Hey! Depois de um textinho e do aparecimento da Gabi por aqui, eu não tenho muito o que dizer. Então, espero sinceramente que vocês estejam gostando da história, apesar de nenhum comentário. Sinceramente, eu já esperava por isso, uma vez que a mania das fanfics eu creio que não esteja tão em alta, e quando veem que é sobre Crepúsculo, a galera já fecha, né? Mas enfim... sem reclamações. Espero que vocês gostem desse capítulo. Eu dei boas risadas com ele.

CAPÍTULO 3
'El amor no empieza y termina nuestra forma de pensar. El amor es una batalla, el amor es la guerra, el amor es un crecimiento continuo.'


EDWARD POV

Onde estava meu cérebro quando eu concordei com aquela aposta idiota? Só podia estar maluco! Estava naquele momento em um táxi indo em direção ao Bella Danza, praguejando muito por ter aceitado fazer parte daquilo. Emmet passara o final de semana fazendo um relatório completo dos dias e horários de funcionamento do ateliê. Não deixando, nem por um segundo, que eu me esquecesse aquela mulher!

Eu pensara um pouco, só um pouco, nela nas outras horas também, mas só porque estava com raiva, certamente. A minha camisa ainda estava cheirando a cachaça! E pensar que ainda não tinha conseguido nem um divertimento, lê-se: transa. Emmet e Jasper saíram com Rosalie e Alice, as amigas da Sra. Problema, e eu não conhecia muita coisa por lá, então só tinha dado só umas voltas por aí. Essa garota atrapalhava minha vida até nisso. Era culpa dela eu ainda estar na seca. E agora lá vou eu correr logo atrás dela. 

Logo eu, que não corria nem atrás de ônibus! E ainda tinha o pequeno problema: Se o Emmet estiver certo? Se ela não quisesse nada comigo mesmo? Que isso, Edward! Cadê sua autoconfiança? Era verdade. Devia ser aquele calor que estava me fazendo mal. É claro que ela queria, sem dúvida. Afinal, ela era uma mulher como qualquer outra. Mas eu não podia ser rude, nem grosseiro e nem citar o incidente na boate, senão já era. Pensando sobre isso, uma coisa me viera à cabeça. O que eu vou ganhar com essa história toda? Afinal... Emmet nada disse sobre minha recompensa. Eu vou lá, dou uma de galanteador, correndo sério risco de me estrepar e ficar a ver navios, para não ganhar nada? Preciso conversar seriamente com ele a respeito.


Fora que... Ela podia me enxotar de lá, afinal o ateliê era dela. Bem, mas ela não faria aquilo, claro que não. Sou eu. E ninguém fazia isso com Edward Masen, obviamente. Não sei por que Jasper fizera tanta questão de que eu me inscrevesse nas aulas. Poderia dar aulas aqui, em vez de aprendê-las. Aquilo era um insulto aos três anos de aprendizado de dança de salão que tive. Não me lembrava de muita coisa de dança, mas dava para me virar. Talvez ele tenha feito aquilo pra tirar mais uma, de várias que já tirara com a minha cara. Havia descoberto que ele era um tremendo piadista, só não gostava de quando as piadas se voltavam contra ele. Eu me encarregava dessa parte.

- Chegamos, senhor. – comunicou o taxista.

Paguei e saí do carro, dando de cara com o grande letreiro Bella Danza. Até que causava uma boa impressão. Era dividido em três andares, mesmo do lado de fora parecia ser bastante freqüentado. Havia diversas pessoas, na maioria jovens, entrando e saindo todo o tempo e podia-se ouvir a conhecida música latina preenchendo o 2° andar.

Era engraçado ver que as pessoas já entravam dançando e sorrindo. O mais curioso era que realmente havia uma grande mistura entre homens e mulheres, e geralmente a classe feminina se interessava mais por dança. Cuba era, de todos os outros, o país mais interessante que já havia conhecido.

Depois de decidir que já estava na hora de parar de criar raiz na calçada, adentrei o ateliê. Ali dentro era mais movimentado ainda, todo mundo cumprimentava todo mundo. Aproximei-me do balcão da recepção e a mulher que estava ali logo percebeu minha presença.

- Bom dia. Posso ajudá-lo? – saudou sorrindo.

- Acredito que sim.

Quando ia perguntar onde se inscrevia para as aulas, uma das salas do primeiro andar se abriu e saiu a linda dona encrenca de lá. Lembrete: Não ser rude, nem grosseiro, não comentar sobre o incidente e principalmente, não chamá-la de destrambelhada, encrenqueira ou derivados. Guardei isso na mente e, após lançar um sorriso à recepcionista que ainda esperava que eu respondesse, caminhei até ela, que ainda não havia me visto por estar conversando com uma aluna, acredito, de costas para mim.

