Olá! Desculpem mesmo a demora para postar esse novo capítulo, eu (Rapha) me enrolei muito esses últimos dias, apesar de a Gabi já ter mandando o capítulo revisado há alguns dias.

Bem, eu não sei se todos já sabem, mas o site Twilight Brasil Fanfics voltou ao ar. Não com as fics já postadas, então estamos tendo que respostar tudo novamente, e as minhas outra fanfics que eu já tinha por lá fora embor. Assim como as da Gabi. Mas se vocês quiserem acompanhar por lá também, o link para ler Sin Resistir La Tentación por lá é esse.

Aproveitem e boa leitura!





CAPÍTULO 5
 Recordar es fácil para aquellos que tienen memoria, olvidar es difícil para aquellos que tienen un corazón.


POV ISABELLA

Terminei o meu turno e só queria cair na minha banheira e tomar um banho aconchegante. Quando eu cheguei ao meu apartamento, coloquei uma musiquinha baixa para acalmar os meus ânimos depois de tanto esforço e fui preparar minha banheira. Despi-me rapidamente, sentindo o aroma dos sais que eu coloquei dentro da água quente. Quando me sentei, meu corpo se arrepiou todo com a mudança de temperatura, mas logo se acostumou.

Senti todos os meus músculos relaxarem e eu suspirei agradecida. Peguei uma esponja e passei por todo o meu corpo. Cantarolava baixinho a música que ainda tocava. Quando eu me senti mais tranqüila, afundei meu corpo até a altura do pescoço, meus pensamentos voando. E eles inevitavelmente voaram para Edward.

Eu não conseguia entender o porquê dele me afetar tanto, já que não tinha nada que me ligasse a ele. Ele aparecer no ateliê foi uma prova de que está aprontando alguma coisa e com certeza eu estava metida no meio, mesmo sem saber o motivo. Quando ele falava professora, era como se conectasse meu corpo ao dele, por que eu tinha certeza que sabia das minhas reações à sua voz, sendo elas de raiva ou não.


Edward era sedutor, isso não tinha como negar, mas a sua auto-confiança me fazia, não temê-lo, porém ser cautelosa com as suas atitudes, principalmente com relação a mim. A beleza dele reluzia em qualquer lugar que ele entrasse, disso eu tinha certeza. O sorriso era encantador e misterioso ao mesmo tempo. Ele era experiente, por o seu porte de homem não enganava.

Eu conhecia o tipo dele. Ele poderia conquistar uma mulher se quisesse, fazer com que se apaixonasse e depois a dispensaria como se fosse um objeto que não merecesse valor. Ele era grosseiro apesar da beleza. Não sabia como tratar uma mulher, como se portar perto de uma ou como conquistá-la. Eu tinha visto no dia da boate como tinha sido fácil conquistar a sua “vitima”. A beleza é uma arma inconfundível na conquista de uma mulher. Quem não se entregaria para aquele homem, quando só olhando pra ele, saberia onde ele poderia levá-la, o que poderia fazê-la sentir?

O que eu não entendia é como ele conseguia fazer isso: deixar meu coração palpitando, fazer as minhas pernas amolecerem como se fossem marshmallows, minha mente não conseguia pensar coerentemente quando estava por perto, fazer com que a linha do meu raciocínio se evaporasse completamente e eu queria saber o porquê. 

Quando ele me puxou na aula e me fez sentir toda a sua virilidade, eu quase não resisti. E era exatamente isso que eu teria que fazer: resistir. Se ele queria jogar um jogo, então veríamosr quem sairia vencedor, por que eu não desistiria de vencer. Quando percebi, toda a espuma já tinha sumido e a água estava ficando gelada. Enrolei-me na toalha e rapidamente vesti um short e uma camiseta. Fui à cozinha e fiz um chá. Fiquei inquieta, por que eu não queria ficar ali, parada, sem fazer nada. Lembrei-me então do meu cantinho e sabia exatamente para onde ir.

Coloquei o chá em uma garrafa térmica, fui rapidamente ao meu quarto e peguei um livro que eu estava lendo e duas almofadas gigantes, desci para pegar meu carro e comecei a dirigir.

As ruas de Havana estavam calmas, o que me fez agradecer internamente. Rapidamente eu estacionei o carro perto de uma praça, peguei todas as minhas coisas, tirei a sandália e fui caminhando devagar, sentindo o cheiro de sal, ouvindo o barulho das águas que batiam em alguns rochedos ali perto e das pessoas rindo. A praia estava deserta, como eu já sabia.

Eu tinha feito aquele caminho muitas vezes e ali perto, numa parte deserta da praia, havia um gazebo que era pouco freqüentado, e muitas pessoas se quer sabiam de sua existência, já que segundo a minha mãe, tinha sido criado por um homem apaixonado para os seus encontros as escondidas com a amada há mais de 50 anos. Eu conheci esse lugar calmo em um dos meus passeios com ela, que tinha visitado ali com o meu pai. Tinha vários coqueiros ao redor e ele ficava um pouco escondido de tudo. Quando eu consegui alcançá-lo, subi os degraus, joguei as almofadas no chão e descansei minha cabeça em uma dela, enquanto puxava o livro para ler.




O nome do livro era Tentação Perigosa. Eu era apaixonada por romances e esse chamou a minha atenção enquanto eu passava de frente a uma livraria que ficava a quatro quarteirões do meu apartamento, quando tinha ido à padaria comprar o meu desjejum.

