Oi, oi, oi! *acenando para todos* Tudo bem, com vocês? A sexta - feira demorou a chegar mas está aqui e com vocês mais um capítulo de Sin Resistir La Tentación. Fiquei muito feliz com os últimos comentários, muito obrigada a quem está passando por aqui e ainda recomendando a fic. Prometo que vou tentar não demorar muito com a Gabi a postar os capítulos. Então fiquem avisados: se tudo der certinho, no domingo/segunda tem outro capítulo atualizado e aproveitem as 19 páginas de mais um capítulo :)

Beijocas!

CAPÍTULO 7
 El amor es una condición en la cual la felicidad de otra persona es imprenscindível para su propia felicidad.


POV ISABELLA

Na manhã seguinte, eu acordei um pouco zonza e lembrei-me do sonho que ainda estava vívido na minha mente. Eu me repreendi por estar sonhando com Edward. Eu tinha quase certeza que isso só tinha acontecido por que eu fui dormir pensando nele, já que ele foi completamente gentil me ajudando.

Tentei colocar o pé no chão e meu tornozelo ainda estava dolorido. Fui mancando um pouco para o banheiro e tirei minha roupa. Entrei embaixo da água quente e relaxei.                    


Abaixei e massageei meu tornozelo, com a intenção de ver se conseguiria dar aula hoje. Apesar da dor, se eu tomasse um remédio e não fizesse nenhum movimento muito brusco, poderia ter meu dia normal. Desliguei o chuveiro, enrolei-me na toalha e comecei a me vestir. O dia estava claro, eu estava tão bem depois da noite bem dormida, com sonhos regados a Edward. Coloquei um vestido preto básico e passei a escova no meu cabelo até que eles secassem, deixando-os soltos. Passei um lápis nos olhos apenas para destacar e um brilho nos lábios. Calcei uma sapatilha confortável, pensando no meu tornozelo, e parti para o Ateliê com um copo de iogurte nas mãos.

Como Rosalie tinha o primeiro horário das aulas, não me surpreendi de chegar e já ver as portas do Ateliê abertas. Procurei por Alice.

- Bom dia Bella. – ela falou do sofá, sem levantar os olhos.

- Bom dia Alice. – respondi, colocando minha bolsa na mesinha ao lado do sofá e me jogando ao seu lado. Inclinei-me e dei um leve beijo na sua bochecha.

Ela levantou os olhos.

- Wow! – ela exclamou, encarando-me.

- O que foi? – perguntei, olhando-a.


Ela me analisou dos pés a cabeça. Seus olhos passaram pelo meu cabelo solto, pelo meu rosto, desceu pelo vestido e parou nas sapatilhas.

- Seus olhos verdes nunca estiveram tão verdes e as suas bochechas nunca estiveram tão rosadas. Pode me contar o que aconteceu? – ela questionou com os olhinhos brilhantes de excitação.

- Não aconteceu nada, Alice. – respondi.

- Aaaah Bella. Por favor. Por que de toda essa produção? – ela questionou, indicando com as mãos o meu corpo.

- Não posso me arrumar um pouco melhor para o meu trabalho?

- Aham, claro. – ela respondeu sarcástica. – Mas eu ainda sei que você quer me falar alguma coisa. Eu posso sentir.

Analisei por um instante toda a situação. Eu sempre contava tudo para ela e Rosalie, certo? Por que esse receio? Tinha medo que elas me julgassem? Afinal de contas eu não fiz nada errado e não é como se tivesse um caso com Edward.

- Tudo bem Alice. – falei vencida. Ela quicou no sofá, sorridente.

- Conte-me. – ordenou me olhando atentamente e fazendo uma expressão séria que não combinava nadinha com ela.

- Eu dei aula para o Edward ontem.. A aula particular, lembra? – perguntei. Ela acenou concordando, com um brilho malicioso no olhar. Ignorei e continuei. – Só que... eu acabei torcendo meu pé e... não tinha ninguém aqui. – e mostrei pra ela meu tornozelo, cruzando a perna sobre a outra.

- Ham... – ela instigou.

- E eu liguei pra você, liguei pra Rosalie, liguei para o Jake e nada. Por falar nisso, onde vocês estavam mesmo? – perguntei.

- Aaaahh. Quando saímos, os rapazes passaram aqui e nos chamaram para tomar champola*. Esquecemos de tudo, desculpe Bella. Eles meio que, conseguiram manter a nossa atenção apenas neles. – revirei os olhos imaginando como Jasper teria conseguido essa proeza com Alice. - E então? Continue! Isso esta ficando interessante... – e riu baixinho.

- Err... e aí então que Edward me levou em casa. – falei rapidamente, atropelando as palavras.

- Como? – Alice perguntou, com a testa enrugada. Suspirei.

- Ele... Ele me levou.. hum... em casa. – falei olhando para as minhas mãos cruzadas no meu colo.

- Tem mais alguma coisa? – Alice perguntou baixinho. O tom dela me fazia querer continuar a falar, mas eu sentia que iria me arrepender.

- Ele me pediu desculpas. – completei.

- O quê?! – Alice gritou.

- Alice, sem escândalos, por favor. – implorei. Esperei até que ela demonstrasse que não ia continuar com os gritos e continuei. – E aí que eu não falei realmente um “está tudo bem Edward”, por que afinal eu fui pega de guarda baixa. Na verdade, eu tive uma grande crise de riso, por que era tudo muito estranho. Você não concorda? – perguntei.

- Hum... Não parece ser muito do feitio dele. – ela respondeu com a mão no queixo, provavelmente analisando toda a situação. – Tem mais, tem mais?

- É só isso. Ele me ajudou até a entrada do meu apartamento e então eu o agradeci. – falei simplesmente.