Quando já estava bem próximo, ela se despediu da aluna e virou na minha direção. A primeira emoção que transpareceu em seus olhos foi incredulidade, e depois mudou para a tão conhecida raiva. É, pelo visto ela se lembra de mim.

- Olá, Bella. – a cumprimentei, amigavelmente.

- Mas o que veio fazer aqui? – questionou raivosamente.

Será que corro o risco de ser fulminado pelo olhar dela?

- O que as pessoas fazem num ateliê de dança? – tentei controlar o tom irônico em minha voz, mas acho que não deu muito certo por que ela ficou ainda mais furiosa.

- Sei muito bem o que as pessoas fazem em um ateliê de dança, quero saber o que você faz no MEU ateliê.

Sabe o que é? Eu fiz uma aposta com o Emm tentando provar pra ele que você é igual a todas as mulheres e não resiste a mim. Que tal parar de se fazer de difícil e aceitar a realidade? Achava melhor responder outra coisa.

- Segundo a maioria da população cubana, o seu ateliê é o melhor que há. E como só freqüento os melhores lugares, aqui eu estou. – sorri tentando, novamente, ser gentil.

Definitivamente, eu não havia nascido para aquilo.

Vi-a respirar fundo, provavelmente se convencendo de que me bater não era uma opção viável. Esperei pacientemente ela se acalmar e voltar a olhar para mim.

- A sala para matrículas é ali. – ela apontou para uma sala ao lado da de onde ela tinha saído.

- Obrigado. – sorri, novamente.

Ela bufou e saiu andando sem me responder. Essa mulher tinha problemas ou o quê? Eu estava sendo o mais gentil possível, cortês, atencioso, simpático, generoso, amável, e um monte de outras coisas e ela simplesmente me ignorava?

Além de ser destrambelhada, distraída, encrenqueira, problemática, linda, gostosa, era mal-educada. Aquilo ia ser mais difícil do que eu pensava. Repeti: onde estava com a cabeça quando aceitei aquela aposta? Iria me custar à vida! Era bom que Emmet me recompense muito, muito bem, ou então, trato desfeito.


POV ISABELLA

Acordei zonza, com a cabeça doendo um pouco. Fui me agarrando pelas paredes até conseguir encontrar a porta do banheiro. Abri o chuveiro e rapidamente fui tirando o pijama para poder tomar um banho. Ouvi o relógio despertar. Acordei mais cedo do que esperava. Fui despertando aos poucos.

Lavei meu cabelo e depois de perceber que eu tinha ficado mais que o necessário ali, saí. Vesti uma calça folgada, calcei o tênis e uma regata que tinha o símbolo do ateliê. Passei creme no cabelo e o puxei para trás amarrando-o no topo da cabeça. Passei correndo pela cozinha, peguei um pedaço de bolo e desci para pegar meu carro.

No caminho, liguei o som baixinho para relaxar enquanto meus dedos tamborilavam devagar no volante. Os detalhes daquela fatídica noite na Cabaret Tropicana tomaram conta de minha mente e infelizmente me lembrava de tudo. O sinal fechou.

Alejandro, o homem que eu dancei a noite inteira não morava aqui. Como eu podia ser tão azarada? Por que eu tinha que ter o dedo tão podre pra escolher homens? “Melhor do que ser traída. Ele foi sincero.” A voz da minha consciência falou. Eu tive que concordar.
Por que a minha noite não acabou na parte do beijo? Por que eu tive que sair atrás de Alice e Rosalie e topar com aquele grosseiro? Encostei a cabeça no volante. Eu estava indignada ainda. A minha noite tinha tudo pra ser perfeita... O sinal abriu e eu não percebi, a não ser pela buzinada que eu levei do carro de trás, que me ultrapassou.

- Vai atrapalhar o transito na roça, caralho! – o idiota gritou de dentro do carro.

Eu acelerei meu carro, sem acreditar. Não tive nem forças para retrucar. Era impressão minha ou todas as pessoas andavam um pouco ranzinzas, estressadas e mal educadas? Será que ele também tinha vindo de Nova York? Com toda essa educação eu não duvido nada. Respirei fundo para não me aborrecer e xingá-lo como merecia.

Cheguei ao ateliê e já tinha bastante gente circulando por ali. Procurei por Alice e Rosalie, mas elas provavelmente já estavam nas aulas. Cumprimentei Lisa, a recepcionista, e fui em direção a minha sala. Deixei minha bolsa na mesma, e saí. Ia à procura de Rosalie quando uma aluna do ateliê se aproximou para me abordar.

- Bella, posso falar com você? – perguntou.

- Tudo bem. O que foi? – respondi com mais uma pergunta.

- Então, eu quero trocar de curso. – falou prontamente.

- Tudo bem... – assenti.