Contava a história de uma mulher que tentava com todas as suas forças resistir ao homem que invadiu seus sonhos durante semanas depois de se encontrarem em uma viagem ao Havaí. Ele foi atrás dela, apenas com intuito de vencer uma aposta que tinha como objetivo apenas uma conquista sem escrúpulos, Jayne acabaria na cama dele, clamando pelo seu amor.

Envolvi-me completamente nessa historia, por que tinha todo um misticismo por de trás de tudo. Peguei a garrafa térmica e tirando a tampa que parecia um copo, coloquei um pouco do conteúdo ali. Tomei o chá, pensando em como eu sentia que a minha vida ia ficar de pernas para o ar rapidamente. Como você consegue sentir isso? Muitas novidades me assolaram e sinceramente, eu não curtia muito surpresas. Tá, tá, elas poderiam ser boas, mas quem me garantiria isso?

Quem me garantiria que eu não ia chorar quando o amanhã chegasse? Ou que eu ia me sentir bem quando chegasse ao meu ateliê que eu tanto adorava? Ninguém... E isso me frustrava, por que as decisões de várias pessoas influenciavam a minha vida. Meu celular vibrou em algum lugar e relutante, eu atendi.

- Bella? – uma voz masculina.

- Jake? – perguntei. – Não acredito! Pensei que você tinha me esquecido! – falei com um sorriso nos lábios. Mesmo querendo ficar sozinha, Jake era uma pessoa que me reconfortava.

- Mi Isabellita. Como você está minha bailarina? Eu estou com saudades de você. Desculpe – me ter sumido, eu andei ocupado por esses dias.

- Sem problemas Jake. Eu estou... – hesitei. – Bem. Eu sinto um pouco a sua falta, é verdade, porém eu acho que você me esqueceu. – completei, fazendo um biquinho. Eu já tinha esse costume e Jake adorava quando eu fazia isso.

- Não esqueci, não! Pra te provar isso, quero te convidar para almoçar amanhã comigo, você aceita? Estou com saudade de coisas tão pequenas Bella... como o seu sorriso, os seus olhos brilhantes quando me olha, de como você prende o seu cabelo, esse seu jeitinho de menina levada que tanto me encanta... – e a sua voz ficou doce, e era sempre nessas horas que eu ficava vermelha, quando Jake me elogiava de uma maneira tão gentil e educada.

Eu me sentia lisonjeada, porém eu não queria dar esperanças para ele numa situação na qual nos dois não compartilhávamos do mesmo sentimento. Eu amava Jake, claro, mas não da mesma maneira que ele. Ele me via como uma mulher sedutora, amável, determinada, curiosa, que tinha tudo que desejava, que era sexy e agradável, inteligente, carismática, que poderia conversar com qualquer pessoa do mundo sobre qualquer assunto e se daria bem. Isso tudo pelas palavras dele. Imagina como eu fiquei ao receber essa quantidade de elogios de um homem como Jake?

- Ainda está aí? – ele perguntou com uma gargalhada. – Você ficou vermelha, não é mesmo? Você sabe que eu gosto de você Bella... – ele completou com um suspiro. – Você faz parte dos meus sonhos constantemente...

- Hãm... Jake... Eu realmente fico muito sem jeito quando você fala essas coisas pra mim... – e comecei a enrolar meu cabelo nos dedos.

- Há Há Há! Eu queria tanto estar ao seu lado agora para poder ver essa cena... A propósito, onde você está? – ele inquiriu curioso. – Eu liguei no seu apartamento e você não atendeu.

- Eu estava entediada em casa, então resolvi dar uma volta.

- Onde?

- Um lugar que eu gosto Jake... Minha mãe me trazia aqui quando pequena.

- Eu posso conhecer...

- Provavelmente não.

- Eu poderia te encontrar aí, se você quiser...

Jacob como sempre usando de todas as possibilidades para ficar perto de mim, mas eu achava que ali não era o melhor lugar para me encontrar com ele.

- Não sei Jake, eu já estou indo embora. – falei tentando fugir. Eu ouvi o suspiro desapontado dele do outro lado da linha. – E você não me deixou dar a resposta sobre o almoço. – continuei. – Você vai querer ou não que eu almoce com você?

- Claro! – ele respondeu rápido. – Posso passar para te pegar?

- Sim. Estarei te esperando Jake.

- Tudo bem. Te vejo amanhã então, mi bailarina. Toma cuidado quando voltar pra casa está bem? Tchau Bella, eu amo você tanto... – ele falou baixinho essa ultima parte.

- Eu também te amo Jake...  – e pedi internamente que ele entendesse como eu o amava.

Quando ele desligou, eu resolvi que estava na hora de voltar, pois ainda teria que acordar cedo no dia seguinte. Chequei o relógio e descobri que era meia noite. Meu horário preferido, depois do amanhecer. Era quando um dia terminava e o outro começava, logo eu poderia ter uma expectativa de que o dia seria melhor do que o outro que se fora.

Peguei minhas coisas e fui caminhando de volta. Dei-me o luxo de colocar minhas coisas na areia, enquanto ia até o mar e sentia a água me tocar. Sentia-me renovada e sabia que teria forças para o outro dia. Então finalmente cheguei ao meu carro, e fui dirigindo calmamente para o meu apartamento. Não sei quando foi que adormeci, lembro-me apenas que sorri ao lembrar que no outro dia almoçaria com Jake antes de ser tomada pelo sono.


POV EDWARD

Longos minutos se passaram, e tudo continuava na mesma. Estava ficando muito incomodado com toda aquela situação. Fui até o bar e pedi um Cuban Ginger e quando voltei, a besta continuava a me fitar. Isso sim é ser irritante. Dei um gole no meu drinque, e acompanhando meu ato, ele deu um riso debochado.

