Oiieeee!!! Voltamos mais cedo do que o esperado. Mesmo com um monte de coisas essa semana (é aniversário de 2 anos do Equalize da Leitura hoje!!) e amanhã te o #IANDay (vocês estão sabendo?!), dei um jeito de passar aqui rapidinho pra poder postar o capítulo para vocês. A partir de agora, eu gosto mais, por que conseguimos desenvolver mais nossa imaginação e os personagens. Esperamos que vocês gostem também e comentem!! :)

CAPÍTULO 6
Amar es tener el cielo y sólo quiere una estrella, es amar al mar y sólo quiere una gota. Amar es tener el universo y quiere una sola persona: usted.

POV ISABELLA
Não é possível que uma pessoa pudesse ser tão irritante somente com o olhar. E o irritante não era este em si, e sim a forma como me sentia presa a ele. Eu não conseguia não fitá-lo. Era como se uma força magnética invisível me impossibilitasse de voltar à atenção em outra direção. E ainda mais quando estava tão perto dele como naquele momento. Corpos afastados o suficiente somente para conseguirmos dançar, seu braço rodeava minha cintura firmemente como um meio de garantir que eu não fugiria. E rostos, a centímetros de distância, poucos centímetros. Centímetros que eu poderia aumentar se conseguisse me concentrar em outra coisa além da sensação que tinha em estar ali. Com ele. Maldito homem incrivelmente atraente!
E mais um giro... Como de diversas vezes, ele me segurou com mais força do que o necessário grudando o corpo no meu. Com nenhuma sutileza, subi pela terceira vez a mão dele que teimava em permanecer abaixo da onde devia. Será que ele tem problemas de memória ou gosta de ver faíscas saindo de meus olhos? Toda vez que fazia isso, sentia um arrepio na espinha tão intenso que tinha de me segurar para que ele não sacudisse meu corpo inteiro, fazendo Edward notar. Só podia ser algum tipo de distúrbio hormonal. Não era como se fosse possível odiar e desejar tanto uma pessoa ao mesmo tempo. Desejar? Que merda foi essa que eu pensei?! Acho que tinha um distúrbio cerebral também.
Fui forçada a voltar à realidade quando minha perna bateu na dele. Alguma coisa estava errada. Ele estava fazendo errado.

- Não, não.. Não é assim. – dei pause no rádio com o controle na mesa ao nosso lado e voltei para perto dele. – Preste atenção. – retornei a posição da dança e mais uma vez, a mão dele escorregou para baixo. – Será que dá para você manter a mão no lugar certo ou está difícil?
- Desculpe. Dessa vez foi sem querer. – ele subiu a mão para o meio de minhas costas, o lugar de onde não devia ter saído.
Isso quer dizer que das outras vezes foi de propósito?
 
