Preparados para começarem a ler essa bela história de amor? Estamos muito ansiosas para saber o que vocês vão achar! Então, confiram! E não esqueçam de voltar e comentar, ok?! *--------------*

PRÓLOGO
“El amor es un juego en el que ambos jugadores pueden ganar.”


POV ISABELLA

Estava deitada na cama, o cabelo grudado no rosto suado. Em Cuba estava fazendo um calor temeroso. Os pesadelos voltavam a assolar meus sonhos, antes calmos e silenciosos, agora terríveis e assustadores. Meus pais estavam neles e eu deixei que uma pequena lágrima escorresse pelo o meu rosto, a saudade me atingindo.

Prazer, meu nome é Isabella Martinez, e sou mais conhecida como Bella. Tenho 23 anos e sou dona do ateliê de dança mais famoso de Havana, aqui em Cuba, onde eu moro desde que nasci. Sou morena, com um sorriso bastante alegre, olhos verdes - os olhos do meu pai -, cabelos longos até as costas. Meu corpo é bem moldado e, por isto, dou créditos à dança que me acompanha desde muito cedo.

Bella Danza foi de meus pais e eu herdei aos nove anos, quando eles morreram. Eles eram dançarinos profissionais e se conheceram na dança de salão dos navios da Costa Cruzeiros na América do Sul e depois desse dia nunca mais se separaram. Sempre apaixonados pela dança e pela música, trabalharam muito e se esforçaram para construir e trabalhar no que eles amavam fazer.

Depois de ganharem vários concursos de dança importantes pelo mundo afora, conseguiram finalmente abrir o Ateliê. Criada com e por dois exímios dançarinos, não havia como eu também não me apaixonar, principalmente depois das visões dos meus pais dançando qualquer ritmo de música, o que eles faziam belamente, e contratando professores para que dessem aulas aos alunos, que apareciam aos montes em busca de uma vaga. Eu me lembro de vê-los dançar, o riso alegre e contagiante entrando em todos os cantos da sala de dança que tinha um enorme espelho de ponta a ponta. 

Flashback

(...)

Eu tinha 4 anos e estava calçada com as sapatilhas de dança da minha mãe. Ela estava na cozinha da grande e confortável casa que tínhamos. Saí devagar do meu quarto, entrei no de meus pais e sentei na cadeira grande que tinha de frente com a sua penteadeira, com várias caixas coloridas e brilhosas. Abri a primeira. Nela, tinha um colar muito chamativo. Ele tinha um brilho dourado! E eu sempre gostei de coisas brilhosas. Não hesitei: com as minhas pequenas mãozinhas, passei-o em volta do meu pescoço, tendo alguma dificuldade com o fecho.

Quando consegui fechá-lo, passei delicadamente os dedos pelas pedras, me sentindo extremamente linda! Linda como a minha mãe! Abri a segunda. Ali tinha vários pares de brincos. Peguei um pequeno e coloquei na orelha. E assim eu fiz, abrindo cada caixinha que estava ao meu alcance e colocando uma das jóias ou acessórios da minha mãe. Quando eu estava satisfeita, saí sorrateira pelo corredor e fui em direção a sala, preocupada que meus pais me vissem antes da surpresa. Ouvi as gargalhadas do meu pai no jardim e o barulho da comida sendo feita na cozinha. Perfeito!

- Mãe, pai! Venham aqui! - gritei com a vozinha esganiçada da sala.

Eles vieram correndo, pensando que tinha acontecido algo. Então, pararam abruptamente na porta da sala, me olhando espantados.

- Como estou? - perguntei, dando uma volta nas pontas dos pés, como tinha aprendido nas aulas de balé que eu fazia desde os 2.

E segui com os movimentos, mostrando a eles novos passos que eu tinha aprendido sozinha. Quando eu terminei, eles me aplaudiram e meu pai me pegou no colo, me dando um estalado beijo na bochecha.

- Você será a melhor, mi Isabellita! - ele exclamou.

Minha mãe tinha lágrimas nos olhos.


***

Eu tinha 7 anos e estava quietinha, parada a porta, observando-a. Não queria que ela se desconcentrasse. Ela fez um movimento muito difícil típico da música caribenha e eu vi o contentamento em seu rosto por tê-lo executado corretamente. Meus olhinhos brilhavam felizes.