Ela ficou calada me olhando como se estivesse esperando que eu perguntasse o porquê.

- Você não vai perguntar o motivo? – perguntou, por fim.

- Eu não ia.  É um direito seu querer trocar. – comecei. – Mas pelo visto você quer falar... Então... Por que você quer trocar de curso? – questionei.

- Por que a minha professora... – fez questão de enfatizar a palavra – É uma mal educada, que não respeita ninguém e não sabe dar aulas! Só por isso! – e elevou a voz.
Eu ergui uma sobrancelha, assustada com a mudança de tom dela.

- Você está falando de quem exatamente? Acho que nenhum profissional que eu tenha aqui se encaixa no perfil que você acabou de descrever? – perguntei.

O que teria acontecido? Meu pensamento foi diretamente para Rose, por que ela com certeza era a que tinha menos paciência, principalmente com essa idade. A garota não aparentava ter mais de quinze anos.

- ROSALIE! – exclamou alto. – Eu quero trocar de turma e pronto.

- Mas você pode fazer isso. – falei sem realmente querer me aprofundar no assunto. Minha cabeça estava latejando. – É só se dirigir a secretaria. Vê se tem algum horário que pode se adequar aos seus.

- Muito obrigado. Farei isso. – ela falou impetuosa, virando-se, os cabelos negros balançando com o movimento do corpo.

Passei as mãos pelo rosto, me sentindo cansada. Eu só queria ir para casa e descansar. Quando eu ergui a cabeça, o que eu menos esperava aconteceu. O que diabos ele estava fazendo aqui? No meu ateliê?  Edward estava parado na minha frente com um sorriso debochado olhando diretamente para mim, como se estivesse achando graça. Idiota.

Não, não, não! Pedi internamente fechando os olhos. Fala que é brincadeira. Quando ele falou comigo, eu não consegui controlar e eu mandei o olhar mais desdenhoso que eu tinha. O que ele estava fazendo justamente aqui? Com tantos lugares para esse idiota ir, passear, caminhar, fazer sabe-se-lá-o-quê e ele vem parar logo aqui?

- Mas o que veio fazer aqui?! – questionei sem conseguir controlar a raiva.

- O que as pessoas fazem num ateliê de dança? – respondeu ironicamente, me fazendo querer saltar em cima da cabeça dele.

- Sei muito bem o que as pessoas fazem em um ateliê de dança, quero saber o que você faz no MEU ateliê. – insisti no mesmo tom e dando bastante ênfase no meu.

Esse paspalho não entrou aqui por acaso. Com certeza alguém comentou com ele que o ateliê era meu. Agora era descobrir a razão para ele estar aqui.

- Segundo a maioria da população cubana, o seu ateliê é o melhor que há. E como só freqüento os melhores lugares, aqui estou eu. – explicou sorrindo.

Ele era um canalha mesmo. Impetuoso, sem educação, rude, mal educado! E ainda queria ter aula no MEU ateliê! Não, não, não!!! Pensei na melhor maneira de mandá-lo para a puta que pariu, e afirmar que ele não ia ter aula porra nenhuma no meu local de trabalho. Mas aí eu lembrei que como uma boa profissional que eu era, não poderia privar ninguém de querer fazer as aulas. E muito menos negar uma matrícula.

Ele era uma pessoa como outra qualquer querendo aprender dançar, mesmo que ele aparecesse no lugar mais improvável para isso e parecesse que ele estava armando. Era coincidência demais para que eu pudesse acreditar que ele estava ali sem querer algo em troca. Respirei fundo.

- A sala para matrículas é ali. – indiquei a sala.

- Obrigado. – ele respondeu com um sorriso, me irritando.


POV EDWARD

Fui até a bendita sala, e só para melhorar a situação, havia um monte, repito: um monte de pessoas esperando para se matricularem. Impaciente, sentei em um dos poucos acentos disponíveis para esperar, e resolvi ligar logo para Emmet.

- E aí, Ed? Já encontrou com sua musa inspiradora? – já atendeu zombando.

- Dispenso as gracinhas. Quero saber o que vou ganhar com essa aposta antes que eu me inscreva para fazer as aulas. – fui direto ao ponto.

- Sabe que eu nem pensei nisso? – podia imaginar ele coçando o queixo e fitando o teto, pensativo. – Depois eu decido.

- Depois, não. Agora! Antes de jogar minhas férias no lixo, preciso saber se vai valer a pena o sacrifício.

- SACRIFÍCIO? – a besta berrou no meu ouvido. – Você vai pegar a Bella e diz “sacrifício”? Impossível não ter a notado, Edward! Vamos lá, meu amigo! Não me diga que resolveu jogar no outro time? – riu.

- Olha aqui, Emmet... Acho melhor você falar logo o que eu vou ganhar com isso, antes que eu esqueça essas malditas aulas e vá acertar umas coisas pendentes com você. Garanto que NÃO vai gostar!