Ficamos caladas por alguns segundos. Eu estranhei que Alice estivesse calada por tanto tempo. Quando a olhei, ela estava me encarando.

- Que foi? – perguntei.

- Você não contou tudo. – ela acusou.

- Alice, como você faz isso? – exclamei frustrada. – Parece que você pode ler pensamentos, parece que você está na minha mente!

- Bella, não é muito difícil de perceber. Quem te conhece sabe como você é. – ela respondeu docemente e sabiamente.

- Eu sonhei com ele. – mandei na lata. E dessa vez fiquei encarando-a para ver sua expressão.

- Sonhou com ele, é? – ela repetiu. – E como foi exatamente esse sonho? - ela perguntou maliciosa.

- Alice, não tem nada a ver. – comecei. - Ele apenas cuidava do meu tornozelo, por que pelo sonho eu não tinha capacidade para fazer isso. – respondi com um bico.

- Aaaahh! – Alice falou desapontada. – Eu estava esperando confissões ardentes e cheias de detalhes de uma noite maravilhosa.

- Você sabe muito bem que não tem como isso acontecer...

- Claro que tem Bella! Nos seus sonhos, você faz o que desejar. Não acredito que o que você queria era apenas que ele cuidasse do seu tornozelo... – ela balançou a cabeça, desaprovando.

Alice estava me deixando muito mal com essa historia toda. Não querendo ficar pra trás e mostrar pra ela que eu poderia sim controlar os meus sonhos, completei:

- E eu o beijava.

Sua expressão mudou e ela deu um gritinho. Arrependi-me.

- Aaaahh que lindo! Bella está sonhando com o Edward! – ela cantarolou.

- Alice, por favor, fale baixo. – pedi.

E se alguém ouvisse? Demorou um pouco, mas ela controlou todo o seu entusiasmo.

- Tem mais? – ela perguntou.

- Não, é apenas isso. E foi apenas um sonho. Eu não posso controlar o que eu sonho.

- Sempre sonhamos com os nossos desejos...

- Acho melhor pararmos com esse papo por aqui. Você já está levando por outro caminho. – e levantei bem na hora que Rosalie entrava na sala.

- Agora eu entendo o motivo para os olhos... – Alice completou e eu sabia que era apenas para me provocar.

- Chega Alice.

- Oie! O que eu perdi? – Rosalie perguntou.

- Bella sonhou que beijava o Edward. – Alice fez questão de falar prontamente.

Rosalie se virou lentamente para mim.

- Não vou contar. – já fui avisando. – Pergunte para Alice que eu tenho certeza que ela contará tudo e ainda acrescentará todas as teorias malucas dela sobre sonhos. Vou esperar Edward na sala. – e saí, batendo a porta.

Subi as escadas devagar, tomando um cuidado extra. Quando eu cheguei a sala, fui logo pegando todo o equipamento e ligando. Mexendo no armário, eu vi os meus vários DVDs que eu mantinha ali guardados. Uns tinha aulas, outras filmes, apresentações que eu achava interessante mostrar aos alunos. Deslizei meu dedo indicador sobre os títulos e parei em um que me chamou a atenção.

Com um sorriso, puxei – o. “Minha primeira aula de forró.” Esse dia era tão engraçado. Meu pai me ensinava pela primeira vez os passos básicos do forró e minha mãe gravava escondida. Em alguns trechos dava para ouvir sua doce voz rindo. Tirei o CD e coloquei no DVD, ligando a TV. Sentei-me no chão e comecei a me ver com nove anos. Aconteceu alguns meses antes dos meus pais morrerem.


A música enchia a sala de dança. Do meu quarto eu já conseguia ouvi-la. Meu pai falou que iria começar um novo estilo de dança comigo e eu estava ansiosa. Depois de colocar o vestido verde que a minha mãe tinha comprado para mim, síi correndo para a sala onde eu sabia que encontraria o meu pai se aquecendo.

- Como você está linda, Mi Isabella. – ela falou com o meu sorriso preferido no rosto, segurando minha mão acima da cabeça, fazendo-me rodar. – Preparada?

- Sim! – respondi excitada. – O que irei aprender hoje?

- Forró. – ele respondeu, já ligando o som.

Veio dançando até mim, seu corpo mexendo mais do que eu já tinha visto. A música era agitada e rápida.

- Tudo bem. Relaxe. – respirei fundo e ele segurou minha duas mãos. – Mi Isabella, é muito fácil. Acompanhe os meus passos e conseguirá. Quando a minha perna esquerda estiver na frente, a sua direita está atrás, e quando a sua esquerda estiver na frente a minha direita vai está atrás. Entendeu? – ele me perguntou.

Eu olhei-o e balancei a cabeça negativamente.

- O que você não entendeu?

- Esquerda e direita. – respondi.

Minha mãe riu baixinho.

- Vamos à prática então. – ele falou e começou a me mostrar como era. Devagar, eu comecei a acompanhar o seu ritmo. Primeiro o movimento dos pés e ai então o gingado do corpo.

- Isso mesmo! – ele me incentivou.

Eu, que olhava para os nossos pés se movendo em sincronia, levantei os olhos e o brindei com o meu melhor sorriso. Eu adorava quando conseguia mostrar para ele que eu estava aprendendo. Então ele me puxou e girou rapidamente, meus pezinhos tropeçando.

- Assim não pode, papai! – exclamei rindo, enquanto ele me pegava no colo e rodava.

A risada da minha mãe volta a aparecer.

- Claro que pode mocinha. – ele falou apertando as minhas bochechas. – Você gostou?

- Sim, só que eu acho que vou ter dificuldades para acompanhar. – confessei.