Desliguei-me deste pensamento para não começar uma discussão com ele. Estávamos em uma aula. Era só uma hora. Só uma. E pensar que tinham se passado apenas vinte minutos. Mostrei para ele o movimento correto dos pés e tornei a ligar o som. Recomeçamos da parte onde tínhamos parado. Fiquei atenta para ver se ele acertaria, no fundo desejava que não, assim poderia zombar que ele não sabia dançar. É claro que eu não faria isso, evitava trocar palavras com ele. Mas em pensamento não faz mal. Quando a música chegou à parte desejada, ele completou o movimento com perfeição e acrescentou uma coisa que eu não tinha ensinado ainda.
Apoiou uma mão em minhas costas e inclinou sobre mim fazendo com que eu pendesse o corpo para trás em um movimento circular, típico de dançarinos profissionais. Sua perna estava entre as minhas quando me vi na posição vertical novamente e lá estava aquele maldito sorriso torto.
- Eu fiz certo agora? – sua pergunta destilava malícia.
Meu coração martelava tão forte que eu conseguia ouvi-lo em alto e bom som. Eu estava incrédula. Como ele tinha aprendido aquilo? Não era um movimento difícil, com certeza não, mas ainda assim. Fechei a boca que não me lembrava de ter aberto e tentei me soltar dele. Eu não conseguia respirar direito, não conseguia pensar direito e a minha sensibilidade a seu corpo estava mais aguçada; ele não me soltava. Empurrei o peito dele com as duas mãos, mas isso não deu muito certo. Quando me vi livre de seu aperto, meu corpo despencou para baixo, não consegui segurar a mim mesma. Estava mole. E mais uma vez ele me segurou, mas não antes de impedir com que eu virasse o pé. Senti uma grande dor no tornozelo e deixei um gemido de dor escapar.
- Você está bem?
- É claro que não estou bem! – tentei fincar os pés no chão, mas não consegui. De repente, senti meu corpo ser suspenso no ar. Ele tinha me pego no colo. – Me ponha no chão imediatamente! Me larga! – comecei a me debater quando ele não me obedeceu e começou a caminhar. – Me solta, Edward!
- Quer parar de fazer pirraça? – reclamou.
- Você está dizendo que eu sou pirracenta? – ele revirou os olhos. – Solta! Me Solta! Agora!
Ele me colocou sentada no banco de madeira que tinha na sala e sem minha permissão, segurou meu tornozelo. Comecei a sacudir para ele largar e ele o fez, levantando e saindo da sala. Ahn? Como assim ele me deixa aqui e vai embora sem dizer nada? Arrogante mal-educado! Idiota! E eu pensando que ele ia me ajudar. É Bella, agora se vira! Fui escorregando através do banco até conseguir alcançar o apoio deste, e me ergui. Eu podia ir sozinha. Mas como ia descer as escadas? Não era a primeira vez que isso acontecia. Eu sabia que tinha sido só um mau-jeito, mas se eu forçasse o pé no chão poderia piorar. Fui pulando num pé só tentando chegar até o reque onde estava meu celular. Podia ligar para alguém vir aqui.
Parei um pouco para descansar, ignorando a dor que insistia em se fazer presente. É tudo culpa dele! Eu estar aqui é culpa dele! Eu quase ter torcido o tornozelo é culpa dele! O Efeito Estufa é culpa dele! Tornei a pular e quando estava quase chegando lá, escutei a porta ser aberta.
- Por que você levantou? – e lá estava Edward com uma compressa de gelo na mão.
Ele andou depressa até mim e me ajudou a retornar ao banco. Não que eu tivesse deixado, mas aquela bolsa de gelo era tentadora. Ele agachou na minha frente e segurou meu tornozelo novamente, pressionando o gelo no local inchado. De imediato, senti um alívio apesar da temperatura baixa do objeto. Ele nada disse, apenas tirou minha sandália e apoiou meu pé em sua perna.
Ele parecia preocupado. Bem preocupado, na verdade. Antes que precisasse admitir para mim mesma que essa atitude tinha me encantado, mudei a linda de raciocínio. Ele tinha que estar preocupado mesmo, afinal a culpa tinha sido dele! Dei de ombros mentalmente. Alguns minutos se passaram e então pude reparar que aquela posição não era favorável. Eu estava de vestido e digamos que, ele poderia acabar vendo o que não devia. Tentei juntar as pernas, em vão. Por que isso só acontece comigo? Ele subiu a mão para minha panturrilha, num movimento aparentemente involuntário. Foi o bastante para me fazer estremecer. Ele notou e olhou pra mim. Merda, isso não é bom.
- Ainda está doendo? – perguntou e eu balancei a cabeça negando, mas depois fiz que sim. Era uma desculpa. – Acho melhor levar você a um hospital, Bella.
- Não precisa. Foi só um mau-jeito.
- Você é formada em medicina? Pare de reclamar. Eu vou te levar a um hospital sim. – ele levantou, me puxando para levantar com cuidado.
- Já aconteceu antes. Por isso digo que não precisa. Isso é normal com dançarinos. Eu não preciso de médico nenhum, só quero ir para casa. – apoiei-me nele para levantar, e depois de pegar meu celular, saí da sala.
Ele ainda me guiava, já tinha dito que não precisava e ele não deu a mínima. Ao chegar ao pé das escadas, ele me pegou no colo de novo.
- Quer fazer o favor de me colocar no chão? Eu consigo andar!
- Você é tão teimosa... – murmurou descendo os degraus enquanto eu ainda reclamava.
Carregava-me como se eu fosse um travesseiro, sem esforço algum. Sua expressão demonstrava certo prazer em fazer isso, embora ainda estivesse preocupado. O tamanho da minha infelicidade ao chegar ao primeiro andar foi incomparável. Estava tudo escuro. Estávamos sozinhos. Todos já tinham ido. Desesperei-me completamente quando ele me pôs no chão. Como eu iria embora?
 
- Eu posso te levar, se quiser... – ele respondeu a pergunta que eu não fiz.
- Não, obrigada. Eu vou ligar para alguém. – esquivei-me na hora, discando o número de Alice no celular.
Chamou uma, duas, três, quatro, cinco, a eternidade e além e nada de ela atender. Edward encostou-se ao balcão da recepção, olhando para mim com uma expressão presunçosa. Ignorei isso e disquei novamente. E outra vez, ela não atendeu. Mas que inferno! Disquei o número de Rose e estava fora da área. Já estava conformada com o meu evidente azar, quando uma luz clareou minha mente... Ainda tinha uma pessoa! Sabia que ele atenderia. Chamou uma, duas, três e:
- Mi Isabella, estou em reunião. Ligo pra você depois. Te amo ainda assim... – Jake, minha última esperança, já atendeu desligando.
Tirei o celular do ouvido sentindo que estava ferrada. De um jeito ou de outro. Estava ferrada.
- Parece que sou sua única opção... – murmurou Edward sorrindo.
Pior que isso? Só dois disso!  
POV EDWARD
 