- Está me achando gostoso? Pára de me encarar, droga! – reclamei.

- Anda Edward, confesse que levou outro fora... Eu não vou pensar pior de você do que eu já penso. – sorriu cínico.

- Atirei pedra na cruz com um estilingue... – lamentei-me irritado. Ele continuou a encarar, rindo. – Mas que merda! Ela me ignorou! Satisfeito?

- BUAHAHAHAHAHHAHAHA... – riu escandalosamente, chamando a atenção de algumas pessoas. – Você me diverte, mano... Hilário.. – riu mais.

Bufei, enquanto dava outro gole. Queria toma rlogo um porre! 

- Ela é... difícil para porra! Comigo. Comigo. Acho melhor eu desistir disso.

Nunca pensei na vida que desistiria de alguma coisa. Eu. Logo eu. Mas de que adiantaria gastar horas e horas do meu tempo atrás dela e não conseguir nada? Seria mais fácil curtir minhas férias, relaxar e... Pegar todas. Não necessariamente nessa ordem.

- Oh meu caro, você precisa de minha ajuda mesmo... – concluiu como se entendesse muito do assunto. – Acho que você está a abordando de forma errada.

Quando ele falava daquela forma, eu realmente pensava estar falando com outra pessoa.

- Uhum. Você está mesmo querendo me ensinar como pegar alguém? Há. Essa foi a piada do dia.

- Aí é que está! – chamou minha atenção quase gritando. – Você não tem que pensar em “pegá-la” e sim “conquistá-la”. – quando notou minha cara de deboche, completou. - Estou falando muito sério, meu amigo. Você precisa de umas dicas.

- Emmet, eu não preciso que você me ensine como não pegar alguém. Falou?

- É claro... Por que não sou que estou com uma loira maravilhosa, enquanto certas pessoas não pegam nem o bonde andando, não é mesmo? – tirou onda com a minha cara.

Calei a boca. As coisas vão mal, muito mal, quando o leso consegue catar alguém e eu não. Precisávamos de uma revisão de conceitos por ali.

- Escute bem, por que não vou repetir... – começou. – Antes de começarmos, aviso: Você tem que seguir exatamente tudo o que eu disser. Sem zombar, reclamar e afins. “Vem na minha que é garantia de sucesso”! – sorriu convencido.

Arqueei as sobrancelhas. Ele estava mesmo se achando “Emmet. O conselheiro amoroso”? Ele apenas esperou pacientemente eu concordar. Bufando, assenti. E olha o quão profundo do poço eu fui chegar por uma mulher... Sabia que um dia, elas ainda iam me arruinar.

- Sábia escolha. – sorriu. Revirei os olhos. - O mais importante: Você não pode a tratar como um pedaço de carne. As mulheres não gostam disso.

- Isso é mentira. Teve uma que me pediu pra chamá-la de...

- Edward, passe o zíper na boca. – fez o gesto. – Eu falo, e você escuta calado. Estamos entendidos? – arqueei as sobrancelhas novamente. – Estamos entendidos? – repetiu autoritário.

- Sim senhor, senhor. – bati continência de zombaria.

- Bom. – ele sorriu, não entendendo a ironia. – Escute, as mulheres são como flores... É preciso cativá-las, dar atenção... Carinho...

- E algumas delas são comestíveis. – completei rindo.

- Assim não dá, Edward! Você é muito canalha para ficar com a Bella! – parei de rir, não gostando de sua frase. Ele respirou fundo e continuou. – A primeira coisa que precisa fazer é se abster das outras mulheres. – ele levantou um dedo quando eu ia protestar. – Não. Você vai fazer isso sim. Se você ficar pensando em traçar todo mundo, nunca vai conseguir se concentrar numa pessoa só. – novamente ele levantou o dedo antes que eu pudesse reclamar. – É isso que eu disse e acabou. Você é viciado em mulheres!

- Isso é ser homem, caro amigo. – falei enfim. – Talvez devesse tentar um dia.

- Ah sim. Pois bem... E você com seu jeito másculo e fodão de ser não consegue nem que a Bella te suporte. Parabéns pelo seu grande desempenho. – ele contradisse. – Vai parar de me interromper ou eu paro de perder meu tempo com você? Sinceramente, acho um caso perdido.

- Não precisa ofender, também!

- Então pare de ser idiota e preste atenção. Vamos dividir isso por fases. A primeira eu chamo de Desintoxicação Vaginal. Você sempre pensa nela. Sempre, sempre, sempre. Está virando uma obsessão. As mulheres são mais do que isso, sabe? Você precisa ver além.

- Mas eu vejo além. Eu observo muitas coisas. Os seios, a bunda, as coxas... A boca também e...

Ele me interrompeu, balançando a cabeça e bufando.

- Acho melhor eu pegar uma bebida... Parece que isso aqui vai demorar. – levantou-se indo em direção ao bar. 


***


Aproveitando o embalo, pedi outro Cuban Ginger e voltamos à mesa. Não entendia muito bem o que o Emmet queria que eu fizesse, mas se fosse ajudar, eu estava topando. O movimento no bar tinha aumentado consideravelmente. Acredito que deviam ser um pouco mais de 21h00min. O contingente feminino estava bem distribuído pelas mesas e pista de dança. Uma mais linda do que a outra.

- Edward, não. – ele balançou a cabeça em negação. – Afaste-se da luz. Resista à tentação. Resistir... Resistir...

Respirei fundo. - Resistir à tentação... Resistir à tentação.