Algumas pessoas olharam para mim, e percebi que tinha elevado meu tom de voz.

- Ih relaxa, cara. Já disse que depois decido. Agora vou desligar por que não quero atrapalhar o seu rendimento artístico. Mande lembranças a Bella! – desligou rindo.

- Filho da... – desisti de terminar o insulto, quando vi que mais pessoas ainda olhavam pra mim.

Será que eles não têm o que fazer, não? Ah claro que tem, assim como eu, esperar a eternidade até serem chamados.


(...)

Já estava de saco cheio de ver pessoas entrando e saindo daquela sala. Fazia mais ou menos uns quinze minutos que estava ali e era o próximo a ser chamado. As pessoas que saiam de outra pequena sala que havia ali – onde realmente eram realizadas as matrículas – tinham um sorriso enorme no rosto, como se houvessem ganhado na loteria. Isso tudo por que conseguiram se matricular? O que há com essa gente?

- Próximo! – ouvi a mulher chamar quando outra menina saiu sorridente da sala.

Talvez eu fosse o único que sairia normal dali.

Levantei rapidamente e segui até a sala. Parecia mais um escritório, e havia apenas uma mulher ali, atrás de uma mesa.

- Bom dia. – sorriu e fez com a mão para que sentasse. Assim o fiz. – E então? No que pretende se matricular?

Boa pergunta. Não fazia idéia do que queria fazer. Bom, querer mesmo, não queria nada. Nem sabia que gêneros musicais eles ensinavam ali.

- Não faço a menor idéia. – falei sinceramente, e ela me olhou paciente. Talvez eu não fosse o único a passar por ali que estivesse indeciso. – Quais são as aulas que Bella dá?

Vi que ela não gostou muito da minha pergunta, pois torceu o nariz. Ela mexeu em algo no computador e voltou a olhar para mim.

- Ela dá aulas de Dança do Ventre, Dança Caribenha, Salsa e Rumba. – disse ainda com o nariz torcido.

- Ótimo. Quero todas.

- Como assim “todas”? – perguntou descrente.

- T-o-d-a-s. – soletrei.

De repente ela tem algum problema de audição.

- Você não pode fazer todas! – insistiu.

- Não me recordo o motivo.

- Por que... Vai ser muito caro.

- Dinheiro não é problema.

Ela desistiu, assentindo contrariada. Depois de preço acertado, horários de aulas e tudo mais, ela literalmente me dispensou. Quando estava chegando até a porta, voltou a falar.

- Devo comunicá-lo que a Bella não se envolve com alunos.

Era impressão minha ou ela estava mesmo com inveja?

- Talvez ela abra uma exceção. – dei uma piscadela e saí.

Eu estava errado. Também tinha um sorriso no rosto.

Só queria ver a cara da Bella quando soubesse que teria aulas com ela. Sorri mais ainda. Até que era divertido deixá-la irritada. Chequei o relógio de pulso e vi que já era quase meio dia. Como se lendo meus pensamentos, meu estômago reclamou. Decidi ir almoçar, e voltar para o hotel.

A primeira aula seria hoje à noite, de salsa, e francamente, eu estava ansioso. Ficar com ela não era de fato um sacrifício. Bella era maravilhosa. Mas... Encrenqueira. O difícil seria a estrada até conseguir aquilo.

POV ISABELLA

Respirei fundo e subi as escadas em direção à sala de Rosalie. Os mais variados tipos de músicas ecoavam baixinho pelo corredor, pois suas portas estavam fechadas. Assim que se abrisse, ouviria em alto e bom som cada música. Ainda bem que as paredes acústicas ajudavam e muito nesse aspecto.

Cheguei à porta da sala, abri devagar, entrei e fechei-a rapidamente para não atrapalhar as outras turmas. Rosalie estavam ensinando os alunos com um humor incrível e eu cheguei a pensar na hipótese da garota ter inventado tudo. Ninguém que visse Rosalie como estava hoje diria que ela foi mal educada ou grosseira com alguém.

Seu cabelo estava amarrado em um alto rabo de cavalo, ela usava um collan azul que destacava cada curva do corpo e de tênis. Suas bochechas estavam rosadas e tinha um belo sorriso estampado no rosto. Os alunos estavam todos de frente de um espelho que cobria toda a parede e atrás dela, que o ajudava com os passos. Quando ela me viu encostada na parede perto da porta, abriu mais ainda o sorriso e veio dançando ao meu encontro.

- Quero ver todos dançando! Vamos lá! 1... 2... 3...! Isso aí Max! É exatamente assim! Você andou treinando, seu danadinho? – o homem de uns 24 anos sorriu pra ela e piscou. – Tudo bem? – ela perguntou dando um rápido beijo na minha bochecha.