E imaginar que eu tinha pensado em desistir da minha estrela. Isso era tudo o que eu não pensava agora. Justamente pelo fato de eu ter conseguido alguma coisa. Uma brecha, uma oportunidade, como queira chamar. E eu não desperdiçaria essa chance. Não é como se eu estivesse agradecendo por ela ter se machucado enquanto dançávamos e eu realmente preferiria levá-la a um hospital, mas também não é como se eu estivesse odiando a idéia de poder ajudá-la de alguma forma, levando-a em casa.
Tinha certeza de que ela podia notar o quão satisfeito eu fiquei ao perceber que não havia mais ninguém disponível para isso além de mim. E apesar de ela ainda apresentar resistência quanto ao simples fato de eu tocá-la, podia me permitir sentir um pouco de orgulho de mim mesmo. Para quem não tinha nada, qualquer mínima aproximação era tudo.
Pude notar pelo canto do olho Bella se mexer desconfortável no banco do carro. Não sei se isso se dava por eu estar dirigindo o seu carro, se era pelo incômodo que seu tornozelo devia estar causando ou se era naturalmente pela minha presença. Podiam-se enumerar diversas sugestões. E ao julgar pela imensa antipatia que ela nutria por minha pessoa, a terceira opção era a mais aceitável.
- Está mesmo bem? – perguntei ainda não satisfeito com a idéia de não cuidar da torção, mau-jeito ou derivados, do jeito correto que, era num hospital.
- Edward, eu já disse que sim. Pare de perguntar isso! – reclamou soando mais impaciente do que deveria.
- Não estou insistindo tanto assim... – murmurei um pouco indeciso.
- É a quarta vez desde que deixamos o ateliê... – deu um suspiro cansado se remexendo novamente no acento. Arqueei as sobrancelhas de modo questionador. – Não é nada, eu só... Só estou cansada. Dá para ir mais rápido por gentileza? – sugeriu num tom irônico.
Fui obrigado a notar que eu realmente estava dirigindo no modo “Conduzindo Miss Daisy”, e então acelerei. Talvez fosse pelo fato de que eu queria prolongar meu momento com a Bella e estava fazendo isso inconscientemente. Eu não queria que a noite acabasse assim, apenas fazendo um favor a ela e só. Eu queria mais. Eu queria chamar sua atenção, queria fazê-la enxergar algo além do que eu aparentava ser. Eu queria que ela não se sentisse desconfortável por estar comigo. Desconfortável apenas por eu estar ao seu lado, sem eu ao menos dizer sequer uma palavra. Não era isso que eu queria. E de repente, não vi a necessidade de seguir religiosamente as fases impostas por meu amigo metido à sabe-tudo.
Vendo o quanto ela estava ansiosa para se ver livre da atmosfera pesada que se instalou no carro no momento em que entramos, eu decidi que atropelaria a ordem tão milimetricamente bolada por Emmet. Eu podia fazer isso, era para um bem maior. E apesar de não ser nada fácil para eu fazer isso, e apesar da minha incontestável vontade de desistir dessa idéia antes mesmo de praticá-la e apenas jogar tudo para o alto, vi naquele momento a minha, talvez única, oportunidade de mudar a visão que ela tinha de mim. Ou ao menos, distorcê-la. Confundi-la.
O necessário para derrubar essa imagem ruim que eu mesmo criei naquela noite. Ela estava ali apesar de tudo. Ela tinha aceitado me dar as aulas mesmo não suportando estar a uma pequena distância de mim, e mesmo que todo esse esforço fosse pelo seu trabalho, ela ainda estava ali. E era nisso que eu podia única e exclusivamente me basear.
Era como se a gola da minha camisa parecesse mais apertada à medida que eu tentava abrir a boca para falar alguma coisa, era tão mais difícil do que parecia. Era tão mais difícil respirar ou até mesmo piscar naquele momento. Por que era isso, um simples piscar de olhos poderia estragar tudo. Com ela, era como se eu sempre estivesse pisando em ovos. Dando tiros no escuro ou caminhando por entre minas terrestres de olhos vendados. Nada do que eu fazia parecia ser certo, talvez verdadeiramente não fosse. E felizmente, ela não pareceu notar meu nervosismo repentino. Estava de olhos fechados, com a cabeça reclinada no apoio do carro. Aparentemente calma e serena. Podia-se até afirmar que estava dormindo.
- Bella? – usei o meu tom mais amigável possível.
Se ela estivesse mesmo dormindo, provavelmente ia se irritar ainda mais por ter sido acordada. Ela abriu os olhos devagar e por um momento pareceu lamentar por me ver ali, talvez tenha pensado ter sido só um pesadelo. Enquanto abria os olhos completamente, deixou um gemido baixo de frustração escapar. Ela olhou para mim esperando eu continuar a falar. E então, minha voz tinha desaparecido. Está podendo minha voz desaparecer agora? Estava quase tudo ali: Coragem, determinação, ansiedade e até um pouco de esperança. Só faltava um pequeno detalhe, a minha fala estava comprometida. Abria a boca, mas não emitia nenhum som. Isso definitivamente é mais difícil do que parece.
- O que foi?! – ela já estava impaciente.
Isso não ajudava nada, nada. Não é como se eu fosse recuperar minha habilidade de comunicação com ela me pressionando! Com licença, tem alguém tentando se desculpar aqui! – Justifiquei-me em pensamento. Eu não conseguia fazer isso. Não era para mim, estava além da minha natureza. Além do meu Q.I.
- O que foi Edward? – insistiu nervosa. Respirei fundo. Era só formular as palavras e pronunciá-las. Não era tão difícil. Era só lembrar como se formam as sílabas e... – Ficou mudo logo agora? – perguntou sarcástica.
Mal sabia ela que era a mais pura verdade.
- Não. – consegui, enfim, dizer algo. – Eu queria... É... – estava indo, quase lá. Vamos melhorar isso aí! – Você sabe... É... – ela me olhava com uma expressão de divertimento. Ligue pro circo e diga que encontrou uma nova atração. – Ataquei mentalmente. Queria vê-la vir fazer isso no meu lugar! Era tão injusto logo eu ter que passar por esse tipo de coisa.  – Bom, não é muito difícil perceber que você não é lá muito minha fã... – comecei desacelerando o carro de novo. Não sabia quanto tempo isso ia levar, então era melhor prevenir.
- Não, eu não sou. – confirmou indubitavelmente certa do que dizia.
- Enfim... – eu não precisava que ela dificultasse mais ainda as coisas para mim. – O que eu quero dizer é que você tem a impressão errada de mim. – ela riu sem humor. – Ou melhor, eu causei uma impressão errada de mim mesmo. E não posso te culpar por isso. Eu exagerei naquele dia na boate... Quero dizer, era só uma bebida, certo? Nada de mais. – ri nervosamente. Ela agora me olhava, confusa. – Então, eu queria que me desse a chance de mudar isso. Eu não sou tão ruim quanto você pensa. – finalizei com um sorriso forçado.
- O que quer dizer? – sua voz ecoava mais baixo do que o normal.
- Estou te pedindo desculpas, Bella! – exclamei de uma vez só.
Era mesmo necessário isso? Será que ela não tinha entendido? Não queria a encarar, não queria nem pensar no que ela poderia dizer, mas foi inevitável depois do grande silêncio que se estendeu devido a minha última frase. Ela estava com os olhos um pouco arregalados, me encarando fixamente como se procurasse por algo ali, antes de explodir numa gargalhada extremamente alta. Embora fosse muito gostosa de ouvir, ela não estava rindo para mim e sim, de mim.
- Qual o propósito disso, que mal lhe pergunte?
- Desculpa, mas isso realmente é engraçado. – respondeu ainda rindo descaradamente até quase passar mal. Até tossir ela fez devido à quantidade de tempo que permaneceu rindo.
Estava prestando atenção na direção, quando avistei a rua que ela disse ser a sua quando saímos do ateliê, tentava ao máximo ignorar suas risadas. Mas por incrível que pareça, era quase um estimulante para meu próprio riso.
- Você está mesmo me pedindo desculpas? Você? Você, Edward?!
- Não vejo como isso possa ser engraçado. – dei de ombros, mais nervoso do que era aceitável para situação.
Eu não acreditava que depois de todo meu esforço ela estava rindo da minha cara! Era isso que eu ganhava por passar por cima do meu orgulho por causa dela.
- Ah, mas eu vejo. Bem mais claro e límpido do que em TV LCD. – zombou mais um pouco para não perder a piada. E nem ao menos se incomodava por eu estar a encarando de modo nada gentil, ou ao menos era isso que eu estava tentando.
O tempo passava e ainda sim eu continuava nervoso. Não é como se tivesse passado muito tempo por que faltavam apenas minutos até chegar a casa dela e sim porque ela ainda no intervalo de alguns segundos e ainda não tinha respondido a minha pergunta subentendida. Ela me instruiu a estacionar o carro na garagem de seu prédio e uma vez fora do carro, fui rapidamente até o outro lado para ajudá-la a sair. Ela me encarou estranhamente de novo antes de segurar a minha mão para descer do carro.
Tranquei-o e segurei Bella pela cintura para guiá-la. Senti-a se arrepiar e lutei contra a contra a vontade de oferecer meu casaco a ela, isso acontecia tantas vezes que só podia ser frio, mas como eu ainda não tinha falado nada com ela depois da nossa última conversa, desisti. Ela me responderia, por ela mesma.
Pude perceber que ela já estava caminhando melhor, mas mesmo assim achei mais prudente subir com ela no elevador. Ou talvez fosse só minha vontade de prolongar tudo novamente. Muitas chances de ser isso. Ela chamou ao elevador e logo notei que ela ia retrucar quando fiz menção em entrar também. Tão teimosa...
- Edward, eu consigo andar sozinha. Não precisa disso! – imitei a voz dela, com certeza não convenceu. – Eu já sei.
Para minha surpresa, ela não insistiu. Felizmente, talvez, uma mulher entrou também, nos salvando daquele clima chato que com certeza ia aparecer. Ela apertou o botão do seu andar seguidamente de minha estrela, e após cumprimentá-la, preocupou-se em avaliar a pessoa junto a ela. No caso, eu. Ela me encarou, olhou para Bella e voltou a me encarar. E eu conhecia aquele olhar. Conhecia muito bem. E para minha surpresa novamente, não despertou nenhum interesse em mim.
- Ai.. – lamentou Bella se apoiando mais em mim.
- Está doendo? – perguntei e ela assentiu com uma expressão cansada. – Tente não... Apoiar tanto o peso nessa perna. – ela assentiu novamente se segurando mais ainda em mim, e lançando um olhar discreto na direção de sua vizinha que por alguma razão, ainda nos fitava discretamente pelo canto do olho. 
Acompanhei-a até sua porta para me certificar de que ela chegaria mesmo bem. E eu senti a necessidade de perguntar. Estava tentando me conter, mas era tão difícil. Eu precisava saber. Ela já ia abrir a porta e eu perderia a chance, agi de uma vez...
- Bella... Você... Não me respondeu.
- Ah... – ela deixou escapar, enquanto começava a brincar com chaves nervosamente.
Não que seja verdade, mas quando as mulheres fazem é um símbolo subentendido de que elas querem ser beijadas, não é? – Questionei a mim mesmo. Eu realmente não tenho que ficar criando suposições para acelerar as coisas. Embora o jeito com que ela estava mordendo os lábios era tão terrivelmente sexy... Mas que merda! Eu não posso agir como um idiota com ela! Eu queria tanto saber, mas ela parecia tão desconfortável..
- Você não precisa responder agora... – foi mais fácil do que eu pensei que seria falar isso. – Sabe, se quiser pensar... Eu espero. – conclui torcendo pra que estivesse fazendo aquilo certo.
Eu sempre tive tanta segurança em relação as mulheres, mas Bella era tão diferente de tudo. Então ela merecia ser tratada diferente também. Seus olhos me fitaram novamente, e soube que ela estava aliviada. Assentiu levemente.
- Tudo bem, então... – eu queria tanto beijá-la.
No rosto não faria mal nenhum... Eu acho. Eu só queria sentir... E olhando para ela, imaginei que estivesse pensando a mesma coisa. Rápido demais. Ela pode não gostar, ela pode me bater... Não vale a pena estragar tudo por mais um dos meus desejos por ela, já bastam os sonhos que tenho... Não é bom pensar nisso agora. Minha libido pode ser acionada apenas com a lembrança.
- Então... Até amanhã. – ela balançou os dedos timidamente num gesto de despedida enquanto eu me afastava.
E podia ser só eu, mas ela também ficava tão sexy fazendo aquilo.
- Edward? – sua voz era baixa.
- Sim?  
- Obrigada por... me trazer. – foi impossível não sorrir diante ao seu evidente nervosismo. Se ela soubesse que eu estava tão mais nervoso do que ela.
- Cuidado pra não tropeçar no tapete.. – apontei para a peça de pano em frente a sua porta. – Não vou estar aqui pra te ajudar, e aí... O que fará sem mim? – arrependi-me ao terminar de falar.
Ela poderia achar uma brincadeira estúpida e prepotente. Soquei-me mentalmente várias vezes antes de enxergar o sorriso tímido que ela deu para mim. Ela sorriu para mim. Para mim. E daí que eu sorri de volta igual um idiota? E daí que ela estava vendo? Eu entrei no elevador sorrindo, cheguei à entrada do prédio ainda sorrindo e chamei o táxi com o sorriso ainda ali. Por que pouco me importava os olhares que eu recebi por estar sorrindo sem aparente motivo. E pouco me importava o fato de que eu não sabia ainda se ela ia me desculpar. E pouco me importava o resto do mundo. Minha estrela tinha sorrido pra mim. E graças aos céus por isso! 
     