- Não se preocupa. – ele me reconfortou. – Estamos aqui para te ajudar, eu e a mamãe. Nunca deixaremos você. – ele prometeu.


Lembro que nesse dia eu me sentia a criatura mais feliz que existia. Os meus pais me amavam, e eu os amava também. “Eles são os melhores pais do mundo!” lembrei que eu pensei isso naquele dia. E realmente, eles foram. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu limpei. Agora já tinha se passado mais ou menos um mês, e eu sorri apenas com a lembrança do que estava por vir.


Eu já sabia o básico e para a minha surpresa e felicidade, eu consegui acompanhar mais rápido do que eu mesma imaginava. Meu pai falou então que tentaríamos uma coreografia.

- Mi Isabellita, você não está conseguindo fazer a seqüência de passos. – ele falou mais uma vez.

A frustração me atingiu de uma só vez. Eu ficava completamente irritada quando não conseguia fazer o que eu queria.

- Eu sei papá. Eu estou tentando! – exclamei raivosa. – Vamos de novo. – falei agarrando suas mãos e começando novamente.

A seqüência de passos em questão era a seguinte: eu rodopiava três vezes e então ele me parava na sua frente e eu descia de costas. Eu fiz rodopiei perfeitamente até chegar à parte de parar na frente do meu pai e descer. Isso era muito... constrangedor! Mais uma vez eu errei.

Bufei.

- Vamos descansar e tentar de novo outra hora? Você não vai conseguir irritada assim. – ele pediu.

- Não ajuda muito ter como parceiro você papá. – exclamei. – eu fico constrangida de estar tão perto de ti. – comentei.

A gargalhada da minha mãe ecoa pelo aposento e nós procuramos a origem do som. Então ela aparece de trás de uma estante e me abraça ainda rindo.

- Você não gosta de mim como seu parceiro de dança, filha? – ele perguntou enquanto a minha mãe ainda ria.

- Não é isso papá. É que eu me lembro de você e a mamá dançando e eu... não sou a mamá. – respondi, corando.

Os dois explodiram em risadas enquanto eu afundava meu rosto no vão do pescoço da minha mãe.

- Tudo bem, eu te ensinarei. – eu levantei os olhos, com um sorriso aberto para ela. Meu pai se aproximou e nos abraçou.

- Amo vocês!! – falei com um braço ao redor do pescoço da minha mãe e outro do meu pai.

- Nós também te amamos. – eles responderam juntos.


A tela da TV ficou preta, mas eu não consegui me levantar para poder desligar. Assistir ao vídeo me trouxe uma saudade imensa deles. Outra lágrima escorreu pelo rosto. Por que teve que acontecer tudo? Eu poderia estar com eles, ter crescido com eles, aprendido mais ainda com eles...

- Atrapalho? - uma leve batida na porta me fez levantar e enxugar a lágrima rapidamente. Edward estava encostado no batente da porta, a expressão tranqüila. - Você era uma criança muito cativante. – ele comentou.

- Você assistiu? – perguntei raivosa.

- Sim, quando eu cheguei estava na parte do “Não ajuda muito ter como parceiro você papá.” – ele comentou rindo.

- Por que não me chamou antes? – perguntei desligando a TV.

- Você parecia estar gostando do que via. – ele respondeu simplesmente.

- É, estava mesmo, mas não queria platéia. – rebati mal-humorada.

- Desculpe-me. – ele respondeu, brindando-me com um lindo sorriso de lado.

Meu pulso acelerou.

- Você não acha que está pedindo desculpa demais não? – questionei tentando manter a respiração controlada. Imagens do sonho inundaram a minha mente. – Duas vezes em menos de vinte e quatro horas, é o que, um recorde que quer bater?

- Nem quando eu tento ser educado você perdoa Bella... – ele falou balançando a cabeça, fingindo desgosto, mas eu via ali um resquício de um sorriso. – Como está seu tornozelo? – ele perguntou.

- Melhor, eu acho. – respondi de costas. Senti meu rosto corar por que eu me lembrei do sonho. – Podemos começar? – perguntei.

- Claro, professora. – ele respondeu. E lá vamos nós de novo. Suspirei. – Mas... o seu tornozelo? Tem certeza? Você nem ao menos foi ao hospital... – ele questionou.

- Obrigada pela preocupação, mas está tudo bem. – respondi ríspida.

- Se você diz, então ok. – ele respondeu feliz.


  • Champola – feita com guanábana, açúcar de cana e leite.




POV EDWARD

Ansiedade. Uma palavra nunca coube tão bem para mim. Desde a primeira noite aqui em Cuba, tudo o que eu fazia ou pensava envolvia a Bella. Quando eu não estava com ela, eu estava no hotel. Pensando nela. E para quem via de fora com certeza parecia a rotina mais cansativa e entediante do planeta. Mas não para mim. Isso me fez lembrar da festa em que Emmet estava me obrigando a ir este final de semana, segundo ele eu estava precisando de um tempo. E o que mais me fez temer foi o jeito que ele deu para conseguir os tais convites, era uma festa fechada. E ele manteve essa sua “manobra de gênio” como segredo, só esperava que não fosse nada ilegal.

Ele era advogado, mas com Emm, nunca se podia ter certeza.

Enfim, depois de muito insistir, eu fui obrigado a ceder. A veia na minha testa começava a pulsar freneticamente e eu sabia que isso não era um bom sinal. Mas ali estava eu em mais um dia da minha não-entediante rotina. E só ao pensar que encontraria a Bella já fazia a ansiedade retornar com força total. Eu não ia pressioná-la, nem perguntar sobre sua resposta ou se já tinha se decidido. Era paciência que eu tinha que ter e teria. Ao chegar ao ateliê, logo avistei Alice. E a mesma também me viu. Imaginei o que teria acontecido quando a vi sorrir sugestivamente para mim sem nem ao menos se preocupar em disfarçar. Reprimi a vontade de olhar ao redor e checar se era para mim mesmo que ela estava sorrindo quando caminhou em minha direção.