- Mamãe, um dia eu vou poder dançar como você? - perguntei.

Ela virou o rosto ao ouvir a minha voz com um sorriso nos lábios. O meu sorriso. Era esse sorriso que me fazia feliz quando eu me sentia triste, que me ajudava quando eu tinha alguma dificuldade com a dança, o que eu sentia falta quando estava sozinha... E eu tinha o sorriso dela. Minha mãe era de estatura mediana, morena, os olhos um pouco puxados, os cabelos longos e cacheados caiam como cascatas pelos seus ombros e costas. Tinha um corpo de dar inveja em muitas mulheres, e sempre que perguntavam como ela fazia para mantê-lo, ela respondia: 'Eu apenas danço e me alimento bem!'

- Claro minha linda Isabellita! - só ela me chamava assim.

Ela e meu pai. Depois de muitos anos, a única pessoa que eu deixava me chamar assim era a minha tia Esme, que cuidou de mim quando eles morreram.

 - E você será muito melhor do que eu! Você será o meu orgulho! – ela continuou e me puxou para um abraço. O meu sorriso foi enorme, imaginando o dia que eu poderia chegar aos pés da minha mãe. Ela se afastou e me olhou séria. - E você não pode desistir minha Isabellita! Vão aparecer muitos obstáculos, mais você nunca poderá deixar que ninguém fale que você não é capaz! Você é capaz de fazer tudo que quiser! Basta que você queira e se esforce!


***

Agora eu tinha 9 anos e estava saindo das aulas balé. Meus pais tinham ido me buscar e iríamos jantar. O dia tinha sido estranho. Eu estava com uma sensação ruim. Estava nublado e eu não gostava quando o tempo ficava assim, como se fosse cair um temporal a qualquer momento. Comentei com a minha mãe, minha fiel amiga.

- Mãe, está doendo aqui. - falei apontando para o peito.

- O que houve querida? - ela perguntou, se abaixando e passando a mão pela minha testa para sentir a minha temperatura.

- Eu não sei. Parece que vai acontecer alguma coisa ruim... - respondi.

- Ahhh! É esse tipo de dor? - ela perguntou com um sorriso. - Não se preocupa. Toda dor que aparece em nossas vidas é pra avisar que mais na frente teremos muita felicidade. - E me deu um beijo na testa.

Entramos no restaurante, eu segurando fortemente a mão do meu pai. Meu pai era extremamente lindo e eu fazia o papel de ciumenta quando a minha mãe não estava perto. Ele era alto, forte, a boca bem desenhada, os olhos castanhos com um toque de verde. E fazia muito sucesso entre as mulheres.

Nosso jantar foi calmo e alegre. Meus queridos pais perguntaram com tinha sido o meu dia, o que eu respondi com riqueza de detalhes. Entre nós três não havia segredo. Pedimos a sobremesa.  Na saída, caminhamos tranquilamente pela calçada, indo em direção ao carro que estava estacionado um pouco longe. Vi ao longe um relâmpago e me aproximei ainda mais do meu pai, abraçando-o pela cintura. Então, tudo aconteceu muito rápido.

Um homem puxou a bolsa que a minha carregava e ela soltou um grito. A rua estava cheia de pessoas. Ela não entregou a bolsa e ele mostrou uma arma. A cara de assombro da minha mãe ficou marcada para sempre na minha cabeça. Meu pai saiu em socorro dela, quando o homem mirou o revolver para ele e atirou. E depois para a minha mãe. Eles caíram no chão e eu fiquei horrorizada. Corri para eles e meus gritos foram abafados quando a chuva começou a cair forte, banhando todos nós.

Fim do Flashback

Com as imagens do dia da morte de meus pais rondando a minha cabeça, fui tomar um banho, tentando afogar a tristeza que me assolava. Quando saí, já estava mais tranqüila. Depois que eu tinha conquistado a minha maioridade, eu decidi sair da casa da minha tia Doroth e viver a minha própria vida.