POV ISABELLA
Tá, eu não estava nada confortável com Edward Masen dirigindo o meu carro enquanto eu ficava com o papel da incapacitada. A satisfação estava estampada na cara dele, que estava adorando toda a situação, o que me deixava mais irritada. As meninas não atendem o celular, meu pé está doendo horrores e Jake me abandona com esse mala. Depois não pode reclamar caso que me apaixone por ele... O quê? Repreendi-me. Não acredito que eu pensei nisso!! Balancei a cabeça na tentativa de afastar esses pensamentos para longe de mim. E OK. Ele não foi tão mala assim. Não tinha como eu sequer pensar em dirigir com o tornozelo desse jeito. Apesar do gelo, tinha um leve inchaço. Ele foi... gentil.
Eu me mexi desconfortavelmente no banco do carro. A maior parte era por que eu estava procurando uma posição onde meu pé não doesse tanto, e a outra parte era por saber que a minha única opção tinha sido ele. A situação estava cada vez mais estranha: ele aparecer no Ateliê para aprender a dançar, enquanto pelas aulas que tivemos, eu percebia que ele tinha um mínimo de aprendizado em dança. Ele se movia com leveza, estava sempre atento aos movimentos e eu nunca tinha que repetir duas vezes.
Fora todas as vezes que ele tinha me surpreendido, continuando o movimento inesperadamente, me girando e fazendo passos com um grau de dificuldade maior. Na maioria das vezes, ele fazia com que o meu corpo caísse para trás.  Eu tinha a leve impressão que era por que ali ele teria mais ‘acesso’ ao meu corpo por causa do esforço que faria para manter o movimento. Ou então, grudava o dele tanto no meu, que muitas vezes me causava dúvida em qual era o meu corpo e qual era o dele. Eu conseguia distinguir com facilidade as linhas daquele corpo másculo, apesar de toda a roupa.
Fui tirada dos meus pensamentos quando mais uma vez ele perguntou se eu estava bem. Eu explodi! Era a quarta vez desde que ele perguntava isso e, por favor, eu já tinha respondido. Olhei para o velocímetro do carro e vi que na pista que era pra estar andando a 80km/h, ele estava a 50km/h.
- Dá pra ir mais rápido por gentileza? – sugeri ironicamente, olhando para o velocímetro e para ele.
Consegui ter a certeza que ele entendeu o recado e o senti pisar um pouco mais no acelerador. Eu não conseguia disfarçar a minha vontade de chegar a casa. Encostei minha cabeça no banco e fechei os olhos, num modo bem sugestivo de falar: “Não estou a fim de conversa.” Minha mente estava vazia e eu sentia o clima pesado no ar, mas não estava com muita vontade de manter um papo agradável com Edward, então continuei na mesma.
Em determinado momento, eu comecei a me perguntar o porquê de ele estar agindo dessa forma. Não era do feitio dele, isso eu poderia falar com certeza já que eu sabia o quanto mal educado ele tinha sido quando nos conhecemos na boate. E ver ele ali, dirigindo meu carro, preocupado com o meu pé e como eu chegaria a casa, fez com que eu pensasse estar sonhando e que esse Edward educado seria um homem na qual eu nunca conheci. E o pior: poderia ser um homem que eu me apaixonaria.
Nas aulas, ele tocava insistentemente meu corpo de um jeito que me irritava. Tudo bem, ele todinho me irritava! Eu não conseguia entender como alguém tão belo, com olhos tão profundamente verdes, conseguia ser tão insensível. Não que apenas esse fosse motivo para avaliar uma pessoa como insensível. Pera aí! Por que eu estou pensando nisso mesmo? Desde que saímos do Ateliê que eu estou comparando, analisando, observando... Comecei a relaxar, poderia até cochilar tranquilamente.
Meu corpo gritava por descanso. Meu corpo se espalhou mais confortavelmente pelo banco, enquanto um vento entrava pelo vidro quase fechado. Eu lembrei de Jake. E lembrei que era a primeira vez que ele me deixava mão. Eu não estava cobrando nada, só que era para ele estar ali, dirigindo. Era para a gente estar conversando e não ficar com esse clima chato que está aqui. Era para ele estar me fazendo rir e eu não ia me importar se ele me perguntasse quantas vezes fosse preciso se eu estava bem, não ia me importar nem mesmo que ele dirigisse a 20km/h. E provavelmente, ele não ia me levar para casa.
Ele ia me levar para o seu apartamento – mesmo contra minha vontade – e iria cuidar de mim. Iria me deitar na cama enorme do seu quarto, me fazer tomar um banho, enquanto estaria na cozinha preparando uma enorme caneca de chocolate quente com marshmallows, e me entregaria assim eu que eu saísse do banho com os cabelos molhados. Então iria cuidar do meu pé e quando terminasse me faria deitar e falaria bem baixo para mim: “Tudo vai ficar bem amanhã, mi bailarina.”.
Como eu sabia disso? Eu já perdi as contas de quantas vezes esse ritual aconteceu, desde pequena nos ensaios que fazíamos ainda no quarto que tia Doroth arrumou. E então eu dormiria, sentindo aquele cheiro gostoso que só ele tinha. Uma mistura do seu perfume, com loção pós-barba e o próprio cheiro da sua pele... Inspirei profundamente, por instinto, procurando aquele cheiro.
Mas o que eu apenas consegui distinguir era... Uma espécie de mix de essências, um forte aroma de madeira de sândalo que me lembrava da minha infância, mais especificamente da pequena casa da árvore que eu, Tia Doroth e Jake construímos, misturado a almíscar e baunilha. Era de longe, indescritível.
- Bella?
Fui interrompida bruscamente das minhas lembranças. E por um momento de insanidade, eu pensei que fosse o Jake que estivesse ali, mas não era. Frustrada, abri os olhos.  Lá vem ele perguntar se eu estou bem mais uma vez. Acho que vai ser agora que eu vou ficar com a mão doendo também, por que se essa pergunta pelo menos surgir nos lábios dele, eu vou ser forçada a acertar-lhe a cara. Olhei – o. Ele parecia estar travando uma batalha interna. Continuei fitando-o para saber o que queria, já que tinha interrompido os meus pensamentos, mesmo que não soubesse disso, a culpa era dele. Ele abriu a boca como se fosse finalmente falar, mas nada falou.
- O que foi?! – perguntei já impaciente.
Ele continuou naquela, abrindo e fechando a boca, mas sem nenhum som emitir. Comecei a ficar preocupada. E se ele tivesse algum problema? E se ele tomasse remédio controlado e tivesse esquecido? Oh meu Deus!! E se o carro estivesse com algum problema e ele estivesse com medo de me falar e eu me alterar? Era melhor tratá-lo com carinho antes de qualquer surto que poderia fazer com que sofrêssemos um acidente. Apertei mais o cinto ao meu redor enquanto perguntava um pouco mais gentil.
- O que foi Edward? – ele respirou fundo. Enquanto meu tom de deboche vinha à tona. Era muito estranho vê-lo nessa situação. – Ficou mudo logo agora?
Então começou a gaguejar o que me fez querer rir muito da cara dele. Sabe quando eu falei que as coisas estavam mesmo estranhas? Pois é. Está acontecendo de novo.
Bom, não é muito difícil perceber que você não é lá muito minha fã...
 