- Olá, Edward. – ampliou ainda mais o sorriso.

- Como vai, Alice? – cumprimentei ainda um pouco confuso.

- Bem, bem... – respondeu. – Bella está esperando por você... Na sala.

Perguntei-me o porquê da ênfase.

- Ah sim, tudo bem. Então... Até mais. – despedi-me com um aceno de cabeça.

Eu não pude interromper ao chegar à sala e ver Bella tão compenetrada no que me parecia ser um vídeo caseiro. Sentada no meio da sala, com o controle na mão e uma expressão de calma no rosto. Nos seus olhos havia uma mistura de saudade e felicidade enquanto assistia atenta ao que passava da TV. Pela semelhança entre ela e a menina no vídeo, julguei que as outras duas pessoas com ela eram seus pais. E eles pareciam tão felizes, tão harmoniosos. E eu desejei saber o que teria acontecido com eles. Bella parecia estar revivendo o momento pela tela da televisão. E ela parecia tão frágil, como se voltasse a ser a menina no vídeo. Doce, meiga e... Feliz.

Eu quis reconfortá-la, abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. E como ficou difícil de controlar esse impulso quando vi uma lágrima escapar de seus olhos. E eu me senti um merda por não poder fazer nada. Mesmo que não soubesse o que era. Cheguei a dar um passo, um passo de concretizar minha vontade, mas recuei. Porque sabia que ela não permitiria que eu o fizesse. Ela me afastaria. Ou nem deixaria que eu me aproximasse. Quase que eu mandei tudo pro inferno e o fiz mesmo assim. Eu abraçaria e não soltaria, mesmo que ela gritasse e esperneasse como a boa teimosa que é, mas uma hora ela teria que parar. E ela finalmente aceitaria que eu cuidasse dela.

Mas isso era tudo uma suposição. E por mais vontade que eu tivesse, eu não podia arriscar. E maldição não poder simplesmente fazer o que eu quero!

O vídeo acabou. E ela não fez menção em levantar ou até mesmo se mexer. E então eu bati na porta para ela perceber que eu estava ali, e seria tão bom se ela pudesse perceber que eu não queria que ela ficasse assim. Mas ela não o fez. Ela se irritou. Nada fora do normal. Ela me acusou de estar invadindo a sua privacidade e ela estava certa. Mas eu não consegui me refrear. E então eu pedi desculpas, o que de nada adiantou porque ela reverteu a situação de modo em que eu continuasse a ser o errado, o insistente. Mas eu não me chateei. Ela parecia apenas estar se defendendo. E então eu a chamei de “professora” novamente, eu não havia sentido até sair. Mas eu sabia que ela não tinha gostado.

Idiota. – Xinguei-me.

Depois de mais esse furo meu, ela virou de costas e se apressou em tirar o vídeo do aparelho de DVD. Com mais pressa do que o normal. E eu queria dissolver esse clima chato, eu sentia que estava regredindo com ela novamente. E eu não podia permitir isso.

- São seus pais? – perguntei embora já sabendo a resposta.

Ela continuou mexendo no DVD de costas para mim por um tempo, até que suspirou.

- Eram. – respondeu com voz baixa. – Morreram quando eu tinha nove anos.

E eu queria dissolver o clima chato... Seria melhor se eu não tivesse aberto a boca. E eu a fechei. Sem saber o que era certo para falar. Porque no fundo eu já imaginava isso. Eu reconheci o olhar dela ao olhar pra eles e eu sabia o que ela sentia. Eu só queria que ela se abrisse comigo ou confiasse em mim. E eu sabia que estava apressando as coisas. Mas eu sentia que se eu não fizesse nada, as coisas permaneceriam imutáveis. Se eu não tentasse, eu nunca saberia nada sobre ela.

- Eu sinto muito... – e essa merda era a única coisa que eu podia falar.

E eu odiava essa frase, odiava de verdade, mas eu não sabia o que era certo para dizer.

- É... Eu já escutei muito isso.. – comentou seca, olhando para mim pela primeira vez. – Não precisa ficar me olhando assim, tá legal?

E esse era o risco que eu corria: ela me odiar ainda mais. E eu sabia que só tinha um jeito de amenizar isso. E não era uma boa coisa para mim. Mas por ela eu faria. Ela tinha agachado novamente e tinha vários CDs nas mãos; eu duvidava que estivesse ao menos enxergando algum. Acreditava que era só um pretexto para ela não precisar me enxergar. E ela não tinha condições de começar a aula. Agachei-me ao seu lado e antes que ela pudesse pensar em levantar, comecei a falar.

- Eu não estava com pena de você... – expliquei e ela revirou os olhos, não acreditando nisso. – Eu não faria isso. Eu sei como é.

- Como assim? – perguntou me encarando firmemente.

E eu fiquei um minuto sem responder. Porque era mesmo muito difícil falar nisso. E eu nunca tinha falado sobre aquilo com ninguém. As pessoas próximas a mim simplesmente ficaram sabendo sem que eu precisasse falar. Mas se isso fosse ajudar, se a ajudasse a não sentir vergonha ou coisa assim por eu a ter visto dessa maneira, eu falaria.

- Seus pais também...? – ela começou.

- Minha mãe. – me limitei a responder isso. E então, fez-se silêncio. Porque eu não sabia o que dizer, e ela provavelmente também não. Mas eu queria que ela falasse. Talvez ajudasse. – O que aconteceu? – tentei transparecer que ela não precisaria contar se não quisesse.

