coqueiros, onde eu costumava ficar com um amigo de Jake. Quando ele descobriu, virou uma fera.

Caminhei pelas várias lojas de artesanatos abertas, pelo grande supermercado e depois pela larga calçada que não tinha ninguém. Eu continuei, sem saber realmente para onde estava indo. Depois de quase uma hora de caminhada, meus pés tocaram a areia morna e branquinha da praia. Ali não tinha ninguém, apenas uns dois ou três casais de namorados, que caminhavam na direção oposta de mãos dadas. Eu tirei a sandália e continuei minha caminhada, agora na areia. Aproximei-me do mar e deixei que ele molhasse os meus pés, rindo. Olhei pra trás e vi meus pés marcados. Levantei a saia e sentei, encostando o queixo nos joelhos flexionados. Fechei os olhos e senti a brisa do mar.

E eu me lembrei da festa. Lembrei do quanto me diverti com Jacob... e lembrei de Edward. Ele estava tão diferente do Edward que eu tinha conhecido... ou que eu pensei ter conhecido. Ele estava sendo educado, seu sorriso sincero e fácil me fazia sorrir também, e até quando ele fazia as suas brincadeiras eu não me sentia mais tão deslocada. “Ele estava ficando... hum... interessante.” Pensei e logo em seguida sacudi a cabeça e afastando os pensamentos da mente.  Edward era um aluno como outro qualquer e eu não deveria me deixar afetar tanto assim com a sua presença. Então eu tive que balançar a cabeça novamente e falar que eu estava sendo incoerente. Eu nunca me preocupei com isso – vai ver por que nenhum outro aluno foi tão insistente quanto Edward. E olha que eu já tive uns que tentaram bem, mais nenhum ganhou dele. E ele estava sendo direto. Eu não sou mais nenhuma adolescente boba que não percebe quando uma pessoa tem outras intenções com você. E ele não estava fazendo nenhuma questão de negar.

A forma educada como ele se dirigia a mim era uma das coisas que mais me intrigava desse novo Edward que eu estava conhecendo. Uma frase que ficou marcada na minha mente desde a noite passada foi “Eu posso ser o que quiser, basta me pedir.” Eu não comentei nada - e espero não ter dado na cara -, só que foi como receber um choque elétrico. A verdade, é que fazia muito tempo que eu não sentia um “choque” desse. Desde quando eu terminei com Alejandro.



Eu não queria falar de maneira nenhuma, era como confessar um crime, mas a verdade é que Edward estava mexendo comigo. Depois de tanto tempo sozinha, isso é normal, não é verdade? ‘E depois você fala que não está agindo como uma adolescente boba. Essa insegurança é o que?’ Minha mente me recriminou. Passei a mão pelo rosto, levantei e olhei para o mar. Se ele não estava fazendo questão de negar, agora eu iria passar a não fazer questão de relutar. Cansei de lutar por uma situação em que eu estava tão curiosa quanto Edward decidido – decidido a me conquistar.

Continuei caminhando e meus pensamentos estavam Edward, até quando eu não queria. Eu pensei em como seria ter o meu corpo nos seus braços fortes, seu sorriso que me fazia sorrir também, seus olhos que me encaravam com uma intensidade avassaladora. E eu descobri que eu já tinha reparado nele mais do que a parte consciente do meu cérebro deu conta. E ainda quando eu estava pensando em Edward, me dei conta que eu tinha chegado ao gazebo. E surpreendentemente, junto com a areia que tinha ali ao lado e nas arvores próxima, começou a nascer pequenas e extraordinariamente lindas tulipas, que enfeitavam a entrada, e seus ramos já se engarranchavam pelas madeiras que constituía o gazebo. Completamente encantada, passei a mão por uma e aproximei meu rosto para sentir o cheiro que emanavam delas. Era algo inesperado e totalmente exuberante. Desfiz o contato e subi as escadinhas do gazebo. Ali, dava para sentir o cheiro das tulipas, que era pra serem brancas, só que a mancha em vermelho dava todo o chame e beleza da rosa. Girei meu corpo lentamente, olhando para todos os lados, tentando entender o encantamento de tudo. Até onde eu sabia, ninguém freqüentava o gazebo além de mim. As sementes devem ter vindo parar aqui através do vento. Depois que estava satisfeita com a beleza do gazebo, voltei para casa com o sol se pondo.

Passei pela livraria, dei uma olhada nos livros, comprei três – todos romances –, passei pela padaria enorme e cheia de opções dos mais variados doces com chocolate que se podia imaginar e depois de comprar vários, saí da padaria com várias sacolas que se juntaram as dos meus livros. No caminho para casa, uma chuva - e anormal para a época - começou a cair. Apressei o passo, a fim de não me molhar. Cheguei ao apartamento um pouco molhada, mais não completamente encharcada. Troquei rapidamente de roupas, vestindo meu pijama de calça colorida e a camiseta branca com rosa, enquanto a chuva do lado de fora aumentava. Eu afastei a cortina da janela do meu quarto, passei a mão fechada no vidro embaçado e assim mesmo não consegui ver nada. Era incomum que tivesse tempestades como essa em Cuba e isso me fez ficar apreensiva. Voltei para a sala com um edredom que eu joguei no sofá, atravessei a cozinha e separei todos os meus doces e voltei para me jogar no tapete cheio de almofadas e com o meu edredom fofinho por cima, com o livro aberto sobre o colo. Eu comi devagar, saboreando os doces e as páginas do meu livro de romance. Coloquei o prato ao lado, me envolvendo mais e mais com a leitura. Então tudo mudou.

Eu estava no gazebo, só que não sozinha. Edward estava comigo, sua mão posicionada na base da minha coluna, seu corpo próximo ao meu, o olhar penetrante, as mechas do cabelo dourado caindo pela testa, dando um charme a mais. Ele olhava para todo o meu rosto – testa, olhos, nariz, boca, queixo, bochechas – com um carinho que me fazia corar. E eu, tentava decorar cada parte do seu. A barba por fazer era atraente, dava – lhe um aspecto sério, mais quando o sorriso aparecia em seus lábios, sua expressão se tornava a de um menino travesso.

Sem nenhuma palavra, ele aproximou o rosto do meu. Com um sorriso nos lábios, eu não recuei. Á centímetros da minha boca, ele parou. Bufei. Eu queria tanto quanto ele, então pra quê ficar enrolando? Vendo a minha impaciência, riu baixo e puxou o meu corpo para um beijo delicado, nossos rostos virados em posições opostas, um tendo acesso a boca do outro totalmente. Eu conseguia sentir os meus batimentos cardíacos em nossos lábios, tamanho a nossa sintonia. Querendo mais, suguei seu lábio inferior fazendo que ele enterrasse a mão no cabelo próximo a minha nuca. Nossos lábios se moveram em sincronia, mais eu queria mais, eu queria muito mais. Passei a ponta da língua pelos lábios entreabertos de Edward, que automaticamente me deu passagem. E ficou caloroso. Nesse momento eu percebi o quanto ele havia se controlado, por que agora ele não tinha controle nenhum. Com as duas mãos eu agarrei seu cabelo, querendo – o mais próximo, com mais intensidade, desejo... Eu queria que ele soubesse que eu também estava necessitada desse beijo...

E o sonho mudou...

Como em câmera lenta, eu saia do restaurante com os meus pais, meu vestidinho balançando, segurando na mão da minha mãe, meu pai sorrindo ao meu lado. No momento seguinte, um homem puxou a bolsa da minha mãe, que entregou, meu pai reagiu, houve dois disparos... minha mãe caiu primeiro. O meu grito foi ouvido por toda a rua, que rapidamente se juntou de gente. Umas faziam ligações, uma ambulância chegou e eu ainda estava agarrada a mão da minha mãe...

- Solte – a. – um homem forçou a minha mão.

- NÃO!

Eu acordei. A chuva ainda estava forte, um relâmpago cruzou a sala junto com o meu grito. E novamente eu estava com o rosto encharcado. Estava tudo escuro. Tremendo, procurei pelo interruptor da luz e constatei que havia acabado. Com o medo de fazendo o meu corpo estremecer e com todos os outros fatores que contribuíam, tateei em busca da chave do meu carro na mesinha ao lado do sofá.

Eu sabia para onde eu tinha que ir, onde meu coração encontraria tranqüilidade. A névoa tomava conta da estrada, era difícil enxergar e mesmo com o meu coração disparado, as imagens passando como flashes vivos pela minha cabeça, eu enfiei o pé no acelerador, por que eu tremia, eu estava com medo, e eu não queria tremer, não queria sentir frio... Quando eu cheguei na porta do prédio de Jake, o porteiro que já me conhecia, veio correndo, com a expressão preocupado.

- O que aconteceu? – ele perguntou, olhando – me dos pés a cabeça, enquanto eu pingava na entrada do prédio.

- Eu só preciso falar com o Jacob... – balbuciei, indo em direção ao elevador. Lá dentro eu me abracei, tentando controlar o choro, balançando o corpo para frente e para trás. Quando as portas abriram, eu corri pelo corredor, por que eu queria que a angústia fosse embora. Toquei a campainha seguidamente, soluçando e tremendo, pelo frio e pelo medo. Um minuto depois, ouvi o barulho da chave rodando na fechadura. Quando a porta abriu – se, eu levantei a cabeça, olhei nos olhos de um Jacob perplexo que vestia apenas um short de dormir.

- Bella...