- Isso. Muito bom. – aprovou. – Estamos fazendo algum progresso. Mas ainda precisa melhorar. Segunda fase, eu chamo de Desapego Carnal. Quando eu falei sobre “ver além” estava querendo dizer que você precisa enxergar o interior das mulheres. Como elas são de verdade. – concordei prestando atenção, e repetindo na mente várias vezes “ver além, ver além”. – Não só o corpo. O físico não é importante. – encarei-o com a sobrancelha arqueada. – Ok, é importante. Mas não é tudo. A mulher além de ser bonita precisa ter aquele “tchan” especial.

- “Tchan especial”... “Tchan especial”.. – repetia para gravar. – Espera.. O que isso?

- Conteúdo, Edward. A mulher precisa de conteúdo. Uma pessoa que prenda sua atenção.

- Bella prende muito minha atenção...

- Lá está você pensando no físico... – murmurou nervoso. – Não é prender a atenção assim. Uma pessoa com quem possa conversar, dividir as coisas... Isso não serve só para agora, e sim para toda sua vida. Uma hora você vai ter que sossegar com alguém. Não é possível que fique galinhando a vida toda.

Era exatamente daquilo que eu sentia falta. De alguém com um “tchan especial”. Isso, “tchan especial”. Mas a Bella tem esse... Não Edward, não pense no físico. Não pense no físico. Concentrar-se no interior. No conteúdo dela. No conteúdo.

- Hum... O que está matutando aí? – perguntou curioso.

- Eu estava pensando que a Bella é muito dedicada. Gosta de dançar, gosta de ensinar. Ela tem uma... Uma... – estalei os dedos procurando a palavra. – Personalidade forte. Garra. Ela tem peito para brigar comigo mesmo sendo eu... – constatei. – Ela não fica só abestalhada por que eu sou gostoso e tudo mais... – ele revirou os olhos. – Ela me olha nos olhos ao invés de ficar olhando para baixo ou desviando o olhar pra se fazer de difícil. É corajosa.

- Uau. Parece que prestou mesmo atenção nela... – sorriu. – Olhe, no fim das contas... Você tem um coração. Quem diria, han? – eu nem prestei atenção no que ele dizia. – Edward?

- Ela também tem uma pele muito macia... Delicada. Ela é bonita, mas é mais bonita do que qualquer uma. Uma beleza diferente. Uma beleza que ultrapassa o que as pessoas podem enxergar com os olhos. Ela vai além disso. É como se... Ela também brilhasse por dentro. Minha estrela... – falei baixo a última parte ao perceber que esse apelido combinava mais com ela do que eu imaginava.

Emmet me encarava com os olhos semicerrados e com uma expressão de incredulidade.

Franzi o cenho. - O que foi?

- Deus... – murmurou perplexo me olhando como se visse um ET. – Você... Não, isso não é possível. Acho que bebi demais. – olhou para o seu copo vazio como se estivesse o acusando.

- O que não é possível?

- Nada, nada... – balançou a cabeça.

- Então.. Vamos continuar?

- Sim... – soltou o ar pesadamente. – Terceira fase, Caindo na Real. Você é muito egoísta. Talvez esteja na hora de se tocar de que o mundo não gira em torno de você. Tem que parar de pensar que você é lindo, gostoso e irresistível... Até por que se fosse irresistível, a Bella não te odiaria... Não digo que não precise ter auto-estima, mas você tem uma estima tão alta que beira o Narcisismo. Humildade e simplicidade. Duas características que você precisa ter para ontem! É claro que isso não muda de uma hora para outra. Leva tempo, mas não é impossível.

- “Não sou o centro das atenções”... – murmurei e fiquei repetindo.

- Bem, quarta fase. Conhecendo o Alvo. Será bem mais fácil de conquistar a Bella se você souber mais sobre ela. Nesse quesito, Jasper e eu podemos te ajudar. Vamos sondar as meninas em busca de informações e te repassaremos. Mas você tem que saber como usá-las, do contrário poderá meter os pés pelas mãos. Mas você também pode contribuir, é claro... Conseguindo informações por ela mesma. O que nos leva a próxima fase. Talvez pra você essa seja a mais difícil. Até mais difícil do que se abster. Quinta fase. Admitindo o Erro. – estudou minha reação, que continuou inalterada. – Nesta fase, você admite que exagerou no lance da boate e... – respirou fundo antes de prosseguir. – Pede desculpas a Bella.

- Hahahahahaha. – ri alto. – Só você pra contar essas piadas Emmet... Mas até que alivia a situação.

Ele nada respondeu, só continuou me encarando. Eu franzi o cenho novamente.

- Foi uma piada... Não é? – exigi. Ele balançou a cabeça negativamente. – Não Emmet, Mas é nunca! Eu não peço desculpas a ninguém. Sem chance alguma.

- Então de nada adianta as outras fases, por que ela não vai deixar você se aproximar dela assim. Você não vê? Ela te acha um arrogante, metido, pretensioso, egocêntrico, galinha, machista e... Um tremendo idiota. O que de fato, é verdade. Mas estamos trabalhando para mudar esse quadro. Agora, se você pedir desculpas, já é um passo para mudar a má impressão que causou. Já ganha alguns pontos por admitir que agiu errado e alguns passos através da estrada que separa você de seu objetivo. Em outras palavras, ou pede desculpa ou ela não vai nem “tchum” pra você.

