Oie! :) Demoramos uns dias para voltar e aí que cobraram de nós o capítulo novo! O.O haha Desculpem. Então... esse capítulo está mais curto. Temos as tentativas do Edward de se aproximar da Bella e a primeira aula deles juntos. Podem imaginar a confusão? Então, divirtam - se e aproveitem!





CAPÍTULO 4
“Seré tu sueño, seré tu deseo, seré tu fantasía. Seré tu esperanza, seré tu amor, todo lo que necesitas.”



POV ISABELLA

- Boa noite e sejam todos bem - vindos! – cumprimentei.

Todos acenaram cordialmente e eu olhei de soslaio para Edward, que estava parado bem na minha frente, me encarando. Concentrei-me.

- Meu nome é Isabella, mas podem me chamar de Bella. – comecei com um sorriso. – Espero que gostem dessa experiência e que se dediquem. A salsa, como qualquer outra dança, exige um mínimo de esforço e eu espero que todos aqui estejam dispostos a isso. Eu queria fazer um pedido para vocês. As roupas que vocês virão para as aulas são de extrema importância. Uma calça folgada para os homens com regata ou camiseta e sapatos está de bom tamanho. Mulheres, uma blusa, calça leg e uma sandália de salto. Isso é importantíssimo e assim evitaremos possíveis desconfortos futuros.

E encarei Edward dessa vez firmemente, para ele perceber que o recado ia diretamente para ele, já que foi o único que não apareceu com o traje certo. Ele não pareceu se importar e continuou com a mesma expressão descarada.

- Mas como hoje é apenas a primeira vez, vou relevar ok? Vamos à aula! – prossegui animadamente.

Posicionei-os de frente com o espelho que cobria toda a parede e me pus à frente de todos.

- Vamos aos conceitos básicos. A salsa é uma dança sensual, caliente... – acrescentei com um sorriso e vi que várias pessoas aprovaram. - E que vai exigir exatamente isso de vocês: que sejam sensuais. Vamos nos separar em pares daqui a pouco. Por enquanto eu vou ensinar o básico separadamente para que possamos nos familiarizar.



Corri até o som e o liguei, colocando em um volume que não comprometesse minha comunicação com eles e ao mesmo tempo, fosse audível a todos.

- Então... Temos que dar atenção a alguns pontos. A postura: A coluna sempre reta e com o peso do corpo nas pontas dos pés. Mantenham os quadris relaxados... – e fui mostrando passo a passo tudo que eu falava para eles. – O peso do corpo é colocado geralmente no joelho que está curvado. Na prática... – para a demonstração, puxei educadamente pela mão um homem de uns 30 anos. – Os casais ficam ligeiramente separados. A mão do homem permanece mais ou menos na altura do ombro esquerdo da parceira. Já a mulher, tem uma posicionada na base das costas do cavalheiro e a outra no seu ombro, colocando o braço por cima do dele. O passo básico...

Fui ensinando a eles passos básicos - como o movimento dos pés, a altura das mãos que vai até a cintura - para que pudessem se divertir um pouco antes de passarmos pra parte “sólida” da coisa. Via de relance que Edward prestava atenção em tudo que eu falava e não desgrudava os olhos de mim. Já estava incomodada com os olhares atentos que ele me dava.

Virei de costas para todos. Fiquei de frente para o espelho e todos atrás seguiam os meus passos. Aumentei o volume do som e fui passando por entre eles vendo os movimentos que faziam e ajustando alguns descompassados. Edward tinha um sorriso incrível nos lábios e eu fiquei contente de ver que ele estava fazendo tudo certo até agora, assim evitava ter que ir até ele.

- Agora, vamos nos separar em duplas para que possamos dançar. Os passos são os mesmos, mas algumas pessoas se complicam por terem uma pessoa ao lado. Não esqueçam que o homem é quem guia, mas não precisam se preocupar com isso por ora.

Rapidamente eles se organizaram, pondo-se de frente um para o outro, colocando os braços na posição.

- Professora. – ouvi.