- Pesadelo... – sussurrei.

Rapidamente meus braços que estavam travados ao seu redor, estavam jogados em torno do tronco de Jake, meu rosto enterrado em seu peito, enquanto ele me puxava para um abraço protetor, quente. E eu deixei com que ele me puxasse para dentro do apartamento, fechando a porta com o pé, enquanto eu molhava o chão da sala e tremia. Meu choro que eu pensei que fosse cessar quando encontrasse seus braços, pelo contrario, aumentaram. Ele me ninou e eu não o soltei, por que minhas pernas estavam fracas e eu cairia, por que eu precisava de alguém cuidando de mim, por que eu precisava saber que tudo iria ficar bem, por que eu precisava do Jacob.

- Psiu... vai passar mi bailarina, vai passar. – ele sussurrou no meu ouvido, enquanto balançava nossos corpos, devagar, de um lado para o outro, como em uma dança.

Não sei por quanto tempo ficamos ali, mais meus olhos ainda estavam abertos, inchados, meu rosto no peito de Jake, suas mãos enterradas no meu cabelo fazendo carinho, a outra em volta da minha cintura. As minhas estavam nas laterais do seu pescoço. Com cuidado ele me levou até o sofá e eu me encolhi ao seu lado. A angústia ainda estava ali. Delicadamente, ele soltou minhas mãos que agora estavam agarradas a ele.

- Não me deixe... – sussurrei.

- Eu não vou deixa – lá nunca Bella. Vou apenas cuidar de você. Eu prometo.

Então eu o deixei ir. Puxei minhas pernas para a altura do peito e abracei. Eu tinha que me proteger, mais Jake não demorou. Ele voltou com um cobertor enorme e fofo, um short grande e largo e uma camiseta preta nas mesmas proporções.

- Você precisa trocar de roupa, ainda está toda molhada.

- Eu não quero...

- Você precisa. – ele falou firme. – Pode ficar doente.

E eu troquei a roupa sem mais reclamações. Quando eu voltei para a sala, Jake estava com uma camiseta de linho branca, sentado no sofá. Ele puxou o cobertor e nos cobriu. Os carinhos no meu cabelo recomeçaram, por que ele sabia que isso me acalmava.

- Está melhor?

- Não.

E não precisou falar mais nada, por que ele sabia que só algumas horas faria com que tudo melhorasse. Pra mim só tinha passado minutos. Eu fechei meus olhos, mais não dormi. O corpo de Jake estava quente e junto com o calor do cobertor, me aqueceu. Não sei em que momento aconteceu, nem depois de quanto tempo, eu sei que o carinho no meu cabelo continuou e eu adormeci.

Quando eu acordei, estava numa cama quente e confortável. A luz do sol entrava pela janela, iluminando o quarto. Zonza, sentei levando a mão á cabeça.

- Oie.

- Bom – dia! – ele exclamou, sentando – se ao meu lado. - Você está melhor?

- Sim... eu acho. – respondi com um sorriso fraco.

- Tudo bem, eu vou fazer ficar.

- Jake... – comecei. – Muito obrigada por tudo. Me desculpa por bater na sua porta aquela hora da noite... Oh meu Deus! Eu devo ter te atrapalhado! Que horas são? Você tem que ir para o trabalho? – e tentei levantar, agarrada a colcha da cama.

- Ei, ei, ei. Calma! – ele falou, descansando as mãos nos meus ombros. – São 8:30 hs. Eu deixei você dormir por que eu realmente não sei que horas você adormeceu.

- 8:30 hs?! Eu preciso ir para o Ateliê! – falei rapidamente. – Já estou atrasada.

- Calma Bella. – ele falou firme. – Primeiro: você ainda está de pijama. – e indicou as minhas roupas. – Segundo: Você ainda não comeu. Terceiro: eu não quero que você vá trabalhar hoje.

- Eu vou, não adianta insistir. – respondi.

- Por favor... – ele pediu.

- Jake! É o meu trabalho! – exclamei.

- OK. – respondeu derrotado. - Faz assim, você come o que eu preparei para você e aí então te levo em casa e depois ao Ateliê, tudo bem? – propôs.

- Se você prometer que o que eu vou comer será rápido. Não posso demorar. Detesto atrasos Jake!

- Tudo bem. Vem logo.

Eu comi rápido, com um olhar desaprovador dele e então me levou para casa – e eu vi que a minha expressão estava trágica, por que eu estava pálida - e logo após me deixou na porta do Ateliê.

- Jake... você não falou que me desculpa! Eu te atrapalhei não é mesmo? – falei, passando os braços ao redor da sua cintura. – Me perdoa.

- Bella, você nunca me atrapalha. Sempre que você precisar, eu estarei aqui pra você. – e deu um beijo no meu rosto.


*Cuba Libre – rum branco, cubos de gelo, refresco de cola, gotas de limão.

*Daiquiri – feito com açúcar, suco de limão, gotas de marrasquino, rum branco, gelo picado. É servido em copo de champanhe.


POV EDWARD

Na manhã de segunda-feira, ao chegar ao ateliê, o meu humor não poderia estar melhor. Ou talvez pudesse se eu já tivesse conseguido alguma coisa, mas não importa. Eu estou no caminho pra isso. E além do mais, eu estou adquirindo paciência. Dei bom dia a Lisa, que como de costume me cumprimentou animadamente. Nos primeiros dias eu cheguei a achar que ela estava me dando mole, o que seria bem normal, mas depois percebi que ela só tinha ido com a minha cara mesmo.

- Bom dia. – cumprimentei umas mulheres que subiam a escada ao meu lado, as reconheci da aula de Salsa.

- Bom dia, Edward. – elas responderam em uníssono com um sorriso.

Eu retribuí me questionando como elas sabiam meu nome. Subi os últimos lances de escada depressa. Parecia que quanto mais me aproximava, mais rápido eu queria chegar. Era ansiedade. Não tinha certeza se Isabella estaria tão liberal como na festa naquele dia, se ela deixaria eu me aproximar ou até mesmo conversar com ela. E isso não me agradava nenhum pouco. O desconhecido é incerto e perigoso. Porém, eu consegui sim avançar bastante apenas com aquela dança. E eu não ia desistir. Não depois daqueles sorrisos que ela deu enquanto dançávamos. Sim, o sorriso dela mudava tudo.

Talvez fosse um efeito da dança de salão. Talvez quando ela dançasse, ficasse mais compreensiva e calma. De qualquer modo, hoje era um ótimo dia. Eu sabia que ficar andando pelos corredores sorrindo igual um idiota sem nem ao menos estar conversando com alguém era demasiadamente estranho. Mas era a esperança que fazia isso com as pessoas. Afinal, era meu orgulho que estava em jogo aqui. E agora que eu recuperei minha auto-confiança e lembrei-me que determinação é a chave pra toda e qualquer coisa, eu sorrio sim.

E eu sorri ainda mais ao chegar à porta, e quando eu abri, eu tinha certeza de que o sorriso não poderia estar mais amplo. Ela estava lá, de costas, usando um de seus conhecidos vestidos rodados. Eu não me incomodei em deixar a porta aberta, no momento, só me preocupei em me aproximar dela. Eu já tinha aberto a boca para lhe desejar bom dia, quando ela virou em minha direção. E o sorriso que involuntariamente mantinha no mesmo minuto se desfez ao reparar sua expressão.

Ela estava com uma péssima aparência. Não que influenciasse em sua beleza ou algo assim, mas ela estava apenas diferente de todas as vezes que a vi. Tinha fundas olheiras abaixo dos olhos indicando uma noite mal-dormida, uma expressão cansada como se estivesse a ponto de cochilar mesmo de pé, e os seus olhos estavam sem o brilho característico. Ela não exalava aquela excitação antecedente a uma aula, não tinha as corriqueiras bochechas rosadas e tão pouco parecia estar prestando atenção a alguma coisa em seu redor. Como se sua mente estivesse vagando por um lugar muito distante do Bella Danza em Havana. Eu tive certeza de que tinha acontecido alguma coisa com a minha estrela.

- Bom dia, Edward. – ela saudou parecendo constrangida pela minha evidente avaliação. Eu tão pouco pude deixá-la de lado. A única coisa que eu tinha em mente era saber o que tinha a deixado desse jeito. Nada tinha o direito de deixar a minha estrela triste.

- Bom dia... – respondi olhando fundo em seus olhos, como se fossem me dar a resposta que eu queria. – Você não está bem... O que houve? 

Ela franziu o cenho, para logo após desviar o olhar. Provavelmente confusa por eu não ter perguntado, e sim afirmado que alguma coisa séria a afligia. Eu sabia que não podia exigir que ela revelasse o problema, mas eu tinha absoluta certeza que não havia nenhuma possibilidade de eu fingir não ver que ela não estava bem. Se ela precisasse falar, eu escutaria. Se ela precisasse de ajuda, eu ajudaria sem nem pestanejar. Mas ignorar, eu não faria nunca.

- Bom dia, Bella!! – uma voz animada a cumprimentou e logo após, os outros alunos entraram na sala na mesma agitação de costume, e fazendo o mesmo barulho também. Isabella lhes sorriu minimamente fazendo um esforço tremendo, e eu bufei pra mim mesmo porque agora não conseguiria a informação desejada.

Logo a aula se iniciou, e eu fui obrigado a deixar o assunto de lado por ora. Mas eu não tinha esquecido, e nem ia. Eu seria o último a sair do ateliê se necessário, mas eu falaria com ela. 