Olhei para o relógio e marcava 9hs. Eu teria ainda meia hora para comer alguma coisa e seguir para o Ateliê antes do início das aulas. Comi calmamente um pedaço de bolo mandado pela minha tia e que passeava pela minha geladeira devia fazer uns 5 dias com um copo de suco de carambola. Tranquei meu apartamento e desci para pegar meu carro. Eu tinha me mudado, óbvio, depois de tudo que tinha acontecido.

Agora eu morava a 4 quadras do Ateliê, em um apartamento que tinha exatamente tudo que eu queria, precisava e do meu jeito. Tinha uma sala espaçosa, uma cozinha média, um quarto de hóspedes que eu apenas deixava arrumadinho (não esperava que ninguém fosse aparecer), meu quarto que era meu cantinho preferido e uma sala de dança que eu tinha improvisado.

Esse era um dos maiores quartos que tinha no meu apartamento e que eu tinha transformado na minha sala de dança. Eu não conseguiria ficar longe da dança por muito tempo. Então fiz esse espaço para mim. Nele tinha algumas fotos dos meus pais em grandes eventos, algumas minhas e de pessoas que eu gostava. Uma parede era coberta de ponta a ponta por um espelho, exatamente com eu me lembrava da antiga casa em que eu morei. Ali tinha o meu som e todas as coisas que eu precisava.

Fui tranqüila dirigindo para o Ateliê, enquanto uma música tocava no som.

*Link seguro para acessar a música*

Apesar de tudo o que eu tinha passado, eu era uma pessoa feliz. Ter crescido sem os meus pais me fez ficar cada vez mais forte, guerreira. E eu prometi a minha mãe não deixar ninguém falar que eu não tinha capacidade ou que eu não conseguiria. E assim eu fiz. Tudo que eu tenho hoje eu conquistei sozinha. Tia Doroth sempre me ajudou, claro, serei sempre grata, mas eu consegui por que eu queria provar ser capaz de fazer qualquer coisa. Nunca deixei ninguém me humilhar, mas também nunca deixei de lado todos os meus valores e princípios para conseguir nada. Nunca passei por cima de ninguém.

A minha adolescência foi calma e tranqüila. Namorei alguns garotos e sempre fiz muito sucesso entre eles. A minha beleza e a intimidade com a dança contribuíram e muito para isso. Tive três namorados e todos eles foram namoros longos. O último da vez foi Alejandro. O canalha me traiu com a diretora de produção de um campeonato de dança que eu estava participando na Argentina. Peguei os dois aos beijos na sacada do hotel luxuoso onde a festa acontecia. Isso aconteceu faz dois anos.

Eu não fiz o escândalo esperado pelos dois. Apenas juntei o que restava da minha dignidade e saí antes que as lágrimas escapassem dos meus olhos. Desde então estou sozinha. Não sozinha completamente. Tenho os meus rolos, mas nunca me envolvo emocionalmente ao ponto de não conseguir mais controlar. Sinto falta de alguém junto a mim, mas não corro atrás de ninguém. Vou deixar a vida acontecer. Estou muito bem no meu trabalho, sou feliz e faço o que eu gosto. Isso provavelmente deve ser suficiente.

Se fosse para me descrever em uma palavra, a resposta seria rápida: determinada. Eu conseguia tudo que eu queria.


POV EDWARD

Mais um dia termina, como todos os outros. Parecia sempre a mesma coisa para mim. Estava em meu escritório, em NY, mais ou menos no horário do crepúsculo, e através da grande janela em minha sala, conseguia observar as pessoas que por ali passavam, todos os dias, sempre no mesmo exato horário. Acredito que poderia identificar cada uma delas a quilômetros de distância. Aqueles rostos já estavam gravados em minha mente. Algumas crianças passeando com seus cachorros ou simplesmente brincando com outras crianças, pessoas andando sempre apressadas falando aos celulares, Carros cortando ruas sempre em alta velocidade. Às vezes pensava viver em um constante Dejá Vu.

Minha vida, atualmente, estava sendo uma contínua e insistente rotina. Geralmente não é assim, exceto no trabalho. Sim, no trabalho, é tudo sempre igual. Eu gosto demais do que faço, mas às vezes é um porre. Fora que parece que sempre todos estão esperando muito de mim. Talvez esse seja o preço por ser um advogado tão conhecido. Meus clientes sempre esperam que eu ganhe todos os casos. Até aquele momento, havia perdido apenas um.