Ela olhou para mim por um tempo e eu fiquei feliz quando ela se decidiu. Eu sorriria se o momento permitisse.

- Nós tínhamos saído pra jantar... – começou um pouco hesitante. – Eu estava receosa. Tinha estado com uma sensação ruim durante o dia inteiro. Mas eu nunca imaginaria que... – não terminou. Eu fiquei ainda mais atento, era como se eu pudesse sentir a sua dor. – Quando nós estávamos indo em direção ao carro... Apareceu um homem e... Tentou roubar a bolsa da minha mãe. Ela não entregou. – vi que ela começava a tremer e a partir daí eu já imaginava o que tinha acontecido. Ela mantinha os olhos nas mãos. – Meu pai tentou ajudá-la. E então o homem... atirou... E depois na minha mãe... – e eu sabia que ela não diria mais nada.

Ainda assim, eu estava tão agradecido por ela ter me contado.

Ela enxugou as lágrimas que tinham escorrido de seus olhos, de novo parecendo envergonhada por ter chorado na minha frente. E eu fiz o que não devia, agi por impulso e segurei suas mãos entre as minhas. Ela ficou estática e por um momento não disse nada, e por um momento eu me arrependi por ter feito isso. Mas então, ela relaxou. E não se afastou. Ela olhou para mim, esperando. E eu percebi que era a minha vez. E o mínimo sorriso que eu tinha no rosto murchou. Eu não queria que essa hora chegasse.

Porém eu percebi o olhar dela. Constrangido, apavorado. Ela esperava que eu também contasse, foi por isso que ela o fez. Foi isso que a deu segurança para que ela se abrisse comigo. Eu senti quando ela tentou afastar as mãos, e de repente quem estava apavorado era eu. Eu não deixei, continuei segurando suas mãos firmemente e voltei a olhar para ela, quando eu nem lembrava ter desviado o olhar. Porque era tão injusto com ela. Era injusto ela se expor dessa maneira e eu, por causa da minha covardia, não fazer o mesmo. Afinal, o objetivo era ajudá-la. Eu suspirei. Sentia como se isso fosse a coisa mais difícil que já tinha tido que fazer. Talvez fosse.

- Foi há 5 anos... – comecei e parei.

Porque a droga da minha voz tinha sumido de novo. Foi quando senti suas mãos, agora segurando as minhas. E eu olhei para as duas juntas, e depois para ela. E seu olhar era terno, encorajador. E eu realmente não liguei se pareceria um fraco diante dela, as palavras se formaram como se fosse um texto que eu tivesse decorado.

- Ela estava com câncer. Ficou internada por seis meses. Eu ia vê-la todos os dias. Por que eu sabia que ela ia se recuperar, e voltar para casa... – pausei. – E eu dizia isso pra ela. Eu realmente acreditava nisso. Mas os médicos não pensavam o mesmo... Eles tentavam me convencer, e com o tempo conseguiram convencê-la de que não tinha mais saída. E eu fiquei tão irritado porque ela começou a tentar me fazer entender que não tinha mais jeito mesmo. E eu tentei encontrar maneiras pra curá-la. Conversei com médicos, pesquisei tratamentos, remédios. Eu queria tirá-la de lá. Mas nada adiantou... –

A frustração da incompetência me atingiu mais uma vez. 

- A culpa não foi sua... – ela disse.

- Eu tinha dinheiro, Bella! Eu podia tê-la salvado, mas eu não... – balancei a cabeça ainda em frustração e voltei a segurar suas mãos.

Porque eu tinha acabado de descobrir que aquilo me acalmava. E eu observei nossas mãos enquanto eu comecei a acariciar as suas, e ela parecia gostar daquilo. E que se dane se eu estava indo rápido demais, porque se ela quisesse me bater ou me xingar depois eu aceitaria, mas por ora, eu precisava dela. E das suas mãos. E ela correspondeu, começando a movimentar os dedos pela minha pele também. E aquilo me fez sorrir e com certeza me acalmava mais.

- E seu pai? – perguntou baixinho.

Ela tinha entendido errado. Ou melhor, eu a fiz entender errado.

- Cida não era minha mãe de sangue, era de coração. – e de repente eu me tornei muito sentimental, ou talvez fosse por estar perto dela. – Ela era uma das empregadas na casa onde eu morava, mas foi ela quem cuidou de mim. – terminei não querendo me estender no assunto.

- Ah... – murmurou. – E... Seus pais verdadeiros? – ela tinha um brilho curioso no olhar e o lábio inferior entre os dentes, visivelmente constrangida. – Eles...? – ela não precisou terminar, eu tinha entendido.

- Não. – respondi incisivo.

Eu não queria falar sobre isso. Era um assunto completamente desnecessário. Ela entendeu, pois baixou os olhos ainda mordendo os lábios. Chegava a ser engraçado ver o quanto ela estava lutando para não me perguntar mais nada sobre eles. E eu sorri. Porque mesmo apenas com essa expressão, ela conseguia me acalmar. E isso sinceramente começava a me assustar.

Ela manteve suas mãos nas minhas durante um tempo. Silêncio. Mas não era constrangedor. Era mais como se estivéssemos absorvendo todas as informações.

- Espero que não me processe por estar roubando seu dinheiro... É a segunda aula consecutiva que não temos. – mudou de assunto. – Grande desperdício... – riu.

- Estar com você não é desperdício. – falei sinceramente. Ela engoliu em seco e desviou o olhar, como de costume. E eu reprimi uma risada, porque ela novamente estava vermelha. – Bem, mas eu acho que você tem outra aula agora. – ela checou no relógio e levantou depressa. Privando-me do contato com suas mãos.