 ***

Foi um alívio quando eu chequei pela qüinquagésima vez o relógio, e percebi que a aula estava acabando. Cada minuto que passava só agüentava a minha agonia ao ver que Isabella só estava ali por obrigação, qualquer um notaria que ela não estava com cabeça para aquilo. Houve um pequeno intervalo em que percebi uma aluna insistindo com ela para encerrar a aula ali, mas ela se manteve firme enquanto negava. Ela era tão teimosa! A menina, insatisfeita desistiu quando ela reiniciou a música. Mas assim como eu, não parava de lançar olhares atentos à Isabella. Dava pra perceber que ela era muito querida por todos e que com certeza não era comum aquela sua indisposição.

Finalmente, quando a última música acabou, Isabella deu fim a aula. Imediatamente, todos pegaram bolsas ou pertences que tinham trazidos e que estavam largados a um canto da sala, se despediram dela e saíram. A mesma menina demorou um pouco, pois ainda ficou para falar alguma coisa com a minha estrela. Pela hora em que ela finalmente resolveu sair, eu já batia os pés impaciente. Estava esperando por esse momento há tempos e vem uma para atrasar tudo. Ela se despediu de Isabella com um beijo no rosto e saiu. E então só restou, ela e eu.

Parecia como quando se está na fila do banco em que você tem que esperar a pessoa na sua frente acabar, e então aí sim é sua vez. Era quase similar isso. No mesmo momento em que a garota saiu, eu fui até a minha estrela. Ela me encarou quase irritada talvez já sabendo o que eu ia fazer. Provavelmente sabia. E caminhou em minha direção também, apressadamente como se me dissesse ‘Fale rápido e não me amole mais’. Ela parou em minha frente e cruzou os braços com aquela expressão característica nada amigável. Eu não dei a mínima pra isso. Ela só queria me fazer crer que estava bem e como sempre esteve. E como o seu ‘bem’ era irritada comigo...

- É sempre você que continua aqui, não é Edward... – ela murmurou como um lamento e uma repreensão por eu estar sempre atrás dela.

- E eu vou continuar aqui pra você até que me mande embora. – respondi sem deixar me afetar nem um minuto por sua frase. Era a verdade. Logo pensei que ela poderia simplesmente me mandar embora e resolver o problema, mas não o fez. Ela só desviou o olhar, não conseguindo mais sustentar a suposta irritação. – Eu sei que talvez não queira, mas se por um acaso você quiser me contar o que aconteceu, eu ficarei muito feliz em te ouvir.

Ela tornou a olhar pra mim e mordeu os lábios. Eu lutei para não começar a fantasiar com aquele gesto porque era exatamente o momento errado para aquilo, e com algum esforço consegui. Ela suspirou após um tempo foi até o banco de madeira que tinha em todas as salas, se sentando e descansando as mãos no colo. Ela parecia tão frágil, e triste, e desprotegida. Parecia só precisem para cuidar dela. Eu poderia ser esse alguém. Eu fiz a mesma coisa, sentando ao seu lado e esperei pacientemente até ela se sentir decidida o suficiente para falar.

- Não é nada. É só... É uma besteira. – ela balançou a cabeça como se fosse uma coisa sem importância. E se realmente fosse, ela não estaria daquele jeito oras.

- A coincidência é que eu tenho muito tempo livre para ouvir várias besteiras. Então não se acanhe. – dei de ombros. Ela sorriu um meio sorriso que passava longe de apresentar alguma diversão. – Você não precisa ter pressa. Eu não tenho. Leve o tempo que quiser. E eu prometo que vou tentar não dormir. Tudo bem?

- Em algum momento você pára de fazer gracinhas? Sabe.. Só pra eu ficar informada. – ela forçou uma expressão zangada. Eu dei de ombros. Ela balançou a cabeça com outro meio sorriso. E apesar de ser um ainda triste, eu fiquei satisfeito por já ter conseguido alguma coisa para deixá-la menos infeliz. – Tudo bem. – suspirou. – Eu tive um pesadelo. Com meus pais.

Ela parou de falar e suspirou novamente com uma expressão infeliz, como se estivesse lembrando. Eu assenti. Devia ter imaginado que era algo com os pais dela. Eu só tinha visto Isabella quase como está agora quando ela assistia ao vídeo dos pais. Era algo que a saudade estava escondendo, mas ainda assim dava pra notar.

- Eu disse que era besteira. – ela encolheu os ombros interpretando errado o meu silêncio.

- Não é uma besteira. Eu só... Estava pensando no que dizer.

- Não precisa dizer nada. Você escutando já é uma grande ajuda. – respondeu. Eu sorri involuntariamente. – Isso não é incomum. Eu tenho pesadelos com eles constantemente. Dá até pra acostumar. São sempre da noite que eles foram assassinados. Mas parece que cada vez fica pior. – contou com pesar.

- O que faz quando acontece? – ela estranhou minha pergunta, franzindo o cenho. – Digo.. Você disse que é freqüente...

- Aah... – murmurou. – Geralmente eu vou pra casa de Jake. Ele tem paciência pra cuidar de mim, digamos assim... Nunca se incomodou por eu aparecer na casa dele no meio da noite, assustada. Pelo contrário.

- Hm... – murmurei pra alertá-la de que tinha ouvido.

Embora gostaria muito de voltar atrás e não ter perguntado nada. Eu não podia me dar ao luxo de ficar irritado logo naquele momento. Mas era meio que inevitável quando a resposta de tudo agora parecia ser ele. Não perder a cabeça, não perder a cabeça. – Fechei os olhos enquanto repetia mentalmente para ver se isso se transformava em eco.

- O que foi? – ela perguntou.

- Nada... – respondi automaticamente. Isabella não acreditou, mas também não insistiu. Eu tinha que me concentrar nela. Ela que importava ali. Somente ela. – Você reza antes de dormir?

- O quê?

- Você reza antes de dormir? – repeti. Ela franziu o cenho novamente e pensou.

- Hm... Não. Eu costumava rezar, mas... – ela não terminou, constrangida por admitir.

- Isso pode ajudar, sabe... – aconselhei casualmente. Eu não era a pessoa mais indicada para falar sobre religião. Até meus pensamentos eram pecaminosos algumas vezes. Era como uma ofensa. – Minha mãe... – eu interrompi a frase de imediato. Eu realmente não gostava de falar nisso. Mas era para o bem dela. E se fosse para o bem de Isabella, eu faria. – Ela era muito religiosa. E quando eu era criança, eu tinha muitos pesadelos e tudo mais... – pausei novamente. Por que eu não conseguia falar nisso uma vez sem agir assim? Era um atestado de fraqueza. – Enfim... Ela sempre rezava comigo. E funcionava.

Isabella ficou um longo tempo me encarando. Eu não sabia se ela tinha percebido a minha dificuldade pra falar naquilo e estava pensando em como um homem podia ser tão fraco assim. Eu odiei essa possibilidade. Não sabia se ela estava achando uma infantilidade ou se ela realmente não acreditava nisso. Mas o silêncio estava me deixando desconfortável. Vulnerabilidade era algo que eu detestava sentir.

- Eu só falei por que funcionava comigo... – dei de ombros. – Não precisa tentar se não quiser.. Quer dizer... Se você achar muito...

- Não... – ela me cortou gentilmente. – Realmente pode resolver... – continuava olhando pra mim daquele jeito que eu não conseguia decifrar. – Obrigada, Edward. 

- Não precisa me agradecer. Eu só quero ver você bem, Isabella. Se você fizer isso, eu nem te cobro pelo conselho. – sorri. Ela riu e revirou os olhos.

- Pode me chamar de “Bella”.

- Sério?

- É. – ela deu outra risadinha do meu entusiasmo.

Pra ela poderia não ser nada, mas pra mim era uma grande coisa de verdade. Eu assenti ainda sorrindo abobalhadamente. Era um grande passo. Foi ela quem me pediu para chamá-la assim. Isso é muito bom. Muito bom mesmo.

- Aah! Eu tenho outra aula agora... – ela ficou de pé num salto olhando o relógio. – A culpa foi sua, sabe... Estava me atrasando.

- Você está bem pra isso? – arqueei a sobrancelha. Ela suspirou e deu de ombros.

- É o meu trabalho, eu não posso escolher. – respondeu enquanto me empurrava apressadamente pra fora da sala junto a ela.

- Um dia de folga não faz mal, Bella. – insisti. – Por que não reconsidera?

- Não, Edward. – ela teimou. É claro, por que ela era uma teimosa. – E ande mais rápido. Eu preciso ir.

- Bella. – eu parei de andar e virei pra ela. Imediatamente percebendo o quão próximos nós ficamos. Tão perto daqueles lindos olhos verdes e daquela boca... E.. Chega! – Tem certeza de que vai ficar bem?

- Se perguntar isso mais uma vez, você é quem vai ficar mal. – avisou enquanto tentava me fazer voltar a andar. Eu não saí do lugar. – Eu vou ficar bem, Edward. Pare com essa sua preocupação exagerada.

- Não é exagerada. – ela fez uma careta pra minha frase. – Se cuida, está bem?

Eu me aproximei e dei um beijo rápido em sua bochecha. Não era exatamente onde eu queria beijar, mas de qualquer forma era alguma coisa. Ela abriu a boca como se fosse dizer alguma coisa, mas no momento em que nossos olhos se encontraram novamente, ela corou o rosa mais bonito que eu já tinha visto. Eu sorri pra ela e fui embora.