Suspirei fundo. Era Edward. O modo como ele falava professora me irritava e causava arrepios pelo meu corpo ao mesmo tempo. A voz mudava e era uma mistura sarcástica e sexy ao mesmo tempo.
- Fiquei sem par. – ele murmurou com voz inocente.

- Por que será? Ninguém nem imagina o motivo. – falei sugestiva para que somente ele me ouvisse. – Já que não tem outro jeito, eu danço hoje com você. – ele abriu um sorriso satisfeito. – 1... 2... 3... para os lados, todos juntos. Para realizar uma boa apresentação, vocês devem se manter no mesmo ritmo. – e mostrei.

- As mãos estão sempre em movimento junto com o quadril. Vamos começar a exercitar essa parte por que é muito importante para que se faça uma boa dança.

- Você faz tudo isso com muito carinho. Os seus olhos respondem por si. - Edward falou, enquanto separávamos as mãos e juntávamos de novo no ritmo da música.

- Deve ser por que eu o amo o trabalho que eu faço, não é mesmo? – respondi. – Vocês estão muito bons! – incentivei os outros alunos.

- Sabe o que eu mais gosto? – ele perguntou, aproximando a boca do meu ouvido. – De ver esse rubor que passa pelo seu rosto todas as vezes que eu a olho. Vai falar que você não sente nada?

- Eu sinceramente não sei do que você está falando e desejo que as nossas conversas fiquem restritas apenas no que está relacionada à dança. – falei me esquivando.

- Você sabe muito bem do que eu estou falando Bella. – e puxou meu corpo para o seu, segurando fortemente na base da minha cintura.
Ofeguei e por um momento não consegui respirar. Tentei fazer com que o meu cérebro ficasse em alerta máximo com a aproximação, mas o efeito foi totalmente contrário...  Eu queria manter o contato e sentir o cheiro inebriante que exalava do corpo dele. Com um esforço descomunal, separei nossos corpos.

- Mantenha as suas mãos para si mesmo, antes que eu faça isso por você! – sibilei. – Se você me tocar mais uma vez, sem que eu te dê permissão para isso, vai se arrepender. Não estou brincando.

Eu sentia o meu rosto esquentar. A raiva estava tomando conta de mim. Abusado! Era isso que ele era!

- Não se preocupe professora... – ele respondeu cínico, me puxando novamente enquanto a música alcançava seus acordes finais. – Eu tomarei cuidado da próxima vez. – e fez meu corpo cair pra trás, me segurando enquanto eu me perdia na imensidão daqueles olhos verdes e a música acabava.

Na tentativa frustrada de me afastar, quase caí. Ele me segurou, com um sorriso idiota no rosto.

- Eu não vou avisar de novo. – alertei-o.

Se ele queria brincar com fogo, com certeza ia se queimar. Eu não ia aceitar esse tipo de coisa, ainda mais de um homem como ele.

- Por que você não gosta de mim? – ele perguntou, fazendo beicinho.

- Deve ser por que você é um estúpido. – respondi agressivamente.

Recompus-me e voltei a me concentrar na aula. Dessa vez eu fiz questão que todos aprendessem separadamente, assim eu não teria que ficar próximo a Edward. O restante da aula foi calma e sem provocações. Ele estava com cara de arrependido e eu fiquei com a de professora má. Quando o final da aula chegou, eu agradeci pela presença de todos e os dispensei.

- Professora, queria agradecer a sua dedicação. – Edward falou.

- Não precisa agradecer, eu gosto do que faço. – respondi secamente, desligando o som.

- Tenha uma boa noite, Bella. Eu me ofereceria para te levar em casa, mas acho que não seria uma boa idéia.

- Ainda bem que você sabe disso. – falei saindo e esperando ele passar para fechar a porta.
 - Até a próxima aula professora. – ele sussurrou perto de mim e saiu, andando calmamente.

Finalmente o dia tinha terminado! E que dia foi esse, meu Deus!



POV EDWARD

Depois de fazer as saudações e recomendações iniciais, Bella deu a início a aula. Podia-se ver ao longe que ela não estava nada satisfeita com minha presença ali, é claro. Não se preocupava nem ao menos em disfarçar. Nutria uma raiva por mim digna de estudos científicos. Talvez eu devesse dormir com os olhos abertos a partir de agora.