- Tudo sim. – respondi, e eu tenho certeza que a minha expressão foi de susto. Era muito raro ver Rosalie tão feliz assim. – Preciso conversar com você. – completei.

Ela suspirou fundo.

- Manda a bomba, vai. – ela falou com a voz cansada.

- Rose, uma aluna acabou de me procurar, completamente desvairada, falando que queria trocar de curso, que você era grosseira e não-sei-mais-o-quê... – falei rapidamente e parei nesse ponto pra pegar fôlego. – O que aconteceu? – perguntei.

- Ela simplesmente veio fazer uma crítica para mim e eu respondi a altura.

Ergui a sobrancelha para ela, em dúvida. Eu sabia como “era responder a altura” para Rosalie.

- Juro Bella! Dessa vez eu não falei nada demais. Hoje eu estou muito bem, nada vai me atrapalhar, mas não vou admitir que garotinhas que acabaram de sair das fraldas me venham falar como é ou não alguma coisa. Nas minhas aulas eu mando, eu decido e eu faço.

- Ok. – falei conformada. Nesse ponto Rose tinha razão. Ela era muito responsável com seus afazeres. – Só vamos procurar evitar esse tipo de coisa, está bem? – pedi. – A menina estava transtornada! E eu não quero nem saber o que você falou pra ela. A sorte foi que você está de bom humor hoje... – falei, observando a expressão feliz. – Posso saber o que aconteceu?

- Nada. – ela falou tentando esconder.

Eu conseguia sentir a felicidade louca para ser exposta, por isso insisti, com um sorriso nos lábios. É tão mais fácil quando se conhece as pessoas...

- Certeza?

- Não, eu tenho que te contar!! – e saiu me arrastando para fora da sala. – Ele ligou!! Me ligou, me ligou Bella!! – ela exclamou, dando saltinhos.

Hãn?

- Quem ligou criatura? – perguntei curiosa. – E para de saltar Rose! Me fala!!

- Emmett ligou Bella! – ela falou como se fosse obvio.

- Quem? – perguntei, sem entender nada.

- O Emmett Bella! – ela respondeu com uma expressão impaciente. – O da boate... – ela completou extremamente feliz.

Meu cérebro fez uma rápida buscar a procura de quem ela estava falando, até que me lembrei. O da boate... Esse pensamento me trouxe lembranças ruins.

- Aaahhhh – suspirei. – Lembro vagamente.

- Pois eu lembro fisicamente. – ela falou, rindo.

- Eles não vão embora mais não? – perguntei irritada. – O amigo dele teve a cara de pau de aparecer aqui.

- Qual deles? – Rose perguntou, a curiosidade estampada na voz e mais alguma coisa que eu não consegui identificar.

- O que derrubou Martini em mim. – respondi mal humorada.

- Hum... O que ele queria? – Rose questionou, com um quê de risada na voz.

- Você não vai acreditar, mas ele pediu para ir para a sala de matrícula Rose. – falei. – Nunca pensei que um brutamonte daquele pudesse se interessar por algo tão... – e parei para tentar lembrar alguma palavra que pudesse descrever a dança para mim. – perfeito como a dança. Eu estou completamente irritada com a presença dele aqui. Com tantos lugares para ele ir, por que justamente tinha que vir até aqui? Aaaaahh ele me irrita! – completei, fechando as mãos em punho. Rose riu abertamente. – Pode se preparar por que você deve dar algumas aulas para ele, Rose. – completei, com a voz triste.

- Ou com você. – Rose falou.

- Comigo não! – exclamei assustada. – É louca? Eu estou aqui de dedos cruzados – e mostrei para ela as mãos – para que ele tenha desistido disso. Não me importo também que ele pense que aqui não é um lugar de boa qualidade, desde que suma e não apareça mais! – e fiz bico.

- Há possibilidades... – Rose falou, deixando a frase no ar.

- Pára de amolar Rose! – falei, dando um leve cutucão no seu ombro, enquanto ela entrava de volta para a sua sala e eu descia para a minha.

Quando eu cheguei lá, percebi que ainda estava com os dedos cruzados, tamanho era a minha vontade que ele tivesse ido embora.


POV EDWARD

Quando voltei ao hotel, já passavam das quatro hora. Tinha encontrado uma beleza loira e bem gostosa no restaurante, que me fez ficar mais tempo por lá. Começamos a conversar, acredito até que nunca tinha conversado tanto com uma mulher para conseguir levá-la pra cama, mas aquela até que valia a pena.

Estava certo de que ela estava na minha, e no momento em que ia finalmente convidá-la para sair dali, eis que surge não-sei-de-onde um cara com o nome John-sei-lá-o-quê e se apresenta como namorado dela. Acho que nunca fiquei com uma cara de taxo tão grande como naquele momento. Estava crente que ia me dar bem, o Ed inferior já estava até vibrando com a idéia quando aparece aquele brutamontes cortando todo o meu barato. Deve ser aquele tal do azar de quem todos falam.