POV ISABELLA

Sim. Eu estava ferrada. Eu já tinha chegado a essa conclusão. Não tinha como resistir a Edward quando ele me tratava assim! Simplesmente não tinha como! Por que ele tinha que se preocupar assim comigo? Por que ele tinha que ser tão lindo? Por que conversar com ele me fazia relaxar? Por que ele falava coisas que eu nunca imaginei saírem da sua boca?

Depois que ele saiu do ateliê, foi como se o ar tivesse ficado pesado. Não tinha mais a leveza de quando ele estava comigo. Meu estômago afundou e eu pensei na possibilidade de ir embora... Mais logo desisti, quando vi o olhar ansioso dos meus alunos a me esperar. Eu sei que alguns mais atentos perceberam que algo estava errado, mais tentei ao máximo não me deixar abater.

O dia foi longo e quando acabou eu estava realmente cansada, muito mais emocionalmente. Quando eu terminei com a ultima aula do dia, encostei um braço na parede e a outra mão pus na testa suada. Fiquei ali, de olhos fechados, tentando aliviar a dor da minha cabeça. Estava tão concentrada, que não percebi quando Rose e Alice entraram.

- Tudo bem? – Alice perguntou, se aproximando.

Levantei a cabeça e dei um sorriso fraco.

- Sim. Apenas cansada. – respondi.

- Isso dá pra perceber. Quer uma carona? – Rose perguntou.

- Seria maravilhoso. – respondi. – Só vou arrumar a sala e já desço.

Organizei rapidamente minha sala e quando cheguei a porta, olhei para trás, antes de desligar a luz, lembrando – me dos conselhos de Edward.

Fechei as portas do ateliê e desci as escadas, me acomodando no banco traseiro do carro da Rose. Elas conversaram coisas comuns, falaram um pouco sobre determinadas aulas e como às vezes era difícil estar no papel de professora.

Elas então começaram um papo muito animado sobre como Emmet e Jasper eram bons em fazer isso e aquilo, principalmente quando o assunto se tratava de contato físico. Eu me mantive calada. Me sentia desconfortável em não fazer parte do papo e também não queria incomoda – lás.

- Bella, cadê seu carro? – Alice perguntou, curiosa, virando o corpo para poder me olhar, já que eu estava calada. Não que eu não quisesse falar com elas, era apenas o cansaço mesmo.

- Hum... Eu não dormi em casa hoje... – respondi vagamente, sem me tocar realmente no que eu tinha acabado de falar. O carro guindou um pouco, quando Rosalie se virou também para olhar para mim.

- Eu não acredito! – ela exclamou, agora prestando atenção na estrada e me olhando através do retrovisor. – Onde você passou a noite? – questionou, enquanto Alice quicava, a curiosidade consumindo – a.

- Hãm? – perguntou distraída.

- Você dormiu com Edward, não é verdade? – Alice perguntou.

- O quê? – exclamei, com o meu coração martelando.

- Como você não falou nada para nós? – Rose exclamou, com um quê de ofensa na voz.

- Vocês estão ficando loucas? – perguntei. – Eu apenas dormi na casa do Jake! De onde você tirou que eu dormi com Edward?

- Aaaahh! – exclamaram as duas em decepção. – Mas com o Jake, rolou nada? – Alice perguntou.

- Eu me recuso a responder essa pergunta. – respondi acidamente. – Quantas vezes terei que repetir que nada acontece entre eu e o Jake?

- OK – Alice falou. – Mas, então... Fiquei confusa agora. O que você foi fazer lá?

- Pesadelos. – falei baixinho.

- Ohhh! – foi o único som que saiu da sua boca. Elas sempre souberam dos meus pesadelos e o quanto eles eram reais. Rose me olhou com uma expressão de preocupação pelo retrovisor do carro. - Não falaremos mais sobre esse assunto.

Depois disso, elas realmente não tocaram mais no assunto e o silêncio se estabeleceu no carro. Me deixaram na entrada do prédio, - falando que eu poderia ligar a qualquer hora - eu agradeci e fui para o meu apartamento, atrás de um banho e cama. Quando eu finalmente pude relaxar com o banho, me joguei na cama, adormecendo.

***

Três dias se passaram tranquilamente – sem pesadelos -, o que me fez ficar imensamente aliviada e bem disposta. Todos os dias que Edward chegava para as aulas – fossem elas ou não particulares – me brindava com o sorriso que eu já tinha elegido como o meu favorito. Ele deu algumas indiretas e por vezes me olhava tão intensamente que eu corava, o que fazia ele rir e passar dois dedos pela minha bochecha. As aulas particulares estavam mais alegres e divertidas. Ele dançava maravilhosamente bem, então eu sentia que ele estava ali mais para diversão e pedia internamente que também fosse para ficar perto de mim.

Alice e Rose, como boas observadoras, notaram a diferença do meu humor e eu via como elas cochichavam ao meu redor. Eu ria toda vez que via essa situação. Elas observaram que eu saia feliz das aulas particulares e que ele também estampava um sorriso muito digno de felicidade. A verdade é que eu queria falar com elas sobre Edward, mais eu também não sabia quais eram os meus reais sentimentos por ele. Queria falar que saímos... que conversamos fora do ateliê... Mas ao mesmo tempo, duvidas passeavam constantemente pela minha cabeça. Eu não queria me envolver com alguém... não depois da traição, o medo ainda era alto... não por que eu sabia que dentro de algumas semanas ele estaria indo embora... não por que era o Edward... Eu tentava de todas as maneiras encontrar argumentos dentro da minha cabeça para não me envolver com ele, mas tudo se dissipava quando ele entrava na sala e falava: “ Boa – noite Bells.” O que eu sabia era que eu queria irrevogavelmente sentir aqueles lábios nos meus...

E depois que eu entrei na sala cantando, não teve desculpa. Fomos obrigadas a convocar a noite das dançarinas. Quando demos por encerrado as aulas do dia, elas rapidamente me arrastaram para o carro, eu segurando a pequena bolsa com pijama. E foi como se nada no mundo pudesse nos deixar infelizes. Cantamos como crianças, aos berros e vários carros buzinaram quando o sinal abriu ao ver que eram três lindas e belas mulheres que estavam ali. Decidimos que o apartamento escolhido foi o da Alice. Elas estavam ansiosas, mas provavelmente não tanto quanto eu para contar tudo que tinha acontecido nos últimos dias. Enquanto eu tomava um banho e vestia meu pijama, Alice arrumou as besteiras para que pudéssemos comer e a Rose a sala com as nossas almofadas e tapetes. Depois partiram para o banho também.

Quando todas estavam devidamente banhadas, sentamos as três no chão, eu encostada no sofá com uma grande travessa de chocolate. Elas estavam sentadas na minha frente, a ansiedade estampada nos rostos.

- Desembucha. – Alice falou.

- O que vocês querem saber? – perguntei, me fingindo de desentendida.

- Pelo amor né Bella? Você e Edward!! Esse sorriso bobo nos seus lábios, você cantarolando por aí como um boba apaixonada. Seus olhos brilham simplesmente quando ouve o nome dele. – Rose citou. É, não tinha como tentar esconder. Suspirei.

- Tudo bem. Eu e Edward nos aproximamos muito de uns dias pra cá. – comecei. - Não sei por que mais eu consegui... hum... falar sobre os meus pais com ele e sobre tudo que aconteceu. Ele me viu assistindo um vídeo deles no Ateliê e como eu estava emocionada. Eu não consegui não tocar no assunto. Foi meio que automático, sabe? Ele não me forçou a nada, eu fui falando naturalmente. Vocês sabem que eu só falo sobre esse assunto com o Jake e vocês... Edward conseguiu com que eu falasse com ele também.

- E eu pensando que vocês se odiassem... – Alice comentou.

- Ali, você tem razão. Eu não gostava do Edward, por que ele era um grosso, arrogante, insuportável!

- Mas...? – Rose instigou.

- Eu não sei como ele está fazendo isso! – exclamei, passando as duas mãos pelo meu cabelo e dando um sorriso nervoso. – Eu detestava quando ele falava “Boa – Tarde Professora.” Nas danças ele continuava a ser o mesmo Edward de sempre. Só que... – eu me perdi nos meus pensamentos. - ... parece que algo mudou. E andou acontecendo algumas coisas... Eu estou muito confusa com tudo isso!

- O que aconteceu, o que aconteceu? – Alice insistia.


                                                            Flashback

- Você? Sabe dançar forró? – questionei desdenhando de sua afirmação anterior. Não havia a menor possibilidade de Edward saber dançar e eu não.

- Não me subestime, Bella. – ele sorriu aquele sorriso irritante.

Eu cruzei as pernas e os braços, e virei o rosto. Ele deu uma risadinha. Aquela situação era impossível. Maldita hora em que fui confessar pra ele que tinha dificuldades pra dançar forró. Eu era a professora ali. Eu

- Desfaz o bico, Bells. Eu posso te ensinar.. – ele tocou meu braço tentando me persuadir a olhar pra ele.

- Que isso de “Bells”? – arqueei a sobrancelha. – E eu não preciso que me ensine nada. Eu sei dançar. Só tive um pouco de dificuldade quando criança. 

- OK. – ele ergueu as mãos em defesa. – Então, já que você sabe... Podia dançar comigo, afinal... Você tem o tempo livre agora. E eu também. E como você nunca se cansa de dançar... – sugeriu. Eu o encarei buscando algum sinal de deboche em sua expressão, mas ele estava sério.