O incidente na boate já tinha ficado no passado, para mim. Aquilo era necessário se eu quisesse que a coisa toda funcionasse. A cada segundo que passava e a cada olhar que ela lançava em minha direção, eu percebia o quão difícil seria mudar sua impressão sobre mim. Eu nem ao menos sabia como começar. Eu tinha para mim que, bastava a ela ouvir a minha respiração, e já era motivo para eu me tornar vítima de seus pensamentos “assassinos”.

Lembro-me bem da mirada que me lançou ao mencionar a roupa adequada para fazer as aulas. Percebi mais tarde que somente eu estava com a roupa diferente. Senti-me como Emmet naquela noite na boate. Mas também não era como se eu tivesse sabido o que usar de antemão. Estava me esforçando, ora. Ainda me questionava sobre o real motivo de eu ter aceitado aquela aposta.

Voltando a atenção a aula, me concentrei no que Bella dizia.  

- Vamos aos conceitos básicos. A salsa é uma dança sensual, caliente... – completou sorrindo. De repente, comecei a gostar de salsa. - E que vai exigir exatamente isso de vocês: que sejam sensuais. Vamos nos separar em pares daqui a pouco. Por enquanto eu vou ensinar o básico separadamente para que possamos nos familiarizar.

Direcionou-se rapidamente até o aparelho de som, ligando-o. Conforme ia explicando, demonstrava na prática. Eu mantinha as mãos nos bolsos, atento a cada movimento que fazia. Não pude deixar de notar o brilho que tinha no olhar a cada movimento que executava, a forma como procurava detalhar minuciosamente cada passo a fim de não deixar nenhuma dúvida, ou como ficava levemente ruborizada e discretamente incomodada ao perceber que eu não desviava o olhar dela nem um minuto sequer.

Mas era isso que tinha de se fazer, não é? Prestar atenção nela. Certamente reparava mais nos movimentos que seu vestido fazia de acordo com o balanço dos seus quadris, na forma como seu corpo se moldava belamente naquele vestido, ou o fato de ela parecer estar ainda mais bonita do que quando a vira naquela manhã. Talvez seja a dança. Percebia-se que ela cultuava e idolatrava o que fazia.   

- Agora, vamos nos separar em duplas para que possamos dançar. Os passos são os mesmos, mas algumas pessoas se complicam por terem uma pessoa ao lado. Não esqueçam que o homem é quem guia, mas não precisam se preocupar com isso por ora. – prosseguiu.

Quase que no mesmo instante, todos formaram os seus pares. Parecia que todo mundo conhecia todo mundo pela rapidez com que acataram o pedido de minha estrela. Estrela. Assim eu iria chamá-la daqui pra frente. Era tão difícil alcançá-la quanto uma.

Ao notar que só eu permanecia sem uma dupla, questionei por que eu não fiz um “conhecido” por ali, mas a idéia se foi tão rápido como surgiu. Uma satisfação me atingiu ao olhar a situação por outro ângulo.

- Professora... – a chamei, recebendo um olhar de desagrado da parte dela. – Fiquei sem par.

Acredito que para completar o papel de órfão abandonado só me bastava acrescentar um beicinho. 

- Por que será? Ninguém imagina o motivo. – ironizou numa altura em que o único a escutar fosse o objeto de sua constante ira, em outras palavras: eu. – Já que não tem outro jeito, eu danço hoje com você. – abri um sorriso que beirava a alegria. - 1... 2... 3... para os lados, todos juntos. Para realizar uma boa apresentação, vocês devem se manter no mesmo ritmo. - juntou-se a mim para demonstrar.

Ao fim da aula, eu já estava cansado de ser simpático. Se eu era educado, ela me respondia com grosseria, se eu tentava puxar assunto, ela reagia de maneira indiferente, se eu tentava... Só tentava ser “charmoso”, ela me cortava. Assim não tem como. Ela quer que eu faça o quê, Deus do Céu?! Pela primeira vez em muitos anos, eu me sentia de mãos atadas. Desnorteado. Confuso. Nada. Resultado para todo meu empenho. Não tinha saído da estaca 0. Não era possível que ela seja fosse difícil assim!