O que ele queria dizer com isso? Qualquer pessoa que me visse com ele saberia que eu não era nem um pouco fã dele. Isso estava cada vez mais estranho. E ele foi desacelerando o carro que ele nem tinha acelerado tanto. Olhei ao redor e estávamos em um trecho escuro quase perto da minha casa. Pensamentos ruins me atingiram. Como eu sou burra. Xinguei-me mentalmente. Como eu deixo um homem completamente desconhecido dirigir meu carro, falando que era para me ajudar a chegar até em casa?
Ele provavelmente ia parar o carro, me ameaçar com uma faca e me levar para o beco escuro que tinha ali perto e fazer sabe lá Deus o quê. Meu corpo entrou no modo de defesa por instinto. Se ele me puxasse para fora do carro, eu poderia lutar e teria uma pequena chance de correr e chegar até meu apartamento e pedir ajuda. Só que meu tornozelo deu uma leve contração, como se para avisar que ele estava ali e que correr seria praticamente impossível. Eu iria manter a minha melhor cara. Eu não ia deixar ele me intimidar.
- Não, eu não sou. – respondi decidida, não aparentando o medo que me assolava.
- O que eu quero dizer é que você tem a impressão errada de mim. Ou melhor, eu causei uma impressão errada de mim mesmo. E não posso te culpar por isso. Eu exagerei naquele dia na boate... Quero dizer, era só uma bebida, certo? Nada de mais.
E então ele começou com um papinho estranho de impressão errada. Como se ele não tivesse me dado motivos para isso. Pensei rapidamente. Tá, isso está realmente estranho. Ele não parou o carro, mas continuou devagar, como se quisesse adquirir algum tempo. Será que ele queria falar o que eu estava pensando que queria? Isso seria realmente... inacreditável.
- O que quer dizer? – perguntei e me surpreendi da minha voz está tão baixa.
Meu corpo já não estava mais no modo de defesa. Minha mente estava.
- Estou te pedindo desculpas, Bella! – ele falou de vez. Eu encarei – o. Um turbilhão de sentimentos passou por mim. Agora esse era o ponto mais estranho: Edward Grosseiro Masen, pedindo desculpas? Para mim? Há Há Há! E antes que eu pudesse sequer disfarçar, a gargalhada escapou alta e eu senti meus olhos lacrimejaram diante a piada. Isso era demais para mim. Olhei – o ainda rindo e ele parecia extremamente ofendido que no seu educado pedido de desculpas eu tivesse rido da sua cara.
 