Frustrado, tentei tirar da cabeça esse “quase-toco” e fui tomar um banho. Durante este, tentei pensar em algo para fazer até as sete, que era o horário da aula. Nem pude completar o pensamento, por que a campainha do quarto começou a soar irritantemente anunciando que alguém impaciente estava querendo perturbar o meu juízo.

Saí da banheira, enrolei a toalha na cintura e fui atender, ignorando o fato de estar deixando um rastro de água por onde passava. Assim que passei o cartão para abrir a porta, dois vultos passaram por mim, sem nenhuma cerimônia adentrando o quarto.

- Existe uma coisa chamada privacidade. Conhecem? – falei com o vento, pois os dois já tinham se esparramado no sofá da sala, me ignorando totalmente.

Fui até lá e nenhuma surpresa eu tive quando vi Emmet com as pernas esticadas e os pés apoiados na mesa feita de vidro que ficava no centro, e Jasper completamente a vontade em uma das poltronas e com as os braços atrás da cabeça, típica posição de um vagabundo que não faz nada para ninguém.

- Então Don Ruan, conseguiu conquistar a Rapunzel?

- Emmet, essa foi a pior até agora. – falei ranzinza.

- É cara, foi mesmo. – concordou o químico.

- Você me entendeu...

Fui em direção ao quarto para vestir uma roupa. Andar de toalha quando tem dois marmanjos no mesmo ambiente que você não é legal. Quando voltei, Jasper tentava mexer na TV, mas toda vez que conseguia mudar de canal, esbarrava com o braço na tela da TV e esta mudava de novo. Aumentava o volume, e esbarrava com o braço diminuindo de novo, ficou nessa uns três  minutos até que me irritei.

- Sai logo daí! – empurrei-o. – Quer colocar aonde?

- Ih.. Tá irritadinho, é? Parece que alguém aqui levou um fora... – cantarolou, rindo.

- Acho melhor calar a boca, antes que eu me irrite mais e resolva esta questão.

Sentei no sofá, enquanto via o Jasper recomeçar a sua briga com a TV. Fechei os olhos, me recusando a assistir essa palhaçada.

- Sério agora... Como foi lá? Encontrou a Bella?

Sabendo que seria obrigado a contar, comecei, me arrependendo quase de imediato quando começaram a rir incontrolavelmente.

- Eu avisei, Edward. Essa tu não tasca! – disse Emm, ainda rindo.

- Parece que alguém aqui vai ficar com o orgulho ferido! – contribuiu Jasper.

- Vamos ver! – falei com uma convicção que não tinha. – E falando nisso... Já pensou em como vai me recompensar?

- Sim. – tentava se controlar. – E decidi que não tem recompensa nenhuma, você vai ficar com ela, improvavelmente. – pausa para risadas. – E isso basta.

- Essa palavra nem existe, idiota! – resmunguei.

- Inventei agora. – falou cheio de si. – E se perder meu caro, - riu debochado. – Vai ficar com um peso enorme na consciência para o resto da vida.

- Que vergonha! Logo você, Edward. E pensar que eu te respeitava... – mais risos do estressadinho com sexualidade duvidosa.

- Jasper, cala a boca e vai procurar uma tabela periódica pra se entreter! – reclamei, desejando que a sessão “emputecendo-o-Edward” tivesse acabado.

- Eu tenho a Alice pra isso. – sorriu, convencido.

Depois dessa, retirei a minha significância do recinto. Eles vieram atrás, ainda zombando. Quando notei, já estava quase na hora de eu ir pro ateliê, e pensar que passei essas horas com essas malas torrando a paciência que eu já não tenho. Não fazia idéia de como se vestir para esse tipo de coisa, então peguei uma roupa qualquer que usaria para sair. Quando retornei, os dois também já se encaminhavam até a porta.

- Hm... Está na beca, hein Edward! Tudo para impressionar a donzela... – riu Jasper.

- Quer um conselho Sr. Sei tudo sobre reações químicas? Enfia a cabeça na privada e a esqueça lá dentro, já é?

- A gente deixa você lá no ateliê, Edward. – por incrível que pareça, Emmet não fez gracinha.

Aceitei a carona já que tínhamos combinado só trazer pra cá o carro dele, já que seríamos só nós três. Lembro que foi um tormento convencer Emmet de que o avião não ia cair se trouxéssemos o carro para cá também. Precisamos de alguns copos de tequila pra ele ficar mais mansinho e aceitar a idéia.