Ponderei sobre minhas opções. Começava a suar frio. Se eu não pedisse desculpas, ela não iria nem “tchum” para mim, mas se eu pedisse... O que não iria fazer, eu acabaria de vez com o pouco que restava de meu orgulho. Iria abaixar a cabeça para ela.. Dando a cara a tapas, que talvez ela desse. Já respirava com dificuldade. Pedir e acabar com minha reputação, ou não pedir e perder a aposta?

- Só pra te dar uma forcinha, se você perder... Vou passar o resto da vida te zoando, e ainda vou ter a contribuição do Jasper... – pressionou sorrindo largamente.

Zoação do químico, eu não aceito. Dele não. Não, não, não! O que eu faço? O que faço? Deus.. Uma ajudinha, aí? Droga. Até o senhor estava contra mim. Adeus, amada reputação.

- Tudo bem. – falei entre dentes.

- Muito bom. Estou gostando de ver. Mas é para ser convincente. Dizer que sente muito, que foi um idiota e tudo mais... Precisa convencê-la. Sexta fase. A Pressa é a Inimiga da Perfeição. Nesta, você mostra toda a paciência que um ser humano pode apresentar. Precisa ganhar a confiança dela, cortejá-la, conquistá-la. Como? Sendo sensível, educado, simpático, romântico e todas aquelas coisas que toda mulher adora e que você finge ser pra conseguir levá-las para cama.

- Bons tempos... – murmurei lembrando essa época.

- Só que com ela, você não vai fingir. Ela não vai ficar com você do dia para a noite. É preciso muita insistência até ela ceder. Mas sem insistir demais, pois ficaria entediante. Elogiá-la, mas não muito, pareceria um puxa-saco. E não pode ficar a cercando o tempo todo, ela se sentiria sufocada. – ele explicou e eu concordei atento. – Sétima e última fase. Testando Seus Limites. No “Gran Finale”, tenho certeza de que se sairá bem. No desfecho, você apenas é você mesmo. Ou seja, conquistador. As mulheres caem aos seus pés, não há como negar. – disse entediado. – E provavelmente, mesmo que procure esconder, ela também se sente atraída por você. Seu trabalho é testá-la. Testar seu autocontrole. Ver até onde ela consegue resistir a você. Sem exageros, é claro. Não pode assediá-la descaradamente. Mas a atração é uma grande aliada na conquista. Citei esta como última fase, por que se começasse com ela, você ia se animar e não prestar atenção em mais nenhuma... Mas, você não precisa deixá-la por último. Pode usufruir de seus atributos logo após conseguir que ela se sinta confortável com sua presença, ou seja... Depois da quinta fase. Não faça essa cara. Essa é a fase que mais conta para Bella. E por isso, precisa se sair bem.

- ! – respondi emburrado.

- Agora preciso ir, vou me encontrar com a Rose. E vejo se consigo algumas pistas para a quarta fase... – sorriu sugestivo, se levantando. – Até mais!

- Valeu aí, Emm! – agradeci. – Foi de grande ajuda.

- Oh Ed, vem cá me dar um abraço! – abriu os braços se aproximando de mim.

Levantei da mesa, me afastando.

- Pode saindo pra lá! – avisei.

- Oh que isso! Venha cá, venha... – aproximou-se e eu me afastei novamente. – Venha Ed, venha...

- Vá a merda, Emmet! – exclamei.

- Nos vemos depois. – rindo, deixou o bar.




POV ISABELLA

Na manhã seguinte, sentia-me bem disposta. Talvez fosse por que encontraria com Jake, estava com saudades de conversar com ele. Sempre foi tão amigo, sempre esteve lá quando eu precisei. Não sabia o que faria da minha vida sem ele. Segui para o ateliê ao som de uma das minhas músicas favoritas. Isso apenas melhorou o meu humor. Era um fato que eu estava alegre.

Parecia que até o dia estava mais bonito. O céu estava de um azul indescritível e jazia um lindo e brilhante sol típico de Havana. Ao chegar, a alegria dos alunos só aumentou a minha. Eu adorava saber que além de gostar de dançar, eles também gostavam de estar aqui. Que se sentiam bem. Essa era a minha maior recompensa. Depois de dar uma passada em minha sala, saí em busca de Alice para cumprimentá-la. Esse era o ritual que eu fazia quando chegava. Quando não era Alice, era Rose, e algumas vezes as duas.

Praticamente deslizava pelos corredores seguindo o som da música que vinha da sala onde Alice dava aula. Sentia como se nada pudesse me irritar neste dia. Adentrei a sala com cuidado para não atrapalhar a aula. Alguns alunos, a me ver, acenaram gentilmente para mim, que retribuí. Ela estava orientando um aluno individualmente, quando terminou de ajudá-lo, veio até mim.

- Bom dia! – dei um estalado beijo em sua bochecha.

- Alerta verde. Mudança drástica de humor... – brincou. – Que sorriso enorme é esse? O que aconteceu? Detalhes, preciso de detalhes... – voltou-se para os alunos, incentivando-os e depois me puxou para um canto da sala. – Desembuche!

- Não houve nada. Apenas vou almoçar com Jake hoje, estou contente! – respondi. – Depois nós conversamos. Não quero atrapalhar sua aula. Só queria te dar um... Ótimo dia. – ampliei o sorriso.

- Jake, hein? Parece que alguém aqui está cedendo... – disse maliciosa. – É, atualmente homens é que não faltam pra você!

- Não vai estragar o meu humor, Licinha... – ela detestava esse apelido. – Hoje não. – sorri, indo embora. – Até depois!