Minha última tentativa também foi frustrada. Era só ela sentir que eu faria alguma coisa e seu semblante tornava-se furioso. Talvez ela estivesse estressada só hoje. Talvez o problema não fosse só comigo. É. Com certeza era isso. Enchendo-me de coragem novamente, despedi-me dela da forma como sabia que ela detestava.

- Até a próxima aula, professora. – segui andando tranquilamente, não ligando para o seu olhar desgostoso por tê-la chamado daquele jeito.

Desci pelas escadas assoviando. Não que eu estivesse feliz, mas sabia que a Bella escutaria. Ri sozinho imaginando quantas vezes ela devia ter me xingado em pensamento. Cumprimentei amigavelmente a recepcionista enquanto me dirigia à porta, e ao lado desta, duas mulheres me chamaram a atenção. Altas, loiras e gostosas. Em meio segundo percebi que não seria nada bom “catar” alguém por ali. Minha estrela podia ficar sabendo, e aí mesmo que não conseguiria nada. Lamentando as presas perdidas, passei por elas e sem querer, escutei a conversa.

- Estou pensando em ter aulas particulares. Minhas aulas começaram há um mês e eu ainda não “peguei o ritmo”. – comentou uma com a outra.

- Ah faz sim, amiga. Ouvi dizer que ela dá atenção total aos alunos do “reforço”. Com maior paciência e tudo mais... Acho que vale a pena. – incentivou a amiga.

 “Aulas particulares”? Interessante isso. Minha mente do mal num instante trabalhou.

- Com licença... – interferi, fazendo seus olhares se voltarem a mim. – Não pude deixar de ouvir a conversa de vocês. Perdoe a minha indelicadeza, mas quem dá as aulas particulares? 

Um segundo, elas arregalaram os olhos, dois segundos, elas abriram a boca em formato de “o”, três segundos, sorriram encantadas, quatro segundos, resolveram parar de babar e me responder.

- Ah.. Er.. Oi. Desculpe... – uma delas sorriu constrangida. – Quem dá as aulas é a Bella, dona do ateliê. Conhece?

- Sim, eu conheço. – sorri maquiavélico.

Nem precisava me mexer, as oportunidades vinham até mim. Naquele momento sim, eu senti vontade de assoviar de alegria. Minha querida estrela... Você terá mais uma surpresa. Procuraria saber mais sobre as tais aulas naquele instante.

- Ah... Eu sou Lucy. – a outra mulher se apresentou.

- E eu sou Jennifer. – minha “informante” não perdeu tempo. – Pode me chamar de Jenny.

- Eu sou Edward. – seus olhos brilharam. – Então, obrigada pela informação. Foi um prazer conhecê-las. – falei me afastando.

- Tchau, Edward. – saudaram em coro, sorrindo abestalhadas.

As mulheres eram uma comédia. Não podiam me ver, e perdiam a linha do raciocínio. Ri internamente, enquanto caminhava até a secretaria.


POV ISABELLA

Sentia-me cansada, esgotada. Mentalmente e fisicamente. Nunca imaginei que me sentiria tão satisfeita por uma aula ter chegado ao fim, mas foi exatamente isso que aconteceu. Sentia como se um peso tivesse sido removido drasticamente de minhas costas. Tudo isso por causa dele. Não é possível que uma pessoa possa aparecer do nada e alterar tantas coisas ao mesmo tempo.

Sentia muito prazer em dar aulas. Todas as aulas. Uma vez ou outra, problemas com alunos surgiam, obviamente. Nada mais natural. Mas ele extrapolava todos os limites de minha paciência. Parecia ter prazer em me incomodar. É tão difícil ignorá-lo e prosseguir com a aula quando este faz de tudo para chamar atenção. Como se ele estivesse todo o tempo iluminado por um holofote servindo de lembrete para mim: “Eu estou aqui!”.