- Qual o propósito disso, que mal lhe pergunte? – ele perguntou.
- Desculpa, mas isso realmente é engraçado. – respondi sem fôlego e comecei a tossir.
Ele voltou a dirigir normalmente, tentando ignorar o fato que eu estava ali ao seu lado, quase passando mal de tanto rir por que ele estava me pedindo desculpas. Era visível que ele nunca tinha feito isso com ninguém, ou pouquíssimas vezes, por que nunca na minha vida que eu vi alguém gaguejar tanto apenas para se desculpar. Era como se fosse uma verdadeira vergonha para ele, se desculpar com alguém. Principalmente se esse alguém fosse eu. E aquilo era ainda mais divertido.
- Você está mesmo me pedindo desculpas? Você? Você, Edward?! 
- Não vejo como isso possa ser engraçado.
- Ah, mas eu vejo. Bem mais claro e límpido do que em TV LCD. – falei alegremente.
Ele me mandou um olhar mortal que não fez nenhum efeito em mim. Ele continuou a dirigir, dessa vez pisando mais no acelerador, enquanto eu ainda ria internamente, com um sorriso no rosto pela grande revelação. Eu não o respondi, claro. Por que era ÓBVIO que ele estava apenas brincando para tentar me agradar. Dez minutos depois, eu mostrei a ele onde estacionar para que eu pudesse ficar mais perto do elevador e não precisasse da ajuda dele.
Quando ele desligou a chave, eu imediatamente abri a porta, mas como se ele tivesse uma ultra mega velocidade, antes que eu pudesse se quer pensar em colocar meus pés no chão, ele já estava ao meu lado. Ou talvez eu fosse a lerda. Segurei na sua mão estendida, apoiando-me. Ele passou sua outra mão pela minha cintura, me ajudando a manter o equilíbrio. Meu corpo se arrepiou totalmente. Era como se tivesse uma energia que controlava o meu corpo toda vez que ele me tocava. Fomos caminhando até o elevador, onde eu apertei o botão. Quando chegou, ele entrou junto. Ele não iria subir comigo não é mesmo?
- Edward, eu consigo andar sozinha. Não precisa disso! Eu já sei. – ele falou imitando a minha voz e deixando bem claro que me acompanharia.
Conformei-me. Ele continuou com seu braço ao meu redor. E eu continuei com a minha cara de paisagem. Apertei o botão, me apoiando ainda mais nele. Ele estava praticamente me carregando. A vizinha fofoqueira do prédio estava dentro do elevador também. Ela olhou para Edward, olhou para mim – agarrada a ele – e voltou a olhá-lo. Devia estar pensando que eu já estava de caso com Edward também e que eu era uma vadiazinha que vivia trocando de namorado.
Eu sabia que tinha muitos comentários sobre mim e Jake que rolavam pelo prédio, já que muitas vezes ele dormia no meu apartamento, convidado meu. Eu nunca quis Jake como mais do que um amigo, e ele sempre respeitou isso. Quando ele ia para lá, nós assistíamos a filmes, conversávamos muito e então ele ia para o quarto de hóspedes que eu preparava com carinho, enquanto eu ia para o meu quarto. Notando o olhar da vizinha se demorando sobre o Edward, armei um teatro básico.
- Aii... – falei me apoiando ainda mais nele.
   