Na hora do almoço, fomos a um restaurante próximo ao ateliê e eu percebi o quanto estava faminta. Fizemos o pedido: ajiaco, picadinho à moda habanera e congrís acompanhada de uma jarra de guarapo. Quando Alice viu tudo isso, me olhou espantada.

- Você vai comer tudo isso? – ela perguntou, quando o garçom nos serviu.

- Apenas estou com fome. – respondi, já me servindo.

O almoço foi tranqüilo e eu consegui relaxar um pouco.

- Bella, estou sabendo que você vai dar aulinhas para o Sr. Derrama – Martini – Em – Mim – Que – Eu – Gamo. – Olhei feio para ela. – Fala sério Bella! Isso não pode ser só raiva! – e começou a rir. Percebi que a nova diversão delas era me tirar do sério. – Já está com a aula preparada? – provocou.
- Não tem nada definido Alice. As minhas aulas sempre estão preparadas. Rosalie andou te passando informações erradas. Nem sei se ele concluiu a matrícula. Eu ainda não olhei a grade e caso ele tenha concluído – vamos pedir a Deus que isso não tenha acontecido -, ele vai ter apenas aulas com qualquer outra professora, menos comigo. Seria azar demais. – falei, abaixando a cabeça e tentando manter a calma.

Eu ficava desesperada só de ter que encarar aquele rosto arrogante, imagina só se eu tivesse que ficar perto dele? Enfartava!

- Vamos ser realistas Bella. – Rosalie começou, com a expressão séria. – Você sabe que tem possibilidades disso acontecer, grandes, então pára de bobagem e encara. Ele não pode ser tão mal quanto você pensa. E lembre – se: você tem que ser profissional! – completou com um sorriso, enquanto enfiava uma colher de sorvete de baunilha na boca.

- Eu não sei por que vocês estão fazendo tanta questão de me lembrar disso. – falei, abaixando a cabeça e brincando com o pires do café que Alice tinha pedido. – Eu não estou nada satisfeita com essa situação. Ele foi grosseiro, arrogante. Imagina como será se eu tiver que dar aulas a ele? – e balancei a cabeça negativamente.

Eu não estava me sentindo nada confortável com essa possibilidade.

- Você percebeu que está dando escândalo antes das coisas acontecerem? – Alice perguntou. – Estamos apenas brincando Bella, isso não quer dizer que você vá ter que dar aulas para ele. Existem possibilidades, lógico. Assim como existe para mim e para Rosalie e para todas as outras professoras que dão aulas. A única diferença é que não estamos fazendo tempestade em copo d’água nem drama por uma coisa que ainda não temos certeza. Relaxa.

- Aaaahh! – suspirei fundo. – Está bem. Relaxando. – falei sorrindo e me sentando mais confortavelmente na cadeira.

Depois disso, conversamos besteiras, nada sem muita importância. O celular de Rosalie nos interrompendo três vezes em meia hora. E todas as vezes que ela atendia, tinha um sorriso lindo estampado no rosto. Eu virei os olhos, imaginando quem era.

Terminamos e voltamos para o ateliê. Eu fui dar as minhas aulas e fiquei tão entretida que não conferi a grade horária. Na verdade, eu ainda lembrei, mas o medo me fez recuar. Por que eu estava agindo assim? Eu, que nunca deixei que ninguém me metesse medo, temerosa por causa de um homem?
Tentei afastar esse pensamento da minha cabeça e me concentrei na minha aula, que foi extremamente produtiva. Sempre que eu terminava uma aula assim, feliz, contente, alegre, realizada, eu conseguia perceber como eu estava fazendo a coisa certa. Meus pais com certeza estariam muito orgulhosos de mim, afinal, eu dei continuidade a tudo que eles lutaram.

POV EDWARD

- Edward, se assegure de que a Bella não chegue com nenhuma faca ou objeto cortante perto de você! 

Ignorei o que o Emmet falou e saí do carro. Precisava respirar fundo umas dez vezes para tentar ser gentil com ela. Tarefa difícil quando esta não colabora nenhum pouco. Parece até que sabe da aposta e faz de propósito! Adentrei o ateliê pela segunda vez no dia, e a recepcionista sorriu para mim como se me conhecesse há tempos. Retribuí e me dirigi até o segundo andar.

Por sorte, talvez, uma espécie de quadro de informações que reparei ter ao lado de todas as entradas para as salas, mostrava que a sala mais próxima da escada era a de salsa. Abri a porta sem fazer barulho e notei que só havia meu lindo alvo na sala, talvez tenha chegado cedo.

Fiz o possível para ela não perceber minha presença enquanto andava até ela. Estava de costas mexendo no aparelho de som, com um vestido rodado estampado e bem colorido, roupa diferente da que estava hoje de manhã. Talvez seja específica para dança. Estava com o cabelo preso em um alto rabo-de-cavalo e com a nuca exposta, fui surpreendido com uma vontade imensa de depositar um beijo naquela região, mas me contentei em apenas sussurrar em seu ouvido.