Na época, senti-me ninguém, mas depois acabei “aceitando”. As pessoas têm uma imagem muito distorcida de mim. Bom, talvez não. Mas não gosto que fiquem me avaliando. E o pior é quando começam a me comparar com Carlisle. E nem trabalhamos no mesmo ramo. Ele é empresário, eu sou advogado. Será que as pessoas não se tocam?

Há muito tempo atrás deixei de considerá-lo como meu parente. Assim como Esme. Acho que se não me lembrassem constantemente que tenho o mesmo sobrenome deles, ficaria feliz em não notar que me chamo Edward Masen. Eu me importava com eles, era normal eu me importar. Mas acho que isso perde a validade quando só você se importa. Tudo mudou naquele dia. O dia que eu decidi não me importar mais. Ou pelo menos, não demonstrar.

• FlashBack

Estava certo de que surpreenderia meus pais com minha surpresa. Sempre soube que eles gostavam de quadros, nossa casa era abarrotada deles. Eu tinha 8 anos, pintava desde os 5, quando comecei a ter aulas de pintura. Quando se tem dinheiro, você pode até aprender a falar com meses de idade. Uma coisa que minha mãe sempre dizia para mim foi: “Aprenda uma coisa, meu filho: Tudo tem um preço. Certas coisas têm um valor mais alto do que outras, mas todas elas sempre têm um valor”.

Naquela semana, eu tinha treinado bastante com a minha professora, queria saber perfeitamente como desenhar faces. Cada detalhe, cada curva, eu treinei muito até conseguir terminar o quadro que eu achava que tinha melhor representado a perfeição, mas eu descobriria mais tarde naquele mesmo dia que para meus pais... Estava longe disso.

Havia pintado um retrato de nós três. Empenhei-me em representar exatamente o que meus pais aparentavam ser no dia a dia. Até as expressões. Minha mãe sempre tinha um ar despreocupado, geralmente passava o dia fazendo compras, por isso decidi que ela deveria trajar uma roupa bem elegante, como ela sempre usava. Já meu pai, bom... Com ele eu tive alguns problemas, eu não sabia como meu pai era.

Mal o via, pois estava sempre viajando, e quando estava em casa, sempre ficava trancado no escritório ao telefone. E foi exatamente assim que o pintei: Ao telefone, com o seu corriqueiro terno e com uma expressão séria no rosto. Talvez... Eu devesse ter pensado melhor antes de representá-lo dessa maneira. Mas eu só tinha 8 anos, e essa era a única imagem que eu tinha do meu pai.

Dei uma última olhada no quadro, que havia terminado ontem, e sorri acreditando que dessa vez tinha me superado. Era um ótimo dia, pelo menos para mim. Meu pai e minha mãe estavam em casa, e aquilo era raríssimo. Peguei o quadro que tinha colocado ao lado de minha cama, e pedi para Sue, uma das empregadas, me ajudar a descer com ele pela escada. Tinha muito medo de deixar cair e acabar o estragando.

Cheguei à sala e encontrei minha mãe assistindo a um programa de moda na televisão. Seus cabelos num tom castanho-acobreado, assim como os meus, caiam suavemente sobre seus ombros. Seus olhos azuis mal piscavam a fim de não perder nem um segundo do programa, e ela mantinha aquele ar jovial de costume.

Meu pai era o oposto. Andava impaciente de um lado para o outro, gritando coisas que julguei ser em francês ao telefone. A ruga de preocupação estava sempre transparente em sua testa, não havia um segundo sequer que estivesse relaxado. Sempre havia muitos problemas e questões a resolver. Agradeci a Sue pela ajuda com um sorriso, que foi retribuído por ela, que se retirou em seguida. Coloquei o quadro encostado no sofá, sentando ao lado de minha mãe, esperaria meu pai acabar de falar ao telefone para mostrá-lo. Eu tinha consciência de que ele se irritava se fosse interrompido no meio de uma ligação.

Pacientemente, aguardava meu pai desligar o telefone. Ele teria que desligar alguma hora, certo? Mais um erro meu. Devia ter mais ou menos uns 20 minutos que estava esperando. Minha mãe, em nenhum momento, sequer olhou para mim. Parecia não ter me visto ali, ou, fingia não ver. Já passava da hora do almoço, e meu estômago começou a reclamar impaciente.