- Tudo bem. – respondi com um suspiro.

Ele sorriu abertamente daquele jeito que sempre fazia, como se tivesse ganhado alguma coisa muito esperada. Não pude evitar sorrir também porque a expressão dele era cômica. Eu então escolhi um CD e coloquei pra tocar. Ele já estava no meio da sala esperando por mim. Eu mordi os lábios e fui até ele, pesando a possibilidade de isso ter sido uma péssima idéia.

O orgulho falou mais alto quando ele sugeriu que dançássemos. A única forma de mostrar pra ele que sabia mesmo era na prática. Ele passou o braço por minha cintura e me puxou pra ele. Eu ofeguei não esperando por isso, mas não disse nada. A música começou. Ele nos girou no ritmo e eu me desesperei. Porque passar vergonha era pior do que admitir que eu tinha mentido.

- Tá bom, tá bom. Eu não sei dançar forró. – falei rápido. Ele balançou a cabeça e riu, antes de se desvencilhar de mim e ir dar stop no som. Achei que ele debocharia, mas felizmente não o fez. - Só pra lembrar: Isso é uma exceção. Continuo sendo a professora aqui, certo?

- Certo, prometo que não vou me iludir... – ele riu. – Ok. Forró nordestino ou universitário?

- Tem diferença? – perguntei sem graça. Eu era mesmo uma ignorante nisso, mas não por falta de tentativa.

- Sim. O forró nordestino é mais... – procurou por uma palavra. – Sensual. Tem mais malícia e exige mais cumplicidade dos parceiros. O universitário tem mais evoluções, mais "passos".

- Hm... – parei para pensar. – Quero os dois!

- Tá bem. – riu.

Primeiro fizemos sem a música. Ele me mostrou os passos básicos e a maioria deles, eu já conhecia. Treinamos estes e depois com a música. Parecia que ela trazia algum tipo de tensão e acabei errando algumas vezes. Na terceira vez, já estava totalmente sem paciência. Eu detestava errar. Mas Edward insistiu pra eu não desistir e se dispôs a continuar tentando comigo até que certei duas vezes seguidas. Foi uma vitória.

Quando eu já tinha “pego o jeito”, ele disse que ia avançar um pouco. Foi o momento em que me arrepiei. Ele afirmou que era o nível intermediário e que nele tinham muitos passos com jogo de braços. Já comecei errando, só pra variar. Em alguns momentos, eu achei que ele estava pegando leve pra não me frustrar, e aí eu reclamava que era pra ele me ensinar direito. Ele ria e se desculpava.

Uma coisa eu com certeza aprendi. Os movimentos do forró tinham uns nomes bem estranhos. Estávamos treinando “o avião”. Aquele troço era difícil demais. Eu já tinha de me concentrar em não ficar tonta com todas as voltinhas que eram necessárias e ainda precisava me preocupar em fazer as voltinhas com os braços.

- Ah... Podemos pular esse? – pedi já de saco cheio de errar. Eu sempre acabava soltando as mãos dele porque meus braços enrolavam de uma forma que eu não conseguia nem entender.

- Não. – ele sorriu amigavelmente. – Eu já falei pra você fazer devagar, mas você não me escuta.

- A dança não é no ritmo tartaruga, Edward. Com a música tem que ser rápido.

- Nós já estamos na música? – perguntou. – Não. Então pare de resmungar e siga o que estou dizendo. Não adianta querer atropelar tudo.

- Você está se achando muito... – ele revirou os olhos. – Ah, vamos pular só esse. Por favor. – fiz manha.

- Tá, Bella. – suspirou. – O que não me pede sorrindo que eu não faço sorrindo também?

Eu ri e dei de ombros.

- Vamos fazer o “Cambret”.

- Hm... E esse é fácil? – perguntei desconfiada. Ele assentiu. – Ok.

Era sim fácil. Era a levantada da perna – na qual por um breve momento a colocava na altura do quadril dele – e jogar o corpo e a cabeça pra trás. Depois fizemos o velcro. Outro movimento em que temporariamente minha perna ia na altura do quadril dele e pra aumentar, tínhamos que dar uma reboladinha. Não pude deixar de cair na risada ao ver o Edward rebolando. Eu já tinha feito isso várias vezes e ele sempre me encarava cerrando os olhos. Com isso, eu me calava.

Depois de eu ter conseguido mais ou menos executar certo o passo do avião, – tendo descoberto que o movimento “mochila” era triplamente mais complicado – nós testamos com a música. A primeira, segunda, terceira e quarta vez foram uma desgraça. Lá pela quinta, eu já estava tendo algum sucesso em controlar minha raiva e fazer alguma coisa certa.

- Como você sabe dançar, Edward? – perguntei enquanto girava. Felizmente, eu já tinha vencido a tontura.

- Eu já fiz aulas de dança.

- Mesmo? – ele assentiu. Eu franzi o cenho. – Então por que está fazendo de novo? – ele sorriu antes de responder.

- Achei que sabia.. – murmurou. Eu balancei a cabeça. – Por sua causa, é claro.

- E por minha causa por quê? – franzi ainda mais o cenho.

É claro que eu tinha percebido que o fato de ele fazer todas as minhas aulas não era necessariamente uma coincidência. Mas pensei que ele gostava de me provocar, porém o tom de voz que usou sugeria algo mais. Ele ampliou o sorriso, agora com um toque de malícia, e não respondeu. Eu engoli em seco e não insisti. Talvez fosse mais óbvio do que parece afinal. Eu lutei para não sorrir também, e principalmente, para ignorar a minha evidente aceleração cardíaca.

                                                       Fim do Flashback

- O QUÊ?? – Rose gritou. – Ele está fazendo as aulas por sua causa? – perguntou incrédula.

Afirmei com a cabeça completamente sem graça.

- Foi o que ele falou. E tem mais. Ele tem ciúmes do Jake. – respondi com um sorrisinho.

- Ciúmes? Do Jacob? – Alice perguntou.

- Sim, eu não sei parece que eles já conhecem. Ou o Edward conhece ele.


                                                            Flashback

- É aqui. – abri a porta e saí do caminho pra Edward entrar. Ele sorriu largamente e entrou.

Ele imediatamente correu os olhos pela minha sala parecendo por algum motivo maravilhado. Eu estava um pouco insegura. Era uma coisa muito pessoal. Na verdade, eu passava mais tempo aqui do que qualquer outro lugar, mas como eu deixei escapar que Alice tinha feito questão de registrar fotos de todos os meus concursos e campeonatos, ele ficou curioso pra ver. Não se ofereceu pra vir aqui, é claro. Mas eu o convidei a vir.

Na verdade, eu poderia simplesmente ter pego o álbum e mostrado a ele lá fora, mas por algum motivo eu queria que ele conhecesse. Eu rapidamente fui até minha mesa e comecei a vasculhar as gavetas à procura do álbum. Edward continuou parado no mesmo lugar com as mãos nos bolsos e o tão característico sorriso no rosto. Por diversas vezes me pergunto o porquê dessa reação dele à coisas tão simples. Eventualmente ele notou os troféus que eu mantinha na estante, e se aproximou desta para olhar melhor. O olhar dele beirava algo entre o orgulho e a admiração.

- Achei! – exclamei até um pouco aliviada. Já começava a pensar que eu tinha levado pra casa e me esquecido disso.

Sentei no pequeno sofá ao lado de minha mesa e logo ele se juntou a mim encarando com entusiasmo o álbum em minhas mãos. Eu ri e balancei a cabeça estendendo até ele que no mesmo momento segurou.

- Não repare em algumas em que eu provavelmente estou com umas caras horrorosas. Alice tirava fotos sem eu notar. – revirei os olhos.

- Eu duvido que você em alguma ocasião fique horrorosa, Bella. – respondeu com muita certeza. Eu corei.

- Hm... Você nunca me viu de manhã cedo quando acordo. Mudaria a sua concepção, tenho certeza. – dei de ombros. Ele sorriu e abriu a boca para dizer algo, mas desistiu no meio do caminho e tornou a fechá-la. Eu tinha quase certeza que era alguma coisa que iria me constranger.

Ele começou a folhear o álbum, fazendo as expressões mais engraçadas a cada foto. Eu sorria enquanto observava junto com ele relembrando daqueles dias. A ansiedade, o nervosismo, o medo, mas sobrepondo tudo, a determinação. A dança foi sempre tudo o que eu quis fazer, e eu sabia que era boa no que eu gostava, independente de qualquer nota ou resultado.

- Eu ainda vou ter uma foto segurando um troféu de primeiro lugar num Mundial. Pode acreditar. – falei sorrindo. Afinal, um prêmio nunca era subestimado ainda assim.

- Não tenho dúvidas disso. – ele retribuiu o sorriso olhando pra mim daquele jeito especialmente Edward de olhar.

Ele passou outra página do álbum e eu sorri quando me vi dançando com o Jake. Foi o primeiro campeonato que ele tinha sido meu parceiro e nós ganhamos, porque apesar dele não ser profissional, dançava excepcionalmente bem. Até aquele momento o meu parceiro tinha sido Alejandro, meu ex-namorado. Alice tinha conseguido escanear as fotos e embaçar apenas o corpo dele, de forma que a única que podia se distinguir era eu. Tinha consciência de que Edward tinha estranhado em algumas fotos enquanto eu dançava, que meu suposto parceiro era um borrão, mas felizmente ele não teceu comentários a respeito.