- Está doendo? – ele perguntou prontamente.
Eu levantei meus olhos, que estavam avaliando o dano e olhei – o. E puta que pariu, eu me perdi naqueles olhos.  Aquele par de olhos me encarava tão fortemente, e por um momento eu me senti segura com ele ao meu lado.
- Tente não... Apoiar tanto o peso nessa perna. – Eu concordei e olhei para vizinha para estudar a sua expressão. Contive o sorrisinho quando ela virou a cara.
Ele me acompanhou até a entrada do apartamento, mantendo meu peso sobre o seu corpo. Peguei a chave na bolsa, me separando do corpo de Edward.
- Bella... Você... Não me respondeu. – ele começou.
- Aahh... – deixei escapar.
Ele estava realmente falando sério? Comecei a mexer nervosamente nas chaves, por que eu não esperava que ele voltasse a tocar no assunto, uma vez que eu pensei que ele estava brincando. Mas pela sua expressão, ele estava falando bastante serio.
- Você não precisa responder agora... Sabe, se quiser pensar... Eu espero.  – ele emendou rápido, vendo o meu constrangimento. Eu brinquei com as chaves nas mãos. Seus olhos estavam verdes escuros, tão diferentes de quando mais cedo ele me encarava. Dessa vez, havia determinação. - Tudo bem, então... Então... Até amanhã.
Ele se afastou e a única coisa que eu consegui fazer foi levantar minimamente meus dedos, em um gesto de adeus. Eu ainda estava meio extasiada com toda a avalanche de emoções. Só que eu sentia que ainda faltava alguma coisa. E eu tinha que falar antes que ele fosse, afinal, ele tinha cuidado de mim.
- Edward? – falei baixinho, quase num sussurro. Eu queria falar isso para ele e ao mesmo tempo eu tinha medo de estar dando abertura.
- Sim? - ele respondeu, se virando na porta do elevador, a expressão como se estivesse esperando por aquele chamado.
- Obrigada por... me trazer. – falei ainda no mesmo tom e com a cabeça quase baixa.
Ele deixou um lindo sorriso se formar no rosto e foi o primeiro que eu julguei verdadeiro vindo dele.
- Cuidado pra não tropeçar no tapete. Não vou estar aqui pra te ajudar, e aí... O que fará sem mim? – ele observou.
Retribuí a frase com um sorriso educado de agradecimento, enquanto entrava em casa. Fui caminhando devagar. Caminhando não, pulando até o banheiro e tirava a roupa pelo caminho. Eu queria muito um banho de banheira, mas o cansaço me fez escolher mesmo uma ducha. Tomei cuidado para não escorregar e quarenta minutos depois eu estava jogada na minha cama, fazendo uma compressa de água quente no meu tornozelo que estava inchado.
Fechei meus olhos e relaxei mais uma vez, dessa vez sabendo que não teria ninguém para atrapalhar o meu sono.
- Você está melhor?
 