Tinha algumas aulas agora pela manhã, então me apressei em trocar de roupa. O meu estado de espírito era perceptível, alguns dos alunos comentaram. Senti-me até lisonjeada quando afirmaram que “minha felicidade era contagiante”. As aulas foram tranqüilas, com aquele clima de descontração corriqueiro e várias risadas foram arrancadas de um dos alunos. Michael. Ele tinha mania de inventar passos, garantindo a diversão de todos. Um tanto doido, mas muito talentoso.

Aliás, como muitos aqui eram. Levavam a sério de verdade, alguns tinham o sonho de serem dançarinos profissionais. E eu estava aqui disposta a ajudá-los, é claro. A dança era meu vício, e ficava muito feliz quando outras pessoas desfrutam dessa maravilha também, é gratificante.

Permaneci um bom tempo em minha sala as voltas com documentos administrativos do ateliê. Contas, faturas, lucro, tudo. As meninas às vezes me ajudavam com isso, mas eu estava tão elétrica que resolvi colocar tudo em ordem de uma vez. Era como se uma descarga de adrenalina tivesse sido injetada na minha corrente sanguínea, eu estava a mil.

Depois de um tempo indeterminado, decidi que já estava quase na hora do almoço. Jake sempre era adiantado, portanto já devia estar chegando. Armazenei os papéis em pastas com cores diferentes, como eu costumava organizá-los, e os guardei na gaveta. Como ainda tinha tempo, fui rapidamente até o banheiro de minha sala. Puxei da bolsa o pequeno estojo de maquiagem que sempre carregava comigo, e comecei “La arte”. Pronta, depositei-o de novo na bolsa e deixei a sala.

- Bella, estava procurando você... – Lívia, a encarregada pelas matrículas, chamou minha atenção.

- E aqui estou. – respondi atenta a porta para ver se o carro de Jake já estava ali. – Qual o problema?

- Problema nenhum... – respondeu meio incerta. – É só que você tem uma aula extra hoje. Só pude falar com você agora em cima da hora, por que o aluno me procurou ontem à noite.

- Já? – questionei. – É iniciante?

- Sim, o nome dele é...

Um carro parou na entrada no ateliê, e imediatamente reconheci.

- Desculpe Lívia, eu tenho que ir agora.. – falei me esquivando.

Quando alcancei o lado de fora, ele já tinha saído do carro. Abriu um sorriso iluminado quando me viu.

- Jake!

Corri até ele, que já me esperava de braços estendidos. Apertei-o num abraço forte para não deixar dúvidas de como eu havia sentido a sua falta. Não nos víamos há alguns dias, mas parecia muito mais. Correu os dedos suavemente por uma mexa de meus cabelos, ao nos separarmos. Seus doces olhos castanhos fitavam-me com ternura.

- Cada vez que a vejo está ainda mais linda, mi bailarina. – murmurou.

Corar foi inevitável. Principalmente devido à forma como olhava pra mim. Um olhar que me acalmava, mas ao mesmo tempo me fazia temer. Era como se ele sempre estivesse esperando, sempre com expectativa de que eu cedesse. Mas eu sabia que isso não iria acontecer. Via o Jake como praticamente um irmão. Não conseguia imaginá-lo de outra forma. Fomos criados juntos, crescemos tendo um ao outro. Criamos um forte vínculo de amizade, não passava disso.

- Vamos?

- Sim. – respondi sorrindo.

Seguimos para o restaurante onde costumávamos almoçar quando tínhamos tempo. Jake me garantiu que ia arranjar um tempo para que pudéssemos dançar, como hobby mesmo. Ele era um excelente parceiro de dança. E nunca estranhou o gênero musical como a maioria, sempre esteve disposto a ensaiar comigo quando eu precisava. Era muito divertido. Uma pena era que eu tinha horário de almoço contado, assim como todos os funcionários. E apesar de ser a dona do ateliê, nunca tivera regalias. Trabalhava muito como todo mundo, e os benefícios também eram iguais.

Jake estacionou o carro um pouco afastado da entrada do restaurante. Como de costume, estava lotado então não havia lugares disponíveis perto deste. Ele mantinha um braço ao redor da minha cintura enquanto caminhávamos, como costumava fazer. Qualquer um que olhasse de fora pensaria que éramos um casal. Por sorte, ainda tinha algumas mesas vagas. Dirigimo-nos a uma e fizemos nossos pedidos. Sentia-me bem naquele ambiente. Desde criança, vínhamos aqui. Tia Doroth sempre gostou.

- Continua o mesmo, não é? – observou Jake varrendo o restaurante com os olhos. Ele também estava pensando nisso.

- Sim. A mesma decoração, o mesmo clima. Até as pessoas são as mesmas. – concordei enquanto apontava para um garçom que passava ao nosso lado. Já devia ter uns 60 anos, mas continuava firmemente em seu antigo trabalho. Ele era aquele tipo de pessoa que gostava de servir as outras. – Aposto que ele nunca vai se aposentar...

- Eu me lembro daquela vez em que você explorou o coitado... Aposto que ele ainda se recorda do episódio. Você era muito indecisa... – riu também, fazendo-me mergulhar em nossas lembranças.




 
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Tínhamos acabado de chegar ao restaurante mais falado de Cuba. Tia Doroth sempre o elogiava por que mantinham uma comida tipicamente latina, e quando podia, arrastava eu e o Jake pra cá. Para variar, eu estava tendo um certo problema para sentar à mesa. Era muito pequena, e sempre tinha que usar aquelas cadeirinhas especiais para criança. Eu as detestava. Decidi naquele dia que não ia usá-las, então sentei na cadeira e estiquei o corpo ao máximo para conseguir apoiar os cotovelos em cima desta, enquanto esperava o garçom vir anotar nossos pedidos.