Percebi também a sua mudança de expressão quando olhou pra minha foto com Jake. Eu franzi o cenho porque não me lembrava de jamais tê-los apresentado, mas deixei passar. Ele rapidamente passou de página outra vez e lá estava uma de minhas fotos favoritas. Também era uma minha e de Jake.

- Eu adoro essa! – apontei enfatizando a foto. Estávamos num Mundial, fazendo um movimento que eu realmente pensei duas vezes em fazer. Ele tinha que me girar e pegar no ar, e se eu não confiasse totalmente que ele não me deixaria cair, nunca teria feito. Perderíamos muitos pontos e eu ainda iria voltar pra Cuba enfaixada da cabeça aos pés.

- Hm... É... – pigarreou. – É bonita.

- Qual o problema, Edward? – perguntei incomodada com a sua expressão. Ele balançou a cabeça e murmurou um ‘nada’ nenhum pouco convincente. – As duas vezes que eu falei de Jake você fez essa cara. Vocês se conhecem? – franzi o cenho. Se eles por acaso tivessem se conhecido, provavelmente não iriam se dar bem mesmo. Duas personalidades tão fortes assim se repelem.

- Não, eu não conheço o Jake. – ele nem fez questão de esconder o desgosto de dizer o nome dele. Ou talvez tenha sido o apelido.

- O nome dele é Jacob. É meu primo. E meu parceiro de dança.

- Eu sei disso, Bella. – respondeu num tom de quem queria encerrar o assunto enquanto passava a página – com mais força do que era necessário – e se deparava com mais duas fotos, minha e de Jake.

Ele suspirou e olhou pra mim. Eu estava com uma sobrancelha arqueada simplesmente confusa por esse comportamento dele com uma pessoa que nem conhecia. Eu não estava gostando nada disso.

- Me desculpa, tudo bem? – lançou-me um olhar arrependido.

Eu desviei o olhar e não respondi. Eu não queria pedidos de desculpa, eu queria saber o porquê dele ter agido assim. Cruzei os braços e não pude evitar a expressão irritada que se formou em meu rosto. Ele suspirou em frustração.

- Você já teve alguma coisa com ele? – perguntou quase com medo de que eu o ouvisse. Franzi o cenho e tornei a olhar que ele, que tinha voltado seu olhar ao álbum, mas claramente não prestava nenhuma atenção.

Então foi como um ‘click’ na minha mente. Como uma peça de dominó casando uma com a outra. Era tão ridiculamente óbvio que chegava a ser difícil de notar. Faz algum sentido? Um lado de minha boca se curvou em um sorriso que eu tentei evitar antes de desistir e cair na gargalhada.

- O que foi? – perguntou franzindo o cenho.

Isso me fez rir ainda mais alto. Era incontrolável diante da situação, fora que a descoberta daquilo me fez sentir uma satisfação tão grande que me faria rir de um jeito ou de outro. O ar fugiu dos meus pulmões, meus olhos já lacrimejavam enquanto eu tentava me controlar. Ele já estava me encarando preocupado, mas ainda confuso.

- Você... Você... – respirei fundo tentando ignorar o impulso de continuar a dar altas gargalhadas. – Você está com ciúmes...

Ele arregalou os olhos e balançou a cabeça ‘não’ freneticamente. Eu voltei a gargalhar da expressão desesperada que ele tinha no rosto. Como se fosse arruinar a sua vida a confirmação daquilo.

- Sim, você está. – balancei a cabeça ‘sim’, e ele balançou a cabeça ‘não’ novamente.

E ficamos nessa por longos minutos até ele perceber o quão idiota aquilo era e desistir. Eu sorri abertamente. Edward era infinitamente bom em uma coisa, eu podia garantir: Ele definitivamente sabia como alimentar o meu ego.


                                                       Fim do Flashback

- Oh meu Deus! Já aconteceu tudo isso?

- Sim. Só que eu realmente não sei por que eu estou deixando isso acontecer ou por que estou deixando ele entrar na minha vida!

- Isso é obvio Bella, você está apaixonada. – Alice falou.

- Mas... mas... eu... não deveria...

- Por que não? – Rose perguntou.

- Edward não é pra mim. Eu o quero, mas apenas por um momento... eu acho. Eu não sei! Eu estou confusa quanto aos meus sentimentos. Ao mesmo tempo que eu quero fico tentando falar pra mim mesma para não me envolver.

- Por que não se envolver Bella? Edward é lindo, simpático, faz você se sentir bem? – Ali perguntou quase irritada.

- Sim, mas você se esqueceu que ele vai embora?

- Você não precisa prometer nada pra ele. – Rose interrompeu antes que a Alice pudesse rebater. – Vocês dois não precisam prometer nada um ao outro.

- O problema é se eu não conseguir cumprir com a minha parte, meninas. Não é tão fácil. Vocês sabem que eu não entro levianamente em um relacionamento e que para eu me envolver, é por que realmente quero aquilo pra mim. Eu não quero mais sofrer, eu quero ser feliz. E me envolver com Edward é saber que eu só terei uma felicidade momentânea.

- Bella, me desculpa. – Rose começou. – Você está sendo infantil. – olhei ofendida pra ela.

- Sim, está. – Alice concordou.

- Eu estou apenas me protegendo.

- Não, você está se privando. Fica ai falando que quer ser feliz e isso e aquilo e não está deixando Edward entrar na sua vida. Bella, sofrimentos todos passamos, você sabe disso. Se Edward está mesmo querendo ficar com você, por que não dá uma oportunidade pra ele? Acho que você tem o direito de tentar e tem o direito também de deixar ele mostrar como ele é pra você. Não estou falando que você tem que “Oh meu Deus, Edward é o homem da minha vida, sem ele eu não vivo!” Não é isso. Você pode muito bem se relacionar com ele e sempre se lembrar que ele não vai ficar aqui para sempre. O que você dois podem viver juntos vai ser marcante para os dois. Não é como se vocês fossem se casar.

- Vocês realmente acham isso? – perguntei.

- Sim. – As duas responderam juntas.

- Então... tem mais pra contar... Eu jantei com ele. – e corei violentamente.


                                                         Flashback


Estava descendo a escada ao lado de Edward e logo pude notar que estávamos sozinhos no ateliê outra vez. Eu mordia os lábios nervosamente, tentando não deixá-lo notar. O pensamento de que talvez eu tenha me enganado quanto ao fato de ele estar interessado em mim ainda ecoava na minha mente. Ele nunca mais tentou nada comigo. Não que eu o quisesse me assediando por aí, mas também não que eu fosse totalmente contra. Confusa? Apelido

Cedo demais, alcançamos o primeiro andar. O meu conflito mental felizmente não tinha influenciado na minha coordenação motora que já não era das melhores. Eu não precisava tropeçar na escada e sair rolando na frente dele de jeito nenhum. A situação já estava bem ruim do jeito que estava.

- Até amanhã, Bells. – ele se aproximou de mim e eu parei de respirar, pra ele colocar a mão no meu rosto e me dar um beijo na testa. Quase, muito quase eu rosnei de frustração. Ele sorriu e se afastou.

Eu abri a boca pra dizer algo e a fechei. Abri de novo e fiz a mesma coisa. Mordi os lábios o vendo ir embora e sentindo uma agonia crescer dentro de mim. Antes que eu sequer mentalizar o que estava fazendo:

- Hm... Edward?

- Sim? – ele virou pra mim com um sorriso. Um bolo se formou na minha garganta. O que diabos eu estava fazendo? Não era eu quem devia fazer isso. E além do mais, eu não estava desesperada a esse ponto. Não que eu estivesse desesperada. Eu nunca estava desesperada. – Sim? – repetiu.

- Er... – engoli em seco. Isto era tão errado. – Você... Vai fazer alguma coisa agora?

Ele franziu o cenho e eu me arrependi imediatamente de sequer ter pensado e cogitado essa maldita possibilidade.

- Não... – respondeu ainda confuso. – Quer dizer... Eu ia encontrar o Emmet e o Jasper, mas...

- Ah, então tudo bem. Nos vemos depois. Até amanhã. – atropelei as palavras enquanto tentava falar rápido, e já virava pra entrar na minha sala, cavar um buraco e me enfiar lá dentro até que alguém desse por minha falta. Mas, droga, ele continuou:

- Por quê?

- Não.. Não é nada... – balancei as mãos banalmente, mas ele continuou olhando pra mim com uma expressão de “Você não vai escapar tão fácil assim” – É... Só... Pensei que talvez... Eu... Você... Comer... Er... – parei pra respirar fundo. – Não está entendendo, está?

- Honestamente não.

- Hm... – suspirei. – Esquece. É só... Besteira minha.

Eu fiquei ali parada, apenas esperando que ele desse meia volta e fosse embora. Mas não, ele continuou me olhando e tentando decifrar o que eu tinha dito. Não levou muito tempo ou talvez eu tenha perdido a noção mesmo até um brilho de compreensão passar por seus olhos. O sorriso mais lindo se formou em seu rosto.

- Está me chamando pra sair?

- Não! – neguei quase instantaneamente. – Não é isso... Eu não faria isso... Quer dizer, não é não fazer por que eu não quero... É porque eu não faço isso.. Digo... – ele começou a rir.

- Vamos fazer assim... – ele se aproximou, e segurou minhas mãos, ainda sorrindo aquele sorriso terrivelmente especial. – Bella, você quer sair comigo?