Estava no meu quarto. Só que dessa vez eu estava sentando e ninguém menos que Edward sentando comigo.
 
- De novo essa pergunta? – reclamei. – Você não tem nada mais interessante para me perguntar não?
 
- OK. – ele falou com um sorriso. – Eu gostaria de saber então por que você não cuidou do seu tornozelo.  – ele falou apontando para o meu tornozelo que tinha uma grande marca roxa e estava deveras inchado.
 
- OH meu Deus! – exclamei horrorizada. – Eu não sabia que estava assim. – e rapidamente me abaixei, tocando-o com cuidado, com medo da dor. Porem, ela não veio. Edward riu. – O quê?
 
- Eu sabia que você não iria se cuidar. Então eu cuidei para você. Foi um sacrifício encontrar essas ervas aqui. Eu aprendi com uma amiga.  – ele respondeu satisfeito consigo mesmo. – O roxo vai desaparecer dentro de algumas horas.
 
- Você... cuidou... de mim? – perguntei incrédula.
 
- Claro. Estava na cara que você não iria cuidar Bella. – ele respondeu como se fosse algo óbvio.
 
- Obrigada! – falei, envolvendo-o seu pescoço com os meus braços num abraço de agradecimento.
 
Acho que peguei-o desprevenido, por que ele ficou parado por um momento, até envolver seus braços ao meu redor. Quando eu me afastei, ele ainda me segurava próxima. Seu rosto estava muito, muito perto.
 
- Por nada, Bella. – ele respondeu, seu hálito quente atingindo meu rosto e me fazendo respirar fundo.
 
Ele tirou um dos seus braços que estava posicionado ao redor do meu tronco e posicionou na minha nuca, envolvendo meus cabelos e inclinando levemente meu pescoço. Eu fechei os olhos. – É sempre... – e deu um leve beijo no meu pescoço que me fez arrepiar. – um prazer poder te ajudar.
 
Seu nariz traçou um caminho, com ele inspirando profundamente na região. Então ele parou na minha bochecha e deixou ali um singelo beijo. Eu suspirei, de frustração. Eu não queria aquele beijo ali. Ele então afastou a cabeça, e eu abri os olhos. Ele respirou fundo, enquanto sussurrava.
 
- Minha Bella. – e levou seus lábios em direção aos meus.
 
Eles eram gentis, quentes, gostosos. Eu entreabri meus lábios, procurando por sua língua. E ele entendeu meu recado e eu fui cruelmente atingida por aquela sensação maravilhosa. Ele estava fazendo o que queria comigo.  Suas mãos controlavam o meu rosto, controlando o beijo. Minhas mãos agora estavam enfiadas nos seus cabelos sedosos e quando ele deu uma leve mordida no meu lábio inferior, eu gemi de prazer.
Acordei assustada. Um sonho. Apenas um sonho. Apenas um sonho bom. Garanti pra mim mesma.
Aquela tinha sido a primeira noite que eu sonhava com Edward Masen.

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