- Bella, sua cadeirinha está ali... – Jake apontou para aqueles assentos de bebês. – Está ocupando o lugar de uma pessoa alta. – sorriu.

- Jake, deixe de ser infantil, por favor... – falei com um ar de superioridade. – Não preciso mais disso se quer saber.

- Hum.. Não fique invocada, Bells... Você sabe que é minha prima predileta, não é? – sorriu amarelo, cutucando minhas costelas.

Antes que eu caísse na gargalhada, afastei-me um pouco. E com o nariz arrebitado, não dei ouvidos a ele. 

Para minha felicidade, o garçom chegou ao momento exato em que Jake praticaria seu teatro barato comigo. Ele fazia aqueles olhinhos do gato do Shrek, sabe? Eu não resistia e acabava o “perdoando”. É um tratante! Ele se aproveitava de que tinha coração mole, e não agüentava quando ele fazia aquela carinha triste.

- E então crianças, o que vão querer? – tia Doroth perguntou.

- Eu quero um Picadillo a la habanera e um Pru. – respondeu Jake, alisando o estômago para mostrar que estava com muita fome. Como sempre.

- E você quer o quê, meu amor? – perguntou minha tia para mim.

- Ah, eu quero um Frango Al Algibe e uma Limonada... – respondi e o garçom anotou. – Não, não... Apague isso. – ele riscou o meu pedido no papel. - Eu quero um Bacalhau à Cubana. – ele anotou. – Pensando bem, apague a Limonada. Eu quero um Guarapo. – ele tornou a riscar, descontente.

O garçom anotou também o pedido de minha tia e saiu para entregar os pedidos ao chefe.

- Ei! – o chamei antes que ele sumisse, ele me fitou impaciente e voltou para perto de nós. – Eu mudei de idéia. Quero uma Lingüiça Cubana. – sorri agradecida.

- Está bem. – disse entre dentes, riscando no papel e anotando meu pedido.

Depois disso, olhou pra mim como se esperasse algo, e eu o fitei ingenuamente confusa.

- É só isso. Obrigada. – falou minha tia, e aí sim, ele foi embora. – Tem certeza que quer isso mesmo, querida? – questionou com um meio sorriso.

- Aham. – assenti.

Jake ria da minha cara.


Fim de FlashBack

Voltei à realidade quando ele voltou à mesa com nossos pedidos. Acreditem se quiser, mas ele ainda me fitou como se esperasse que eu pedisse outra coisa. Jake ria, e ria de mim.

- Não tem graça. – falei quase rindo também.

- Ah tem! Tem muita graça... – balançou a cabeça. – Ele ainda lembra, vê? Aposto que ele nunca teve que servir uma pessoa tão incerta como você.

- Eu não sou incerta, sou cuidadosa. É diferente. – sorri. – E você está falando de quem? Lembra daquela vez em que ficou horas e horas para escolher uma camisa por que ia sair com Diana, a menina mais popular da escola? – alfinetei.

- Essa vez não vale! – protestou. – Você sabe que eu só queria te deixar com ciúmes... E não adiantou. – completou rindo.


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Nunca conheci uma pessoa que tivesse tantas roupas e insistia que não tinha nenhuma para usar. O quarto de Jake tinha ido abaixo por causa de uma única camisa. Sobre a cama, já tinham tantas que daria para vestir toda uma população carente. Das mas diversas cores, estilos, cortes, tecidos, tudo. Mas ele não gostava de nenhuma. Tudo isso para sair com uma garota? O que meu primo tem na cabeça?!

Ele saiu do banheiro, ainda somente vestido com uma calça jeans. Eu era adolescente e apesar de não demonstrar, o corpo dele chamava muito a minha atenção. Dezessete anos e uma infinidade de músculos já bem definidos. Muitas vezes já havia o interrogado sobre a forma como tinha os conseguido. Esteróides não eram boa coisa.

Mas ele me garantiu que era só academia. Porém, ele insistia em mostrá-los para todo mundo ver. Sou prima dele, mas sou uma garota, né! Será que ele lembrava que meus hormônios estavam à flor da pele? Desviei os olhos de seu peitoral, quando notei que ele já havia percebido meu olhar e sorria presunçoso para mim. Odiava ser pega.

- Jake, anda logo com isso... Você pediu para eu te ajudar, mas não se decide. Está pior do que mulher hein...

Ele emburrou com meu comentário.

- Haha... Como minha priminha é engraçadinha. – declarou e eu ri demais. – A culpa não é minha se eu não tenho uma camisa decente.

Ah, então de quem era? Achei melhor ficar calada.

- Olha aquela ali... – apontei para uma das poucas camisas que ainda estavam intocadas no armário. Ele seguiu meu olhar. – Fica muito bem em você. Por causa de seu tom de pele e dos seus... – calei a boca, quando vi que estava falando demais. – Rum... – pigarreei para disfarçar. – Enfim, fica bem em você. – dei de ombros fingindo desinteresse.

- Tá bem, se você diz. – sorriu presunçoso novamente.

Corei constrangida, e em seguida agradeci por ele finalmente ter coberto tudo aquilo que estava à mostra. Desejei a ele um bom encontro e escapuli de lá, antes que minha boca me traísse de novo.


Fim de FlashBack


- Como você consegue ficar corada apenas com a lembrança? – questionou.

Ele ainda tinha aquele mesmo sorriso, diversão misturada com malícia. Só que os músculos tinham se triplicado. Disfarcei, dando uma garfada em meu prato e levando à boca.