- Sim. – eu não me lembrava de ter formado a palavra na mente. Quando notei, ele já tinha ampliado o sorriso. – Só espera eu pegar minha bolsa...

Eu praticamente corri até a minha sala. Não acreditava no que tinha acabado de acontecer. Mas a minha expressão e sorriso idiotas estavam ali para confirmar. Fui voando até o banheiro ver se eu conseguia fazer-me mais apresentável. Sempre deixava um estojinho de maquiagem na minha sala para uma dessas emergências. Rapidamente tentei me arrumar e saí. Ele estava ao telefone.

- Eu já sei, Emmet... – falou em uma voz entediada. – Eu sei... Não sou idiota... – neste momento ele percebeu minha presença e voltou a sorrir, desligando o celular imediatamente não necessariamente percebendo o que estava fazendo.

Ele ficou um tempo olhando pra mim, e eu corei profundamente. Ele riu e estendeu a mão em minha direção, eu a segurei e ele entrelaçou nossos dedos. Foi uma ótima sensação e dessa vez, fui eu quem ampliei o sorriso.

Levou algum tempo até eu conseguir convencer o Edward a sentar logo no banco do carona. Era ridículo o fato de ele insistir que era errado eu dirigir, e ele sentar no lado do passageiro. ‘Sempre é o homem que deve dirigir, Bella. Todo mundo sabe disso’ Não era necessariamente ciúme do meu carro, afinal ele já o dirigiu uma vez. Era questão de consciência.

E além do mais, ele era tremendamente machista. Eu fiquei atenta só esperando pra ver se ele insinuaria que mulher não servia para dirigir como um de seus argumentos, em vista que ele ainda não estava conformado, minha mão estava posicionada estrategicamente em direção ao rosto dele ao sinal de qualquer insinuação parecida. Ele tentou novamente me convencer depois de uns três minutos de nosso último contato.

- Como você quer dirigir se você nem ao menos sabe aonde vamos? – questionei impaciente. Na verdade, nem eu. – Pensei.

A verdade era que eu estava com fome. E eu tinha tentado chamá-lo, ou melhor, apenas unir o útil ao agradável. Nós dois precisaríamos comer, não é mesmo? Eu só uni as coisas. Não era nada demais.

- Mas assim fica parecendo que foi você que me convidou pra sair, e não o contrário. Você não quer que pareça isso, quer? – comentou inocentemente. Minha mão coçou, mas eu consegui controlá-la.

- Não me provoca, Edward. – aconselhei.

Ele suspirou e não disse mais nada, o que foi o melhor que ele fez desde que entramos no carro. Olhando pra ele rapidamente, não pude deixar de dar uma risadinha. Ele parecia um menino emburrado por não ter conseguido o que queria. Ele olhou pra mim e deu um meio sorriso, claramente achando graça de si mesmo também.

Fiz o caminho para um restaurante que gostava muito em Cuba. Não era aquele em que Tia Doroth, Jake e eu costumávamos ir. E sim um em que eu tinha entrado por acaso num dia em que eu precisava desesperadamente pôr algo no estômago. E ainda sim, seria um lugar em que eu só teria ido com ele. Era como se eu tivesse um lugar especial com todas as pessoas à minha volta, e eu quis ter o mesmo com ele. Deve ter sido um pensamento bobo no fim das contas.

Entramos e logo encontramos uma mesa. Foi uma sorte porque um casal estava saindo naquele mesmo instante. O restaurante estava mesmo cheio. Ficamos conversando sobre coisas sem importância até o garçom que à pouco tinha nos entregado dois cardápios retornou, e foi quando percebemos que nem sequer tínhamos escolhido ainda. Ele nos lançou um olhar divertido e sorriu antes de assentir e afirmar que depois retornava. Eu franzi o cenho para a olhadinha dele, mas Edward nem pareceu notar.

Tinha acabado de escolher meu prato quando Edward me confessou que no tempo que ele estava aqui em Cuba, ele quase não tinha experimentado os pratos latinos. Eu no mesmo momento tirei o cardápio da mão dele até um pouco ofendida. Ele riu da minha expressão. O resultado foi que eu escolhi os mais variados e saborosos pratos típicos para ele provar. Confesso que exagerei, mas eu simplesmente não entendia como ele não tinha provado as maravilhas da culinária latina. Era até... Constrangedor.

Nossos pedidos demoraram a chegar, e chamaram atenção em vista que era uma quantidade um pouco excessiva de comida para apenas duas pessoas. Eu não dei à mínima. Ele tinha de provar os pratos. E ele o fez. Obviamente eu o ajudei a comer, porque eu não resistiria. E ele não conseguiria comer tudo sozinho, é claro.

- Então... Em que lugar você ainda não foi em Cuba? – perguntei bebericando do meu Mojito. Ainda era cedo e poderíamos ir a outro lugar depois daqui. Era uma sútil maneira de sugerir a idéia. Sem gaguejar. – Mm.. Você já foi à restaurantes, obviamente... Ao ateliê, - enfatizei com orgulho reconhecendo que era sim um local popular cubano. Ele riu. – À boates...

- É.. – concordou ainda rindo. – Acho que ainda faltam muitos lugares. – eu apenas o encarei esperando que ele fosse mais específico. – Bem... Acho que eu nunca fui à uma praia cubana.

Meus olhos se escancararam nas órbitas o encarando. Ele não podia ter dito o que tinha acabado de dizer. Era alucinação minha.

- Como – Assim – ‘Nunca-fui-à-uma-praia-cubana’? – murmurei abrindo a boca em formato circular. Ele assentiu, arqueando as sobrancelhas. – Isso é um ultraje, Edward! – exclamei batendo as mãos na mesa, e me arrependendo imediatamente quando cabeças viraram em nossa direção. – Isso é inadmissível! Uma ofensa! Como assim?! OMG.

- O que tem demais? – perguntou confuso.

- Meu Deus! – levei as mãos à boca horrorizada. – Nunca desdenhe de uma praia cubana! Nunca. – avisei sombriamente. Ele assentiu de novo e se calou, parecendo assustado. – Eu preciso te levar. Hoje. Agora. – completei. – Termine de comer rápido. Anda, anda! – o apressei quando ele não se mexeu, e ele deu uma boa garfada no seu prato depressa.

Felizmente, o garçom que nos atendeu passou por nós naquele momento e tratei logo de pedir a conta. Só a palavra já me fez temer porque todos aqueles pratos variados com certeza trariam um preço bem gordo. Rapidamente retirei a carteira da minha bolsa quando a voz de Edward me chamou a atenção:

- O que está fazendo? – perguntou retirando um lindo e reluzente cartão prateado da própria carteira. E não era qualquer um, era um American Express® Platinum Credit. Só havia visto aquele cartão pela TV.

- Você não pretende pagar tudo sozinho, não é? – questionei incrédula.

- Você não pretende tentar me impedir disso, não é? – respondeu com outra pergunta.

Eu crispei os lábios e balancei a cabeça. Aquilo era totalmente desnecessário.

- Não, Edward.

- Sim, Bella. – ele sorriu irritantemente entregando o cartão ao garçom quando o mesmo retornou. – Tente não ser teimosa, só por agora.

- Você gosta de me irritar. – reclamei guardando a carteira na bolsa.

- E você, de me contrariar.

Bufei. Será que era possível não discutirmos por algumas horas? Acho que era algo um tanto improvável entre a gente.

Resolvido a questão da conta, rapidamente saímos do restaurante e fizemos nosso caminho até o carro. Permaneci de braços cruzados e cara emburrada. Ele me olhou de soslaio e riu, me surpreendendo ao me puxar em sua direção me mantendo entre ele e a porta do carro. Eu meio que parei de respirar.

- Não vai ficar com essa carinha pra mim, vai? – perguntou correndo os dedos suavemente pelo meu braço.

Meu coração meio que começou a saltar de verdade. Abri a boca, mas estranhamente minha voz tinha se perdido no meio do caminho. Assim, se ele pudesse fazer o favor de mudar aquela expressão de ‘cachorrinho que caiu do caminhão de mudança’ na qual ele ficava especialmente irresistível, talvez eu conseguisse responder.

- Ah.. Mm.. – isso foi o que consegui usar como resposta.

Ele sorriu ainda acariciando meu braço. Jesus! Ele era realmente uma delícia inegável de homem. E conseguia ter um efeito sobre mim que chegava a assustar.

- Er... Então, vamos? – me esquivei não necessariamente da carícia, mas já constrangida pelas minhas reações.

- Sim.

Dei à volta, pulando pra dentro do carro enquanto ele se postava no banco ao meu lado. Com pressa, abri as janelas do carro. Estranhamente eu comecei a sentir um calor absurdo. Será que foi o Mojito? Eu achava que não.

Durante o caminho, coloquei na rádio local que sempre tocava minhas músicas preferidas. Eu estava me sentindo muito bem. Dirigindo meu carro à noite, minha hora predileta do dia, com o vento suave vindo do lado de fora batendo contra meu rosto ao som de uma boa e conhecida música. OK, Edward também estava contribuindo.

Por várias vezes, o percebia me observando e corava. Era real que eu ficava um pouco distraída do mundo exterior quando ouvia música e todas às vezes, eu percebia que estava cantarolando alto a canção. Felizmente ele não parecia incomodado com isso. Pelo contrário, aquele olhar tipicamente característico dele estava sempre em seu rosto. Acompanhado de um sorriso é claro, seu fiel escudeiro.