- Como sabe disso? – perguntou franzindo o cenho. Eu dei de ombros, mas ela percebeu. E sorriu. – Por que eu não estou surpresa?

- São as coincidências da vida, Bella.

- Claro, claro... Só uma coisa. – ela observou. – Você vai mesmo fazer aula de Dança do Ventre? – prendeu uma risada que com certeza seria alta.

- Não, eu pretendo ver você dançar... – corrigi-a.

- Você vai mesmo pagar para me ver dançar? – repetiu a ênfase.  

- Por quê? Você dançaria para mim de graça? – perguntei com um sorriso.

Ela revirou os olhos e começou a me empurrar para fora da sala.

- Tchau Edward. Preciso me trocar... – e essa frase despertou meus pensamentos. – E controle suas fantasias, por favor. – pediu tentando esconder o riso.

- Como sabe que estava pensando nisso? Você também tem fantasias comigo, é? – sorri ainda mais.

- Tchau Edward. – repetiu batendo a porta na minha cara.

E essa era a minha estrela. – Pensei contente.

- Ah... – ela abriu de novo. – É no terceiro andar, sala seis. – e prevendo que eu ia sorrir de novo, ela bufou e tornou a fechar.

Mas eu sorri mesmo assim. Porque mesmo que eu tivesse que ser mais gentil, educado, simpático e tudo mais.. Eu nunca deixaria de provocá-la, por que no fundo, eu sabia que ela também se divertia com aquilo.



POV ISABELLA

Depois que eu fechei a porta, eu encostei-me e desci, pensando em tudo que eu tinha acabado de fazer. Eu não sei realmente como tinha acontecido, ele não me obrigou a nada, acho que foi o meu momento de fragilidade... sempre que eu via alguma coisa relacionada aos meus pais eu ficava mais vulnerável.

- Deus... acabei de falar sobre os meus pais com Edward. – murmurei, passando a mão pelo cabelo.

Era tão difícil falar sobre isso com qualquer pessoa. Até mesmo com Alice e Rosalie. Com quem eu ainda falava mais eu sabia que teria seu colo para chorar depois era Jake, talvez por causa da nossa aproximação.

Mas, até onde eu entendi... Edward tinha fantasias comigo? Eu vou brincar um pouquinho com ele...

Sai da sala e desci até o escritório. Quando eu cheguei estava Rosalie e Alice lá. Alice me brindou com um sorriso muito, muito sacana. Eu revirei os olhos.

- Bella... – Rose começou.

- Tá, o quê quer saber? – perguntei.

- Alice já me contou. – ela respondeu rindo. – Beijou eim?

- Aaaah Rose. Por favor, não começa. – pedi e me joguei no sofá.

- Tudo bem. Fale-me então como foi a aula. – ela pediu cheia de malícia.

Fiquei tensa. Juntei as pernas, os braços cruzados sobre o peito, a respiração travada.

- O que aconteceu? – Alice perguntou se jogando ao meu lado. Dessa vez ela falava serio. Ela conhecia as minhas reações. – Edward fez alguma coisa com você? – continuou, passando a mão pelo meu braço na tentativa de me fazer relaxar.

Soltei o ar que estava prendendo no momento em que Rose também se sentava perto de mim.

- Não... ele não fez nada. – respondi baixinho.

- O que aconteceu nessa maldita aula então Bella? – Rose perguntou alto.

- Não tivemos aula... – comecei. Elas se entreolharam. – Nos também não nos beijamos. – completei. Elas suspiraram em frustração. – Dá para vocês, por favor, pararem de fazer isso? Eu não tenho um caso com Edward e isso não vai acontecer! Foi apenas um sonho! – falei exasperada. – Quando ele chegou à sala, eu estava assistindo um vídeo meu com os meus pais. – elas prenderam a respiração. – E ele viu. E eu não sei exatamente como aconteceu, só que de repente estávamos falando sobre os nossos pais um para o outro... – comecei gesticulando com as mãos. - e foi tão diferente. Era como se ele me entendesse, sabe? E quando percebemos, a aula já estava no fim, e ele não me cobrou nada. Pelo contrario, ele falou que estava tudo bem.

- E você está bem? – Alice perguntou.

- Sim. Como eu falei, foi diferente. – respondi.

- Aaah Bella... – Rose suspirou.

Elas me abraçaram e eu em senti reconfortada. Era assim a nossa amizade... Fácil como respirar. Ficamos um tempo assim, apenas abraçadas.

- Acho que está na hora da minha aula. – Alice falou interrompendo o abraço.

Percebi que disfarçadamente ela limpava uma lágrima.

- A minha também. – Rose falou em seguida.

- Eu também tenho aula agora. Nós vemos depois. – falei saindo antes das duas.

Eu comecei a me aquecer na minha sala, colocando a música para encher o ambiente. Quinze minutos depois, os meus alunos apareceram e eu dei animadamente a minha aula. Fiquei feliz ao perceber que meu tornozelo não incomodou como eu pensei que aconteceria. Apenas algumas fisgadas fortes. Eu já estava tomando remédio e rapidamente iria ficar bom de novo.

O dia passou rapidamente, com pouco tempo para ver Rose e Alice novamente. Geralmente, tínhamos aula durante todos os horários. Apenas com folga para o almoço, e eu dispensei o meu quando alguns alunos pediram umas dicas. Era muito comum que pessoas que dançavam há algum tempo com o mesmo parceiro/parceira criassem vícios. Nesse caso, eu recomendava que parasse de dançar um tempo com o parceiro em questão e procurasse um instrutor de dança que ajudasse a desfazer esse vicio.