- Mamãe? – a chamei, e ela não esboçou nenhuma reação. – Mamãe, olha o quadro que eu pintei ontem?

- Depois, Edward. – ela não desgrudou os olhos da TV ao pronunciar o que eu sempre escutava.

- Queria que você visse. – insisti.

- Mostra pra Sue, ela adora seus quadros. Agora, xô! Estou ocupada. – ela balançou uma mão em minha direção, como quem espanta um cachorro.

Levantei do sofá, desolado como sempre ficava depois de trocar qualquer palavra com minha mãe, e quando estava me preparando para subir de volta pro meu quarto, vi meu pai finalmente desligar o telefone. Não pensei em duas vezes e corri em sua direção, antes que ele discasse outro número no celular, como estava prestes a fazer.

- Papai, eu pintei outro quadro. Quer ver? – perguntei com esperança. Não sei por que ainda acreditava que um dia a resposta seria sim.

- Depois, Edward. – ele respondeu, já colocando o celular outra vez no ouvido.

- É só um instante. – eu sabia que eles não gostavam quando eu insistia muito num assunto, mas eu tinha feito o quadro pra eles dois.

- Carlisle, vê logo o quadro desse menino pra ele parar de encher o saco, pelo amor de Deus! – minha mãe me “ajudou”.

- Tá, tá bom. Cadê? – perguntou impaciente.

Sorri largamente e corri pra pegar o quadro. Virei a parte do desenho para o meu corpo, a fim de fazer suspense. Voltei pra perto dele, que já batia os pés, ainda mais impaciente e checava que horas eram no relógio de pulso.

- Não tenho o dia todo, Edward. Dê-me logo isso! – ele arrancou o quadro da minha mão, rapidamente. Não demorou seus olhos nem 2 segundos no quadro, pela primeira vez, vi seu rosto assumindo uma expressão de raiva e temi o que tinha feito de errado. – MAS O QUE SIGNIFICA ISSO?! – Arregalei os olhos. Ele nunca havia gritado comigo, na verdade, o máximo que ele fala pra mim é “Depois, Edward”. – VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE EU FICO O TEMPO TODO NO TELEFONE? QUE EU NÃO FAÇO NADA ALÉM DISSO? QUEM VOCÊ PENSA QUE É MOLEQUE? OLHA, SAI DA MINHA FRENTE! ANTES QUE EU TE DÊ AS PALMADAS QUE NUNCA RECEBEU!

Ele jogou o quadro no chão, e para não variar nenhum pouco, se trancou no escritório. Eu o recolhi do assoalho, segurando as lágrimas que estavam prestes a cair. Pensei que ele iria gostar, eu não entendia o que tinha feito de errado. Minha mãe olhou pra mim e suspirou. Fiquei surpreso com o fato de ela ter tirado os olhos da TV para me fitar.

- Me dá aqui, filho. Deixa eu ver. – ela estendeu as mãos na minha direção, e eu entreguei o quadro a ela. Pelo menos naquele instante, eu havia esquecido o incidente com meu pai e me permiti ficar feliz por ela ter se interessado em algo relacionado a mim. É claro, que isso não duraria muito. – É seu pai, você... E quem é essa mulher aqui?

- Você, mamãe. Somos nós três. – conclui com um sorriso, que logo morreu quando vi que ela tinha a mesma expressão do meu pai no rosto.

- E desde quando eu sou gorda, Edward? Essas bochechas estão enormes, o meu cabelo está mais escuro e que vestido tenebroso é esse? Eu nunca usaria isso! Jogue isso fora antes que alguém veja! meu Deus, que horror! – jogou o quadro em cima de mim, claramente abismada.

Voltei rapidamente pro meu quarto, antes que ouvisse outra coisa que fizesse eu me sentir ainda pior. Bati a porta com força e não hesitei em jogar aquele maldito quadro que me deu tanto trabalho na parede. Acredito que se soubesse pronunciar algum palavrão, muitos teriam escapado por meus lábios. Acho que foi a primeira vez que senti raiva deles, é claro que esse sentimento não durou muito, foi substituído por outro mais forte. Sentei no canto mais afastado do meu quarto, a única parte que a luz do dia que atravessava as janelas não alcançava.