- Oi, professora.

Percebi ela estremecer e os pêlos de sua nuca se arrepiarem. Devo afirmar que fiquei muito feliz com isso. Algum efeito, eu sei que causo. Ela virou pra mim com o mesmo olhar de hoje de manhã.

- O que faz aqui?

- E lá vamos nós de novo... – murmurei.

- Diz que você não vai fazer aula comigo, por favor... – ela realmente parecia estar implorando.

- Não vou fazer aula com você. – respondi.

- Então, repito: O que faz aqui?

- Só quis atender seu desejo.

Ela entendeu o que eu tinha feito, passou as mãos no rosto, nervosa e me olhou de cima abaixo.

- Você não vai fazer aula com essa roupa, não é? – perguntou, com um quê de ironia.

- Se você quiser... Eu posso tirar. – sorri malicioso.

Ela engoliu em seco, e balançou a cabeça como se espantasse algum pensamento.

- Se você quiser, eu posso te expulsar daqui... – respondeu agressiva.

Isso me fez sorrir ainda mais. Vê-la irritada não tinha preço. Infelizmente, naquele momento um grande grupo de jovens entrou na sala, chamando nossa atenção. Ela desviou de mim, ainda tensa, e foi falar com eles.

Parecia que teria uma aula muito interessante.

POV ISABELLA

O dia passou calmamente. Dei as minhas aulas tranquilamente e ainda juntei a minha turma com a de Alice e fizemos uma pequena disputa de break entre os alunos, que adoraram e saíram fazendo muitos comentários.

- O que essas crianças têm? – Rose perguntou, adentrando a sala enquanto os alunos passavam por ela. – Vocês deram doces a eles, não é mesmo? – ela acusou.

Começamos a rir.

- Foi só uma pequena competição para dar animo Rose, nada demais. – respondi.

- Vocês vão ficar aqui até que horas? – perguntei.

- Eu ainda tenho o próximo horário. – Alice respondeu.

- Eu estou indo embora. – Rose avisou. – Meu expediente por hoje está acabado. Um beijo para as duas. – e saiu da sala.
Quando a noite chegou, eu já estava mais relaxada. O calor em Havana estava forte e o cabelo perto da minha testa estava pregado na pele diante do suor. Lisa veio me informar que eu teria uma aula de salsa para iniciantes que começaria às 19h00min. Eu confirmei com ela e saí para vestir uma roupa mais adequada. Peguei um dos meus vestidos coloridos, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei as sapatilhas, voltando ao cômodo.

Liguei o som e deixei a música encher a sala. Balancei meu corpo, sentindo a música me envolver. Dancei um pouco sozinha e sorri. Adorava fazer isso. Comecei a organizar a sala de uma maneira que desse para todos aprenderem e me acompanharem, sem se atrapalhar. 

Abaixei para poder trocar a música do som, quando ouvi uma voz aveludada falar muito perto do meu ouvido. Meu corpo se arrepiou todo automaticamente, diante da surpresa. Eu - não - acredito – nisso! Quando eu virei meu corpo lentamente, o que eu mais temi que acontecesse aconteceu e estava parado bem ali diante de mim, com o um sorriso incrivelmente lindo nos lábios, como se estivesse se divertindo.

Ele tentou puxar assunto, mas eu não dei muita confiança. Ainda estava transtornada com o seu aparecimento. Respondi bruscamente suas perguntas. Olhei-o de baixo para cima, analisando suas roupas.

- Você não vai fazer aula com essa roupa, não é? – perguntei irônica.

O pior era que estava extremamente charmoso. Suspirei fundo.
- Se você quiser... Eu posso tirar. – ele respondeu engraçadinho e com segundas intenções.

Ofeguei com a resposta rápida dele, imaginando rapidamente como seria aquele homem sem roupa, já que com elas ele se saíia especialmente magnífico.

- Se você quiser, eu posso te expulsar daqui... – comecei.

Nessa hora, um grupo de alunos se juntou a nós, e eu suspirei aliviada. Lancei-lhe um olhar de desdém e finalmente me dirigi a todos. Poderia começar a minha aula, que pelo jeito prometia.

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OBS:

• Ajiaco: é o prato nacional de Cuba. Guisado de vegetais feito de raiz de mandioca, nabos, cenoura, ervas, alho, cebola, pimentão verde. Pode ser feito com carnes de cedro.
• Picadinho à moda habanera: carne temperada com pimentão, cebola e cachaça.
• Congrís: arroz e feijão vermelho, cozidos na mesma panela.
• Guarapo: sumo da cana de açúcar com gelo. É comumente encontrado nas ruas da ilha, feito em pequenas prensas elétricas.

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