Eu não tive muito tempo para pensar exatamente na “aula” que eu daria no último horário para Edward durante o dia e quando eu parei e me olhei no espelho, já vestida adequadamente, percebi que estava ansiosa. Não era uma aula em si, e sim uma apresentação. Ele mesmo tinha deixado isso bem claro.

Terminei a maquiagem, destacando bastante os meus olhos. Eu tinha escolhido um bustiê dourado envolvido em tecido paetizado brilhoso, com trabalho em crochê e aplicação de medalhas douradas. O lenço do quadril era em tons de creme e dourado todo bordado a mão, a saia era creme com uma abertura lateral em cada uma das minhas pernas, deixando-as a mostra. O bustiê realçava os meus seios e eu nunca me senti tão nervosa ao ver meu corpo tão exposto. O lenço do quadril delineava a curva da minha cintura. Meu cabelo caía pelos meus ombros e modelava o meu rosto, destacando principalmente os meus olhos.





Voltei para a minha sala, e liguei o som, ficando de costas para a porta. Ouvi passos e então pararam abruptamente. Respirando com dificuldades, virei-me e vi Edward parado na porta. O seu olhar posou no meu rosto, então ele desceu pelo meu pescoço, parando nos meus seios - eu o vi engolir em seco – então desceu pela minha barriga reta, passando pelo meu quadril e cintura, fazendo uma análise completa das minhas pernas a mostra e pousou o olhar nos meus pés descalços. Lentamente, ele fez o mesmo percurso pelo caminho de volta. Corei terrivelmente. A análise foi mais constrangedora do que eu imaginava.

- Aham. – pigarreei, para que ele pudesse voltar a si.

Ele piscou e então me encarou. - Olá, Isabella. – ele falou com a voz rouca. – Você está... Muito bonita.

Corei.

- Muito obrigada – respondi, encarando-o.

Um sorriso passou por seus lábios e eu tenho certeza que ele percebeu o tom vermelho na minha face.

- Preparado para a aula? – perguntei logo, querendo desesperadamente mudar de assunto.

- Não vai ser exatamente uma aula, não é mesmo? – ele respondeu brincalhão.

- Não, não será. - falei indo no som e colocando a música. - Temos que conversar sobre isso... – comecei. – Não acho justo que você fique sem as aulas e aqui no meu ateliê não acontece isso. Eu gostaria que você trocasse as aulas de dança do ventre por uma em que você realmente tivesse seu aprendizado. Quem sabe pela de salsa, já que você já perdeu duas aulas. Dá para recuperar e você rapidamente poderia passar para o nível intermediário. Seria uma das opções.

- Eu não me importo. – ele falou simplesmente.

- Eu importo. Você não está pagando para me ver dançar, até por que eu não vou mais fazer isso. – respondi.

- Só que eu estou pagando exatamente para isso, para te ver dançar. – ele respondeu com um sorriso no rosto e me analisou novamente.

- Então você poderá pagar para outra pessoa, eu não farei mais isso. E você está aqui para aprender a dançar, o que é completamente diferente. – rebati. – E eu tenho dúvidas se você realmente veio aqui aprender, às vezes eu tenho a impressão que você já sabe...

- Eu realmente não sei de onde você tira essas idéias. - ele desconversou e foi se sentar nas almofadas que tinham espalhadas no canto da sala. – Eu vou fazer o que você sugeriu. E... você pode começar quando quiser. Pelo menos a aula de hoje eu terei, não é mesmo? Já que eu vi que você se preparou muito bem. – e sorriu malicioso.

- Por favor, tem como você parar com essas piadinhas infames? Eu estou tentando ser boazinha com você hoje. 

E isso era verdade. Eu tinha conhecido um Edward que eu nem pensei que existisse.

- Sério? – ele perguntou surpreso.

- Claro. Mas a trégua será apenas por hoje, então aproveite o meu bom humor. Amanhã eu não serei tão receptiva com você.

- Você já está prevendo o seu humor para amanhã? – ele perguntou sarcástico.  – Eu posso te surpreender. – e piscou.

- Esqueceu que eu não sou sua fã? – respondi com um sorriso de satisfação ao ver que o dele se desmanchou.

- Eu posso reverter isso rapidamente, basta você deixar...

- Acho melhor encerrar esse assunto. – falei firmemente. Assumi meu tom e postura profissional. – Você sabe alguma coisa sobre a dança? – perguntei.

- Não, mais ficaria encantado em te ouvir. – ele falou, colocando a mão no queixo de um jeito que eu julguei ser muito, muito sexy até mesmo para Edward Masen.

- Bem, a dança do ventre é uma famosa dança praticada em diversas regiões do Oriente Médio e da Ásia. É composta por uma série de movimentos vibrações, impacto, ondulações e rotações que envolvem o corpo como um todo. – e enquanto eu falava cada um, eu fui mostrando para que ele reconhecesse a técnica. – Na América do Sul é muito praticada na Argentina e no Brasil. A dançarina pode ter como objetos cênicos a espada, o punhal e o véu. – falei, mostrando cada um deles. Os olhos dele estavam em mim e assim ficaram. Ele estava prestando atenção e parecia hipnotizado. – Eu posso começar? – perguntei.

- Claro. – ele respondeu novamente com aquela voz rouca e extremamente sexy. – Só uma coisa... você está deixando tudo isso muito profissional. Tenta relaxar, por que pode ter certeza que eu estou.

Fui até o som, sentindo seus olhos me queimando nas costas, e apertei o Play. Quando a musica começou a tocar alta, eu me virei e já voltei para o meio da sala dançando.