Passei os braços em volta dos meus joelhos, como se pudesse me proteger de qualquer coisa que fosse. Eu não queria mais viver daquela maneira, sempre esperando e torcendo que pelo menos uma vez ao dia, eles apenas olhassem para mim. Hoje penso que naquele dia tive uma epifania e amadureci, mesmo sendo tão novo. Sabia que a única maneira de me proteger daquilo, era me fechar no meu próprio mundo. Sabia que conseguiria, eu tinha que conseguir.

• Fim do FlashBack

Desde então, eu venho me distanciado deles cada vez mais. Com 17 para 18 anos saí de casa. Estudei muito para conseguir ser independente quando jovem, sempre tive em mente fazer advocacia. No início da faculdade, eles pagaram para mim, mas depois consegui um estágio e fui crescendo até conseguir montar meu próprio escritório, um dos mais renomados de NY, e finalmente comecei a andar com meus próprios pés.

Há mais ou menos uns 3 anos, Carlisle teve uma crise financeira e quase perdeu tudo, um dos seus sócios o passou para trás, mas ele conseguiu reverter à situação. De lá pra cá, eles adotaram uma espécie de transformação de estilo de vida, e começaram a tentar se aproximar de mim. Certamente de nada adiantou. Isso é ridículo depois de 20 anos de ausência.

Na adolescência, acredito que devido aos meus hormônios impacientes, resolvi dar uma nova chance a mim mesmo, digamos assim. Comecei a namorar uma menina chamada Renata, estudava comigo. Ela era uma delícia. Não tinha outra definição. Na época, eu era um babaca no quesito relacionamentos. Não sabia como eram as coisas realmente, e gostava dela de verdade. Mas o sentimento não era recíproco, outros fatores a levaram a se aproximar de mim. Uma maldita aposta de quem conseguiria segurar o cara mais rico da região, foi estritamente esse fator. Quando descobri isso foi uma grande decepção, achei que o problema era comigo, hoje vejo que pensamento mais idiota foi esse! Felizmente, não demorou muito até eu “acordar para  a vida”.

Logo, eu fui de “o garoto mais rico da região” para “garoto mais desejado da região”, embora o dinheiro ainda tivesse permanecido. Quanto a Renata, eu não fui tão bonzinho assim com ela. Mesmo depois de saber da aposta, continuei “o namoro”, acredito até que ela até começou a gostar de mim de verdade, mas já era tarde. Eu fiz questão de terminar com ela depois de ela finalmente se abrir pra mim, exatamente nesse sentido da palavra. Lembro que ela me xingou de todos os nomes possíveis quando eu paguei a ela 1000 dólares pela noite. Não era dinheiro que ela queria? Foi isso que ela teve, ué! Ou será que foi pouco? Quando eu digo que não tem como entender as mulheres, é exatamente por isso. Nunca sabemos o que elas realmente querem.

O fator que mudou da época do colegial para hoje foi que eu as uso e não o contrário. Renata foi minha primeira e última namorada. Ela me serviu de lição. Amor pra mim é um sentimento fictício, - pelo menos no sentido de ter uma parceira - quem em sã consciência consegue passar a vida inteira do lado de uma só pessoa?

Minha vida já era uma rotina incansável por que ultimamente vinha me dedicado mais ao trabalho do que deveria e tinha que mudar aquilo urgentemente. Imagina a vida de uma dessas pessoas! Nem quero imaginar, na verdade.

Ver cada silhueta, cada rosto e cada corpo diferente, em diferentes quartos de hotel, em diferentes dias da semana... Aquilo sim era vida! Ainda não conheci nenhuma mulher que não tivesse demonstrado interesse por mim, é claro. Mas eu não iludo ninguém. Todas elas sabem muito que depois de uma noite nunca mais vão olhar para minha cara. Deixo isso bem claro antes de tudo. Até parece que quero uma mulher histérica atrás de mim por acordar e não me encontrar mais na cama!


O que dizer? Este sou eu. Minha palavra predileta: Determinação. Com ela, você alcançar tudo o que desejar.




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