Estacionei o carro bem perto do começo da praia. As pessoas não tinham costume de ir à praia à noite, então estava vazio. O cheiro do asfalto molhado, comprovando que tinha chovido por ali recentemente, se misturava ao cheiro que a maresia trazia. Era maravilhoso.

Larguei minha bolsa dentro do carro mesmo e descalcei as sandálias. A sensação da areia sob meus pés era uma das melhores sensações do mundo. Virei pra trás me assustando ao ver Edward parado bem atrás de mim. Eu teria uma síncope antes do término da noite se ele continuasse a aparecer perto de mim assim.

Caminhamos pela beirada da praia, a água batendo suavemente contra meus pés. Na maior parte do tempo, permanecemos em silêncio. Um silêncio confortável. Acredito que a paisagem por si só já falava muita coisa, e pela expressão de Edward, ele achava o mesmo. Foi quando estávamos fazendo o caminho de volta, que ele falou.

- Você vem muito aqui? – perguntou.

- Sempre que eu posso. – respondi imediatamente. – É linda, não é? – comentei com um sorriso. Podia ser patriotismo, mas as praias cubanas eram as mais bonitas do planeta.

- Muito. – ele sorriu olhando pra mim daquele jeito. Eu corei intensamente consciente de que o assunto não era mais a praia.

- Hm... A gente pode voltar aqui, sabe... De dia... É bonito também.. – mordi os lábios. – Quer dizer... Se você quiser...

Tive vontade de praguejar. Primeiro porque tínhamos acabado de colocar os pés novamente no asfalto, e apesar da temperatura da areia estar relativamente fria também, o choque térmico me fez dar um pulinho. E segundo, por que diabos eu insistia em gaguejar perguntando algo tão simples? Era só uma gentileza porque ele não conhecia a praia durante o dia. Nada demais.

Ele riu antes de responder.

- Claro. Quer dizer... Se você quiser... Me acompanhar... – ele gaguejou me imitando.

Eu crispei os lábios e dei um tapa em seu braço, ele voltou a rir mais alto dessa vez. OK que o sorriso e risada dele eram maravilhosos, mas ele não estava rindo pra mim, e sim de mim. Eu tornei a calçar minhas sandálias com dificuldade, e ele continuou a rir, mais baixo agora.

- Da próxima vez, eu te afogo. – alertei de cara feia.

- Mm... – ele segurou minha mão e me conduziu até que ficasse de frente pra ele. Muita proximidade. – Se você me afogar, quem é que vai trazer pra cá?

- Candidato é o que não falta, sabe... – sorri. Ele tentou com tudo que pôde, mas não conseguiu evitar a expressão carrancuda que se formou em seu rosto. – Está com ciuminho, está?

- E se eu estiver? – respondeu envolvendo minha cintura com os braços.

Quase que eu perdi o foco com esse ato. Bem quase.

- Diz que está. – ampliei o sorriso. Ele arqueou a sobrancelha. – Diz que está.

- Pra quê?

- Eu quero ouvir você dizer, oras. – dei de ombros. Ele sorriu e balançou a cabeça, me puxando ainda mais pra perto dele. Zona de perigo, alerta vermelho.

- Você é muito convencida, Isabella. – ele trouxe a mão até a minha bochecha, onde acariciou gentilmente.

- Hm... Olha quem fala. – e minha respiração já estava escassa.

Nossos rostos estavam muito próximos. Mais próximos do que o correto permitia. Ele ainda tinha o sorriso brincalhão no rosto que aos poucos foi se suavizando até desaparecer. Ele desviou os olhos pra minha boca e depois tornou a olhar pra mim. Ele estava indeciso. Provavelmente acreditando que eu me afastaria como de costume.

Mas isso não aconteceria dessa vez. E eu precisava que ele soubesse que eu não o impediria. Eu estava tão atraída por ele o quanto ele estava por mim. Não me oporia a mais nada que acontecesse. Deixaria o destino se encarregar do rumo das coisas. Eu tinha certeza que se ficasse fugindo dele pra sempre, mais cedo ou mais tarde me arrependeria de não ter vivido o momento.

- Eu não vou resistir... - murmurei.

O sorriso voltou a brincar em seus lábios. Ele moveu a mão para trás de meu pescoço, a ponta de seus dedos tocando suavemente a minha nuca enquanto ele começava a se aproximar ainda mais. Eu fechei os olhos. Mais do que ansiosa para mergulhar num mundo de sensações que eu sabia que traria aquele beijo.

Ele já estava próximo o suficiente pra sentir o seu hálito em minha boca...


                                                       Fim do Flashback


- E aí... – fiz uma pausa proposital me divertindo ao ver Rosalie e Alice inclinadas em minha direção como se apreciassem um bom filme, e me implorando desesperadamente com os olhos para prosseguir. – Emmet fez o favor de ligar pro celular de Edward naquele momento, cortando todo o clima. – completei frustrada, balançando as mãos.

Elas fizeram caras frustradas e Rose fez o favor de fingir não perceber que o seu par tinha estragado o meu encontro. OK, mas eu superava...

- Bella, Bella, Bella... – Alice cantarolou. – Você já está com isso tudo muito adiantado pra tentar desistir agora. Aceite o fato, você quer o Edward.

- Sim, eu acho que eu o quero. – confirmei.

- Então vai lá e pega ele pra você! – Rose falou alto. – Por que eu não sei quanto a ele, mas se for tão bom quanto Emmet, você está em boas mãos. – e piscou pra mim.

Começamos as três a rir e eu me senti mais aliviada. Eu realmente precisava falar sobre tudo que eu estava sentindo e a Rose e a Ali eram as pessoas perfeitas para isso. Depois de todo o questionário, fiz com que elas me falassem tudo sobre como andavam elas e os seus garotos.

                                                                 ***

Olhando meu reflexo no espelho, eu tive certeza de que talvez tivesse exagerado na produção. Ele provavelmente ia perceber a maquiagem, e roupa muito bonita para apenas uma aula. Suspirei me sentindo idiota por ter me arrumado tanto assim, mas de maneira nenhuma eu ia tirar. Melhor prevenir do que remediar.

Contei os últimos segundos que faltavam no relógio e corri da minha sala. Poderia ser impressão, mas parecia que todo ateliê resolveu parar para falar comigo naquele momento. Diversos alunos me fizeram parar para cumprimentá-los, sem deixar de perceber o quão diferente eu estava para um dia normal de trabalho. Todos sabiam que à noite, as únicas aulas que eu dava eram particulares. E por aquele horário, todos os outros professores já estavam terminando suas respectivas aulas. Apenas rezei para que ninguém me questionasse sobre a roupa, felizmente nenhum deles o fez.

Fiz meu caminho pelas escadas o mais depressa que pude. Era evidente que estava ansiosa para ver Edward depois do último encontro que tivemos. Óbvio que eu não iria agarrá-lo nem nada assim no minuto que o visse... Ou talvez... Não, eu não faria isso. Sorri ao avistar a porta e estranhei quando vi a luz acesa.

Abri a porta cautelosamente e sorri ao ver que ele já estava lá. Foi engraçado perceber que a situação estava invertida, dado o fato de que normalmente ele chega à sala e me vê de costas para a entrada. Sorrateiramente caminhei até ele, tentando não tropeçar ou ofegar tão alto que chamasse sua atenção porque, podia ser minha impressão, mas... Ele parecia bem mais convidativo do que todas as outras vezes em que nos vimos.

- Mexendo nas minhas coisas, é? – coloquei as mãos na cintura ao vê-lo com alguns de meus CDs nas mãos.

Ele sorriu quando olhou pra mim daquele jeito especialmente Edward de sorrir. Sim, ele tinha muitos jeitos. Seus olhos de um verde muito mais intenso do que o normal. Foi realmente difícil não ofegar naquele instante.

- Não. Só esperando você chegar... – respondeu ainda com o sorriso que parecia ter um misterioso significado próprio que eu não consegui distinguir. Um arrepio percorreu minha espinha, ainda assim.

- Hm... – mordi os lábios. – Então... O que vai ser hoje?

As aulas particulares eram específicas para o aluno, ou seja, trabalharíamos o gênero musical em que ele estava tendo mais dificuldade. Particularmente, eu acreditava que Edward era bom em todas, - não exatamente puxando o saco – mas de maneira nenhuma reclamaria por ele insistir nas aulas.

Ele sorriu o seu sorriso torto mais perfeito, colocando os CDs de volta em seu lugar. Inesperadamente ele me puxou pela cintura, mantendo meu corpo impossivelmente mais perto do dele. E lá estava a tentação outra vez: Minha boca perigosamente próxima a dele. Eu puxei o ar pela boca, sentindo falta do oxigênio como se em um minuto tivesse ficado muito escasso. O mundo desacelerava gradualmente ao redor, se opondo ao meu coração que batia cada vez mais forte e rápido. Não fazia idéia do que ele pretendia com aquilo, ou fingia que sim porque o desconhecido era mais excitante.

Ele encostou sua testa na minha, envolvendo mais forte seu braço ao redor da minha cintura. Eu não me movi. Seus olhos eram mais interessantes do que qualquer outra coisa. Ele não desfez o sorriso.

- Hoje vai ser Eu e Você. – murmurou antes de grudar nossos lábios numa intensidade que instantaneamente fez minhas pernas amolecerem.

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