Os olhos de Edward estavam fixos em mim. Fiz vários movimentos com a cintura e seus olhos me seguiam como uma serpente. As minhas mãos serpenteavam, fazendo movimentos precisos e delicados. Virei, deixando a região das costas à mostra, e meus cabelos se movimentavam com o balanço do meu corpo. Eu sentia que toda a parte exposta do meu corpo estava sendo constantemente atacada pelo olhar atento de Edward. Isso era típico dos homens e nenhum deles resistia. Com um sorriso nos lábios, fiquei novamente de frente para ele.

“Eu poderia brincar um pouco com ele...” pensei maldosamente.

Com um sorriso encantador nos lábios, aproximei-me. Ele parecia estar em êxtase. Se ele falava sério quanto às fantasias... Por que com certeza depois dessa aula ele poderia usar a criatividade. Fiz todos os movimentos bem perto do dele; afastava, dançava para que ele visse todo o meu corpo.

Querendo mostrar que eu dominava todas as técnicas, fui até a mesa e peguei a espada. Com ela apoiada nos meus seios, virei o corpo para trás, mantendo ela equilibrada, olhando de cabeça para baixo no fundo dos olhos dele, um sorriso sedutor passando pelos meus lábios. Seus olhos estavam verdes escuros e eu queria muito saber o que estava passando pela cabeça dele. Não querendo provocá-lo muito, apenas o suficiente, voltei à posição inicial. Equilibrei então na cintura e continuei.

O meu próximo passo seria usar o lenço. Deixando a espada cair no chão, puxei o lenço que estava pendurado na minha cintura, fazendo varias ondulações com ele. Passei-o pelo meu rosto, deixando apenas meus olhos descobertos, enquanto a minha cintura vibrava, fazendo o barulho característico das medalhas se batendo e ia de um lado para o outro. Com a mão estendida, convidei-o a se juntar a mim. Ele levantou como se hipnotizado, segurou a minha mão e eu senti a energia característica, a mesma que eu tinha sentido mais cedo.

Levei-o até o meio da sala, mantendo meus olhos fixos nos dele. Virei-me, o peito dele encostando-se às minhas costas. Joguei o lenço sobre as nossas cabeças, fazendo com que ficasse apoiado na nuca dele. Inclinei minha cabeça para que ficasse encostada no seu ombro esquerdo. A minha cintura vibrou e depois eu fiz movimentos com a barriga e a cintura, tocando inevitavelmente na sua região baixa. Senti as mãos deles tocando meu quadril, uma de cada lado. Elas se moviam de acordo com os meus movimentos.

Virando, percebi muito tarde que nossos rostos estavam muito próximos.  Soltei o lenço do seu pescoço, e o enrolei na minha mão. Fiz movimentos leves com a outra e educadamente fui tirando uma mão e depois a outra dele da minha cintura. Fiz um movimento rápido com o lenço e ele se desenrolou da minha mão, caindo no chão. Essa era a deixa para me afastar. Rodopiei rapidamente e fui afastando... Porém, antes que eu pudesse dar dois passos, suas mãos agarraram o meu quadril novamente e me viraram rapidamente, sem me dar chance de defesa. Seus olhos faiscavam. 

- Isabella... – ele sussurrou baixinho. Eu apenas continuei ali, parada, meu peito subindo e descendo, ofegante. - Você... – e uma mão subiu para o meu rosto, acariciando a minha bochecha.

Delicadamente, ele a posicionou atrás da minha nuca, onde todos os pêlos do meu copo se arrepiaram devido ao toque gentil. Ele inclinou o rosto. Meu instinto não fez nada para afastar... Ele iria me beijar e eu poderia finalmente saber se era tão bom quanto no sonho... Não era desejo, e sim curiosidade. Quando ele estava próximo o bastante para que eu sentisse a sua respiração, parece que voltei a mim. Espalmei seu peito, afastando-o de mim.

- O que você pensa que está fazendo? – perguntei raivosa, enquanto virava para desligar o som.

Dava para sentir a tensão no ambiente.

- Me desculpa... Acho que eu perdi... – ele começou visivelmente envergonhado pelo acontecimento.

- Nunca mais me toque assim. – grunhi para ele. – Na verdade, nunca mais me toque. Eu já te pedi isso. A trégua está acabada. Acho melhor você ir embora.

- Isabella... Não era pra nada disso ter acontecido. Eu apenas fiquei... encantado com você dançando. – ele tentou explicar. - Desculpe mesmo se eu te ofendi de alguma maneira, não era a minha intenção.

Respirei fundo.

- Tudo bem, Edward. Confesso que talvez eu tenha exagerado. De qualquer maneira, acho que por hoje já foi... até demais.

- Eu estou perdoado por hoje então? – ele inquiriu.

- Eu vou pensar no seu caso. – falei. – Acho melhor você ir, preciso trocar de roupa para ir embora.

- Você não quer que eu a acompanhe? – ele insistiu.

- Não! - respondi. – É serio, está tudo bem.

- Ok! Eu queria apenas que você não me julgasse pelo que aconteceu hoje. Gostaria apenas de tentar uma amizade com você...

- Eu acho que isso seria um pouco difícil... É tarde... – falei novamente.

- Eu entendi o recado. Estou indo embora Isabella. – ele falou indo em direção a porta. – Até amanhã. – e sumiu.

Rapidamente eu fui ao banheiro, troquei de roupa, fechei todo o ateliê e entrei no meu carro. Era incrível que tudo tivesse acontecido apenas em um dia. Relembrando todas as minhas atitudes, percebi que eu não tinha agido como uma profissional. Comecei a me auto-condenar, repreendendo-me por ter aceitado essa loucura toda. Estava decidido, no outro dia teria uma conversa seria com Edward sobre tudo que tinha acontecido.


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