- Não estou. – desconversei.

- Não, eu estou vendo coisas... – sorriso fatal presente. – Mas sabe que isso me recordou uma coisa? Tem uma festa sábado, VIP, só entram pessoas que estejam com o nome na lista sabe? – gabou-se um pouquinho. Ele sempre tinha alguma festa assim para ir. Pessoa importante é isso aí... Sorri com o pensamento. – Quero que vá comigo. Podíamos jantar e aí depois... Eu me exibia lá com você. O que acha? – ri. – Você é bastante conhecida. E ser visto com você é muito bom para minha reputação. – o sorriso permanecia sempre. Era isso que mais gostava em Jake.

- Posso pensar no seu caso... Por ser conhecida, sou uma pessoa muito ocupada. – percebi que ele tinha acreditado mesmo nisso. Tão ingênuo. – É claro que eu vou, Jake! Vai ser ótimo. 

Ele sorriu abertamente como se para mostrar o quanto estava feliz com a notícia. Ele não precisava tanto. Tinha tanta sorte por ter alguém que gostava tanto de mim assim. Na verdade, eu tinha sorte. Por que apesar da falta que meus pais me faziam, todos os dias, eu tinha pessoas maravilhosas ao meu redor. Pessoas que faziam a vida valer à pena, cada minuto dela. Eu me sentia completa. Retribuí o sorriso quando ele delicadamente levou minhas duas mãos aos lábios e as beijou, sem desviar o olhar do meu nem por um segundo.

Conversamos mais um pouco e terminamos de comer. Jake me informou que me ligaria para acertar o horário que iria me pegar. Infelizmente tive que regressar ao ateliê, meu tempo de almoço era curto. Embora o curto espaço de tempo, consegui ter uma boa conversa com ele. O suficiente para suportar até sábado, o dia da tão esperada festa. Ele encheu tanto a bola do “anfitrião” que até eu fiquei ansiosa para sábado.

A tarde foi tranqüila. Dei diversas aulas e ao cair a noite, já estava muito cansada. Mas no mesmo momento em que pensei que poderia ir pra casa descansar, já estava tão aliviada com essa possibilidade que era como se pudesse ouvir a melodia já saindo do rádio de meu carro, como costumo fazer para relaxar; quando me lembrei do aviso de Lívia sobre o aluno. Foi como receber a notícia de que teria que correr mais 1000 m depois de uma longa maratona. Cheguei a suspirar cansada, mas não havia o que fazer. Era meu trabalho.

Ainda estava com um dos vestidos que usava para dançar. Seu corte largo facilitava bastante os movimentos. Então me preocupei apenas em dirigir-me ao terceiro piso. Somente ao chegar lá em cima me dei conta de que nem ao menos sabia que gênero musical eu teria que ensinar, fitei as escadas decidindo se deveria voltar  e perguntar a Lívia. Era como se elas estivessem me repelindo num sinal claro de “É melhor você não fazer isso, eu posso te derrubar se tentar”, e talvez fosse isso mesmo que acontecesse. Do jeito que estou cansada. Virei as costas e segui até a última sala do grande corredor.

Não era nem de perto do tamanho de uma das diversas outras salas do Bella Danza. Por ser própria para aulas particulares, não necessitava de muito espaço. Chequei o relógio e notei que já estava quase na hora. Fui até o pequeno “reque” que sustentava o aparelho de som e logo abaixo os CDs. Decidi que escolheria diversos gêneros, e quando o aluno chegasse perguntaria a ele. Notei no momento que nem ao menos sabia quem era. Mas provavelmente deveria conhecer. Fui escolhendo os CDs e separando os que mais me agradava, era uma tarefa difícil, mas certamente os que tinham em maior quantidade eram os referentes à salsa. De todos, era o estilo musical que mais gostava.

- Olá.

Além de me assustar, o meu choque foi tão grande que quase deixei os discos que segurava irem ao chão. Eu conhecia aquela voz. Conhecia bem demais por que por um motivo desconhecido por diversas vezes ela ecoava em minha mente. Eu precisava confirmar, mas era como se tudo dentro de mim respondesse aquela voz. Os meus sentidos acordavam e reagiam a ela. Quando virei - me, dei de cara com tudo aquilo que eu não queria constatar. Era ele.

- O que faz aqui, Edward? – vi-o revirar os olhos com minha constante pergunta. – Nós não temos aula hoje!

Ele nada disse, apenas sorriu. Aquele sorriso maldito que me fazia estremecer. E como resposta, indicou com os olhos o espaço entre nós dois, fazendo com que eu me lembrasse do real motivo de eu estar ali.


Lívia - Sim, o nome dele é...

             Um carro parou na entrada no ateliê, e imediatamente reconheci.

Bella - Desculpe Lívia, eu tenho que ir agora.. – falei me esquivando.



Droga! Droga, droga, droga! Isso não está acontecendo. Não está. Não. É. Possível.

- Engano seu, professora. A partir de hoje teremos aulas todos os dias. – comunicou com seus dentes a mostra num sorriso ainda mais largo.

Meus olhos eram similares a mísseis cubanos. E o meu único e principal alvo era ele.

- Será que não cansa de me perseguir?! – cruzei os braços para não correr o risco de minhas mãos atingirem alguma parte de seu corpo.

Se bem que ainda tenho os pés, isso me dá várias idéias...

- Eu só quero aprender a dançar, Bella. – afirmou despreocupado. – E você está aqui para me ensinar, não é?

Sabe aquilo que eu disse sobre nada estragar meu dia? Pois é, tinha acabado de mudar de idéia.

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