Respirei fundo, enquanto me dirigia à minha sala. Sua presença ainda me irritava, mesmo que ele não estivesse aqui. Dá pra entender uma coisa dessas?! Desde aquela noite na boate que o meu constante estado de espírito é de pura raiva. Eu precisava relaxar. Precisava esquecer. Ainda era segunda-feira. E com sorte, eu não teria mais que ser obrigada a dar nenhuma outra aula a ele. Apenas Salsa.

Este pensamento quase me fez sorrir. Um alívio, embora discreto, se apoderou de mim. Quando adentrei a sala, estava Rosalie sentada em uma das poltronas, esperando-me com uma revista em mãos. Ao me ver, sorriu largamente. Joguei a bolsa em cima de minha mesa, e deixei meu corpo despencar sobre minha cadeira reclinável. Sabia que teria explicações, muitas explicações a dar.

- Fiquei sabendo sobre as aulas... Seus alunos novos.. – começou. – Bem, um até que é um conhecido, han? – sorriu.

- Olha aqui Rose, você não tem direito de dizer nada... – gesticulei nervosa. – Isso tudo é culpa sua!

- Minha? O que eu tenho a ver com essa história? – fez cara de ofendida.

Com certeza, não me convenceu. Tentava manter a calma. Estava conseguindo até ela vir me assombrar novamente com esse assunto. Tenho passado horas e mais horas dos meus dias com a imagem daquele cara estúpido na minha cabeça. Não tenho um momento de paz. Sou humana, também preciso de um time de vez em quando, ora essas!

- Sua sim! – insisti. – Você foi abrir esse “bocão de nós todos” pra sugerir que havia possibilidades... – repeti seu discurso. – E o que acontece? As possibilidades são atingidas em cheio na minha cara! Aqui, Rose! Logo aqui! O Ateliê é meu santuário, meu templo pessoal. O local onde eu me sinto bem. E agora, por culpa sua... – enfatizei. - Esse status obrigatoriamente será mudado!

- Eita... Que vozes alteradas são essas, eim? – a baixinha também se juntou a nós. – O que está acontecendo?

- Bella está me culpando por ter que dar aulas àquele amigo do Emmet... – disse Rose num tom entediado, enquanto puxava uma lixa e arrumava as unhas.

Ela não estava sentindo o perigo no ar?

- Amiga, isso não é obra da Rose. Isso se chama destino. – deu uma de sabe-tudo a Alice. Fazendo meu nervosismo subir significativamente de nível. – Vi-o indo embora, sabe? Tinha um sorriso no rosto... – murmurou sugestiva.

- Se ele tinha um sorriso no rosto, isso significa que eu vou chorar! – sibilei receosa. – O que será que ele está aprontando agora? Não basta viver para me atormentar? Será que agora quer triplicar isso? Não agüento!

- Você está muito estressada... – reclamou Rose. – Já reparou que não pára de falar nele um minuto? Desde que o conheceu, ele tem sido seu constante pensamento... Hu.. Hu..

- O que quer dizer com “Hu.. Hu..”? – questionei ciente de que não iria gostar de ouvir a resposta.

Ao invés de tentarem me acalmar como boas amigas, não! Elas me colocam mais e mais irritada.

- Sabe muito bem o que a Rose quer dizer... – mostrou seu ponto de vista, Alice. – Você reclama dele, mas não o esquece, Bella! O tempo inteiro é: “Aquele arrogante, estúpido, metido, grosseiro...” e outros. Vamos lá minha amiga, você sabe muito bem que isso não é só raiva. – sorriu maliciosamente. – De dez palavras que fala, onze são sobre ele.

- Vocês só podem estar alucinando ao cogitar a possibilidade de eu... de eu... – não conseguia nem terminar. – Eu tenho um gosto muito melhor do que isso, se querem saber! Aprecio qualidades de verdade em um homem, e aquele idiota não se enquadra em nenhuma delas!

- Ah claro... Ser bonito, sexy, ter um corpo que chama a atenção há quilômetros e ainda de quebra, ter um sorriso torto que derrete um iceberg mais rápido do que o próprio Aquecimento Global são características detestáveis em um homem... – falou irônica a culpada de minha ira. – Não consigo imaginar uma mulher que cederia a tipos como esses de atributos... Interne-a imediatamente. – riu junto com Alice.

- Isso. Brinquem... Brinquem mesmo. – gesticulei novamente. – Quando enxergarem de verdade a pessoa insolente que ele é, irão me dar razão.

Ignoraram meu aviso e continuaram a rir descaradamente. Não entendia como ele podia ter “conquistado-as” se nem ao menos conhecê-las de verdade. Só eu enxergava como ele realmente era, irritante e intragável?! Só eu.



POV EDWARD

A moça responsável pelas matrículas já estava arrumando as coisas na mesa quando entrei a sala. Pelo seu olhar, imediatamente percebi que se lembrava de mim. Mas eu precisaria de suas informações.

- Olá. – saudei educadamente.

- Sr. Masen... O que posso fazer pelo senhor? – depositou os papéis que segurava de volta a mesa, e cruzou as mãos sobre a mesma.

- Me chame de Edward. – pedi sentando à sua frente. – Bem, eu queria saber sobre as aulas particulares.

Fitou-me por um longo minuto. Parecia estar procurando por alguma coisa em minha expressão. Arqueei as sobrancelhas, confuso sobre sua reação. Essa mulher tinha algum problema comigo.

- Hoje foi sua primeira aula e você já quer fazer aulas particulares... Como sabe que vai precisar? – perguntou rudemente.

- Isso só diz respeito a mim, certo? – respondi.

Ficou ainda mais irritada. Não entendia o porquê disso. Mas pelo visto, eu não era a pessoa mais adorada de Cuba. Acho melhor eu me cuidar.

- Pode me explicar sobre as aulas ou não? – insisti.

Estava perdendo meu tempo e não conseguia o que queria. Mesmo contra vontade, ela explicou que as aulas eram à noite duas vezes por semana. Era somente o professor e o aluno. Não podia ser melhor. Foi meu pensamento feliz. Sem nem pestanejar, “contratei” os serviços particulares de minha estrela.

Depois de um tempo desnecessariamente longo, creio eu que a mal-humorada demorou de propósito pra ver se eu desistia, consegui acertar tudo. Reparando bem, eu já podia encomendar a missa de 7° dia de minhas férias e preparar-me para um futuro grande buraco na minha conta bancária.

Passaria mais tempo ali dentro do que em qualquer outro lugar. Levantei-me para ir embora satisfeito comigo mesmo. No caminho para o hotel, meu amigo culto intimou-me a me encontrar com ele no Lobby bar do Meliá Cohiba, hotel em que estávamos hospedados. Não planejando de maneira alguma ficar enclausurado dentro do quarto, me dirigi ao local indicado.

                                                                      ***

Adentrava o lobby bar, procurando Emmet. O lugar era de uma beleza e sofisticação incríveis, assim como o próprio hotel. Tinha um pequeno palco numa parte afastada com música ao vivo, e algumas pessoas dançavam animadas na pista improvisada ao lado deste. Varri os olhos pelo local, e avistei-o numa mesa bem no centro do bar. Ele acenou pra mim e caminhei até lá.

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- E aí, amigo? – cumprimentou-me. – Veio do ateliê?

- É. Até que a aula foi suportável. – respondi sentando-me, e tentando esconder o verdadeiro fiasco que foi. – Bem maneiro aqui. – olhei ao redor.

- Você não me engana, espertinho... – às vezes parecia que eu estava falando com uma criança. – Levou outro toco? – riu.

- Não vou discutir isso. – cortei o assunto.

Quando falava com Emmet, só confirmava minhas suspeitas. E não querendo admitir a perda da aposta e da minha autoconfiança, preferi não falar sobre aquilo. Era a melhor alternativa. Mas ele continuava ali, encarando-me com uma expressão divertida e tentando controlar o riso, à espera que eu confesse meu fracasso. O palhaço se divertia com a minha desgraça. E pela primeira vez, eu não podia dar o troco.

E tudo aquilo por causa de Bella.

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